Crítica da Mídia: É preciso jornalismo.....


Alguma coisa está fora da ordem... Os negros, os marginalizados e os depositados em “aldeias”, nas periferias. A injustiça ainda não espanta os meios de transmissão. A ausência total de compaixão é suplantada pela imponência do mais forte. Negro, gay, lésbica, transgênero não dá em outra: é infrator.


Paira, no mundo midiático, um clima de intolerância que informa através de uma disfunção narcotizante. Um silêncio perturbador que altera o sistema nervoso central daqueles que vivencia as mazelas.


Noventa por cento da população brasileira sabem que a pequena Isabela foi jogada de um prédio, mas quantos sabem que a “Tropa de Elite”, o Batalhão de Operações Especiais (BOPE), assassinou onze pessoas, entre elas uma senhora de 70 anos, em apenas uma operação no mês de abril, na comunidade Cidade de Deus, Rio de Janeiro? Quantos ouviram falar do jovem assassinado por um policial após se negar a parar em uma blitz? Em Juazeiro/BA, toda semana surgem vítimas da violência e a mesma versão: “Vítima assassinada à tiros por dois homens em uma moto. Não há pistas dos assassinos...”


É preciso jornalismo. Jornalista não é salvador da pátria, nem a profissão existe para revolucionar. Porém, é necessário estimular a crítica, estimular consciências. Já é tempo de uma nova versão “Rota 66”.



Por Cecílio Bastos, aluno do 5º período de Comunicação Social: Jornalismo em Multimeios e colaborador do MultiCiência.

Participantes do Erecom irão compatilhar experiências educomunicativas desenvolvidas na região

Estudantes e Comunidade de Juazeiro vão compartilhar experiências educomunicativas


Vivenciar os temas no momento em que eles são debatidos, reconhecer a realidade no instante em que ela é teorizada. Este é o objetivo dos Núcleos de Vivências, que irão acontecer no II Encontro Regional de Estudantes de Comunicação (ERECOM). Espalhados por diversos lugares e instituições, os participantes vão conhecer e vivenciar, durante todo o dia de sexta-feira (02/05), as condições e modos de vida de bairros da cidade de Juazeiro, as suas experiências na área de comunicação, os trabalhos de educação e capacitação no qual estão entrelaçados.


Os Núcleos de Vivência ocorrem no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), no Salitre, no Núcleo de Arte-Educação Nego D água (NAEND’A), no bairro do Kidé, no Instituto da Pequena Agricultura Apropriada (IRPAA), no Bairro do Tabuleiro, na Comunidade José e Maria e na Rádio Comunitária Liberdade FM.

Nestes lugares, os participantes vão presenciar os benefícios da comunicação, como fator agregador e de educação, como é o caso do bairro Tabuleiro. Na comunidade, existe a “Rádio Pé de Poste”, um sistema de radiodifusão que proporciona a realização de debates e é um porta-voz das reivindicações sobre os problemas do bairro. Na Comunidade José e Maria, o Articulação Resistência e Cultura - ARC Resistência - promove palestras, workshops como forma de usar o entretenimento para estimular a cultura local, fomentando na população um maior respeito pela comunidade onde vivem.

O IRPAA, organização não governamental sem fins lucrativos, exercita nas suas práticas a convivência com o semi-árido e um novo modo de conceber a região e seus problemas recorrentes a partir de uma nova relação de vivência com o meio ambiente. O NAEND’A assiste mais de 200 meninos e meninas que participam de oficinas de circo, percussão, balé, dança popular, teatro, filarmônica, artes plásticas e capoeira oferecidos pelo grupo.

A finalidade desses Núcleos de Vivências é compartilhar experiências, nas quais estudantes e as universidades possam colaborar com essas instituições e comunidades, numa reciprocidade de saberes e práticas. Um exemplo é a Rádio Comunitária Fm Liberdade de Campos, emissora que conta com o apoio da comunidade de Campos onde está localizada e é um exemplo de radio comunitária, ao promover a cidadania e a democratização da comunicação.
Informações:
Comissão organizadora:
Paulo Victor (74) 99974981
Érica Daiane (74) 88112998

Por Ramon Pimentel
Redação MultiCiência

Todos para o Erecom


De hoje (quarta-feira) até o próximo domingo, 350 estudantes de Comunicação Social e a comunidade da cidade de Juazeiro vão vivenciar o II Encontro Regional de Estudantes de Comunicação (ERECOM).


O encontro irá discutir o tema Comunicação e Educação: um diálogo necessário na luta pela superação das opressões.
O evento, que acontece no Campus III, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Juazeiro-Bahia, é um monento para debater as possibilidades da relação dialógica entre comunicação e educação, numa perspectiva de superação das opressões.


A abertura oficial do evento acontece hoje, a partir das 19h, com o painel Comunicação e Educação, com a presença do professor da Universidade de São Paulo (USP), Ismar de Oliveira Soares, que discutirá a Educomunicação como fator de transformação social; do professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Josemar da Silva Martins (Pinzoh), com o tema As Fronteiras (in)existentes entre a Comunicação e a Educação e, do estudante de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), André Araújo que trata da Qualidade da Formação em Comunicação.

Participe. Venha fazer parte do Erecom.


A programação do Erecom está disponível no blog do ERECOM: erecomjuazeiro.blogspot.com.
Da Redação MultiCiência

Vida Nova para as margens do Velho Chico



Foto: Nardélio Teixeira


Plantar 300 mil mudas de espécies nativas da mata ciliar nas margens do Velho Chico nos próximos dois anos. Este é o desafio que une professores do Departamento de Tecnologias e Ciências Sócias (DTCS), campus III, da Universidade do Estado da Bahia, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e Parnaíba (CODEVASF) e os docentes da Escola Agrotécnica de Juazeiro. A ação faz parte do projeto “Produção de Plantas Nativas para recomposição da mata ciliar no Sub-Médio-São Francisco” que se propõe a produzir mudas nativas para recompor o ambiente natural devastado: as margens do Velho Chico.

A pesquisa investiga o poder germinativo das mudas e o uso de substratos de boa qualidade, a exemplo do bagaço de cana, antes jogado no lixo e utilizado, atualmente, para enriquecer a germinação do solo.

Coordenado pela Doutora em Agronomia, Maria Herbênia Lima e Grécia Cavalcanti, professoras do DTCS, o projeto conta atualmente com o auxilio do bolsista Nardélio Teixeira, estudante de agronomia, e alunos da Agrotécnica, que recebem bolsas de estudo para desenvolver atividades relacionadas ao projeto, como a produção de mudas.

Nardélio é o responsável pelo trabalho de pesquisa, estudando a germinação de algumas espécies e desenvolve recursos para aumentar o poder germinativo de sementes, como é o caso da Baraúna (Schinopsis brasilienses), espécie nativa, com germinação de apenas 30%.

A pesquisa já identificou que a Ingazeira (Ingá vera) foi considerada a espécie mais importante, já que se encontra na margem do rio, zona de transição de águas e barrancos, evitando o assoreamento do Velho Chico.

O projeto realiza palestras e visitas em sítios às margens do rio, bem como divulgação através dos meios de comunicação para a comunidade, a fim de despertar na população local a importância de preservação da mata ciliar como fonte de subsistência. A etapa atual do projeto consiste na mobilização da comunidade de Juazeiro-Ba para o plantio das mudas.


Informação: Herbênia Lima

74 3611-7363


Por Verusa Pinho

Da Redação MultiCiência

Ambientalista, professores, estudantes discutem o meio ambiente no Vale Sub-Médio São Francisco


Ambientalistas, estudantes e comunidade se reuniram ontem (28/04), no auditório do Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS) da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Juazeiro para debater questões sobre a preservação do meio ambiente no Vale Sub-Médio São Francisco. O evento coincidiu com as comemorações do Dia Nacional da Caatinga, comemorado em 28 de abril, e homenageou o primeiro ecólogo do Nordeste e um dos maiores da América Latina, João Vasconcelos Sobrinho.


Durante o evento, propostas e ações voltadas à preservação do meio ambiente foram discutidas, como medidas de desenvolvimento visando à recomposição da mata ciliar à margem direita do Velho Chico.


Coordenadora da parceria entre a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) e a UNEB, Edneuma Gonçalves ressalta que o Projeto de Recomposição da Mata Ciliar é desenvolvido em várias etapas. ”Passamos pelas fases de produção de muda, levantamento floristico, coleta de sementes, experimentos com germinação, agora o próximo passo é fazer os mutirões para o plantio nas comunidades”, explicou.

A parceria tem a colaboração da professora Doutora em Agronomia, Maria Herbênia Lima e Grécia Cavalcanti, professoras do DTCS, que desenvolvem o projeto “Produção de Plantas Nativas para recomposição da mata ciliar no Sub-Médio-São Francisco”, responsável pela produção de mudas nativas para recompor as margens do Velho Chico.


Durante a implantação do projeto, foram realizadas análises de impactos, atividades de educação ambiental e algumas espécies foram cultivadas em áreas piloto, com participação e controle social na recomposição da mata ciliar. Ontem, foi inaugurado o viveiro florestal de produção de mudas da mata ciliar, no qual serão cultivadas plantas como: aroeira, canafístula, caraibeira, carnaubeira, catingueira, ingazeira, jatobazeiro, juá-mirim, juazeiro e muquém.



A estudante de Engenharia Agronômica Alouise Danielle, 21 anos, afirma que eventos semelhantes permitem a participação popular e tem efeitos no cotidiano. “As pessoas que participam na maioria das vezes estão sensibilizadas e dispostas a contribuir com alternativas que beneficiem o rio São Francisco, a caatinga, a mata ciliar tão degradados. Sem dúvida, a minha preocupação desperta consciência em meu vizinho e assim por diante”, defende.


A data escolhida para comemorar o dia da caatinga (28 de abril) é a mesma do nascimento do pernambucano João Vasconcelos Sobrinho (28 de abril de 1908), simbolizando assim uma homenagem ao seu centenário e também as suas contribuições às causas ambientais. João Vasconcelos fundou a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e introduziu a disciplina “Ecologia Conservacionista”, a pioneira do gênero no Brasil. Ele também foi o responsável pela criação do Jardim Zoobotânico de Dois Irmãos e pela Estação Ecológica de Tapacurá. O professor publicou cerca de 30 livros sobre ecologia e conservação dos recursos naturais.

Por Ana Carla Lima
Redação MultiCiência

Juazeiro sedia pela primeira vez o ERECOM





Pela primeira vez vai acontecer no interior da região Nordeste, na cidade de Juazeiro-Bahia, o II Encontro Regional de Estudantes de Comunicação (ERECOM). Cerca de 350 estudantes de Comunicação Social dos Estados de Alagoas, Bahia e Sergipe irão discutir o tema Comunicação e Educação: um diálogo necessário na luta pela superação das opressões. O evento ocorre na próxima quarta-feira (30/04) a 4 de maio, no Campus III, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Juazeiro-Bahia.


Palestrantes, participantes locais e da região Nordeste debatem as possibilidades da relação dialógica entre comunicação e educação, numa perspectiva de superação das opressões. A abertura oficial do evento acontece, a partir das 19h, com o painel Comunicação e Educação, com a presença do professor da Universidade de São Paulo (USP), Ismar de Oliveira Soares, que discutirá a Educomunicação como fator de transformação social; do professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Josemar da Silva Martins (Pinzoh), com o tema As Fronteiras (in)existentes entre a Comunicação e a Educação e, do estudante de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), André Araújo que trata da Qualidade da Formação em Comunicação.


Durante o evento, estão programados os Núcleos de Vivências, com a finalidade de estabelecer interações entre a comunidade e a universidade, no sentido de compartilhar experiências e saberes comuns. Os estudantes universitários vão conhecer as experiências populares promovidas na região pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a formação em arte-educação do Núcleo de Arte-Educação Nego d´ água (NAENDA), a comunicação radiofônica da Rádio Poste no Bairro do Tabuleiro; as políticas de convivência com o semi-árido do Instituto da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA); e a comunicação popular nas comunidade do bairro José e Maria e Rádio Comunitária Liberdade FM. O objetivo é vivenciar junto com a comunidade as experiências encontradas, a busca de soluções, os problemas recorrentes e as possíveis intervenções dos estudantes e da universidade.


No dia 1º de maio, os participantes estarão reunidos nos Grupos de Discussão de Comunicação e Educação com dez diretrizes como Reformas na Educação e o movimento de ocupações, Produção de Cultura Popular, Transposição do Rio São Francisco, entre outros. A partir das 14h, será realizado o Ato Público: Educação e Mundo do Trabalho, no bairro São Geraldo. Á noite, ocorrem oficinas culturais.


No sábado (03/05), acontecem os Grupos de Formação Política com as temáticas: Nova esquerda na América Latina, Mundo do Trabalho e Produção de Cultura, Comunicação e Meio Ambiente, O Que é Cultura Popular?, História dos Movimentos Sociais no Brasil, Comunicação e Movimentos Sociais e a Questão Agrária no Brasil. Participam como colaboradores o documentarista argentino Carlos Pronzato, o professor da Universidade Federal da Bahia, Antônio Câmara, entre outros.


Na noite de sábado, será realizada Mostra Cultural com apresentação de vídeos, atividades artístico-culturais e musicais. No domingo (04/05), o evento é encerrado com a apresentação de trabalhos científicos e apresentação do Samba de Veio, da ilha do Massangano.

A programação do Erecom está disponível no blog do ERECOM: erecomjuazeiro.blogspot.com.



Contatos:
Comissão organizadora: Paulo Victor (74) 99974981- pvpmelo@gmail.com
Érica Daiane (74) 88112998 / (74)99790337 – erica_daiane@hotmail.com
Luis Osete: (75) 99459290 – luisosete@gmail.com

Por Karine Pereira

Redação MultiCiência

Cineencontro exibe Machuca

Filme Machuca, do diretor André Wood

O Cineencontro exibe hoje (26/04), às 18h15min, o filme Machuca (2005), do diretor chileno André Wood. O drama apresenta a história de Pedro Machuca (Ariel Mateluna), garoto pobre que ingressa gratuitamente numa escola particular, freqüentada pela elite chilena. Em meio aos preconceitos dos colegas, surge Gonzalo Infante (Matías Quer) que desenvolve uma amizade por Pedro Machuca em pleno governo socialista de Salvador Allende, antes do golpe militar de Augusto Pinochet.


O filme narra a vida do próprio Wood no cenário político e social da época, traduzida com sobriedade e coerência nos elementos históricos, na captura de elementos ligados ao imaginário coletivo da sociedade chilena e na atuação dos jovens atores.



Machuca foi considerada a melhor produção chilena de 2005, sendo escolhido para representar o Chile e concorrer à indicação ao Oscar, na categoria de melhor filme estrangeiro, o que nunca havia acontecido com as produções chilenas.



O filme é mais uma das exibições regulares do Cineencontro, projeto de extensão da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, coordenado pela professora Giovanna de Marco. O projeto se destina a exibição de filmes que não fazem parte do circuito comercial de cinema. A exibição de filmes acontece aos sábado (quinzenalmente) no Departamento de Ciências Humanas – DCH3-UNEB, com entrada franca.

Para conhecer o Cineencontro, acesse http://www.cineencontrouneb.blogspot.com/

Por Wllyssys Wolfgang
Redação MultiCiência

Canta outra Vez, Cartola




“Ainda é cedo amor. Mal começastes a conhecer a vida, já anuncias a hora da partida, sem saber mesmo o rumo que irás tomar.” Assim cantou Cartola, na canção O mundo é um Moinho, a dor da partida que pode triturar teus sonhos tão mesquinhos e reduzir as ilusões a pó.

A riqueza de canções como “O mundo é um Moinho” e de “As Rosas Não Falam” poderá ser apreciada pelo público no show “Cartola – Entre o samba e a História,” promovido pelo Serviço Social do Comércio, de Petrolina, neste sábado (26/04), às 20 horas. No show, que faz parte do projeto Canto do Vale, Marcelo Cavaquinho, Fabiana Santiago, Themer Moira e a Orquestra de Cordas do Vale do São Francisco prometem fazer os admiradores da boa música reviverem um pouco da obra do maior sambista brasileiro, com arranjos biográficos, depoimentos do artista e suas principais composições.

Cartola adorava a primavera, nascera num domingo de outubro, há 100 anos. Queixava-se às rosas, mas retrucava: que bobagem as rosas não falam. Desde moleque, aos oito anos, já encantava os vizinhos, tocando cavaquinho, descendo as ladeiras do Morro da Mangueira acompanhando as irmãs no desfile do Dia de Reis. Termina o primário, mas a sua mãe morre e não consegue levar adiante os estudos, então cai na boemia.

Na década de 20, firma parceria com Carlos Cachaça e nasce, então, a Estação Primeira de Mangueira em 28 de abril de 1928, há exatos 80 anos. Durante sua vida, trabalhou como servente em obras, mas nunca abandonou a vaidade. Costumava usar um chapéu coco e o chamava cartola, que se tornaria seu apelido pelo resto da vida. No início dos anos 40, enfrentou dissabores, sua mulher morre e, amigos chegam a pensar, que ele também sucubiria. De fato, Cartola, um bamba apaixonado, se afunda em seus sentimentos, ao perder a sua amada, Deolinda. Ele chora, disfarça e chora. Aproveita o lamento que já vem a aurora. A pessoa que tanto querias, antes mesmo de raiar o dia, deixou o ensaio (...). A vida ficou turva, mas a inspiração não morreria.

Cartola era exímio observador e, ao deparar-se com o Vale do São Francisco, converte-o no enredo de 1948 da Mangueira, levando-a ao título de campeã, trovando aos quatro cantos que não há neste mundo um cenário tão rico, tão vário e com tanto esplendor. Mas desentendimentos afastariam Cartola da escola e do morro. Volta à margem da fama, até que o cronista Sérgio Porto o encontra lavando carros. Cartola teria mais uma chance, e desta vez não largaria. “A sorrir pretende levar a vida, pois chorando viu a mocidade perdida”.

Bate outra vez, com esperança o seu coração, pois já vai terminando o verão enfim. Volta-se, então, ao jardim e queixa-se às rosas. Surge em sua vida a Dona Zica, que seria a sua companheira até o último instante de vida. Compõe as Rosas Não Falam, e um dia antes do casamento, o clássico O Sol Nascerá, gravado mais de quinhentas vezes mundo a fora.

Apenas em 1974, aos 66 anos, Cartola consegue gravar o primeiro disco. Sua música se tornaria referência do samba. Sua vida, um exemplo. Estaria para sempre no coração da música brasileira.

Cartola foi gravado por nomes como Paulinho da Viola, Pixinguinha, João da Baiana, Gal Costa, Cazuza, Maestro Leopoldo Stokowski, entre outros. Trabalhou em rádios, lançando suas músicas inéditas, onde os ouvintes escolhiam os títulos. Mais de quinhentas composições estão espalhadas pelo mundo, sendo reconhecidas inclusive, por gravadoras nos E.U.A. e Europa.


Sem ter a clara noção de que a sua música se tornaria universal e um clássico do cancioneiro popular, Catorla, num domingo de primavera, em 11 de novembro de 1980, nos deixou, após ter conhecido os percalços da humildade, a boemia, o amor de sua esposa, Zica, e a maior das heranças – a Estação Primeira de Mangueira



No espetáculo promovido pelo SESC-Pe-, neste sábado, os amantes da boa música popular brasileira poderão apreciar as canções que encantam gerações e conhecer um pouco da vida e da obra do músico carioca. Os ingressos para o show variam entre R$ 5 a 10.

Por Wllyssys Wolfgang
Da Redação MultiCiência

Professores recebem formação para levar a cultura afro-brasileira para as escolas

Professora Beatriz é uma das coordenadoras locais do Afro-UNEB.
Foto: Wllyssys Wolfgang


A adaptação da história e da cultura afro-brasileira e africana no currículo escolar pode se tornar uma realidade nas escolas públicas baianas. O projeto Afrouneb, união do programa Uni-Afro do Ministério da Educação em parceria com a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), desenvolve atividades de formação para professores do ensino fundamental, com a finalidade de levar ao conhecimento dos estudantes da 1ª à 4ª série, a importância da África e da sua cultura na formação do povo brasileiro.

Os professores são estimulados a introduzir a história africana nas diversas matérias visando mostrar a contribuição da cultura. A intenção do projeto é promover a adaptação da Lei 10.639/03, que determina a inclusão no currículo escolar de aspectos da história e cultura afro-brasileira e africana nas diversas práticas de ensino na escola, conforme a Lei de Diretrizes e Bases para a educação, explica a professora Maria Beatriz Braga, uma das coordenadoras do projeto.

Com o AFRO-UNEB, pretende-se, além de promover o conhecimento da cultura afro-brasileira, combater o preconceito, provocado muitas vezes por conceitos negativos sobre a cultura de matriz africana.

Em Juazeiro, o Afro-Uneb é coordenado pelos professores Maria Beatriz e Paulo Soares, e pela monitora Quércia Oliveira, do Departamento de Ciências Humanas – DCH III. Em parceria com a Diretoria Regional de Educação (Direc) e a Secretaria Municipal de Educação e Desenvolvimento Social de Juazeiro/BA, são capacitados 50 educadores da cidade que atuam nas escolas publicas. A formação se dá mediante estudos promovidos por professores-formadores oriundos de Salvador.

Devido à contribuição dos africanos para a formação da identidade brasileira, o Afro-UNEB irá promover, no dia 13 de maior, a Noite Negra para discutir questões pertinentes à luta do movimento negro e reverenciar aspectos da estética, moda, beleza e da produção intelectual acerca dos conflitos contemporâneos envolvendo a cultura afro-brasileira.

No evento, haverá participação do Núcleo de Arte-Educação Negro D´Água (NAENDA), do grupo Samba de Veio, além de projeções, palestra e exposição de roupas e alimentos típicos da cultura afro-brasileira. A Noite Negra acontece a partir das 18horas, no DCH III.

Mais informações:

Maria Beatriz e Paulo Soares: (74) 3611-5617

Por Ramon Pimentel
Da Redação MultiCiência

UNEB investe em curso de Educação à Distância e promove a formação de Graduandos em Administração

A professora Goretti Souza é a coordenadora-tutora do curso em Juazeiro


O ensino de Educação à distância já é uma realidade nas universidades brasileiras. O que poucas pessoas sabem é que essa modalidade de ensino existe desde o século XIX, quando estudantes enviavam cartas aos mestres para compartilhar conhecimentos científicos. Ao final da Primeira Guerra Mundial, o ensino se expandiu por diversos países. No Brasil, essa tecnologia educacional foi implantada no período da ditadura destinada a atender a necessidades mercadológicas. Com a redemocratização do país, a EAD se populariza e desenvolve uma visão crítica.

Baseada nessa metodologia a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) implantou há dois anos o Curso de Graduação em Administração (ADM-EAD). O curso foi aprovado pelo Conselho Universitário com duração de nove meses e carga horária de 3mil horas e 200 créditos.

Realizado por 27 universidades públicas brasileiras, o curso é coordenado pelo Ministério da Educação, em parceria com o Banco do Brasil e Secretaria de Educação. O projeto envolve 10 mil estudantes em todo o país. Na Bahia e em Sergipe, são 627 estudantes matriculados em oito turmas, informa Goretti Souza, coordenadora-tutora do ADM-EAD, em Juazeiro.

O ensino à distância de Administração tem sede no Departamento de Ciências Humanas, Campus V, em Santo Antônio de Jesus-BA, e abrange 11 pólos regionais, formados por Aracajú, Barreiras, Guanambi, Jacobina, Juazeiro, Irecê, Paulo Afonso, Salvador, Serrinha, Teixeira de Freitas, Vitória da Conquista.


As atividades são semipresenciais e realizadas em encontros que ocorrem aos sábados nos pólos de ensino. Os estudantes utilizam Bibliotecas, fóruns de discussão, chats, questionários virtuais, trabalhos científicos e páginas de sites para aprofundar os estudos e desenvolver as avaliações.

Em Juazeiro, o curso tem 32 estudantes matriculados, entre eles funcionários do Banco do Brasil, do SENAI-SE e Técnico-Administrativos da UNEB que irão se graduar em Administração.

Os gestores do curso consideram o ensino de Educação à Distância indispensável à promoção do conhecimento, tornando-se uma das fontes de ensino-aprendizagem, por introduzir as novas tecnologias e promover a transformação social, política, cultural e econômica.

Para quem tem dúvidas sobre a eficiência e a importância do ensino à distância, o monitor do curso Rodrigo Gomes coloca uma questão que merece reflexão: "é preciso que os críticos da modalidade à distância, bem como os demais indivíduos, passem a enxergá-la, não somente pelo lado negativo, mas pelas experiências as quais vêm obtendo êxito”.


Mais informações: Goretti Souza - 74 36115617.

Por Kátia Brito (Texto e Foto)
a Redação MultiCiência

Critica da Mídia: Opinião de Alberto Dines

Alberto Dines e uma reflexão importante sobre o Caso Isabella Nardoni e a cobertura da mídia:

Uma das funções da mídia, entre outras, é fazer pensar. Mas, neste caso, ninguém quer pensar – prefere-se acusar, julgar e encerrar o assunto. Mas o interesse da sociedade é fazer justiça. Fazer justiça é uma das maneiras de encerrar este ciclo de crueldade pelo qual pouca gente está realmente se importando.

Leia mais em Obervatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=481JDB015

Da Redação MultiCiência

Crítica da Mídia: Toni C.: Por quê o caso Isabella comove?

Isabella, coisas e gente



Não tomei conhecimento desde o princípio do caso de Isabella, cinco anos, encontrada morta no jardim de um prédio na zona norte de São Paulo no último dia 29. Mas aos poucos fui me inteirando, tomando conhecimento. Virou uma discussão nacional, onde é impossível não se envolver emocionalmente. Onipresente nos meios de comunicação há mais de duas semanas. Não há como tomar conhecimento e não se perguntar: Por quê? Quem?... Fui substituindo as perguntas, e entre as novas passou a surgir... “Por quê o caso Isabella comove tanto o país?
Por Toni C.




Comecei a notar que, por mais que se provoque na sociedade os sentimentos mais individualistas, o ser humano tem guardado dentro de si sentimentos de solidariedade e companheirismo. Quem não se colocou no lugar da menina? Quem não se colocou nos lugar dos pais, dos irmãos, da mãe?


Quem não se sentiu pelo menos por uma fração de segundo como se Isabella Oliveira Nardoni fosse a sua própria filha? Como se perdesse um ente querido...


Talvez tenha sido isso que Cristo ensinou quando disse “amai o próximo como a ti mesmo”. Ou o que Che expressou na celebre frase: “Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros”.


Isabella, com cinco anos de idade, unificou uma nação de 180 milhões de pessoas num único sentimento. A comoção nacional é justa, legítima e reveladora.


Outra pergunta que fiz foi: Será que o mesmo aconteceria caso Alexandre Nardoni fosse um pedreiro desempregado, morasse numa favela e não no 6º andar do Edifício London? E se a queda da menina fosse numa valeta do esgoto a céu aberto que passasse em frente do barraco da família?


Cento e onze mortos no massacre do Carandirú a mando do governo paulista, não causaram tamanha comoção. E o país que tem cidades como o Rio de Janeiro, onde morrem mais jovens vítimas de armas de fogo do que em guerras como a de Israel e Palestina (pesquisa do Iser 2001).


A comoção é louvável. Mas por que não houve a mesma reação diante da Chacina da Candelária, quando policiais atiraram em mais de 70 menores? Por que crianças mortas de inanição comovem menos que adolescentes morrendo de anorexia? Por que quem rouba um pote de margarina vai preso e quem toca fogo em índio e mendigo fica impune?


Uma das testemunhas, um advogado morador do prédio em frente, apareceu na televisão dizendo: “A menina não representava perigo a ninguém”. Então é por isso? Quando morre um pretinho desafortunado ninguém se comove porque ele pode representar perigo quando crescer? E o mal se corta pela raiz?!

Tudo demonstra que, por trás da nobre comoção, está embutido um mesquinho sentimento de classe.


Os casos do menino João Hélio, arrastado preso ao cinto do carro, ou da estudante Liana Friedenbach, morta pelo namorado, foram usados como estandarte para reivindicar a redução da maioridade penal, ou pedir a pena de morte. No caso Isabella, as classes menos favorecidas não saem às ruas para pedir o fim da cela especial para quem tem curso superior, ou a extinção do foro privilegiado. Afinal a lei não deve ser aplicada da mesma maneira a todas as pessoas?


Vivemos num país onde o pobre foi ensinado a se classificar como classe média baixa. Parece que essa classe média se diferencia da outra por não ter o hábito de tirar proveito da desgraça alheia.


A imprensa, que mede sua audiência com pesquisas, não cansa de bombardear o caso, mesmo sem nenhuma nova informação. Se precipitou em acusar o pai e repete versões que já se sabe serem inverdades.


A polícia informa que até sexta-feira deve sair o laudo conclusivo. O telejornal da maior emissora deTV do Brasil, ne quarta pela manhã, deixou escapar que torce para que o caso se estenda ao máximo – assim como sua liderança de audiência, hoje ameaçada. Apela para o argumento macabro de que sexta feira Isabella completaria seis anos. “Não seria de bom tom no dia de seu aniversário divulgar o laudo final (sic)", comenta a apresentador. Impedida de exprimir emoções, ela diz uma única frase, “Que caso triste!”, e emenda com a próxima notícia, sobre uma festa de premiação do cinema. Entram imagens de gente sorrindo; entre os grandes campeões da noite está o filme Tropa de Elite, é claro.

Discordo em gênero, número e grau de quem simploriamente classifica esse filme de fascista. Fascista é a sociedade em que vivemos. O filme é só um retrato dela. O ator Wagner Moura, que interpreta o personagem Capitão Nascimento no filme, dá uma breve declaração, dizendo-se satisfeito por ser reconhecido não só pelo povo mas também por profissionais da área.

Será que com tanto artista, imprensa, enfim, com toda elite, ninguém cutucou o Wagner e cochichou em seu ouvido: “Wagner, entra numa cabine telefônica, vira o Capitão Nascimento, pega sua Tropa e sobe pelo elevador. Atira no primeiro que aparecer, pega uma segunda pessoa pelos cabelos e coloca a cara dele no buraco do tiro. Depois bate na cara dele gritando. ‘Confessa, quem matou Isabella, você viu, confessa!’ Até o cara contar”?


Quantos filhos não perguntarão nos próximos dias: “Papai, você tem coragem de me jogar do prédio?” Quantos não se perguntaram o que aquela criança fez para merecer isso? Quantas mães com filhos de outro casamento não proibirão que seus filhos passem um fim de semana com seu ex-marido? Será que alguém mais lucrou com isso além da imprensa e das empresas que vendem grades para janela?

Não sei. Só sei que eu também não sou as coisas. Eu me revolto.

Matrícula para Universidade Para Todos

O Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia, convoca os alunos selecionados para o cursinho pré-vestibular Universidade Para Todos a realizarem as matrículas até a próxima quarta-feira (23/04).


As matrículas serão realizadas no horário das 19h às 22h na sala 1 (um), do Departamento.


O coordenador do Universidade Para Todos, Paulo Soares, esclarece que os selecionados devem apresentar documentos pessoais – cópia do RG e CPF -, cópia dos históricos escolares do Ensino médio e Ensino Fundamental e duas fotografias 3\4.


Mais informações: Prof Paulo Soares
(74) 8816 4098 74 – 3611-5617.

Abertas inscrições para Mestrado em Cultura, Memória e Desenvolvimento Regional

O Mestrado em Cultura, Memória e Desenvolvimento Regional da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) inscreve candidatos à Seleção de Aluno Regular até o dia 24 de abril.

Os candidatos concorrem a 20 vagas, divididas em duas linhas de pesquisa: Cultura, memória, linguagens e identidades e Políticas públicas de desenvolvimento regional/local. O Programa reserva 40% das vagas para quem se declarar negros, e 5% para os que se declarem índios.

A coordenadora do curso, Lúcia Castro, esclarece que o curso surgiu da colaboração de professores de outros departamentos da UNEB e da necessidade de contribuir para o desenvolvimento das regiões ao entorno, através de atividades de ensino, pesquisa e extensão, e formar docentes para as instituições de ensino superior.

O Mestrado em Cultura, Memória e Desenvolvimento Regional está sediado no Departamento de Ciências Humanas (DCH), do Campus V, em Santo Antônio de Jesus.

Para se inscrever, os interessados devem preencher a ficha de inscrição com indicação da linha de pesquisa escolhida. Os demais documentos necessários podem ser conferidos através do Edital, que se encontra no site www.ppghis.uneb.br.

A documentação deve ser entregue na sede do Programa de Pós-Graduação em Cultura, Memória e Desenvolvimento Regional, ou enviar via Correios (Sedex), com data de postagem até a data de 22 de abril.

A sede do programa está localizada na Rua Monsenhor Antônio Oliveira, 81, em Santo Antônio de Jesus. O atendimento acontece nos dias úteis, das 9h às 12h e das 14h às 17h.
Mais Informações: Mestrado em Cultura, Memória e Desenvolvimento Regional – Tel.: (75) 3631-3465.
http://www.ppghis.uneb.br/


Da Redação MultiCiência

Projeto estimula o hábito da leitura entre as crianças




A infância é uma fase importante na vida das pessoas e necessita de estímulos sociais para o desenvolvimento das suas potencialidades. A partir dessa compreensão e na perspectiva de aprofundar estudos voltados à infância, o Departamento de Ciências Humanas, do Campus III, da Universidade do Estado da Bahia, desenvolve o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Infantil (GEPEI).

O projeto foi idealizado a partir do interesse em saber porque os educadores reproduziam um discurso de que os alunos das séries iniciais não gostam de leitura e de histórias contadas na escola. Diante deste desafio, o grupo surgiu numa perspectiva de incentivo à leitura já nas primeiras idades, conta a professora Selma Campos, coordenadora do Grupo.

Uma das atividades do projeto é A Hora do Conto, na qual as crianças do bairro São Geraldo, filhos de estudantes e os colaboradores fazem leituras de literatura infantil como fábula, conto, parlenda, história em quadrinhos, entre outros, realizadas sempre na última quinta-feira do mês, no Canto de Tudo, anfiteatro do Departamento de Ciências Humanas, campus III, UNEB.

Selma esclarece que o Grupo pretende contemplar ações que aprofundem os conhecimentos sobre práticas e organizações curriculares de instituições que oferecem a educação infantil no município de Juazeiro, contribuindo no trabalho de formação de professores na região.

Através da organização de um banco de dados sobre Educação Infantil nas escolas do município, da realização de sessões de estudo e seminários, mobilizando professores da área para o conhecimento do trabalho, pretende-se elaborar um projeto político-pedagógico no segmento da Educação Infantil em Juazeiro. O Grupo também faz visitas a creches na localizadas em Jauzeiro.

O GEPEI não está registrado no Plano Orçamentário Anual da UNEB e não há recursos financeiros para o desenvolvimento das atividades. “No entanto, a Universidade sempre tem apoiado o projeto com materiais, transporte ou com equipamentos”, ressalta Selma.

Atualmente, o projeto desenvolve parceria com a Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) junto ao professor de Psicologia, Marcelo Ribeiro, com a finalidade de aprofundar estudos voltados à Educação Infantil, uma vez que as instituições têm interesse em compartilhar experiências semelhantes. Para quem desejar participar do projeto, venha conhecer A Hora do Conto, que acontece no dia 24 deste mês, às 17h, no Canto de Tudo, DCH III/UNEB.

Mais informações: Selma Campos
(74) 3611 5617 - 3611-6483


Por Paulo Victor

Dica de Leitura




Casos de assassinato envolvendo pais e filhos são sempre noticiados pela mídia. Crimes brutais e sem qualquer chance de defesa por parte das vítimas têm causado indignação à população brasileira e desafiado a polícia na busca pela verdade dos fatos no cumprimento da Justiça.


Dois dos mais recentes casos que tiveram repercussão nacional foi o de Suzane Von Richtofen, jovem de classe média alta de São Paulo que mandou matar os pais. Réu confessa, Suzane e os dois cúmplices foram condenados a 39 anos de prisão. Hoje, a polícia brasileira se depara com mais um caso: o da menina Isabella Nardoni, que foi jogada da janela do sexto andar de um prédio, também em São Paulo.

Há pouco mais de 15 dias o mistério sobre quem assassinou a garota ainda prevalece. Até agora, sobre os únicos suspeitos, o pai e a madrasta da criança, nenhuma prova de concreta foi encontrada.


A atuação da mídia neste caso específico tem sido objeto de discussão para quem desejar produzir um bom jornalismo. Para ter mais dados de como os meios de comunicação atuam em casos de violência, crimes, uma dica é comparar a cobertura da imprensa no caso Suzane Von Richtofen e o episódio envolvendo a criança Isabela.


Na Hemeroteca, projeto de extensão desenvolvido pelo Departamento de Ciências Humanas sob a coordenação do professor Emanuel Andrade, encontram-se as edições da revista Veja sobre o caso Richtofen. Leia, compare e procure identificar os erros e acertos da mídia em casos semelhantes.


O bom jornalismo pode começar pela crítica à mídia.

Por Natália Aguiar

Erecom discute relação entre Comunicação e Educação

Comunicação e Educação: um diálogo necessário na luta pela superação das opressões. Essa é a temática do II Encontro Regional de Estudantes de Comunicação (ERECOM), que acontece entre os dias 30 de abril e 4 de maio, no Campus III da Universidade do Estado da Bahia(UNEB) em Juazeiro. Estudantes de Comunicação e Pedagogia poderão inscrever trabalhos científicos, relatos de experiências, trabalho de conclusão de curso e atividades artístico-culturais até a próxima segunda-feira ( 20/04).

Durante o evento, acontecem grupos de discussão, palestras e oficinas para discutir a relação dialógica entre comunicação e educação, numa perspectiva de superação das opressões. Educação e Comunicação são duas noções coexistentes, compreendida no processo de troca e dialogo entre inter gerações, garantindo que homens e mulheres transmitam conhecimento uns aos outros.

Na programação, o professor da Universidade de São Paulo (USP), Ismar de Oliveira Soares, analisa a relação entre comunicação e educação na contemporaneidade. Também participam do evento o documentarista argentino, Carlos Pronzato, os professores Rilmar Lopes e Antônio Câmara, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

No dia 1° de maio, o ERECOM vai às ruas em um ato público unificado com o tema Educação e Mercado de Trabalho. Durante o dia 2, os estudantes irão visitar e trocar experiências em rádios comunitária, acampamentos do MST e bairros de Juazeiro como forma de integrar e romper as barreiras entre a sociedade e a universidade. O ERECOM também é uma oportunidade para estudantes que participam de grupos de pesquisas e extensão ou estão concluindo o curso apresentem trabalhos acadêmicos e científicos.



Os editais de trabalho científicos e artísticos, assim como a programação, estão disponíveis no blog http://www.erecomjuazeiro.blogspot.com/

Por Karine Pereira

Arte, Cultura e Dança no Vale Dançar

Foto/Internet: Grupo de Dança do Teatro do Sesc-Petrolina

A partir da próxima segunda-feira (14/04) até o dia 30, acontece o I Festival Vale Dançar, promovido pelo Serviço Social do Comércio (SESC), de Petrolina-Pe. O objetivo é fomentar as artes cênicas no Vale do São Francisco difundindo a cultura da dança junto a comunidade, divulgando atividades artísticos e propondo discussões acerca da temática.


O coordenador do evento Jailson Lima pretende estimular a produção cênica que se destaca no cenário profissional na região, compreendendo o papel das artes como estímulo à humanização. Serão realizadas oficinas de dança com artistas locais e de Recife-PE e Salvador-Ba, mesas-redondas, debates e palestras, espetáculos de dança e música.


O Festival começa, na segunda-feira, com oficinas de dança em escolas públicas do município. Nesta etapa, as inscrições serão gratuitas, com a intenção de promover a inclusão social junto ao público de escolas públicas e a valorização da cultura local.


No dia 23 de abril, ocorre a mesa-redonda Fazer Dança no Vale, Vale?. De 24 até 27, serão realizadas as oficinas de tango, ballet, dança contemporânea e do ventre. Dia 26, acontece a palestra Dança Contemporânea, o que e isso? e a apresentação do projeto Canto no Vale, com Cartola – entre o samba e a história. Dia 27, a Cia de Dança do Sesc apresenta o espetáculos Fuá na Casa de Zé Mané. Dia 28, será a noite dos solos e duos de dança, com apresentação do espetáculo solo Assim na Terra, como no Céu, de Recife-PE e mostra competitiva de solos e duos.


Em comemoração ao dia mundial da dança – 29 de abril, o Festival realiza uma Mostra Comemorativa na Concha Acústica de Petrolina, na Praça D. Malan, com a apresentação de mais de 15 grupos da região. O objetivo é reconhecer o trabalho de artistas locais que, normalmente, não têm espaço de divulgação.


Para encerrar, na quarta-feira (30/04), o Festival traz a mostra de dança contemporânea Experimentos Coreográficos, com os bailarinos da Cia de Dança do Sesc.


Para assistir aos espetáculos, as inscrições variam entre R$ 7 e R$15 para as oficinas; R$ 3 e R$6 para os espetáculos e a mostra competitiva; e para o projeto Canto do Vale R$ 5 e R$10.



Mais informações:Sesc Petrolina/Jailson Lima: 87 3866-7474 ou 3862-1125.


Por Wllyssys Reis

Falta de destinação do lixo hospitalar pode trazer riscos à saúde




A disposição, coleta e tratamento de resíduos sólidos de saúde, mais conhecido como lixo hospitalar, é alvo de preocupação na sociedade. Anualmente, são 30 trilhões de lixo produzidos no planeta. Materiais como seringas, agulhas, bisturis, curativos, remédios vencidos são depositados livremente em lixões, a céu aberto, onde ficam em contato direto com pessoas, animais, insetos.


Produzidos em laboratórios, clínicas, hospitais, farmácias e postos de saúde, o resíduo é considerado um lixo altamente tóxico e perigoso, já que pode conter germes patogênicos (fungos e bactérias), além de diversos tipos de material radioativo, que provocam acidentes como o ocorrido em Goiânia, no ano de 1985. A transmissão de doenças e a contaminação são os principais motivos pelos quais os administradores hospitalares devem se preocupar, pois o lixo pode colocar em risco os pacientes por meio de infecções fatais.

Em Juazeiro e Petrolina, o lixo hospitalar é coletado pela SERQUIP - Tratamento de Resíduos, empresa particular licenciada pelo órgão estadual de controle ambiental especializada no tratamento do lixo hospitalar. A empresa oferece serviços de coleta e transporte, além de tratamento feito por meio da incineração dos resíduos contaminados, proveniente das unidades de saúde.

Não existem dados precisos da quantidade de lixo recolhido nos estabelecimentos de saúde das cidades de Juazeiro e Petrolina. Contudo, calcula-se que duas toneladas de lixo são recolhidas por dia nas duas cidades”. Nos hospitais como Dom Malan, Pró-Matre e Hospital Regional os resíduos têm o mesmo destino: o lixo orgânico é separado do hospitalar e a Serquip recolhe e promove o processo de incineração dos resíduos. Apenas o Hospital Regional de Juazeiro tem uma estação de tratamento, canal por onde escorre os resíduos. Cabendo ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), a responsabilidade pela limpeza periódica e a fiscalização da estação.

Risco á Vida

Quando a inadequação do descarte de resíduos se junta à falta de informação sobre o risco potencial do material, o acúmulo de lixo torna-se um risco à vida. Preocupada com essa situação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a Resolução nº 306/2004, que prevê a divisão, tratamento e transporte adequado dos resíduos como responsabilidade de cada unidade de saúde onde foram gerados.


Dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico mostram que 63% dos municípios brasileiros possuem coleta de resíduos de serviços de saúde, porém apenas 18% utilizam algum tipo de tecnologia de tratamento, 36% queimam esses materiais a céu aberto e quase 35% não adotam nenhum tratamento.

Os agentes geradores de resíduos, como hospitais, laboratórios, farmácias, são obrigados a contratar os serviços da SERQUIP, mas estabelecimentos de menor porte chegam a contratar empresas intermediárias que recolhem e levam o lixo para a empresa. Em caso de medicamentos vencidos, a Vigilância Sanitária se incube de catalogar e apreender esses remédios.

Por Natália Aguiar









Vida e Obra de Afonso Romano de Sant´Anna

Foto Arquivo As Tormentas (http://www.astormentas.com/


Definição

O corpo é onde
é carne:
o corpo é onde
há carne
e o sangue
é alarme.
O corpo é onde
é chama:
o corpo é onde
há chama
e a brasa
inflama.
O corpo é onde
é luta:
o corpo é onde
há luta
e o sangue
exulta.
O corpo é onde
é cal:
o corpo é onde
há cal
e a dor
é sal.
O corpo
é onde
e a vida
é quando.

(Afonso de Sant´Anna)



Se o corpo pode ser apreendido pela carne, pela luta, a vida, quando há cal, sangue e se tudo onde há corpo é quando se há, não saberemos com exatidão, pois tudo frui e se deleita no mar das palavras. Mas a poesia e a arte literária podem transfigurar, transgredir, assumir outros papéis e a busca por uma simples definição será vã, pois tudo é onde, é quando. Assim pode nos remeter o poema “Definição”, de Afonso Romano de Sant´Anna e nos convida a conhecê-lo pessoalmente, à procura da poesia e da literatura. Será que isso é possível?


Não sabemos. Mas, nesta quinta-feira, a partir das 19h30, no Centro de Cultura João Gilberto, na cidade de Juazeiro, o escritor Affonso Romano de Sant’Anna estará presente no Projeto TIM Grandes Escritores, para uma palestra sobre a sua vida e a sua obra.


O poeta Affonso Romano nasceu em Belo Horizonte, em 1937, formou-se em bacharel em Letras Neolatinas na Faculdade de Filosofia da UFMG, em 1962, e estreou na poesia com o livro Canto e Palavra (1965). Suas principais obras são o livro de poesia Que País é este? (1980) e o livro de crônica A Mulher Madura (1986), entre outros


Para dialogar com o poeta mineiro, estará presente ao evento o escritor juazeirense Ângelo Roncalli, articulista da revista Art Pop Zine e autor do livro de poesia Orbitais – um ato de novas conquistas (poesia). Os dois escritores vão conversar sobre como a literatura se fez presente nas suas vidas, quando a palavra ainda não havia se feito verbo e tudo era um encontro de alguém, uma pessoa com palavras, palavras soltas, palavras impressas, palavras derivadas de outras palavras. E então, tudo se fez verbo. As palavras já não eram suas, foram apropriadas pelo leitor.


Na apresentação desta quinta-feira, os autores também irão discutir como incentivar a propagação do conhecimento e a reflexão sobre a cultura brasileira, estimulando a literatura e a valorização do modo de fazer, criar e expressar a arte literária. As cidades de Vitória da Conquista, Alagoinhas, Ilhéus, Itabuna, Feira de Santana e Lauro de Freitas são contempladas pelo programa. A cidade de Juazeiro já recebeu as palestras dos escritores Marina Colassanti, Josemar Martins (Pinzoh), Zuenir Ventura e Edmerson Reis.

Da Redação MultiCiência

Pelo direito à Segurança Alimentar

Reprodução (wikipedia)

Projeto de extensão “Criando Capacidade em Segurança Alimentar no Brasil”, desenvolvido no Departamento de Ciências Humanas (DCH III), procura mapear os hábitos alimentares da população de Juazeiro e Petrolina, com a finalidade de contribuir na elaboração de políticas públicas para diminuir a insegurança alimentar.

O termo segurança alimentar se refere ao direito a uma alimentação saudável, de qualidade e em quantidade suficiente com acesso permanente, sendo baseada em práticas alimentares que promovem o bem-estar e à saúde.

Coordenado pela professora e mestre de Desenvolvimento Regional, Luciana Nóbrega, do DCH III/ UNEB, o projeto pretende também capacitar ativistas sociais em segurança nutricional no Nordeste Brasileiro, em especial no semi-árido

O objetivo é fornecer modelos de educação e treinamento baseados nas características locais das comunidades que respondam aos desafios impostos pela necessidade de aumentar o grau de segurança alimentar das populações mais vulneráveis.

A coordenação do projeto realiza questionários com setores da comunidade de Juazeiro e Petrolina para diagnosticar a cultura alimentar na região. A partir do conhecimento dos hábitos alimentares, será possível fomentar a segurança nutricional numa perspectiva de valorização da cultura alimentar local e a inclusão da agricultura familiar, o que pode estimular os pequenos produtores da região do Semi-árido a desenvolverem projetos de cultivo de alimentos livres de agrotóxicos.
Atualmente, o projeto desenvolve ações com o Departamento de Tecnologias e Ciências Sociais (DTCS), no qual estão sediados os cursos de Engenheira Agronômica e Direito, com a finalidade de realizar um diagnóstico dos hábitos alimentares nas escolas públicas de Juazeiro.

O projeto tem apoio da Canadian International Development Agency – CIDA, do Centro de Referência de Segurança em Alimento e Nutrição e de cinco universidades: Ryerson University ,do Canadá, Universidade Federal Rural Rio de Janeiro, Universidade Estadual de Minas Gerais, Universidade Estadual do Ceará e UNEB. A região de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) foi incluída no projeto sobre Capacidade em Segurança Alimentar, após reunião dos parceiros do projeto no mês de Junho no Canadá. Também são colaboradores do projeto as organizações não-governamentais como Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA); Serviço de Assessoria às Organizações Populares Rurais (SASOP) e entidades nacionais como o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA).

Mais informações: lucianasibm@hotmail.com
Por Lívia Orge

Representantes dos movimentos sociais discutem controle social das contas públicas

Representantes de organizações não-governamentais e dos movimentos sociais de 10 municípios do Território do São Francisco estão reunidos de hoje (07/04) até amanhã (08/04) para discutir formas de controle social e de gestão das contas públicas no Brasil.

O encontro acontece das 8h às 17h, no Centro de Treinamento do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), sediado no bairro Jardim Primavera, Juazeiro-Bahia.

O evento faz parte das ações da Campanha Nacional “Quem não deve não teme”, promovido pela Articulação em Políticas Públicas que reúne organizações não governamentais e sociedade civil.

O objetivo da campanha é estimular os cidadãos e a sociedade civil a fiscalizarem a aplicação de recursos públicos, especialmente em prefeituras e câmaras de vereadores, através de dispositivos previstos na Constituição Federal.

No encontro, representantes da Associação dos Advogados de Trabalhadores Rurais (AATR) irão oferecer assessoria aos participantes para compreender temáticas como a aplicabilidade das leis orçamentárias no controle das contas públicas.



Mais informações:
Admilson da Rocha – Coordenador Institucional do Irpaa
74 3611-6481

A atualidade do pensamento de Nelson Rodrigues



O dramaturgo, escritor e jornalista Nelson Rodrigues é objeto de controvérsia na sociedade brasileira e provoca discussões a respeito das representações que ele criou sobre a mulher, a família e a sexualidade. Para revistar o pensamento de Nelson, o professor Sebastião Almeida, da Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Petrolina (FACAPE), procura entender a evolução do universo feminino e sua relação com as forças naturais e instintivas na cultura ocidental, por meio de uma reflexão sobre a personagem Dorotéia..

Inspirado no filósofo alemão Theodor Adorno, que analisou o personagem Ulisses de Homero, herói que ficou conhecido como símbolo da capacidade humana para suplantar as adversidades, Sebastião escolheu “Dorotéia”, personagem da última fase mítica da obra do dramaturgo para analisar a fase heróica da personagem. Assim como Ulisses, Dorotéia é heroína porque realiza uma espécie de catábase, uma descida à mansão dos mortos para enfrentar seus próprios demônios.

Para quem ainda não conhece a peça Dorotéia, ela foi escrita em 1948 por Nelson Rodrigues. Na peça, tem-se uma contenda sobre um dos mais polêmicos mitos da humanidade: sexualidade e repressão dos desejos. A negação dos instintos da natureza feminina, sempre um jogo dual, a alma e o corpo, o material e o espiritual, o feminino e o masculino, a razão e a natureza, a vida e a morte, a beleza e a maldição, a rejeição do próprio corpo são os dilemas presentes na peça. Afinal, Dorotéia era moça belíssima, tornou-se prostituta e sofria a censura de suas três primas que eram muito recatadas e atormentadas por uma “herança sacrificial” advinda do “pecado” da bisavó delas: casou-se com um homem, dedicou amou a outro. Essa herança era simplesmente uma náusea presente nas relações sexuais das mulheres, que, ao invés de suscitar desejo, sente-se esse mal-estar. O texto concentra em Dorotéia a representação destes dilemas, e só ela pode vencê-los.

Sebastião defende que o mito se encontra justamente na descida da personagem até a mansão dos mortos. Para que Dorotéia seja aceita na sociedade como uma moça honrada, suas primas a convencem de que é preciso se tornar feia. Assim, o pecado seria findo. Destarte, Dorotéia procura um senhor leproso e adquire a doença. Nesse estado, ela pensa no morto que carrega consigo: a culpa por ter se distanciado da família. Fica evidente, portanto, que não existiria em Dorotéia a negação do desejo, como acontecia nas mulheres de sua família.

A partir deste enredo, o professor analisou o medo da natureza que o homem nutre em si. O professor interroga: “haveria em Dorotéia uma representação do confronto entre natureza e racionalidade na cultura ocidental?” A razão, para Sebastião, tornou-se agressiva demais, o que provocaria o súcubo dos instintos que o ser humano possui. O excesso racional vitimiza a natureza interna, e hoje com a modernidade há uma estimulação da sexualidade feminina (o que não deixa de ser problemático). A mulher tem esse domínio do desejo, de provocar. Foi Eva quem tentou Adão, mas é a mulher, também, que nasceu para ser mãe e esposa, assim como Maria, mãe de Jesus.

Ao longo deste diálogo entre Sebastião e a obra de Nelson Rodrigues, apareceram as feiticeiras que foram levadas a fogueiras no período da inquisição, não por serem bruxas velhas, horrendas e corcundas. Mas sim, mulheres belíssimas que conheciam muito de ervas e chegavam até a consolar pessoas em seus últimos suspiros.

Nesse cativante relato histórico-filosófico, o professor suscitou o mito de Pandora, a primeira mulher do mundo, segundo a mitologia grega, a libertar os males de dentro da caixa feita por Zeus em vingança a Prometeu. Percebe-se que, ao longo dos tempos, há uma produção da imagem dual da mulher. Uma dualidade problemática onde o ser feminino tem duas faces: a pura – como Nossa Senhora- digna de culto até hoje e a impura – como Eva, que recebeu o castigo de Deus. Verso e reverso duma mesma moeda.

Acredita-se que a peça passa no inconsciente de Dorotéia, e por isso é tão expressionista, tão atual e humana. A obra de Nelson Rodrigues pode nos suscitar muitos outros questionamentos, como “foi realizado um casamento perfeito entre Razão e Instintos? Em que medida a mulher é uma construção de si mesma?”. Estas perguntas trazidas pelo professor Sebastião nos conduzem a respota que a história da humanidade é uma história de procura. À mulher e ao homem, é necessário compreender os limites e encarar os próprios demônios e superá-los para se criar um indivíduo inteiro, íntegro, na essência da palavra.


Por: Jaquelyne A. Costa. Esta critica foi feita durante o Encontro Litérario no Festival de Artes do Vale do São Francisco, ocorrido entre 30 de julho a 15 agosto de 2007.

Salve, São João do Carneirinho e suas representações




A simbologia da representação de São João do Carneirinho nas festas juninas do Brasil é tema de investigação da pesquisadora, Elisabet Gonçalves de Moreira, mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada.

A pesquisadora identificou que a imagem de São João menino apareceu com regularidade na iconografia de mestres da pintura universal, atravessando os séculos e chegando ao modelo de representação que temos hoje, sendo ressignificada ao longo do tempo.

São João do Carneirinho, geralmente, é apresentado como uma bela e lânguida criança circundada por uma auréola dourada, parcialmente vestida com pele de animal, com um carneirinho em seu braço e um cajado na forma de cruz, sobre nuvens e rodeado de estrelas, ornado com flores tipicamente européias. Essa representação encontra-se difundida no imaginário popular e se torna mais singular a cada festa junina, sendo reapropriada pela população e construindo sentidos.

A pesquisa em desenvolvimento abrange diversas áreas e referências teóricas, desde a Semiótica, Artes, Folkcomunicação à Religiosidade Popular. A pesquisadora também produz obras de arte a partir da representação do santo festeiro junino.

Mais informação sobre esta temática, deixe seu comentário e/ou e-mail e enviamos contato telefônico da pesquisadora.

Por Daniele Valois

A chuva não é o problema



Todos os anos as mesmas cenas se repetem nas cidades de Petrolina e Juazeiro, as águas de Março, como escreveu Tom Jobim, vêm fechando o verão e além da promessa de vida e boa colheita para os produtores na zona rural, também temos a certeza dos estragos na zona urbana, pois as chuvas torrenciais trazem prejuízos.

As cidades em grande parte do seu território ficam alagadas. O comércio não funciona, pois seus funcionários estão isolados em seus bairros, as crianças não têm aula, todos os setores sofrem perdas, as cidades param.

A cada primeiro trimestre ocorrem muitos transtornos, pois as autoridades esquecem de cumprir suas obrigações com a população, não desempenham suas funções, desprezando esses acontecimentos.

Anualmente, os mesmos estragos acontecem, pessoas ficam desabrigadas, bairros ficam alagados, ruas intransitáveis... E não é preciso deslocar-se para bairros periféricos para encontrar exemplos, o desdém acontece nas imediações do centro da cidade.

Além das ruas sem recapeamento do asfalto, que impossibilita o trânsito e colabora para acidentes, na época das chuvas muitos bairros sofrem com o descaso. Ainda existem ruas que não foram asfaltadas. Quando chove, ficam interditadas impossibilitando o tráfego tanto de pedestre quanto de carros e, principalmente, de transporte coletivo.

Os ônibus coletivos, nesta época, mudam a sua rota nos bairros, deixando os passageiros em paradas longe de suas residências. À noite, o problema se agrava, pois muitas das ruas têm uma iluminação precária e os moradores ficam mais propensos à ação de ladrões.

Mesmo quando as chuvas passam o problema não acaba. O lamaçal fica impregnado nas ruas. Quando toda água escorre, o que restou do lamaçal se transforma em poeira. Quem imaginou que o problema deixou de existir sem as águas aprisionadas, engana-se. A poeira invade as casas. Como conseqüência, adultos e crianças contraem doenças, principalmente as respiratórias. A população, ciente de seus direitos, procura reagir ao descaso, faz abaixo-assinados ao poder publico para obter uma solução. Reuniões são realizadas com autoridades para exigirem providencias, mas até agora nada mudou. Ficam, apenas, promessas.

É inadmissível que, em pleno século XXI, as cidades mais desenvolvidas do interior dos Estados da Bahia e Pernambuco e pólos de irrigação do Vale do São Francisco, ainda sofram com os problemas de urbanização. Petrolina e Juazeiro não se prepararam para crescer de forma planejada e qualquer volume maior de chuvas causa estragos que afetam o desenvolvimento das cidades.

É preciso pensar em políticas publicas para ajustar problemas simples, que são resolvidos apenas com um pouco de boa vontade e execução das incumbências; pois futuramente o problema poderá tomar maior proporção e talvez nem mesmo a boa vontade possa repará-los.

Por Illa Grazianne Silva Ribeiro, aluna do 3º período de Comunicação Social: Jornalismo em Multimeios na UNEB/DCH III e do 5º período de História na UPE/ Campus Petrolina.
Foto: Raphael Leal

Pesquisa mapeia fatores que levam adolescentes de Paulo Afonso à gravidez

Uso do preservativo ainda é tabu entre adolescentes
A gravidez na adolescência e a complexidade dos fatores que tornam as adolescentes da cidade de Paulo Afonso, vulneráveis a essa situação, é tema de pesquisa do professor do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia, Carlos Alberto Santos.

O estudo, que visa auxiliar os programas de educação sexual com ênfase na orientação sexual e minimizar a incidência de gravidez na adolescência, foi realizado com adolescentes entre 12 e 19 anos da cidade de Paulo Afonso. Os dados coletados indicam que, apesar de existir elevado conhecimento sobre a existência dos contraceptivos, não há uso regular dos mesmos. As adolescentes afirmaram que têm vergonha de ir ao médico e acreditam que não irão engravidar, caso tenham relação sexual, e desconhecem qualquer informação sobre o significado do período fértil. Muitos adolescentes confessam, ainda, que têm preconceito quanto à utilização do preservativo masculino.

Carlos Alberto afirma que a mudança de atitude em relação ao uso eficiente e preventivo dos contraceptivos se vincula à possibilidade de intervenção em todas as dimensões sociais e não a campos de atuação de maneiras temporárias e esporádicas, como as campanhas preventivas em períodos de festas.

O pesquisador concluiu que o campo da sexualidade, em pleno século XXI, ainda está rodeado de tabus e preconceitos como, por exemplo, receio de usar a camisinha ou timidez de ir ao médico.


Para saber mais, informaçao com Carlos Alberto: cacobatista@yahoo.com.br

Por Bruna Rafaela