Concurso Universitário de Jornalismo CNN

Até 29 de junho, estão abertas as inscrições para a edição de 2009 do Concurso Universitário de Jornalismo CNN. Estudantes de jornalismo podem participar com o envio de matérias televisivas. O material produzido deve ser disponibilizado no You Tube e o respectivo link informado na ficha técnica da inscrição. O vencedor, além de ter sua matéria exibida no canal, ganhará uma viagem para conhecer os estúdios da CNN em Atlanta (EUA).

Por Luciana Mielniczuk

Portador de más notícias

Ao amanhecer o dia, fui abrir um jornal ansioso para saber o que estava acontecendo no mundo e em meu país. Como é bom folhear as páginas de um bom jornal em plena manhã. É uma sensação tão inspiradora. Parece que saímos em pouco tempo e corremos o mundo como se todos os acontecimentos da face da terra estivessem transcritos naquelas folhas que parecem ser onipresentes. Confesso que eu estava alegre e bem esperançoso de ler coisas agradáveis, belas e que fizessem meus olhos brilharem como uma janela aberta para alegrar o meu espírito. Contudo, relembrei que os jornais, geralmente não trazem notícias agradáveis. Mas tudo bem. O que importa é que eu estava feliz e isso era o bastante.

Mas esta manhã, ao abrir as páginas do meu novíssimo jornal, uma tristeza imensa se apoderou de mim. Ao ir para a editoria de política, vi uma reportagem sobre a distribuição de passagens aéreas da cota dos deputados a seus parentes e amigos. Rapidamente, percebi quão cruel é o jornalista. Uma manhã tão bela e linda como a minha foi mudada e, um pessimismo como que seguido de uma nuvem pesada começou a dominar toda a minha alma. Que profissão miserável essa de jornalista. Parece que eles são uns mal amados que acabam descolorindo as belas cores da vida. Será que não tem uma notícia boa sobre os políticos? Não podem, os infelizes, procurar alguma forma de me trazer uma informação agradável vinda de Brasília?

Decidi naquele momento que iria ouvir uma rádio, talvez tivesse lá uma notícia melhor. Ao ligar o botão, com poucos minutos, pude ouvir o presidente da câmara dos deputados, Michel Temer (PMDB), dizendo que as regras para o uso de passagens por parte dos parlamentares não são claras e assim, ele emitiu passagens aéreas de sua cota a familiares. No mesmo momento desliguei o rádio. Meu dia estava ficando cada vez pior. Vou tentar pela última vez. Liguei a televisão e lá estava outros nomes de amigos e familiares de parlamentares que viajaram às custas do contribuinte. Desisti, vou desligar a TV também.

No mesmo momento, lembrei de um fato que me ocorreu há alguns meses. Ao dizer a uma pessoa que eu era estudante do curso de jornalismo, ela me olhou e, com um jeito desprezível, me disse:
- Você está se preparando para ser um portador de más notícias, não é mesmo? Pois é isso que os jornalistas fazem, só dão notícias ruins, tristes, de tragédia e coisas desse tipo.

No momento, eu estava meio aturdido com tão sincera afirmação e somente consegui dizer que não tinha culpa, pois a vida era assim mesmo, as coisas ruins acontecem e temos que mostrá-las.


Na verdade, eu queria dizer outra coisa. Gostaria de ter respondido como um romântico e sonhador da seguinte maneira:

- Pelo contrário meu amigo, nós somos os defensores da democracia, estamos sempre a postos para mostrar o que está errado. Como superman, nós desafiamos a lógica das coisas e provamos que não há nada encoberto que a imprensa não consiga desvendar.

Você pôde perceber que ficou meio idealista, mas me perdoem, pois sou um mero estudante de jornalismo e ainda estou no afã da vida acadêmica. No entanto, percebi que diferente do super homem, eu não terei a função de mostrar o final feliz das coisas e isso ficou bem claro hoje quando abri o jornal. Sei que muitas vezes serei um portador de más notícias, mas elas também são necessárias para mostrar que a vida não é um filme e, caso eu venha entristecer a bela manhã de alguém no futuro, estarei certo de ter cumprido meu papel. O de mostrar que a vida não é uma película de cinema, mas mesmo assim, existem muitos vilões e devemos desmascará-los.


João Barbosa é estudante de Jornalismo em Multimeios da Universidade do Estado da Bahia e estuda Letras com Inglês na Universidade de Pernambuco.

A arte das mulheres chiteiras


Cintura fina, quadris largos, seios fartos. Assim, são as mulheres retratadas em papel machê que estão expostas no Museu Regional do São Francisco, na cidade de Juazeiro. Com rostos maquiados, vestidos estampados, acompanhados de pulseiras, colares, brincos e anéis, elas encantam pela exuberância e pelo realce dos traços femininos.

A exposição em papel machê foi criada em ateliês improvisados há pouco mais de um ano pelas mulheres chiteiras da colina, como elas se denominam. As artesãs residem no Palmares, um bairro periférico de Juazeiro e produzem suas peças à tarde no quintal de uma das chiteiras.

O grupo formado por seis mulheres foi batizado de chiteiras porque, segundo as integrantes, a chita é o tecido de pobre. O tecido de algodão com grandes flores estampadas pode ser visualizado nas próprias esculturas, cujas vestes são pintadas de forma semelhante à da chita, imitando forma e textura.

Além de ser uma manifestação cultural, o artesanato para as chiteiras surgiu como uma forma de entretenimento, como afirma Maria das Dores Martins, uma das artesãs. “Com o trabalho com essas esculturas a gente fica entretida; a gente esquece do mundo”, ressalta. Ao invés de ser apenas uma atividade corriqueira na vida dessas mulheres, a exposição traduz uma forma de expressão da arte popular.

A diretora do Museu Regional do São Francisco, Rosy Campos, ressalta as suas impressões sobre a exposição “Eu acho o trabalho belíssimo, diferente, criativo inovador”, enfatiza.

Inspiradas em letras de música, foram esculpidas oito esculturas de mulheres que sutilmente imperam entre a linha do imaginário e do real. Geni e o Zepelin de Chico Buarque, Tigresa, de Caetano Veloso e Maria, Maria de Milton Nascimento são algumas das composições que serviram de mote para a criação dessas obras. Todas as peças foram vendidas para o empresário Cléber Dantas, com o objetivo de conseguir recursos para comprar um terreno para construção de um ateliê.

As peças das mulheres chiteiras ficam em exposição no Museu Regional do São Francisco até o final deste mês de abril. O acervo contém ainda cabides, pulseiras, bonecas e galinhas também confeccionadas com papel machê, como também bolsas de tecido bordadas.

O acesso à visitação do Museu custa um real e o horário de funcionamento é das 8h às 18h de segunda a sexta, de 8h às 12h no sábado e de 16h as 20h no domingo

Por Elka Kelly, texto e foto

Aulas do cursinho Universidade para Todos não têm previsão para início

O programa Universidade Para Todos estava previsto para começar as aulas no mês de abril, mas até o momento não há uma data exata para o início do curso. De acordo com coordenadora do projeto em Juazeiro Ana Lilian dos Reis, a secretaria de educação do Estado da Bahia ainda não assinou o convênio com as universidades parceiras do projeto. Ela acrescenta que por parte da coordenação geral do Programa, todas as exigências burocráticas para que o projeto comece a funcionar, foram atendidas. Uma das etapas era a seleção dos monitores que já aconteceu, inclusive com a divulgação dos aprovados.

A relação dos estudantes que passaram no teste de seleção para participar no cursinho ainda não saiu. "Nós não temos controle na inscrição dos alunos, porque é tudo feito pela Secretaria de Educação do Estado com as escolas que são informatizadas. Sendo assim, o procedimento de inscrição não é a UNEB que faz", afirma a coordenadora Ana Lilian. Na cidade de Juazeiro, o cadastro dos estudantes no Programa Universidade para Todos foi feito pelo Colégio Hildete Lomanto. Em todo estado da Bahia, 59 escolas estavam credenciadas como local de atendimento para que as pessoas pudessem fazer a inscrição para a realização das provas.

Até o fechamento desta matéria, a equipe do blog MultiCiência não obteve nenhuma resposta da Secretaria de Educação do Estado da Bahia sobre a relação dos alunos que passaram no teste de seleção do programa Universidade Para Todos. Além disso, a secretaria não deu previsão para o início das aulas do cursinho.

O blog MultiCiência cumprindo sua responsabilidade social como espaço de difusão da informação e prestação de serviço à comunidade do Vale do São Francisco, continua aguardando uma resposta precisa por parte da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, sobre a relação dos aprovados no cursinho pré-vestibular, bem como a data do início das aulas. A equipe do MultiCiência se compromete a continuar informando sobre o Programa Universidade para Todos.


Por: João Barbosa

UNEB de Juazeiro contará com projetos da Universidade Aberta à Terceira Idade


Estão abertas as inscrições para participar da Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI), projeto idealizado pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade do Estado da Bahia - UNEB que visa envolver o idoso nas atividades acadêmicas.

De acordo com a coordenadora do curso em Juazeiro, Ana Lílian dos Reis, o projeto já foi implantado em oito departamentos da UNEB e, para a elaboração e estruturação do curso em Juazeiro, o Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPE) do Departamento de Ciências Humanas - DCH do campus III, apresentou o projeto em plenária e em seguida realizou uma reunião com pessoas da comunidade ligadas à educação e saúde, bem como representantes do Conselho e do Sindicato do Idoso.


“Esse é um projeto experimental de extensão do Departamento de Ciências Humanas que pretende envolver as pessoas idosas nesse processo de crescimento e interação dos nossos projetos já existentes e de outros que poderão surgir. Não é uma graduação, é um curso de formação continuada para idosos”, enfatiza a coordenadora.


As inscrições vão até sábado, 18 de abril, das 15 às 20h, na Câmara de Ensino do Departamento de Ciências Humanas da Uneb, em Juazeiro, com a técnica Perla Candice e estão abertas para os idosos de ambos os sexos e qualquer nível socioeducacional, sendo priorizadas, inicialmente, pessoas a partir dos 60 anos. Pessoas abaixo dessa idade poderão preencher as vagas remanescentes ou ficar para a próxima entrada.

A primeira turma do curso da UATI será formada por 35 alunos e as aulas iniciarão dia 28 de abril, acompanhando o calendário letivo da UNEB. O curso contará com dois semestres. No primeiro módulo, haverá aulas três vezes por semana: nas terças-feiras, das 15 às 17:30h, História e Memória Regional, ministrada por Andréa Cristiana e Odomaria Macedo; nas quartas-feiras, das 15 às 17:30h, Produção Literária, por Francisca de Assis e Valdelice Leal; e nas quintas-feiras, Introdução à Informática, por Jussara Adolfo, das 9 às 11:30h no laboratório de informática do DCH. Já a oficina de Fotojornalismo, que será ministrada pelo professor Flávio Ciro, será oferecida na última semana de cada mês, ocupando os horários de terça e quarta-feira.

A taxa de inscrição custa R$ 20. Os interessados devem levar cópia da identidade e CPF, além de uma foto 3x4. Para mais informações, ligar para 3611-6860, ramal 208.


Por Naiara Soares

Festa do Colono de Maniçoba é tema de monografia


Festa do colono no perímetro irrigado de Maniçoba: ressignificações culturais e potencialidades comunicativas. Este foi o tema do trabalho de conclusão de curso de Micael Benaic, graduando em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo em Multimeios.

Com o objetivo de analisar o processo de ressignificação cultural da festa do colono de Maniçoba, distrito de Juazeiro-Ba, o estudante fez um histórico dos 28 anos da festa, fazendo a relação entre os antigos e novos costumes, e abordou questões sócio-culturais do festejo.

A apresentação da pesquisa na última quarta-feira (08/04), no Departamento de Ciências Humanas, UNEB, possibilitou aos presentes uma viagem fascinante pela tradicional festa, tendo como suporte imagens e textos. A pesquisa da área de Folkcomunicação foi orientada pela professora Carla Paiva.


Por Elka Kelly, foto e texto.

Comunicado da Redação MultiCiência

MultiCiência comunica aos seus leitores que o programa de extensão Universidade para Todos ainda não tem uma data prevista para início das aulas do ano letivo. A partir desta semana, o blog irá trazer informações sobre este assunto, visando responder aos comentários de internautas que aguardam a publicação da lista de alunos aprovados e o início das aulas.

Redação MultiCiência

Inscrição para bolsitas de Iniciação Científica

Estão abertas as inscrições para apresentação de propostas de projetos de pesquisa e seleção de estudantes para os programas institucionais de bolsas de iniciação Científica PIBIC/CNPq, IC/FAPESB e PICIN/UNEB. O valor da bolsa/auxílio varia conforme cada programa: R$300 para as bolsas do Pibic e Picin e R$350 para as bolsas da Fapesb.
O prazo final para entegra dos projetos à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UNEB se encerra no dia 24 de Abril de 2009. Os candidatos interessados devem procurar o Núcleo de Pesquisa e Extensão do DCH III para saber a data de seleção de cada projeto.
O projeto História da Imprensa em Juazeiro está com inscrição aberta para bolsistas de iniciação cientifica até o dia 13 de abril.

O edital está disponível no site da PPG.

Mais informações no Núcleo de Pesquisa e Extensão da Uneb Campus III (74)3611 6860

Da Redação MultiCiencia

Defesa de TCCs em Jornalismo em Multimeios


As formandas Maria Gisele de Sá e Sheila Gomes apresentaram, na última sexta-feira um “Planejamento de Comunicação para o Departamento de Ciências Humanas, do Campus III, da Universidade do Estado da Bahia”, sob a orientação da professora Carla Paiva. As estudantes desenvolveram a pesquisa com o objetivo de diagnosticar problemas na comunicação no departamento e criar um projeto que viabilize soluções para um melhor fluxo de comunicação.



À tarde, Marcos Vinicius Santana defendeu o livro-reportagem “Homens da Alma de Couro” que narra a vida dos vaqueiros na região, na lida no dia de campo e outras práticas sociais e culturais. O discente busca com a linguagem da narração e descrição jornalística contar as vivências nas caatingas.


Por Karine Pereira, foto e texto.

Estudantes de Jornalismo em Multimeios defendem Trabalhos de Conclusão de Curso



A segunda turma do curso de Comunicação Social Jornalismo em Multimeios, do DCH III-UNEB, iniciou, ontem, a Semana de Defesa dos Trabalhos de Conclusão de Curso na quinta-feira (2). As defesas seguem até a próxima quarta-feira, dia 8.

Audimara Genipapeiro de Lima apresentou a monografia “Quatro Lições para um Comunista: As Lições da Luta Operária e a construção do sujeito consciente”, na qual faz uma análise do discurso jornalístico da Tribuna da Luta Operária, que circulou em todo o país de 1979 a 1988. A banca contou com a presença dos professores Cosme Batista, Moisés Almeida e Andréa Cristiana Santos, orientadora do trabalho.






Com o tema “Iraquera em memória de nós”, Germano Xavier, orientado pelo professor Emanuel Andrade, trouxe um livro-reportagem com crônicas no qual homenageia sua cidade natal.

A terceira defesa do dia foi de José Sebastião Menezes (J Menezes), com o livro-reportagem “Televisão e Poder: A polêmica na implantação da TV Pública Brasileira”, também com orientação do professor Emanuel Andrade e participação do jornalista Marcelino Ribeiro.

No dias 23 e 30 de fevereiro, já havia ocorrido a defesa dos trabalhos de Rebecca Ott e Luis Cláudio, sobre a Imagem do Jornalista Televisivo, e de Eneida Trindade, sobre o “Caso João Hélio: a representação do adolescente construída pelo discurso jornalístico”.


Por Emerson Rocha (foto e texto)

Curso de Comunicação Social Jornalismo em Multimeios é reconhecido pelo CEE

O Conselho Estadual de Educação (CEE) publicou hoje (01/04), no Diário Oficial, o Parecer no 52/2009 de Reconhecimento do Curso de Comunicação Social Jornalismo em Multimeios, oferecido pelo Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia, situado no campus de Juazeiro.

O presidente do CEE, Astor de Castro Pessoa e os membros deliberaram pela aprovação na Sessão Plenária do dia 23 de março de 2009, contudo o parecer só foi publicado hoje. Pelo voto favorável ao Reconhecimento, o curso mantém a carga horária de 3.300 horas e entrada anual de 50 vagas pelo período de mais cinco anos, quando será submetido a uma avaliação pelo Conselho.


Criado em 2003, o curso graduou a primeira turma de Jornalista em Multimeios em julho do ano passado, com a formação de 29 alunos, cujo profissional pode atuar nos meios tradicionais do jornalismo, na hipermídia e nos meios comunitários e educomunicativos. A segunda turma do curso irá colar grau no próximo mês, quando cerca de 30 novos profissionais estarão no mercado de trabalho.

Para o professor Emanuel Andrade, coordenador do Colegiado de Comunicação Social, o reconhecimento ocorreu no momento de consolidação do curso, com melhoria na infra-estrutura, ampliação dos laboratórios, biblioteca e de contratação de mais docentes. “A expectativa é que a sociedade reconheça e valorize o profissional, qualificando também a comunicação social exercida na região”, afirma

Nestes cinco anos, professores e alunos têm contribuído para consolidação de um curso, marcado pela amplitude do campo científico, pluralidade metodológica e por disciplinas relacionadas à sociedade e ao poder simbólico da linguagem.


Redação MultiCiência

Pesquisa investiga experiências de envelhecimento


Já passou o tempo em que envelhecer era sinônimo de inatividade. Hoje, os idosos vivem mais e realizam tarefas antes restritas apenas aos jovens, como trabalhar, estudar e fazer atividades físicas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida do brasileiro subiu, na última década, de 69 para 72 anos, sendo que um terço dos idosos continua ativo no mercado de trabalho.

Para compreender os significados do envelhecer, a professora da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Giovanna De Marco, criou o projeto “Longevidade: experiências de envelhecimento na micro-região de Juazeiro e Petrolina”, que conta com a colaboração do professor e fotojornalista Flávio Ciro. O projeto surgiu durante uma pesquisa com idosos em Massaroca, distrito de Juazeiro, e a professora sentiu a necessidade de fazer do envelhecer um objeto de análise.


No decorrer da pesquisa, foi constatada a reclamação dos idosos quanto ao não reconhecimento deles como autoridades entre os jovens e as crianças, sendo atribuído esse fato ao acesso dos jovens aos centros urbanos e aos meios de comunicação. “Com o acesso à escola no meio rural, os velhos vão sendo pouco a pouco deslocados do lugar central a eles atribuído em uma cultura de tradição oral, tal como vigorou até pouco tempo”, destaca a professora.

Apesar dessas perdas, os idosos ganharam mais visibilidade. Atualmente o aumento da longevidade faz com que a psicologia, geriatria, gerontologia, que investigam fenômenos relacionados ao envelhecimento humano, repensem suas teorias a respeito dos velhos. Este termo, inclusive, é contestado por muitos idosos. Seu Ariston Gonçalves, de 88 anos, quando chamado de velho, rebate, dizendo que velho é aquilo que deve ser jogado fora.

De acordo com Giovanna, essa revisão de conceitos acontece devido ao novo modo de envelhecer desafiado pelo aumento na expectativa de vida. “Essa nova expectativa faz com que essa parcela da população se mantenha em atividades nos vários âmbitos da sociedade (trabalho, cultura, esporte, lazer etc.), constituindo-se inclusive como mercado de consumo de uma diversidade de produtos desenvolvidos especificamente para eles”, explica.

Um exemplo desta nova geração de idosos é o odontologista Manoel Oliveira, de 62 anos. Ele trabalha na profissão há mais de 30 anos e enfatiza que sua experiência é o seu diferencial em relação aos outros profissionais. O médico afirma que não para de trabalhar porque sente a necessidade de permanecer ativo.

No entanto, para alguns idosos, trabalhar não é apenas uma opção. O trabalhador ambulante José Filho, de 62 anos, vende picolé no terminal de ônibus em Juazeiro para ajudar sua filha nas despesas de casa. Seu José explica que ainda não se aposentou porque o seu tempo de serviço com carteira assinada não é suficiente para a requisição do benefício. Mas, ele afirma que, mesmo quando estiver aposentado pretende continuar ativo. “Eu gosto de trabalhar”, declara.

Para o estudante de jornalismo e integrante do projeto de pesquisa, Laércio Lucas, participar desses estudos só reforçou aquilo que ele já pensava sobre os idosos. “Eu sei que velhice não é sinônimo de morte nem de inatividade. A experiência adquirida no decorrer dos anos pode nos ajudar a compreender as vicissitudes de nossa juventude e nos ensinar uma lição de vida”, afirma.

Até o momento, a pesquisa realizou o levantamento bibliográfico e entrevistas com registros fotográficos feitos pelo professor Flávio Ciro com idosos de Juazeiro, Petrolina, Curaçá e Santa Maria da Boa Vista.


Por Thiago Gonçalves, repórter
Emerson Rocha, fotógrafo
Matéria Publicada no Gazzeta do São Francisco, edição de hoje (01/04)