Fotojornalista Evandro Teixeira apresenta palestra em Juazeiro sobre fotos emblemáticas da história do Brasil e do mundo

Juazeiro recebeu na última sexta-feira (22) a visita do conceituado fotojornalista Evandro Teixeira. Testemunha ocular da história recente brasileira e internacional, Evandro apresentou em uma palestra no Centro de Cultura João Gilberto, suas experiências como fotógrafo nos movimentos populares durante a ditadura militar, na Guerra do Chile e em Canudos. Suas fotos são um documento histórico e revelam a sensibilidade do fotógrafo como observador atento e participante de situações inusitadas e marcantes, como a morte de Pablo Neruda, a manifestação de rua em 1968, a chacina de Vigário Geral.

Evandro veio a Juazeiro para a abertura da exposição Canudos 100 anos. As imagens do fotógrafo retratam a história de luta e resistência do povo de Canudos, como as imagens dos conselheiristas, seguidores de Antônio Conselheiro, alguns deles com mais de cem anos.

A religiosidade e a força do povo de Canudos, registradas por Evandro, fez o público recordar e conhecer alguns protagonistas desta história. “Evandro retratou a fé dos seguidores. Através das fotografias, deu para perceber o quanto aquelas pessoas são fortes até na hora da queda”, afirmou a empresária Odete Carvalho.

A mostra contou com a participação do historiador e pesquisador do Centro de Estudos de Euclides da Cunha, Manoel Neto. Para ele, a fotografia “particular e sensível” de Evandro significa muito para a população brasileira porque “dá uma dimensão plana ao povo de Canudos, que é o protagonista, o sujeito das histórias”, afirma.

“Fortes e simples”, resume Evandro Teixeira sobre suas imagens de Canudos. Como afirma Manoel Neto, o trabalho do fotojornalista é uma referência para aqueles que se interessam pelo tema. A exposição fica aberta ao público até o dia 22 de junho, no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro-Ba.

Ainda na cidade, Evandro Teixeira esteve, no sábado (23), na Universidade do Estado da Bahia – UNEB, em comemoração ao reconhecimento do curso de Jornalismo em Multimeios. A comunidade acadêmica acompanhou o fotógrafo, que plantou uma árvore e agradeceu a oportunidade de estar presente na região.

Em seguida, foi exibido o filme Instantâneos da Realidade, de Paulo Fontelle, que retrata o encontro de Evandro Teixeira com alguns moradores da antiga Canudos e mostra depoimentos de personalidades como Chico Buarque e Sebastião Salgado sobre o fotógrafo e o documentário sobre a fotografia em Juazeiro do Norte, Câmara Viajante, de Joa Pimentel.



Por: Luciana Passos
Fotos: Emerson Rocha

Universidade Para Todos realiza matrícula até sexta-feira

Os duzentos alunos selecionados no Projeto Universidade Para Todos da UNEB de Juazeiro devem se matricular até esta sexta-feira (29/05) no Departamento de Ciências Humanas (DCH).

Para efetuar a matrícula é necessário levar duas fotos e cópia de identidade, CPF, histórico do ensino fundamental e médio das 19 às 22h no DCH e fazer a opção de língua estrangeira: inglês ou espanhol.

A lista dos aprovados está disponível no DCH. As aulas começam na próxima segunda (01-06) das 19 às 22:20h no DCH.

Mais informações no Departamento de Ciências Humanas de Juazeiro: (74) 3611-5617

Da Redação MultiCiência

Feira livre perde clientela



“Olha o feijão verde, o litro é um real freguesa”; “moça bonita não paga, mas também não leva”, “vamos comprar freguês que a verdura tá fresquinha”. É nesse clima que a feira que funciona no pátio Arnaldo Ribeiro, no bairro Alto da Maravilha, em Juazeiro, se movimenta. Cabeça de bode, galinha viva, ovos de capoeira, gaiolas e chapéus de palha são alguns produtos que não encontramos em prateleiras de supermercados, sendo artefatos peculiares dessas tradicionais feiras livres.

Antigamente, a feira movimentava toda a população, atraía moradores dos distritos e povoados para Juazeiro e acontecia pelo menos três vezes por semana para atender à demanda de seus consumidores que lá encontravam tudo que era necessário à manutenção da casa. Além do pátio Arnaldo Ribeiro, existem o Mercado Joca Oliveira e outros espaços na cidade, nos quais são comercializados produtos tradicionais em bancas improvisadas. Contudo, a feira vem perdendo espaço para os supermercados nos diversos bairros.

Segundo os feirantes, são poucas as pessoas que vão à feira-livre para adquirir comidas e artigos para casa. Boa parte destes consumidores só freqüenta esses espaços em busca de alguma especiaria, ervas ou produtos especiais como camarão seco, amendoim, castanha, entre outros. “Hoje, eu só compro, peixe e carne de bode, mas verdura eu não compro mais, pela distância e a comodidade de comprar em cartão de crédito que na feira não tem", ressalta a consumidora Alair Fonseca.

Embora as feiras ainda propaguem a cultura regional através da comercialização de produtos típicos, os feirantes vêm enfrentando sérios problemas com a diminuição do número de fregueses. “Antigamente tinha mais gente, mas freguês hoje diminuiu muito. Várias coisas as pessoas procuram no supermercado. A feira livre está muito devagar”, afirma a comerciante Aparecida Fátima da Silva que trabalha há mais de 30 anos na feira livre de Juazeiro.

Dificuldades

Outro problema enfrentado pelos feirantes se relaciona à infra-estrutura e a falta de refrigeração de produtos perecíveis como carnes e peixes. “Tem uma norma que diz que você não pode trabalhar com carne exposta, a carne tem que ser toda cortada e deve trabalhar com ela congelada. A gente não tem como melhorar a estrutura num espaço que não é nosso, para isso a gente tem que fazer uma parceria com o poder público local”, adverte Carlos Moreira, feirante há mais de quinze anos.

Sobre a infra-estrutura, o supervisor de feiras, mercados e cemitérios do município, Francinalvo do Carmo, informa que a revitalização da feira livre de Juazeiro é uma prioridade da atual gestão e que engenheiros já estiveram no local para diagnosticar os problemas infra-estruturais e apontar soluções para melhorar as condições de trabalho dos feirantes.

Francinalvo ainda salienta que os quatro galpões localizados no Pátio Arnaldo Ribeiro, fechados há mais de 12 anos, serão reabertos “As carnes, peixes e vísceras serão comercializadas nos galpões e todos os comerciantes que trabalham com esses produtos têm que possuir três itens: a máquina de cerrar ossos, o balcão frigorífico e a balança eletrônica. No pátio, ficarão verduras, secos e molhados em bancas padronizadas”.


Caso haja uma melhoria da infra-estrutura das feiras em Juazeiro, poderá haver uma revitalização destes espaços, atraindo a população. Em algumas cidades brasileiras, as feiras livres movimentam a economia local, propagam a cultura da região e são pontos turísticos. É o que acontece no Mercado São José, em Recife, Mercado Municipal, em São Paulo, e o Mercado Central, em Belo Horizonte. Em Jacobina, no norte da Bahia, as feiras também são atraentes mercados para o comércio de roupas. Assim, nesses lugares, as feiras ainda são centros que permitem a consolidação de costumes e mantém a identidade da comunidade.

Por Elka Kelly, repórter
Karine Pereira, fotógrafa.

Último dia de inscrição para seleção de produtores e repórteres do MultiCiência

Hoje é o último dia para estudantes de jornalismo interessados em divulgação científica se inscreverem para a seleção de produtores e repórteres voluntários no Projeto de Extensão MultiCiência.

A Agência de Notícias Multiciência é um projeto do Departamento de Ciências Humanas (DCH) da UNEB de Juazeiro que funciona como espaço experimental para os discentes de Jornalismo em Multimeios através da produção de pautas, realização de entrevistas e informes noticiosos sobre Ciência, Educação e Tecnologia no Vale do São Francisco que são divulgados nos meios de comunicação local e em blog.

Para participar é necessário ter compromisso e disponibilidade nas terças e sábados matinais para participar da capacitação e reuniões de acompanhamento das pautas.

Os interessados devem levar cópia de RG, CPF e comprovante de matrícula no Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPE) do DCH e efetuar a inscrição. A seleção será dia 26 de maio, terça-feira, às 9h na Sala de Extensionistas.

Por Naiara Soares



Veja o vídeo Info Campus sobre o MultiCiência com reportagem de Luciana Bispo. Um boletim do Projeto de Extensão Programas Experimentais de Televisão coordenado pela professora Fabíola Moura.

O Info Campus divulga projetos de ensino, pesquisa e extensão além de eventos e serviços oferecidos a comunidade na UNEB de Juazeiro.

Circuito: Cine João Gilberto

A segunda temporada do Cine João Gilberto começa hoje com a exibição da Mostra de Curtas Comédias Contemporâneas, às 20h, e contará com a abertura de um pequeno show da banda “Do Outro Lado”, no Centro de Cultura João Gilberto.

Serão exibidos os filmes BMW Vermelho, que retrata as complicações de um morador de uma favela em São Paulo ao ganhar um carro importado num concurso; Dov’E Meneghetti, que trata da fuga de Gino Amleto Meneghetti, personagem da crônica policial paulistana na década de 1920 que ficou conhecido pela agilidade ao saltar os telhados durante as fugas e pela irreverência com que tratava a polícia; e Incarcâdu a Tiortina, filme com a direção de fotografia do cineasta baiano Roque Araujo.

O Circuito Cine João Gilberto é um programa de exibição de cinema, principalmente de filmes do acervo da Programadora Brasil, distribuidora parceira do Ministério da Cultura que disponibiliza filmes nacionais para exibições sem a cobrança de ingressos.

Será distribuída uma cédula de votação, onde o público escolherá os dois próximos filmes a serem exibidos dentre O Homem Nu, Sargento Getúlio, Amarelo Manga, Terra Estrangeira, A Marvada Carne e Samba Riachão.

A votação poderá ser enviada para o e-mail associacao.raizes@yahoo.com.br.


Por Naiara Soares

Exposição: Canudos 100 Anos



Registrar personalidades, extrair do cotidiano os momentos de tristeza, violência, dor, flagrantes de alegria e beleza. Estes instantâneos fotográficos caracterizam o trabalho de Evandro Teixeira, considerado um “mago da instantaneidade” e um dos profissionais com uma das mais sólidas carreira do fotojornalismo brasileiro.

A trajetória de Evandro Teixeira poderá ser conferida na próxima sexta-feira (22/05) em Juazeiro. A convite do Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia, o fotógrafo realizará palestra, às 19h, no Centro de Cultura João Gilberto, onde fará a abertura da exposição Canudos 100 Anos, mostra fotográfica que retrata o cotidiano da cidade e a população de Canudos, cenário da grande guerra ocorrida entre os anos de 1896 e 1897.



Coordenada pelo Mural Galeria Fotógrafo Euvaldo Macedo Filho (MAGEM), a mostra ficará exposta, pela primeira vez, no interior da Bahia, sendo composta por 43 imagens, e estará à disposição do público até o dia 22 de junho no Centro de Cultura João Gilberto.

Natural de Irajuba/BA, o fotógrafo cresceu ouvindo histórias da antiga cidade de Canudos/BA e delas surgiu a vontade de narrar, em imagens, uma história atualizada. Com mais de meio século de dedicação à fotografia, Evandro imprimiu um momento especial em sua carreira ao retratar a cidade e a população de Canudos. Foi um “resgate sonhado”, como ele considera.

A cada viagem pelo sertão, Evandro Teixeira registrava partes daquele cenário. Foram cerca de quatro anos até concluir o trabalho. Durante esse tempo, Evandro reencontrou os sobreviventes e herdeiros da comunidade criada por Antônio Conselheiro, líder messiânico que comandou a população na Guerra de Canudos. “Refiz a trajetória de Conselheiro, conversei com seus herdeiros, registrei lado a lado a antiga e a nova Canudos”, conta. Para o fotojornalista, “Canudos é sinônimo de luta, de resistência, de mudança, de esperança. É a história do país, vivida e contada por gente simples, cuja força parece vir da agrura da terra, da beleza rude do sertão”.

No final do século XIX, Canudos chegou a ter mais de cinco mil casas, tornando-se a maior cidade da Bahia à época, com cerca de 25 mil habitantes. Por meio das fotos captadas por Evandro, é possível desvendar uma região metamórfica, um lugar místico. Percebe-se desde os vestígios da primeira Canudos, destruída pela guerra, até a cidade atual, reconstruída pelos sobreviventes e submersa pelo Açude de Cocorobó. “Debaixo dessa terra e sob a água do açude só tem ossada dos mortos”, disse João de Régis, morador da cidade, a Evandro durante sua pesquisa na região.

As 43 imagens da exposição comovem e surpreendem. Captadas pelo apurado olhar de um baiano, elas revelam a “realidade” dos sertanejos nordestinos. O toque mágico das imagens não está apenas na terra seca ou na vegetação acinzentada, mas nos sentimentos que teimam em transbordar de dentro das molduras. É possível perceber os horizontes infinitos, o silêncio, os olhares de nostalgia. Também a solidão e o abandono de um Brasil explorado, excluído. Segundo Evandro, é muito mais que a imagem de “um sertão pop, onde a pobreza convive com antenas parabólicas. Elas levam a pensar em uma guerra bem atual, em que a terra é disputada palmo a palmo, em uma luta pela mera sobrevivência. A memória de outra guerra surge na paisagem”.

Além de fazer a abertura oficial da mostra Canudos 100 anos, Evandro Teixeira fará uma palestra no sábado (23/05) para os estudantes de Comunicação Social e Pedagogia no Departamento de Ciências Humanas (DCH), a partir das 18h, em comemoração ao Reconhecimento do curso de Comunicação Social – Jornalismo em Multimeios pelo Conselho Estadual de Educação. O evento também terá a participação do historiador e diretor do Centro de Estudos Euclides da Cunha, Manoel Neto, e haverá exibição de documentários.

O fotógrafo Evandro Teixeira

“Sou um homem manejando uma câmera. Quando bem operada, é um fósforo aceso na escuridão. Ilumina fatos nem sempre compreensíveis. Oferece lampejos, revela dores do impasse do mundo. E desperta nos homens o desejo de destruir esse impasse”. É desta forma que Evandro Teixeira descreve o seu envolvimento com a fotografia e o potencial de denúncia e transformação que o simples ato de captar um instante pode provocar.

Nascido em 1935, Evandro teve seu primeiro contato com a fotografia ainda na infância com a produção de jornalzinhos na escola e em seguida um tablóide que circulava nas cidades de Jequié e Ipiaú. Em 1958, formou-se na Escola de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Começou a carreira de fotógrafo durante o primeiro estágio no Diário de Notícias em Salvador. Tempos depois voltara ao Rio de Janeiro, época em que começou no Diário da Noite, pertencente ao grupo de Assis Chateaubriand. Aos 28 anos começou a trabalhar no Jornal do Brasil, no qual permanece até hoje, cobrindo os principais episódios políticos, sociais e esportivos do país e do mundo.

As fotos de Evandro Teixeira compõem acervo de museus do Brasil e do exterior. Sua foto da Passeata dos 100 mil, ocorrida em 1968, tornou-se símbolo dos movimentos populares contra a ditadura militar. À época, alguns de seus registros da ditadura brasileira, feitos entre 1964 e 1968, foram censuradas por militares. “Como todo o meu material era sobre o movimento estudantil, sobre a atuação da polícia, os militares se incomodaram e vetaram”, lembra o fotógrafo.

Evandro Teixeira construiu uma das mais sólidas carreiras do fotojornalismo brasileiro. Seu nome e currículo estão na Enciclopédia Internacional de Fotógrafos, que registra os maiores nomes da fotografia no período de 1839 até os dias atuais. Em 2008, Evandro participou, na Galeria da Leica, em Nova lorque, de uma mostra coletiva dos 40 mais importantes fotógrafos do mundo, ao lado de Sebastião Salgado (os únicos brasileiros da mostra), Henri Cartier Bresson, Robert Capa e Marc Ribaud.

Em 2004, sua vida e obra ficaram registradas no documentário "Evandro Teixeira: Instantâneos da Realidade", trazendo depoimentos de personalidades como o compositor Chico Buarque e o fotógrafo Sebastião Salgado. O documentário do cineasta Paulo Fontonelle traz em uma de suas abordagens o reencontro de Evandro com alguns moradores da antiga Canudos que lutaram ao lado de Antônio Conselheiro e foram retratados no livro Canudos 100 anos, lançado em 1997. “Neste esforço de desvendar a alma das coisas, sou um profissional insatisfeito. Minhas fotografias são tristes. Sou fotógrafo que anda devagar com sua máquina. A ênfase que coloquei no meu trabalho, cristalizando o meu momento numa imagem, não contribuiu para trazer alívio às minhas aflições. O mais importante é o que deixei de fazer e o que deixarei de realizar vida afora”, reflete Evandro no livro Fotojornalismo.

Por Silvana Costa e Cecílio Bastos
Fotos: Evandro Teixeira

Ano da França no Brasil

O Departamento de Ciências Humanas, campus III, inicia hoje (18/05), na cidade de Juazeiro, as comemorações do Ano da França no Brasil com a realização do Seminário Educação e Desenvolvimento Territorial, às 19h.


Promovido pelo Departamento de Ciências Humanas, Embrapa Semi-Árido e Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), será realizada uma palestra sobre as unidades de produção familiar e criação de alternativas de convivência com o semi-árido, com a professora Edonilce Barros.


No evento, também haverá a exibição dos vídeos Unicampo – A construção da Universidade Camponesa no Brasil, produzido por Jean Philippe, e Territórios Frágeis – O Cariri no Nordeste do Brasil, de Marc Piraux, com comentários dos pesquisadores Josemar Martins (DCH-UNEB), e Pedro Carlos Gama da Silva , da Embrapa Semi-Árido.


Redação MultiCiencia

Liberdade, liberdade! Abra as asas sobre nós

Hoje minha prima de cinco anos não foi pra escola e passou a manhã quase toda concentrada assistindo à TV Globinho. Por mais que se tente sensibilizá-la quanto as possibilidades que ela tem para envolver o tempo com outras atividades, é difícil convencê-la de que qualquer outra coisa que ela possa fazer nesse momento seja mais interessante que assistir aos desenhos animados.

Entre um desenho e outro, uma garota apareceu falando de uma data, segundo ela, muito importante para o Brasil, pois foi quando o país ficou livre da escravidão. Assim é que as tantas crianças atraídas pela programação da Tv Globo naquele momento ouviram falar do 13 de maio.

A jovem apresentadora convocava todo mundo a comemorar a data e encerrou sua fala com a frase “Liberdade, liberdade! Abra as asas sobre nós”, que está no refrão do Hino da Proclamação da República e que foi também tema do samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense no centenário da “abolição da escravatura”.

O hino, símbolo nacional que merece nosso respeito, conforme nos é ensinado, tem uma estrofe que diz: “Nós nem cremos que escravos outrora/ Tenha havido em tão nobre País.../ Hoje o rubro lampejo da aurora/ Acha irmãos, não tiranos hostis./ Somos todos iguais! Ao futuro/ Saberemos, unidos, levar/ Nosso augusto estandarte que, puro/Brilha, avante, da Pátria no altar!”. Essas frases é só uma pequena mostra de um discurso até hoje reproduzido.

O sistema educacional vigente no Brasil não se propõe a desconstruir a visão histórica de que a sociedade brasileira, como pontua Roberto da Matta, é formada por um “triângulo racial”, o que impede uma análise social dessa formação.

Se a historiografia, difundida pela escola, e os meios de comunicação de massa pouco tem contribuído com a disseminação de uma visão diferenciada dos fatos históricos no Brasil, ocorre, intencionalmente, a manutenção do status quo.

Os livros didáticos adotados na maior parte das escolas públicas e privadas do país ainda pautam a visão ilusionista da Lei Áurea como propulsora de uma sociedade livre da escravidão. Os poucos espaços utilizados para desconstruir essa visão histórica, se perdem em meio aos tantos discursos que levam-nos a acreditar que vivemos em uma democracia racial.

De acordo com Matta, “quando acreditamos que o Brasil foi feito de negros, brancos e índios, estamos aceitando sem muita crítica a idéia de que estes contingentes humanos se encontraram de modo espontâneo, numa espécie de carnaval social e biológico. [...] O fato é que somos um país feito por portugueses brancos e aristocráticos, uma sociedade hierarquizada que foi formada dentro de um quadro rígido de valores discriminatórios”.

É bem mais fácil usar o argumento da mistura das três raças do que assumir que foi construída uma sociedade hierarquizada, onde a injustiça social é conseqüência de um sistema político e econômico extremamente opressor.

O levante das minorias oprimidas, que na verdade constituem a maioria, se dá então a partir dessa “chaga” da sociedade. A omissão daqueles que tem poder para governar o país, seja qual for o regime político adotado, faz com que surjam os discursos contestatórios, as questões e possíveis soluções trazidas à tona pelos movimentos sociais comprometidos com a superação dos critérios de classificações existentes em um contexto de desigualdade extrema.

O Movimento Negro, assim como os demais movimentos preocupados com as formas de preconceito, escancarados ou velados, assume papel fundamental na luta por uma igualdade que tem sido colocada como inalcançável.

Maria da Glória Gonh, ao falar do caráter educativo dos movimentos sociais, aborda a eficácia dos processos que se desenvolvem fora dos canais institucionais. Para Gonh, “a consciência adquirida progressivamente através do conhecimento sobre quais são os direitos e os deveres dos indivíduos na sociedade hoje, em determinadas questões por que se luta, leva concomitantemente à organização do grupo”.

Nesse sentido, a responsabilidade que, teoricamente, seria do Estado, através da educação formal, é transferida para a população. Em meio a isso, confundem-se conceitos como cidadania, democracia, liberdade e função social.

Diante dessa realidade já constatada – uma realidade cada vez mais injusta por classificar e conceder privilégios às pessoas de acordo com a cor da pele, poder aquisitivo, e outros aspectos – alguns olhos já estão abertos e conseguem enxergar o cerne desse estágio de subdesenvolvimento.

Entretanto, mais do que abrir o olho e enxergar, é preciso intervir. De nada adianta uma reflexão crítica, se não há engajamento, ações e proposições que de fato construam a mudança desse atual cenário social. De nada valerá compreender os mecanismos de dominação presentes em nossa sociedade, se não exigirmos que o Estado, enquanto detentor do poder legislativo, executivo e judiciário, assuma sua responsabilidade tal como é assegurado nas tantas leis do país.

Mais que isso, é preciso gritar aos quatro ou mais cantos qual a sociedade que queremos. E essa não é uma prática simples, não é pontual, nem pode mais ficar restrita à nossos mundos particulares, pequenos. Não dá pra cruzar os braços porque a gente não consegue mudar a ideologia transmitida pelos Meios de Comunicação, ou porque não se consegue publicar o livro didático adequado ou ainda porque existem educadores que enaltecem o 13 de maio e nunca falam do 20 de novembro (data de morte de Zumbi dos Palamres) nas aulas de história.

Não dá pra cantar “Liberdade, liberdade! Abra as asas sobre nós”, apenas rememorando o hino da proclamação da república ou o samba-enredo da escola de samba carioca, sem se dá conta do quanto carecemos dessa liberdade.

Por Érica Daiane da Costa Silva, estudante de Comunicação Social na UNEB e História na UPE e participante do Grupo de Estudo e Trabalho de Combate às Opressões da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (ENECOS)

Inauguração do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em Multimeios

Foi inaugurado nesta quinta-feira o Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em Multimeios do Campus III da UNEB na 83ª Sessão Científica do Departamento de Ciências Humanas (DCH).


Na sessão, o professor doutor Cosme Batista dos Santos apresentou os objetivos pretendidos com a criação do laboratório, o qual servirá de estudo e criação de materiais educativos e educomunicativos, além de proporcionar o fortalecimento dos grupos de pesquisa do DCH.


Foto: Emerson Rocha

Da Redação Multiciência

UNEB paralisa atividades em virtude da morte de Otoniel de Queiroz

Em virtude da morte de Otoniel Pereira de Queiroz, ex-diretor do Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS), a UNEB de Juazeiro paralisou suas atividades neste sábado.


Queiroz entrou na UNEB em 1979 e estava aposentado há dois anos. Foi professor de Agronomia no DTCS e era muito conhecido por sua atuação com a comunidade.

O ex-diretor foi internado com hemorragia dia 24 de abril, fez uma cirurgia, mas não resistiu e faleceu hoje às 5h30, aos 66 anos de idade.


O corpo foi velado no paço da biblioteca do campus III da Universidade e às 17h foi levado para o cemitério da cidade.


Redação MultiCiência

Curtas de Animação Ambiental

Estão abertas até o dia oito de junho as inscrições para o concurso nacional Curtas de Animação Ambiental, lançado pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e pela Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, por meio do Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente.

O objetivo é estimular a produção de curtas metragens ambientais que incitem o olhar crítico sobre a temática Aquecimento Global e Mudanças Climáticas.

Serão selecionados dez projetos de animação de até um minuto de duração sobre o tema que receberão R$ 20 mil cada um para sua produção.

Os vídeos serão exibidos em TVs públicas e estarão disponíveis a todas as emissoras interessadas. A idéia é despertar a busca de soluções e novos comportamentos sobre a questão socioambiental e contribuir para a produção de campanhas televisivas sobre a temática.

Mais informações no Ministério da Cultura.


Redação MultiCiência

Boas vindas aos calouros do Departamento de Ciências Humanas

Essa semana é de integração para o curso de Pedagogia e para a Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) no Departamento de Ciências Humanas (DCH) da UNEB de Juazeiro.

São 66 calouros do curso de pedagogia recebendo as boas vindas numa programação que envolve palestra com o professor José Flávio Soares e apresentações do cantor e compositor Maviael Melo, das instâncias do DCH, do projeto do curso e de relatos de experiências de Estágio.


A Semana de Integração de Pedagogia foi organizada pelo colegiado e estudantes do 3º período do curso. Para a coordenadora do Colegiado, Rita Cristina Rios, o diferencial dessa semana é o protagonismo dos estudantes na maior parte das atividades desenvolvidas. “A gente saiu um pouco de cena e a responsabilidade da organização está sendo dividida com os alunos”, afirma.

São nos primeiros dias de aula onde se apresentam nomes, expectativas, instâncias, histórias de vida e se configuram as primeiras impressões do espaço onde muitas experiências serão vivenciadas.

O DCH recepciona, ainda, 40 aprendizes da Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI). Na última terça-feira (05-05) foi realizada a aula inaugural com apresentação dos integrantes da equipe e a exposição do projeto de pesquisa Longevidade, experiências de envelhecimento na micro região de Juazeiro e Petrolina, coordenado pelos professores Flávio Ciro e Giovanna De Marco.




Por Naiara Soares

Estudantes de Alagoas, Bahia e Sergipe se reuniram em Vitória da Conquista




Nem o frio conquistense, que chegou a 10 graus em uma das noites, e a falta de apoio da Universidade do Sudoeste da Bahia (UESB) conseguiram diminuir o ânimo dos cerca de 300 estudantes de comunicação social dos estados de Alagoas, Bahia e Sergipe que participaram do terceiro Encontro Regional de Estudantes de Comunicação Social (Erecom), realizado de 30 de abril a três de maio, em Vitória da conquista.



A Comissão Organizadora, composta por verdadeiros guerreiros, soube se articular e garantir aos participantes espaços para discussão e debate sobre os seus cursos e a qualidade da comunicação no país.

Nesse Erecom, teve de tudo um pouco: dos Grupos de discussão (Gd’s) Grupos de estudos e trabalhos (Get’s); oficinas variadas; Mosquemom (Mostre o seu que mostro o meu); e o ato público que tomou as ruas conquistenses no último dia do encontro.

Dentre os Gd’s e nos Get’s, foram realizados debates sobre estágio, assistência estudantil, a qualidade da formação do profissional de comunicação, o combate às opressões entre outros. O espaço do mosquemom serviu para mostrar a precariedade de infra-estrutura das escolas de comunicação do país através do relato dos estudantes.

Como aconteceu no Erecom Juazeiro, realizado no ano passado, as oficinas de massoterapia, dança de salão, poesia, rádioweb, contrapropaganda, malabarismo, produção de fanzine foram um dos sucessos do encontro, reunindo diversos participantes.

O destino também ajudou no sucesso do Ereconkas. O ato público que estava marcado para o dia primeiro de maio não aconteceu devido à falta de ônibus para levar os encontristas até o centro da cidade sendo transferido para o domingo, dia três de maio. Para os que pensavam que seria um grande problema se surpreenderam. O ato serviu coroar um encontro que tinha tudo pra dar errado. Porém, com organização, criatividade e muita vontade, os estudantes conseguiram chamar à atenção da população local e mostrar que a praça é do povo.


Por Emerson Rocha, foto e texto

Início das aulas do semestre letivo

A Universidade do Estado da Bahia inicia hoje (04/05) as atividades letivas do primeiro semestre do ano de 2009.

No Departamento de Ciências Humanas, campus Juazeiro, estudantes de Comunicação Social Jornalismo em Multimeios e de Pedagogia irão recepcionar os alunos da Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI). Também acontece a Semana de Integração de recepção aos novos discentes do curso de Pedagogia.

O semestre letivo 2009.1 se encerra no dia 28 de agosto.

Redação MultiCiência