Educação Especial

Pais são fundamentais para auxiliar o desenvolvimento educacional de pessoas com deficiência intelectual.



Na sala de aula, Junior, de 26 anos, brinca e conversa como uma criança de oito, devido a uma deficiência intelectual que possui desde pequeno. Ele estuda na Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Juazeiro (BA), e mostra dedicação em responder as tarefinhas que lhes são passadas. O exemplo de Junior é uma demonstração do trabalho educativo de instituições que trabalham com pessoas especiais. “Isso é fruto de uma união na educação entre família e professores”, afirma a professora Josilene Rosa, ao falar da importância do acompanhamento familiar na educação de crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), existem cerca de 25 milhões de pessoas que possuem algum tipo de deficiência intelectual no Brasil. Assim como Junior, estes brasileiros tem um desempenho intelectual inferior à média (QI),com limitações adaptativas em pelo menos duas áreas de habilidades. Junior, por exemplo, tem dificuldades na formulação de idéias, pois perde com freqüência o raciocínio.

De acordo com a Associação Americana de Deficiência Mental, para que uma pessoa tenha uma média de intelectualidade considerada normal, ela deve ter domínio de habilidades de comunicação, adaptar-se com facilidade à sociedade, ter cuidado consigo mesma, além de possuir motivação para o trabalho ou para outras atividades acadêmicas.

Na APAE, alguns pais acompanham os filhos excepcionais em seu desenvolvimento na escola, outros já não disponibilizam de tempo, devido ao trabalho e obrigações domésticas. A professora Josilene, conhecida pelos colegas de trabalho como Jô, declara que o acompanhamento dos pais é fundamental para aproveitamento escolar.

Para a professora, que ensina há mais de 16 anos na APAE, todo indivíduo tem algum grau de deficiência. “Eu trabalho há tantos anos com educação, e sou deficiente no uso de computadores”, conta Josilene, afirmando, com base em suas experiências na APAE, que pessoas com deficiência intelectual são capazes de se desenvolverem bem através das oportunidades que lhes são oferecidas.


A dona de casa Rosicleide Lima é mãe de Hellen Bárbara, de
13 anos. A menina, que estuda na APAE há cinco anos, já passou por outra escola de ensino convencional, mas não conseguiu acompanhar o desenvolvimento do resto da turma, pois tinha dificuldades de aprendizado. A mãe da Hellen só descobriu que a filha tinha Síndrome de Down quando ela tinha dois anos de idade porque percebeu que a filha não conseguia se comunicar facilmente. “Eu fiz o Teste do Pezinho na Hellen, mas os médicos não disseram nada”, afirma a mãe. O Teste do Pezinho, obrigatório em território nacional, é a maneira mais eficiente de prevenção da deficiência intelectual, mas a dona Rosicleide não sabia que o exame não é suficiente para diagnosticar a Síndrome de Down. O recomendável é realizar um exame de sangue com ultra-sonografia durante o primeiro trimestre de gravidez.

Sentada no banco de recepção da APAE, Dona Rosicleide coloca o filho, João Vitor, de apenas sete meses para dormir. Trata-se de uma cena rotineira. A cuidadosa mãe mora no bairro CODEVASF e leva Hellen para a escola às 14horas. Até a saída da filha da instituição às cinco da tarde, ela aguarda sentada na recepção enquanto o filho pequeno dorme. Às vezes, acompanha as atividades da filha, quando o caçula está acordado. Apesar da dona de casa se esforçar para dar uma boa educação à filha, não é sempre que pode levá-la à APAE.

Dona Rosicleide escolheu colocar a filha na APAE porque sabia que ela teria bons resultados com as atividades socioeducativas, de capacitação e orientação. Não demorou muito para que surgissem os primeiros resultados. “Ela aprendeu a se comunicar melhor, pois mal falava. Hoje, faz quase tudo sozinha, pega a própria água e outras coisas que antes não fazia”, conta a mãe, revelando ainda que a filha gosta muito de freqüentar a escola. Depois do almoço, Hellen avisa à mãe que está na hora de ir para a “lola”, o que significa escola na linguagem da menina.

Assim como qualquer adolescente, Hellen às vezes tem resistência em responder os deveres de casa, alegando dor de cabeça. A mãe sabe o quanto é importante estimular Hellen a exercitar em casa o que aprendeu na escola, pois é convicta de que o papel de educar não é apenas da instituição escolar. Dona Rosicleide acredita que a filha é capaz de desenvolver cada vez melhor suas habilidades. Em casa, procura ensiná-la a se comportar educadamente, comer sozinha, ter cuidados com a própria higiene. Pequenos detalhes, que rendem um desenvolvimento muito grande, viabilizando a independência da filha.

Para especialistas, este é o comportamento que os pais devem ter, pois auxiliam no processo de aprendizagem dos filhos, tornando-os aptos para fazer, sozinhos, atividades comuns. Os professores esclarecem que as famílias não devem subestimar as capacidades e habilidades dos filhos excepcionais, assimilando juízos de valores que os comparam a pessoas que merecem compaixão. O ideal é ensiná-los a desenvolverem suas habilidades, atitude que auxilia na formação e no processo de autonomia.

É recomendável que os pais também sejam compreensivos quando seus filhos mostrarem interesse em relacionar-se amorosamente. Muitos acreditam que pessoas especiais não têm desejo sexual ou, pior, não têm capacidade de desenvolverem uma relação conjugal. Contudo, profissionais de instituições especializadas alertam que os excepcionais são hipersexualizados, mas precisam de acompanhamento familiar para controlar seus impulsos. Os especialistas alertam que a repressão ao desejo sexual pode alterar seu equilíbrio interno, diminuindo as possibilidades de se tornar um ser psiquicamente integral. Por outro lado, quando bem encaminhada, a sexualidade melhora o desenvolvimento afetivo, a autoestima e o convívio em sociedade.

Muitos alunos da instituição já mostram ser independentes na execução de diversas atividades. Alguns vão para escola sozinhos, outros ajudam nas tarefas domésticas e nas compras no supermercado. Grande parte deles também participa, anualmente, do Carnaval de Petrolina com o Bloco “Sou Legal, sou Especial”, onde brincam e dançam junto com outras pessoas da cidade vizinha. As pessoas excepcionais gostam de se relacionar, e assim como qualquer outra pessoa, anseiam em realizar seus sonhos e conquistarem sua independência.

Por Gabriela Canário
Fotos: Larissa Nascimento

A Hora do Conto nesta sexta

Nesta sexta-feira, a partir das 18h, acontece A Hora do Conto, no Departamento de Ciências Humanas da Universidade do Estado da Bahia, Campus III.

O evento tem como proposta o estímulo à leitura e o desenvolvimento de atividades corporais, através de brincadeiras, música, dança, dentre outros segmentos.

A Hora do Conto é produzido pelos alunos do 7° período do Núcleo de Educação Infantil e Séries Iniciais do curso de Pedagogia, sob a coordenação da Professora Selma Campos e é aberto à comunidade.

Redação MultiCiência

Exposição Senhores do Tempo até sexta no DCH



Em vários momentos da trajetória humana, percebe-se que as pessoas procuraram conservar parte de suas experiências em desenhos, nos mitos e ritos e nos objetos que, transmitidos de uma a outra geração, apresentam-se como vestígios daquela existência. Em todos esses momentos o homem tem procurado fazer as gerações presentes evocarem acontecimentos vividos no passado, recorrendo, para isso, a muitos instrumentos.

Na exposição Senhores do Tempo, realizada de 25 a 28 de setembro no Departamento de Ciências Humanas da Universidade do Estado da Bahia, campus III, são apresentados alguns objetos pessoais que foram guardados pelas pessoas que formam a 1ª turma de alunos do curso da Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI), para recordação de suas histórias de vida.

São peças singelas, que se apresentam com histórias cativantes, que contam a memória das famílias, do lazer, do trabalho, do cotidiano, dos costumes, das inovações, das técnicas e tecnologias, dos afetos.

Bule, crucifixo, balança, pilão, ferro, fotografias, aparelho eletrônico, utensílios domésticos. Mais de 25 objetos que contam também parte da história da cidade de Juazeiro, onde a grande maioria dessas pessoas reside hoje, e de cidades circunvizinhas.

Ao longo do século XX foram muitas as mudanças sociais ocorridas nessa região e estas pessoas, em suas próprias trajetórias de vida, participaram em grande parte dessas transformações ou as acompanharam, mesmo sem delas participarem diretamente.

Por isso, elas são reconhecidas como verdadeiros Senhores do Tempo e suas ricas experiências de vida foram sendo documentadas ao longo de suas vidas nos seus “guardados”, nos pequenos objetos legados de pais para filhos.

A exposição coordenada pelas professora Andréa Cristiana Santos e Odomaria Macedo é aberta à comunidade até sexta-feira (28) das 14h às 18h, no Departamento de Ciências Humanas, sala Proesp.

Da Redação MultiCiência

Hoje é dia de apresentação de TCC no DCH

Depois de aproximadamente quatro anos de graduação, chega a hora de elaborar o famoso Trabalho de Conclusão de Curso, o TCC. No curso de Jornalismo em Multimeios do Departamento de Ciências Humanas (DCH) da Universidade do Estado da Bahia, campus 3, são oferecidas várias possibilidades de produtos finais.

Os estudantes podem preparar exposição fotográfica, livro-reportagem, monografia, produção audiovisual, programas de rádio, revistas, entre outros produtos que são escolhidos por meio do percurso acadêmico, da aptidão desenvolvida durante o curso ou simplesmente por um desejo de realizar um projeto experimental.

Hoje, dois TCCs serão apresentados no DCH. O estudante Diego Alcântara da Silva apresentará, a partir das 14h 30 na sala 5, como desenvolveu sua monografia para descobrir até que ponto a linguagem utilizada no Jornal A Tarde implica numa violência simbólica. Para avaliar sua pesquisa, os profissionais, Andréa Cristiana (orientadora), Ana Cristina Freire e Josemar Martins (Pinzoh) compõem a banca examinadora.

Já o discente Álvaro Luiz Alves da Silva, defenderá seu projeto experimental às 17h. Em seu livro-reportagem retrata, através da fotografia, a organização e os traços culturais das feiras-livres de Jaguarari, Senhor do Bonfim e Uauá, tendo como avaliadores os professores Paulo Soares (orientador), Andréa Cristiana e Verbena Mourão.

Na sexta-feira, a partir das 15h, o universitário Marcos Elder Vieira de Carvalho apresentará o livro-reportagem sobre a relação entre o Rio São Francisco e a população que utiliza sua água para a banca composta por Adérica Ynis (orientadora), Geovani Siqueira e Mário Pyanelly.

Por Naiara Soares

Distante de Casa

Estudantes de várias partes da Bahia escolhem Juazeiro como segunda casa em busca do conhecimento

Na história de Juazeiro, os antigos moradores contam que, antes de se tornar cidade, a vila era um ponto de encontro e descanso de tropeiros. Debaixo dum pé de juá, árvore frondosa e frutífera, pessoas de diferentes lugares paravam, descansavam, abasteciam a tropa e seguiam viagem. Semelhante aos viajantes, atualmente aportam em Juazeiro estudantes de várias partes do país em busca de uma nova vida.

Eles vêm desde cidades mais próximas, como Senhor do Bonfim, às mais distantes como Morro do Chapéu, Salvador, Teixeira de Freitas, Porto Seguro, algumas distam a mais de 800 km de Juazeiro. A distancia é um fator determinante, porque são obrigados a morar em pensionatos, residências ou compartilhar casas alugadas com outros estudantes, o que nem sempre é uma tarefa fácil.


“A experiência é engrandecedora porque você aprende a viver”. Emerson Rocha


Para Emerson Rocha, estudante do 4º período de Jornalismo, sem o auxílio dos pais, “você aprende a se virar sozinho. Administra seu dinheiro, sua dureza também”, define com certa dose de humor.

No dia a dia de moradias em residências e pensionatos, no qual convivem pessoas com hábitos diversos, é necessário respeito e tolerar problemas incômodos como tarefas domésticas. “Nós conseguimos lidar muito bem um com o outro; aprendemos com os defeitos deles e os nossos”, diz Robert Souza, estudante do 5º período de Pedagogia.

O jornalista Paulo Melo, egresso que também morou na residência da UNEB, ressalta a exigência pessoal quando se trata de viver em grupo: “Há pessoas com culturas diferentes, diferentes concepções ideológicas, principalmente, sobre questões polêmicas.” Contudo, o mais importante é o objetivo a ser alcançado por cada um, destaca Paulo.

Gasto ou Investimento?

Manter um filho estudando, mesmo numa universidade próxima de casa, aumenta o orçamento de uma família, seja ela de baixa renda ou de classe média baixa. No pensamento de muitos estudantes existe uma dúvida freqüente: Educação é gasto ou investimento?

Para não sobrecarregar o orçamento familiar, muitos estudantes buscam os projetos de pesquisa, o que garante uma bolsa de até R$350, incentivo financeiro importante para a permanência deles na cidade.

Outros buscam morar na residência estudantil da UNEB. As acomodações são modestas, há apenas o que é básico numa casa comum. Camas, mesas, geladeira, fogão, TV; o que não pode ser visto como luxo e sim, necessidade básica. No curso, as despesas com apostilas e outros materiais básicos também onera o apertado orçamento individual. Contudo, é um investimento razoável na educação superior.

Futuras Exigências

O caminho percorrido para tornar-se um bom profissional custa suor e esforço. Entrar no mercado de trabalho é outro desafio. Muitos venceram o preconceito como Robert que ressalta a multiplicidade de aberturas para o pedagogo. “A sociedade acha que o pedagogo só é pra trabalhar com criança, o que não é uma ação menosprezável, vai-se trabalhar com consciências novas, o que outro profissional não é capaz. Nas empresas e nos concursos necessitam dos processos pedagógicos”, explica o estudante.

Eduardo Batista estudante do 1°período do curso de Direito, optou pela jurisprudência porque “Direito é de certa forma mais rentável e também é o “menos ruim” pra mim”.

Este perfil não é incomum entre os estudantes, a escolha da profissão é condicionada pelos rendimentos futuros e pelo que mercado de trabalho exige em determinada área. O que não significa a impossibilidade de existência dos que optam por um curso economicamente nada atraente, contudo se sentem vocacionados.

Mas nem só de apostilas, preocupações acadêmicas e financeiras vivem os/as residentes. O lazer e a diversão ajudam a manter o bom humor necessário para se manter uma vida estudantil saudável. Festas, babas (futebol), comemorações de aniversário são realizados com freqüência, muito delas são freqüentados por professores e funcionários, integração desses grupos, também nos espaços de diversão. É dessa forma que muitos estudantes suportam a saudade de casa e encontram novos significados para a vida à espera de um futuro melhor.


Por Laércio Lucas

A arte de sobreviver das ruas




“Olha a fruta, freguesa! Relógio na minha mão é 10 reis; eu tenho DVD de cinco; olha o picolé...”. É, desta forma, vendendo mercadorias que muitos trabalhadores na cidade de Juazeiro, no norte da Bahia, garantem o seu sustento. Eles fazem parte do mercado de trabalhadores informais e vivem da loteria do comércio: um dia está a favor, no outro contra.

Pelas estreitas ruas do município, pode-se ver pessoas vendendo de tudo: roupas, comida, relógios, cafezinho e utensílios domésticos. Elas expõem suas mercadorias e tentam seduzir o cliente da melhor maneira possível. No grande shopping a céu aberto da cidade, há diferentes produtos e várias histórias de cidadãos que sobrevivem do comércio informal.

Uma dessas histórias é a de Silvana Tereza Conceição de 28 anos de idade. Com jeito simples e voz mansa, a moça trabalha como camelô desde os 14 anos. Ela nunca teve um emprego de carteira assinada, e tira o seu sustento e dos três filhos da venda de frutas e verduras em frente ao terminal de transbordo da cidade.

O dia de Silvana começa bem cedo. Para conseguir as melhores frutas, ela sai de casa, no bairro Piranga I, antes das cinco horas da manhã, indo em direção ao Mercado do Produtor. Com o carrinho abastecido, segue do mercado para mais um dia de trabalho.

Mãe de três filhos, recebe o Bolsa Família, mas explica que o auxílio do Governo Federal é insuficiente. “Pra sustentar a família de Bolsa Família não dá. Pagar água, luz, bojão... e aí? Nosso único meio de vida é esse, comprar e vender”, afirma, que acrescenta que já perdeu suas mercadorias por várias vezes.

A vida de um ambulante é inconstante, quando saem de suas casas levam consigo a esperança de uma boa vendagem e o desejo de um dia proveitoso. Esses profissionais das ruas transformam-se em artistas que interpretam cenas da vida real.

Trabalhando nas ruas há vários anos, José Aílton de Souza, 52 anos, compara a sua vendagem de relógios a uma pescaria: “Um dia pode pescar bem, e no outro menos”, explicou seu Aílton, como gosta de ser chamado.

Aposentadoria

A incerteza de vendas não é o único problema enfrentado por esses trabalhadores. Outra dúvida constante sobre suas vidas é em relação à aposentadoria. Muitas dessas pessoas desconhecem os caminhos para requerer o benefício como trabalhador autônomo.

O Governo Federal lançou o Programa de Microempreendedor Individual (MEI), que começou a vigorar a partir do mês de julho. O objetivo é fazer com que trabalhadores autônomos formalizem o seu trabalho e passem a ter direitos como aposentadoria por invalidez ou idade, licença maternidade, auxílio-doença e outros benefícios da Previdência Social.

Para tanto, pessoas como Silvana e Aílton deverão pagar mensalmente R$ 52,15, sendo R$ 1 de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e R$ 51,15 do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). O Ministério da Previdência Social garante que a aposentadoria será de um salário mínimo, para mulheres de 60 e homens de 65 anos, que contribuírem com o programa. Porém, os preços cobrados afastam alguns trabalhadores.

Aílton afirma que a cobrança feita pelo Governo é muito alta, o que dificulta a aposentadoria dos autônomos. “A margem que é oferecida à pessoa que trabalha no serviço informal pra pagar ao INSS, é muito alta. Às vezes, a gente falta pra pagar”. Aílton revelou que consegue em média um salário mínimo por mês com o seu trabalho, o que dificulta o pagamento do tributo.

Terezinha Silva, 58 anos e há oito trabalhando como camelô, disse ter trabalhado de carteira assinada apenas um ano, tendo contribuído com a Previdência Social somente nesse período. Ela fala que não paga por acreditar que não vale mais a pena: “o preço é muito alto, e eu já estou com 58 anos, não vai mais valer”, explica a comerciante.

-->O alto número de ambulantes na cidade
Camelódromo Dois de Julho, criado como alternativa para diminuir o número de ambulantes nas ruas de Juazeiro
A cidade de Juazeiro está repleta de ambulantes. Uma das mediadas adotadas para diminuir o número de ambulantes nas ruas da cidade é o Camelódromo Dois de Julho, inaugurado há oito anos, com a finalidade de abrigar os ambulantes retirados das ruas. Terezinha é uma dessas pessoas, ela trabalhava na Rua Oscar Ribeiro e foi transferida para o novo ponto.

A estudante, Gabriela Canário, 22 anos, reclama do alto número de vendedores ambulantes na rua. “Ali na Rua dos bancos é horrível. Eles já tomam a frente das calçadas. O grande número de ambulantes além de dificultar a passagem dos carros, também dificulta a visão dos pedestres, causando acidentes”, afirma a jovem que apesar dos transtornos gosta de comprar na mão de camelôs.

“Eu costumo e até prefiro comprar na mão de camelô, por causa da variedade que você encontra e pelo preço muito mais acessível. Claro que a qualidade não é a mesma, mas vale a pena”, ressaltou Gabriela.

A comerciante revela que, embora ganhasse mais com a sua barraca na rua, ela não abre mão do seu ponto no novo estabelecimento. “Na rua, eu gostava porque a gente vendia mais. Mas aqui eu gosto porque é um local que a gente fica na sombra, não pega sol, não pega peso”, observa a comerciante.

Fora do camelódromo, os ambulantes têm que pagar um lugar para guardar os seus produtos. “Lá a gente pagava uma taxa por mês pra guardar nossas mercadorias, aqui não. Se fosse pra ir pra rua eu não queria. Mesmo ganhando ais, não quero ir pra rua”, disse Terezinha.

Tanto na rua ou dentro do camelódromo, a vida de Silvana, Aílton e Terezinha une-se nas mesmas lutas, conquistas e aflições: a incerteza de vender ou não; o risco de ter suas mercadorias apreendidas; o caos da violência urbana entre outros.

Mas, apesar das adversidades, eles sentem orgulho do seu trabalho e da cidade que os acolheu. “Trabalho aqui há muitos anos, praticamente eu sou um juazeirense nato. Sou filho de Juazeiro, me adeqüei aqui. Eu amo a minha cidade”, concluiu Airton.

Por Emerson Rocha

“Nesses últimos tempos, quando aquece ou esfria um pouco, as pessoas já acham que é efeito do aquecimento global”



“Dizer que hoje, nós estamos experimentando o aquecimento global é uma inverdade”, afirma Mário de Miranda Vilas Boas Ramos Leitão, estudioso dos acontecimentos metereológicos. Para ele, mais preocupante que o aquecimento global, uma previsão futura, são os problemas que já acontecem em localidades específicas.

Técnico, Bacharel, Mestre e Doutor em Metereologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Mário iniciou sua carreira profissional em 1975. Em 1982, começou a trabalhar como professor universitário, sendo servidor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e, atualmente, leciona na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Em entrevista ao Jornal Mural Repórter, produto da disciplina Entrevista e Reportagem do curso de Jornalismo em Multimeios, Miranda fala sobre o aquecimento no Vale do São Francisco e suas consequências para a região.

Jornal Mural (JM) Como você avalia o aquecimento global hoje?


Mario Miranda (MM): O aquecimento global tem dois aspectos. Quando nele falamos, estamos nos referindo a uma situação futura, que só irá ocorrer aproximadamente daqui a 50 ou 100 anos. Paralelo a isso, em algumas regiões do planeta, localmente existe alguns problemas que já resultam em algum aquecimento, o que não afeta todo o mundo. Há uma confusão bastante generalizada sobre o assunto. Nós não temos uma temperatura fixa ao longo de todos os anos, mas sim um ciclo, onde em determinados épocas a temperatura aumenta e em outros diminui. Nesses últimos anos, quando aquece ou esfria um pouco, as pessoas já acham que é efeito do aquecimento global.

JM: No cenário local, houve alterações climáticas bruscas nas últimas décadas?

MM: No semi-árido nordestino e em outras partes do planeta, a gente tem convivido com uma variação local do clima. Se formos avaliar a floresta amazônica, é perceptível a retirada de toda a vegetação natural de determinadas áreas. Isso, em contrapartida, faz com que a radiação solar que chega a essa superfície se comporte de forma distinta, aquecendo mais o solo, já que agora não existem plantas para absorver essa radiação. Em algumas áreas do Nordeste, a gente desmata achando que a caatinga não representa muita coisa. Na realidade, a caatinga representa para nossa região tanto quanto a floresta exuberante da Amazônia representa para a região Amazônica. Em Juazeiro, Petrolina e mediações, forte pólo produtor na fruticultura nacional, observa-se um desmatamento acentuado da caatinga. Em contrapeso, na medida em que retiramos essa vegetação, implementamos culturas. Em épocas mais secas, quando a caatinga fica completamente sem florir e não transfere vapor d’água à atmosfera, algumas dessas plantas contribuem retirando água do subsolo e jogando na superfície. Nós não sabemos se este tipo de vegetação substitui relativamente ou igualmente a flora regional, mas, de certo modo há uma compensação. Precisamos nos preocupar com esses espaços degradados, os quais chamamos de áreas em processo de desertificação. Isso tem ocorrido muito no nordeste, em especial em regiões da Bahia, Pernambuco e Paraíba. Se não cuidarmos, teremos esse aquecimento muito mais acentuado localmente... isso é preocupante.
JM: De que forma essas alterações podem ser percebidas diariamente?

MM: Para que as chuvas ocorram, é necessário que a atmosfera atinja certo nível de umidade, matéria prima para a formação de nuvens, que são as “fábricas” de chuva. Este ano houve cinco tentativas de precipitação atmosférica, o que não ocorreu devido a baixa umidade na região. Dessa forma, é perceptível uma sensação mais acentuada de calor, pois os raios solares passam com maior facilidade quando a umidade está baixa. A situação é mais agravante na medida em que esses raios alcançam uma superfície escura e produzem um aquecimento exacerbado. Uma pista de asfalto em Juazeiro e Petrolina pode chegar a 70 graus. Os raios aquecem a superfície e ela transfere esse calor para a atmosfera. Em épocas mais quentes, temos a sensação desagradável que o corpo está queimando, diferente de quando a umidade está alta. Nas épocas mais secas, que ocorrem por outubro e novembro, a umidade do ar cai a um nível tão baixo, que as pessoas começam a ter problemas de circulação sanguínea e complicações respiratórias. O nariz geralmente resseca e, para piorar, usamos o ar-condicionado, que termina por retirar o resto da umidade do ar existente naquele ambiente. Na região, durante o período intermediário das 14h às 16h/17h, o índice de umidade já chegou nos últimos dois anos a 11%, um valor extremamente baixo. A Organização Mundial de Saúde afirma que uma umidade abaixo de 30% é prejudicial. Nesse período mais crítico, ela baixa pra menos de 20%. Então, algumas pessoas têm sangramento nasal e dores de cabeça.

JM: O Rio São Francisco de alguma maneira pode ser afetado pelo aquecimento? MM: O aquecimento em si pode afetá-lo, mas não de forma tão acentuada como ele afeta, por exemplo, a barragem de Sobradinho. A água do rio, em movimento, se mistura e não aquece tanto. Quanto maior for a temperatura e menor umidade, maior será a perda de água por evaporação de qualquer barragem. Essa nossa região tem os menores índices de umidade e as maiores taxas de evaporação do Brasil. Aqui, os açudes e barragens, por ano, perdem em média três metros de água só por evaporação. Alguns são mais e outros são menos. A gente ainda não aprendeu a conviver com seca. Um exemplo são os açudes pouco profundos, com menos de três metros de profundidade, e que a água vai toda embora. Aqui, no semi-árido, quando chove, os açudes ficam cheios, bonitos, contudo, quando você vai próximo ao período chuvoso, está tudo seco, ou só tem lama. As pessoas não se preocupam em torná-los profundos para que a água dure. A maioria dos açudes no Nordeste não tem nem dois metros.

JM: Quais as Previsões a longo prazo, se medidas emergenciais não forem adotadas na região do Vale do São Francisco, para a preservação do Ecossistema? MM: As cidades litorâneas como Recife, Salvador teriam sérios problemas. Se já há uma invasão do mar, provocada por uma maré alta ou uma ressaca em áreas habitadas, imagine se o nível do oceano subir cerca de seis metros. Haveria um descongelamento das áreas com gelo. Isso causaria um impacto muito grande. Por outro lado, haveria também uma mudança no mapa de produção agrícola. Regiões que hoje produzem determinadas culturas poderiam neste período de aquecimento mais acentuado, não ter as mesmas condições para a produção.
Nós seres vivos, animais e vegetais, somos adaptáveis. O aquecimento de todo o planeta irá ocorrer aos poucos, gradativamente. Nestas condições, muitos se ajustariam. A própria teoria da evolução mostra isso, nós já passamos por algo parecido a milhões de anos atrás. Na região de Petrolina e Juazeiro, temos em determinadas épocas do ano, no período frio, temperaturas que alcançam menos de 14 graus. Quando chega o verão, a temperatura do ar, muitas vezes, chega a 39 e 40 graus. As plantas não morrem, nós também não morremos, o que irá ocorrer é uma evolução da vida, tanto vegetal quanto animal. Essa é uma questão toda voltada para um possível aquecimento global. Preocupa-me mais, o fato da gente não estar colocando a visão regional nesta situação. Imagine os locais onde a gente já tem uma circunstância complicada, essa degradação toda, da desertificação do Nordeste, as cidades colocando asfalto por tudo que é canto pra “assar gente por ai”.

Em 2008, nós fizemos uma pesquisa em três bairros de Petrolina. Somente na noite de São João, averiguamos que 31 mil quilos de poluentes são jogados na atmosfera, em função da queima da vegetação. Imagine o que isso causa. Já existem cidades como Campina Grande e João Pessoa, na Paraíba, que é proibido fazer fogueira. Acho até um exagero proibir, mas, ao invés de fazer uma fogueira de 50 kg, por que não colocarmos lá três pauzinhos?

Dizer que, hoje, nós estamos experimentando o aquecimento global é uma inverdade. Agora tudo no mundo é aquecimento. Temos que ter ponderação naquilo que se fala. Nesse caso, acho que houve um exagero muito grande por parte da mídia. A Rede Globo até que diminuiu, mas dizia que o Nordeste, nos próximos anos, ia ter muita seca. O ano de 2007 foi mais quente do que 2008, e o ano passado foi mais quente que 2009. Talvez tenha sido a própria ação das culturas aqui na região. Um processo completamente normal.

Alguns cientistas são chamados de céticos, como é o caso do brasileiro Luis Carlos Molion. Na realidade, o que o preocupa não é o aquecimento, mas sim o resfriamento do planeta. Se aquecermos os oceanos, a água deles vai para a atmosfera. Essa água desce, molha e esfria a superfície. Esse pessoal torce pelo aquecimento, para melhorar os índices de chuva nas regiões secas do mundo, veja que contradição. Não tenho uma simpatia pelos discursos a respeito do aquecimento e nem pelo contraditório. Acho fundamental a população ter consciência. Hoje, você olha para a beira da estrada e encontra sacos de salgadinho, garrafas pet e sacos plásticos. Embora muita gente nem imagine, é um efeito que pode prejudicar não só os seres vivos, mas também modificar o balanço de energia e o balanço de radiação, o que acentua o aquecimento. Uma coisa é a superfície natural, outra é uma superfície com objetos poluentes, que vão durar 50, 100, 300 anos para se degradarem.

Daysiane Figueiredo e Ilana Copque
Fotos: Ilana Copque

Exposição Cal, Barro e Luz em Petrolina e Juazeiro


A fotojornalista Jackelina Kern descobriu na fotografia um meio de preservar a memória de patrimônios arquitetônicos e denunciar o descaso para com os casarões antigos de Juazeiro e Petrolina, na região do Vale do São Francisco.

Na exposição Cal, Barro e Luz, a fotojornalista nos emociona com sua sensibilidade e com a beleza de suas obras. A exposição que foi vista por mais de mil pessoas no Museu Regional do São Francisco, onde ficou exposta durante três meses, estará agora no River Shopping de Petrolina nos dias 21, 22 e 23 de agosto.

Cal, Barro e Luz participou ano passado, em Itabuna, dos Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia. Este ano foi selecionada novamente para a exposição dos Salões Regionais em Juazeiro e estará aberta a visitação no Centro de Cultura João Gilberto de 22 de agosto a 04 de outubro, nos horários: das 9h às 12h e de 14h às 22h, de terça a sexta e, aos sábados e domingos, das 14h às 22h.

JACKELINA KERN

Locutora desde 1986, a ribeirinha de Xique-Xique (BA), foi Diretora de Redação do Jornal Imprensa e da Revista In Foco News, ambos da cidade onde nasceu. Formada em Jornalismo em Multimeios pela Universidade do Estado da Bahia desde 2008, Jackelina atualmente estuda a linha Patrimônio e Memória no programa de Pós-Graduação na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), onde pretende desenvolver pesquisas sobre o Vale.


Leia mais sobre a exposição de Jackelina Kern:

Duas Cidades, uma arquitetura

Arquitetura de Juazeiro e Petrolina vira tema para exposição

Exposição fotográfica apresenta patrimônio arquitetônico de Juazeiro e Petrolina

Outras informações:

Jackelina Kern (74) 8819-7921
Assessoria:
Isabella Mendes (74) 9124-2697
Felipe Pereira (74) 9199-4813


Redação MultiCiência

XIII Festival Nacional 5 Minutos



Estão abertas até o dia 31 de agosto as inscrições para o XIII Festival Nacional 5 Minutos, concurso com seleção e a premiação de vídeos de até 05 (cinco) minutos, com o objetivo de incentivar a produção e a difusão audiovisual, em vídeo, no Brasil.

O XIII Festival Nacional 5 Minutos, a ser realizado no período de 16 a 21 de novembro de 2009 consiste na realização de mostras de vídeos (competitiva e não competitivas), seminários, palestras, exposições e oficinas com acesso gratuito, em diversos espaços de Salvador e interior, tendo como sede de exibição as salas Walter da Silveira e Alexandre Robatto.

Cada proponente poderá inscrever até 03 (três) vídeos para a seleção. O total de recursos disponível para premiação é de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), sendo a temática livre.

Fonte: DIMAS

Redação MultiCiência

Concurso Idéias Inovadoras

Estão abertas as incrições para o Concurso Idéias Inovadoras, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), que vai contemplar 18 projetos, por meio de premiação em dinheiro no valor total de R$96 mil.

Os interessados podem se inscrever até o dia 18 de setembro em uma das seis categorias: estudantes de educação profissional, graduandos, mestrandos, doutorandos, pesquisadores e inventores independentes.

As inscrições estão sendo realizadas somente via internet. A data limite para o envio das propostas é até o dia 21 de setembro, conforme especificado em edital.

O concurso obedece a critérios de avaliação como ineditismo, aplicação prática, apresentação, impactos e mercado potencial da inovação, além do perfil do empreendedor.

Serão premiados os projetos que apresentarem as melhores idéias inovadoras. Para cada categoria serão premiados os três melhores projetos. O primeiro lugar recebe a quantia de R$8 mil, o segundo lugar de R$5 mil e o terceiro lugar de R$3 mil.

A solenidade de premiação será realizada no mês de novembro durante a Feira de Tecnologia (Bahiatec) e o Simpósio Internacional de Inovação.

Fonte: Site da UNEB

Altíssimos salários não garantem qualidade de ensino

O pós-doutor Paulo Batista Machado afirma que a deficiência na formação escolar dos brasileiros não se resume apenas em fatores como o baixo salário de professores, métodos de ensino sem atratividade e desinteresse do alunado. Atual prefeito de Senhor do Bonfim, norte da Bahia, Machado é formado em Filosofia, História e Teologia. Concluiu seu Mestrado em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e, nove anos depois, se tornou Ph.D em Educação pela Universidade do Quebec, em Montreal, no Canadá. Nesta entrevista ao Jornal Mural Repórter, ele descreve sua visão a respeito da educação precária no Brasil.

Jornal Mural (JM): A educação precária do Brasil é a primeira problemática para o ingresso no mercado de trabalho e desenvolvimento do país?

Paulo Machado (PM):
É um fator a ser considerado, mas ele não vem sozinho. Sem a educação de qualidade não se pode avançar, mas há outros fatores decisivos como o ordenamento sócio-econômico, o nível de concentração de renda, de inclusão e exclusão social, o aparato tecnológico.

JM: De todas as soluções para melhorar o ensino no Brasil, a mais eficaz seria investir na qualificação dos nossos professores ou existe uma outra prioridade?

PM: A qualificação dos professores é fundamental, mas não será elemento decisivo se caminhar à margem do padrão mínimo infra-estrutural da escola e se não se desenvolver uma sociedade justa e igualitária.

JM: Como o senhor, como político, entende a problemática de professores sobrecarregados?
PM: Esta luta pela sobrevivência denuncia os baixos salários e a desvalorização da profissão. Os recursos do FUNDEB hoje, e a obrigação constitucional de aplicar 25% na educação permitem salários mais justos e inclusive gratificações pela qualificação profissional docente. Um Plano de Cargos e Salários hoje deve possibilitar uma carga horária e salários que desestimulem a ida para outros espaços profissionais. Pode-se pensar até em uma carga horária de 20, 40 horas e Dedicação Exclusiva.

JM: Alunos que passam mais tempo na escola aprendem mais ou quatro a cinco horas diárias são suficientes para um bom aprendizado?
PM: A escola de tempo integral permite um avanço sistemático na socialização e sistematização dos conteúdos e uma articulação decisiva entre o espaço escolar e os espaços cotidianos e educativos da cidade. Não se pode mais ensinar apenas um turno, isto é algo superado nos países que levam a educação a sério.

JM: Para aumentar os índices de educação, o nosso governo tem implantado diversos programas de alfabetização que formam alunos em menos tempo dentro da sala de aula. Como explicar o interesse em uma boa formação, se o governo parece apenas se importar com as estatísticas?
PM: Esta é uma faca de dois gumes: de um lado os dados estatísticos favoráveis abrem as portas do país ao investimento estrangeiro e garantem possibilidades de crescimento econômico; de outro lado possibilita cursos aligeirados, descontextualizados e de qualidade duvidosa. Sabe-se hoje que uma alfabetização precisa ser consolidada todo o tempo, pela perseverança de projetos que superem o limitado analfabetismo funcional.

JM: No Brasil, ainda vemos muitos professores, principalmente nas escolas públicas, sem nenhuma formação dando aulas de educação física, história e até mesmo matemática. Como são selecionados os nossos educadores?

PM: Tem-se avançado muito. A obrigatoriedade dos concursos, os processos formativos atualmente oferecidos, o aperfeiçoamento e pós-graduação dos professores garantem um nível considerável de qualidade. O desvio de função na docência é um fato ainda em alguns municípios e estados e isto revela uma insensibilidade e irresponsabilidade do gestor educacional.

JM: Para dar aula da 1ª a 4ª série não é obrigatório o diploma universitário. Não seria fundamental que os professores destas séries tenham formação superior?
PM: A tendência é esta e muitos municípios já não possuem em seus quadros professores de nível médio. Iria mais além: precisamos ter até mesmo na educação infantil mestres e doutores, algo que vi ocorrer em Montreal, por ocasião do meu curso de Doutorado.

JM: O aumento salarial para professores com diploma universitário seria um bom incentivo pra uma boa formação de professores e alunos?
PM: Isto não garante necessariamente a qualidade do ensino. Já vi altíssimos salários terem um desempenho pífio, bem abaixo do desempenho de professoras leigas. Poder-se-ia fazer o contrário, gratificar os professores que tenham apenas nível médio, para que estudem e se graduem.

Por Gabriela Canário e Juliane Peixinho
Fonte: Jornal Mural Repórter, uma produção da disciplina Entrevista e Reportagem do curso de Jornalismo em Multimeios ministrada pela docente Andréa Cristiana

Projeto desenvolve polinização do maracujá amarelo em Maniçoba

A Bahia é o principal produtor brasileiro de maracujá amarelo com cerca de 77 mil toneladas, em 7,8 mil hectares. Em Juazeiro, o Projeto Maniçoba concentra a maior produção do fruto no Estado. Com o objetivo de melhorar a qualidade do produto e reduzir os custos da mão-de-obra, o Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) desenvolve pesquisa sobre a influência da caatinga na polinização do maracujá, utilizando a abelha como prestador do serviço.

Iniciado em fevereiro do ano passado, o projeto ajuda os pequenos colonos que plantam maracujá. Segundo a professora Kátia Medeiros de Siqueira, por ser uma vegetação nativa, a caatinga influencia diretamente a polinização do fruto. Na área, onde é realizado o estudo, encontra-se a umburana de cambão, planta escolhida pelas abelhas para fazer seus ninhos. Entretanto, não é hábito do pequeno produtor local considerar o inseto como prestador de serviços para a polinização na produção do maracujá. Além disso, a abelha tem sua população reduzida devido ao desmatamento das áreas nativas e o uso de agrotóxicos.

Em todo o Brasil, já existem pesquisas sobre polinizações de maracujá, contudo utilizam um sistema de plantio diferente do Projeto Maniçoba, que é do tipo espaldeira. Em Minas Gerais , a polinização manual é mais restrita. Os produtores dependem bastante das abelhas para polinizar o fruto, valorizando-as, assim, muito mais que os agricultores baianos.

Outro fator agravante na cooperação abelha/produtor é a exploração do tronco da umburana de cambão por parte de um grande número de artesãos na confecção de carrancas, como afirma a pesquisadora, o que reduz a população de insetos que utilizam o tronco desta planta para construir seus ninhos. “A preservação da caatinga e dessas plantas é importante para que as abelhas tenham lugar para fazer ninho. Apesar de sabermos que ela pode fazê-lo em tronco de coqueiro ou tronco de mangueira apodrecido, a preferência natural dela é pela umburana de cambão”, alerta Siqueira.

Durante o estudo, as famílias produtoras recebem acompanhamento feito por bolsistas da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), que fazem a marcação das umburanas através do sistema eletrônico GPS, com monitoramento em laboratório. Segundo a estudante de Agronomia Tainara Ferreira, nos cultivos, a presença da atividade das abelhas é constatada por meio do índice de frutificação natural. “Selecionamos três linhas de plantio, contamos o número total de flores e plantas de maracujá e marcamos 100 delas. Uma semana depois, voltamos lá e vemos quantas foram polinizadas e deram frutos”, explica.

Os benefícios dessa produção orgânica já podem ser encontrados. Com a utilização da polinização pelas abelhas, o produtor diminui os gastos com contratação de mão-de-obra manual, específico para grandes safras. Além disso, os frutos possuem mais polpa e nutrientes, sendo considerados mais saudáveis.

Por Natália Carneiro
Foto: Emerson Rocha

Pipoca Jornalística exibe Redentor


Que tal assistir e participar de um debate sobre a representação do jornalista no cinema? Hoje, a partir das 14h o Pipoca Jornalística, evento organizado por estudantes de Jornalismo em Multimeios da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), campus 3, exibirá o filme O Redentor, e em seguida haverá uma discussão com a participação da professora Giovanna De Marco e Josemar Martins (Pinzoh).

O Redentor é um drama dirigido por Cláudio Torres sobre um jornalista que, depois de se tornar um laranja de seu amigo de infância, empreiteiro corrupto envolvido em escândalo imobiliário, recebe de Deus a missão de convencê-lo a doar sua fortuna para os pobres.

No elenco do filme artistas como Pedro Cardoso, Miguel Falabella, Fernanda Montenegro, Camila Pitanga, Fernando Torres, Stênio Garcia, Fernanda Torres, Paulo Goulart, José Wilker e Guta Stresser.

O Pipoca Jornalística é uma produção da disciplina Cinema Brasileiro ministrada pela docente Carla Paiva e acontecerá na sala do PROLAB no Departamento de Ciências Humanas da UNEB e é aberto à comunidade acadêmica.

Por Naiara Soares
Cartaz disponível em site

I Mostra de Tecnologia da Informação, Comunicação e Sociedade nesta sexta


Nesta sexta-feira, a partir das 18: 30h no Canto de Tudo, acontece a I Mostra de Tecnologia da Informação, Comunicação e Sociedade do Departamento de Ciências Humanas da Universidade do Estado da Bahia, campus III.

A mostra tem como tema a presença das tecnologias em segmentos como a música, o agronegócio, a fotografia, a telecomunicação e influências no campo jornalístico e apresentará novidades tecnológicas no formato de feira científica.

O evento é organizado por estudantes do 8º período de Jornalismo em Multimeios da UNEB como atividade da disciplina Tecnologia da Informação, Comunicação e Sociedade, ministrada pelo professor Josemar Martins (Pinzoh) e é aberto ao público.

Redação MultiCiência

Prêmio de poesia ibero-americana

A revista cultural Oca das Letras está lançando o I Prêmio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Americana 2009. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 31 de agosto, por meio da página www.ocadasletras.com.br

O prêmio contempla poesias concebidas nas línguas portuguesa, espanhola e Guarani. Os concorrentes poderão participar com três poesias, cada uma limitada a 25 linhas, de 60 caracteres. As obras inscritas deverão ser inéditas e não podem ter sido premiadas em outro concurso de poesia.

Fonte: Plug Cultura

“Minha cachaça é dar aula”





Foram com essas palavras que Giovanna De Marco, 56 anos, definiu sua paixão pela educação ao longo de 25 anos de trabalho na Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Doutora em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), São Paulo, a professora universitária discute o ensino superior e as transformações que tem passado.

Após 27 anos morando em Juazeiro, Giovanna revela que voltará para sua cidade natal São Paulo, com o propósito de se dedicar mais à família. Contudo, não será uma ruptura definitiva, pois dará continuidade às suas pesquisas na cidade baiana.
Na entrevista ao Jornal Mural Repórter, produto da disciplina Entrevista e Reportagem do curso de Jornalismo em Multimeios e republicado na Agência MultiCiência, ela admite que não se arrepende de ter escolhido a cidade de Juazeiro para morar, comenta sobre o pedido de aposentadoria, os planos futuros e avalia a contribuição das universidades para a formação de alunos. "Quando a gente fala de ensino superior, entendo que temos que pensar muito mais na sociedade do que no mercado. Nós temos que pensar a formação para a sociedade como um todo. Os cursos têm que estar nessa perspectiva e os mecanismos de sua avaliação também soam muito questionáveis. Eles são avaliados de acordo com uma produção, assim como os próprios professores pesquisadores. Avalia-se muito mais a quantidade do que a qualidade produzida".




Jornal Mural (JM): A senhora é formada em psicologia, então por que atuar na área da educação?

Giovanna De Marco (GM): Não foi só uma escolha. Estava na região e, na época, saiu o concurso de Pedagogia, mas para atuar na área de psicologia, que sempre atuei. Então, prestei o concurso, fui aprovada e estou aqui desde 1985. Quando fiz o Doutorado, pesquisei muito Filosofia. Então, me candidatei à disciplina de Introdução à Filosofia no curso de Comunicação Social. Mas a minha área de atuação sempre foi a Psicologia.

JM: Qual a sua visão do semi-árido nordestino em relação à educação e cultura?

GM: Eu não vou falar do semi-árido, pois discordo dessa nomenclatura que homogeneíza essa região. Mas posso falar dessa região que vivo e sofro a educação. Vivo no sentido que atuo na educação desde que cheguei, em 1982. Nós temos uma educação que está ainda na primeira geração de famílias menos favorecidas no nível superior. Acho que a UNEB vem desempenhando esse papel, no sentido de propiciar condições de educação às parcelas da população onde nem imaginava que ia chegar. Ela tem prestado esse serviço na Bahia, já que se estendeu através do Campus para as diversas regiões do Estado. Então, a gente tem feito esse trabalho, que acho importante. Contudo, a parcela que a gente conseguiu atingir pelo número de vagas e de cursos ainda é muito pequena frente à população. Em relação à cultura, acho que, na região, é muito forte, muito significante. Entendo que a população, na sua diversidade, tem suas expressões culturais. Para quem chegou aqui como eu cheguei, em 1982, mudou demais. As expressões culturais, que davam uma singularidade aos diversos grupos sociais, têm sido sufocadas por essas formas massivas veiculadas através da internet e da televisão, que tem um maior alcance. Isso é algo bastante preocupante. Hoje, você vai para qualquer lugar aqui da região do sertão e, por mais pobre que a família seja, ela tem uma televisão, DVD, todo seu equipamento eletrônico.

JM: Como você avalia a qualidade do ensino superior?

GM: É uma coisa que tem me preocupado muito, porque se a gente pensar na qualidade de informação, ela vem sendo muito marcada pelo mercado. Inclusive acho que se confunde muito mercado com sociedade. O mercado não abarca toda sociedade. Ele se apropria e captura as formas de funcionamento da sociedade. Ele tenta impor sua forma de funcionamento a toda sociedade, mas, felizmente, ela é muito maior. Quando a gente fala de ensino superior, entendo que temos que pensar muito mais na sociedade do que no mercado. Nós temos que pensar a formação para a sociedade como um todo. Os cursos têm que estar nessa perspectiva e os mecanismos de sua avaliação também soam muito questionáveis. Eles são avaliados de acordo com uma produção, assim como os próprios professores pesquisadores. Avalia-se muito mais a quantidade do que a qualidade produzida. Os mecanismos que estão colocados pelas agências de fomentos e pesquisas e que avaliam a qualidade dos cursos vão muito nessa perspectiva, o que, para mim, é muito preocupante. A formação tem que ser integral. É lógico que a gente tem que olhar para o mercado, mas não pode fazer com que o mercado venha decidir o tipo de formação que nós devemos dar aos nossos alunos. Observe que o número de meios de comunicação é muito pequeno e se a gente fosse pensar na formação de jornalistas, apenas para conduzir para esse mercado vocês estariam fadados ao fracasso. A gente precisa dar uma formação para que vocês compreendam a sociedade, a comunicação, não só no mercado, e buscar a inserção profissional nesses nichos que estão na sociedade e que não foram ocupados pelo mercado.


Geovanna De Marco. Foto: Emerson Rocha
JM: Quais diferenças existem entre o aprendizado e a forma de ensinar ao longo desses 30 anos? Há diferença do aluno ao longo desse tempo?

GM: Não só dos estudantes, há uma diferença dos estudantes e de nós professores. Ainda bem que muda muito, mudam as estratégias. Nós começamos o curso de Pedagogia com uma população que era de adulto para velho. Isso ocorre porque grande parte dos professores não tinha nível superior, estava na rede e buscava uma progressão na carreira, uma melhor qualificação profissional e procurava o curso. Como já eram profissionais, tínhamos um tipo de interação, um outro tipo de relação ensino–aprendizagem que fazíamos. Em meados da década de 90, essa população foi ficando mais jovem. Foram chegando aqueles que estavam saindo do segundo grau. Foi outro tipo de estratégia que o professor teve que utilizar, inclusive para fazer esses alunos ficarem sentados, que hoje tem sido um grande problema. Então, mudou muito o trabalho em sala de aula, porque uma coisa é você estar com um profissional, que já está no órgão de educação. Hoje, o professor se prepara, estuda e, às vezes, é frustrante, pois o rendimento na sala de aula fica muito aquém. Os alunos, muitas vezes, não se envolvem, a capacidade crítica deles ainda não chega aonde a gente gostaria que chegasse. Os alunos chegam muito jovens nos cursos. Isso exige de nós professores não só conteúdo, mas que se estimule a capacidade de entendimento da sociedade que está. Também chegam muito despreparados, do ponto de vista educativo, do primeiro e segundo grau. Isso gera um embate, porque os professores que trabalham no primeiro período têm um impacto muito forte por conta disso, porque o aluno vem com um tipo de relação com o conhecimento muito mais da ordem reprodutiva do que produtiva. Então, fazer essa inversão é muito difícil, muitas vezes até o final do curso a gente não consegue fazer essa inversão.

JM: Como você percebe a sua colaboração para a qualidade de ensino do Campus III?

GM: Não é colaboração! Eu, os alunos, como todos os colegas aqui, somos nós que fazemos o curso, nós que damos a cara a esse Departamento, que imprimimos a qualidade daquilo que é feito aqui. Isso pra mim é muito claro desde o início. Hoje, tenho me queixado muito no sentido de parcerias, de ter um maior número de professores engajados em fazer o curso. Acho que nós já tivemos momentos no Departamento, em que se tinha um conjunto de professores que estava mais engajado na qualidade do curso. Hoje, é menos, não acontece com a mesma intensidade. Tem-se um núcleo de professores, que vem fazendo um esforço desde que chegaram aqui, de fazer um curso com qualidade, garantir a regulamentação e a autorização do curso, a aprovação do nosso currículo. Então, o que tenho feito, ao longo desses anos, é sempre no sentido de se ter uma qualidade nos cursos oferecidos. É uma construção coletiva e não tem sido fácil, pois tem que garantir um engajamento, não de todos, mas pelo menos de uma maioria e não temos essa garantia. Então, tem sobrecarregado alguns colegas, uns com mais empenho que outros. Nossos cursos e o funcionamento do Departamento poderiam ser melhor, inclusive porque hoje nós temos um número maior de professores mestres e doutores. E eu não venho sentindo um aumento progressivo na qualidade, correspondente a esse aumento de títulos.

JM: Como é chegar aos 25 anos aqui na UNEB?

GM: Eh, vou completar 25 anos de departamento! Eu não me canso do que eu faço, não! O que mais gosto de fazer aqui dentro é dar aula, é a minha cachaça. Adoro trabalhar com jovens e com as várias faixas etárias, não tenho o menor problema. Pegar o pessoal de primeiro período é um desafio. Desafio porque, pior do que envelhecer, não é envelhecer, é se cristalizar nas opções, em como as coisas devem ser, aquele andamento do meu tempo. A gente tem que ser contemporâneo do nosso tempo. Dar aula nos coloca, cada vez mais, na contemporaneidade. Os alunos chegam cada um de um lugar diferente, com idéias diferentes. Como professor, você tem que mudar suas idéias e a crítica em relação às coisas. Esses 25 anos é uma renovação permanente. Não posso mentir, há o cansaço das coisas que se repetem. Mas, minha cachaça é dar aula. Por outro lado, pago o preço de uma repetição, de condições precárias, de não ter as instalações que gostaria. Os salários não são o que a gente gostaria.

“Eu, os alunos, como todos os colegas aqui, somos nós que fazemos o curso, nós que damos a cara a esse Departamento, que imprimimos a qualidade daquilo que é feito aqui”
JM: Quais são seus planos futuros, depois da aposentadoria?

GM: Eu não vou parar, não sou uma pessoa de ficar parada. Não decidi ainda o que vou fazer, porque o que forçou minha decisão pela aposentadoria não foi o tempo de serviço, foram problemas familiares. Estou afastada da minha família, dos meus filhos. Tenho problemas sérios familiares, da grande família, não da minha família nuclear. Estão pedindo minha presença e chegou o momento de contribuir, assumindo os problemas da família. Vai ser uma tristeza muito grande, uma ruptura na minha vida. Gosto muito da região, tenho muitas amizades e o trabalho tem sido muito gratificante todos esses anos. Mas chegou o momento, vou mudar de cidade, volto pra São Paulo. Foram 25 anos que priorizei o trabalho e, agora, a família está me convocando e eu acho justo. Com dor, mas eu tenho que deixar.

JM: Você disse que sua cachaça é ensinar. Então o que você aprendeu ao longo desses 25 anos? O que mudou na pessoa Giovanna?

GM: Eu vou levar um pedaço da minha vida, praticamente metade dela vivi aqui. Não é aprendizagem, é um pedaço importantíssimo da minha vida. Só de falar dos meus filhos para mim já é muito, foi aqui que os gerei, além de muitas coisas boas. Por isso que eu disse que é uma decisão que está me destruindo muito. É igual a uma pessoa morrer. Ela vai fisicamente, mas ela fica em nós. Estou levando esse pedaço da minha vida comigo. Também não pode ser um corte radical, periodicamente ficarei vindo para cá. Vou manter o meu vinculo com a pesquisa que estou concluindo. Estou vinculada também ao curso de Pós – graduação. Então vai ser um corte parcial, digamos assim. E na pessoa Giovanna, muda tudo, porque não dá para você estar num lugar e ficar impassível diante daquilo que viveu. Hoje, um pedaço de mim é juazeirense, não dá para não ser. Eu chego em São Paulo, eu sou baiana, as pessoas dizem que eu tenho sotaque. Durante meu Mestrado e Doutorado que fiz lá, tive que enfrentar resistências a uma nordestina, mesmo sendo paulista. Portanto, sou parcialmente nordestina. Aprendi a comer as coisas daqui, a dançar o ritmo daqui, a sentir as coisas daqui. Estou levando uma parte de mim que se fez aqui. Não é mudar, foi a constituição da pessoa Giovanna que se fez de outro lugar e para melhor. Eu saí por opção de São Paulo, nunca me arrependi, e hoje não seria a cidade de minha escolha para morar. Vou, porque é o lugar da minha família. Estou voltando para os laços afetivos e familiares. Juazeiro não. Aqui, foi minha escolha, uma boa escolha. Até hoje não me arrependo.


Por Larissa Nascimento e Natália Carneiro
Fotos: Emerson Rocha

UNEB realiza o I encontro de formação em comunicação

O Departamento de Ciências Humanas (DCH), Campus III, da Universidade do Estado da Bahia, em Juazeiro, promove amanhã (07/08) e sábado (08-07) o I Encontro de Formação em Comunicação Comunitária, Etapa Sertão do São Francisco, no auditorio do Campus a partir das 8h. O evento contribuirá para a formação dos comunicadores comunitários, aproximando a gestão pública dos movimentos sociais e das universidades, e faz parte do projeto Ondas Livres a ser lançado pelo governo do Estado da Bahia para desenvolver políticas públicas na área de comunicação comunitária.

A programação do evento prevê rodas de diálogos, painéis e oficinas. Coordenado pela jornalista e professora Ceres Santos o encontro objetiva proporcionar uma visão geral dos desafios, das técnicas e do alcance social da comunicação comunitária via rádio.

A programação do evento prevê rodas de diálogos, painéis e oficinas. Coordenado pela jornalista e professora Ceres Santos, o encontro objetiva proporcionar uma visão geral dos desafios, das técnicas e do alcance social da comunicação comunitária via rádio.

Os temas abordados no encontro são Direito à infância, semi-árido, gênero e diversidade étnica em produtos radiofônicos. De acordo com a comissão organizadora, as atividades serão ministradas por profissionais de instituições sociais e públicas UFBA, UNEB, IRDEB/TVE, Agecom, Unicef, Sinterp/BA, Moc, Cipó, além dos comunicadores de rádios comunitárias e de imprensa.

O evento terá ainda o lançamento do livro Comunicação de Interesse Público – A escuta popular na comunicação pública: abrindo Caminho para uma nova Política, do jornalista, escritor e consultor Ricardo Mello. A obra discute a importância da comunicação contemporânea como direito fundamental.

Estão confirmados para o evento os profissionais Luciano Maluly (ECA/USP), Neilon Barbosa (SINTERP), Ana Flávia Souza (CIPÓ), João Aldemir Venceslau (TV Itapoan), Bruno Gonçalves, Luciana Santos Oliveira (FACED), Ivan de Jesus (SINTERP), entre outros.
A programação do evento irá ocorrer nas salas do Departamento de Ciencias Humanas, Laboratorio de Rádio, Informática, no periodo da manhã e tarde.

Assessoria do Evento

Inscrições para seleção de monitoria até o dia 12

Estão abertas, até o dia 12 de agosto, as inscrições para selecionar monitores de extensão do Departamento de Ciências Humanas, Campus 3, da Universidade do estado da Bahia para o próximo semestre.

Serão disponibilizadas duas vagas, uma para o projeto Práticas lúdico-educativas em ambiente hospitalar, coordenado pela professora Antoneide Santos Almeida e outra para o projeto Site de jornalismo online: uma prática na web, sob coordenação da professora Teresa Leonel da Rocha.

Poderão participar estudantes de comunicação e pedagogia a partir do 2º período, sendo critérios eliminatórios a falta do histórico escolar e do comprovante de matrícula; ser beneficiário de qualquer outro tipo de bolsa estágio e/ou monitoria; ter freqüência e rendimento escolar abaixo das médias previstas nos instrumentos de avaliação da UNEB; ter participado por duas vezes consecutivas do Programa de Bolsas de Extensão na Universidade e descumprimento do Programa de Bolsas de Extensão em período anterior.

As inscrições deverão ser feitas até a próxima quarta-feira no Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPE), das 15 às 22h, sendo necessário preencher a ficha de inscrição e anexar a cópia da identidade, CPF, comprovante de matrícula e histórico escolar.

Mais informações no NUPE
Av. Dr. Edgard Chastinet Guimarães, S/N, Bairro São Geraldo, CEP 48.905-680
(74) 3611-6860 - Ramal 215/214
E-mail: nupedch3@yahoo.com.br

Da Redação MultiCiência

Estudantes de jornalismo são premiados em concurso

Com as fotografias “Reza”, 1º lugar, de Cecílio Ricardo de Carvalho Bastos, e “Zeladora”, 3º lugar, de Ilana Copque Fialho do Bonfim, os estudantes de jornalismo do Campus 3 da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) foram premiados no Concurso de Fotografia Diocese de Petrolina, 85 anos de História.

Foram mais de 60 fotos inscritas e avaliadas de acordo com a adequação ao tema, a criatividade no olhar, a qualidade do material e a apreciação subjetiva dos julgadores.

O material foi selecionado e vai ser exposto até o dia 10/08, no River Shopping, de 11 a 14/08 no Colégio Dom Bosco e de 15 a 30 de agosto na Igreja Catedral, dentro da programação em louvor a padroeira de Petrolina, Nossa Senhora Rainha dos Anjos.

Com informações da UNIVASF e MAGEM

Redação MultiCiência

Encontro de Animação Infantil em Juazeiro


O Centro de Cultura João Gilberto realiza a partir de amanhã o 3º Encontro Baiano de Animação Infantil (Animai). A iniciativa que se estende até o dia nove de agosto faz parte da parceria da Prefeitura Municipal de Juazeiro com a Associação Raízes.

O encontro será destinado a todos os públicos, principalmente o infantil. As escolas poderão participar, agendando o horário de suas sessões. Segundo o Coordenador do Centro de Cultura João Gilberto, Márcio Ângelo Ribeiro, o Animai tem como finalidade divulgar a linguagem audiovisual e inserir Juazeiro e outras cidades do interior do estado nos grandes circuitos de cinema e festivais.

Redação MultiCiencia