Vale Curtas começa neste sábado

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Começa hoje a terceira edição do Festival Nacional de Curtas-metragens do Vale do São Francisco. A abertura será a partir das 19h no Centro de Cultura João Gilberto.O evento pretende estimular o desenvolvimento e a produção audiovisual local e promover o intercâmbio com a produção nacional.

Em outros pontos de Juazeiro e Petrolina, atividades culturais serão desenvolvidas. Ao todo foram inscritos 172 filmes de todas as regiões do Brasil.

Este ano, o festival tem como diferencial a apresentação de filmes produzidos na região, resultantes das oficinas Curta em Curso e Cine Raiz.

Confira a programação: http://www.valecurtas.com.br/programacao.html

Redação MultiCiência

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“Sempre fui dos livros!”

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Quem freqüenta a biblioteca da Universidade do Estado da Bahia - UNEB, provavelmente já foi auxiliado por um rapaz solícito e risonho. Regis, como é popularmente conhecido, é um dos responsáveis pela classificação e organização dos livros. Mas, apesar de ser conhecido pelos alunos, muitos não sabem nada de sua história.


Em meio a livros de Comunicação, Filosofia, Direito e uma imensidão de outros temas, Regivaldo José da Silva, Régis, como é mais conhecido, sente-se à vontade para contar um pouco de sua vida. Ele, que já atendeu dezenas de alunos da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) em Juazeiro, sentiu-se surpreso com meu convite para escrever um perfil sobre ele. “Sobre mim? Você quer escrever sobre mim?”, questionou-me com sorrisos.

Aos 42 anos, o bibliotecário formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Pós-Graduado em Didática do Ensino Superior e Especialização em Ensino da Comunicação Social, prestou vestibular por influência de um amigo. “Num final de ano acompanhei um grupo de amigos na inscrição do vestibular. Eles incentivaram para que eu fizesse a minha inscrição e eu disse: ‘Mas não vai dar, faz seis que anos que eu não pego em um livro!”, relembra. O rapaz que escolheu Biblioteconomia e Museologia, como segunda opção, passou no vestibular na primeira tentativa e é completamente apaixonado pelo que faz. Com brilho no olhar, Regis conta que adora o serviço técnico e passar a informação correta para o usuário. “Isto é um prazer indescritível”, confessa.

Filho de pedreiro aposentado e uma dona de casa já falecida, Régis lembra que sempre foi um menino estudioso, gostava de compartilhar livros com os amigos e vizinhos. Nunca foi de correr, brincar, preferia os livros. “Eu fui um menino muito chato. Só gostava de estudar e de ler” diverte-se. Quinto filho de um total de seis, conta que, aos sete anos, mudou-se de Jaguarari (BA) para Petrolina (PE), devido ao trabalho do pai. Aos onze, foi morar com sua irmã mais velha Raílda, que praticamente lhe criou, em Campo Formoso (BA). Ao completar 19 anos, resolveu morar e trabalhar em São Paulo, onde passou mais um ano de sua vida. “Foi muito enriquecedor, morava em Santo André e trabalhava no centro de São Paulo, era uma loucura. Eu pegava um ônibus, um metrô e um trem para ir trabalhar, mas adorava aquela vida”, recorda-se.

O bibliotecário, que morou 16 anos em Salvador, trabalhou como recepcionista de hotel e prestou assessoria de comunicação em bancos da capital. Há seis anos, mora na cidade de Juazeiro. Ele coordena nos períodos da manhã e da tarde, a biblioteca do campus III, da UNEB. “Eu já estava saturado de Salvador e também era uma oportunidade de ficar mais perto do meu pai, já que passei muito tempo morando fora”, confessa.

Régis trabalha também como bibliotecário, à noite, na Faculdade São Francisco de Juazeiro (FASJ). “Lá foi mais tranquilo porque eu peguei tudo do zero, com todo o material novinho e só depois de dois anos de trabalho foi que a faculdade abriu. Então, tive muito tempo para fazer o trabalho técnico todo direitinho” comenta. Na FASJ, Régis também já atuou como professor de Mídia e reconhece a necessidade de haver na biblioteca um centro da divulgação do conhecimento.
“Na Universidade a biblioteca é à base de tudo. Do estudo, da pesquisa e da extensão” afirma Régis, que ‘briga’ por uma maior quantidade de exemplares nas prateleiras, por climatização adequada e por salas de estudo em grupo e individuais. “Recursos que consigam atender às necessidades da comunidade unebiana”,completa.

Como projeto a ser realizado no futuro, Régis pretende cursar mestrado e falta apenas decidir a qual linha se dedicar. “Pensei em estudar Sociologia da Mídia, que é uma coisa que me interessa. Penso também em Produção do Conhecimento, que me instiga muito”, relata que também tem desejo de voltar a dar aulas. Quando questionado se deixaria o trabalho como bibliotecário, Régis é elusivo: “vai depender muito das oportunidades que aparecerem, porque as duas coisas (a biblioteca e a sala de aula) me satisfazem completamente. Nas duas, me sinto feliz. Então, onde estiver melhor, vou ficar”.

por Isabella Mendes

foto Emerson Rocha

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Especialista em Letramento visita DCH III

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A professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Angela Kleiman, realiza amanhã (29/10) e sexta-feira uma visita técnica ao Departamento de Ciências Humanas (DCH), da Universidade do Estado da Bahia, campus III. Especialista em Linguística Aplicada, a professora veio a convite do professor Cosme Batista dos Santos para colaborar com o projeto de pesquisa A divulgação científica educacional na formação do alfabetizador.

Nesta quinta-feira (29/10), Angela Kleiman, junto com pesquisadores do DCH III, irá visitar escolas municipais das 9 às 12h. À tarde, das 15 às 18h, haverá reunião com os coordenadores pedagógicos da rede municipal no auditório da Secretaria de Educação (SEDUC). Já na sexta-feira (30/10), a professora irá avaliar o andamento das pesquisas desenvolvidas no Departamento de Ciências Humanas com práticas do letramento e divulgação científica.

A visita conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) e da Secretaria Municipal de Educação.

Redação MultiCiência
Foto: Site Unicamp

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Exposição apresenta versatilidade da arte fotográfica

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Uma precisa combinação de cores, luz e ousadia. É este o sentido provocado pelas imagens da Exposição SobrePosição, disponível ao público no Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia, em Juazeiro-Ba. A mostra reúne 22 imagens fotográficas, coordenada pelo professor José Renner e alunos do curso de Jornalismo em Multimeios e de Pedagogia. Nesta quarta edição, o projeto apresenta um olhar singular sobre as artes plásticas e a fotografia. Através de projeções de obras de arte sobre o corpo dos modelos, são homenageados artistas como Tarsila do Amaral, Salvador Dalí, René Magritte e outros personagens da arte universal.


O termo Transforma remete as modificações que são feitas na imagem. O conceito ultrapassa a transformação física e propõe também a construção de um novo olhar. “Transforma refere-se à transformação do pensamento e não só da imagem, mas através do símbolo pretende causar reflexão e tirar as pessoas do lugar para que elas possam ver diferente”, explica Renner. Desta forma, as fotografias buscam inquietar os visitantes e provocar questionamentos.


As imagens permitem visualizar uma trama de discussões. Uma delas é a polêmica acerca dos procedimentos de produção e o conceito de arte fotográfica, confrontando a fotografia proveniente do instantâneo, reflexo do instante, do acontecimento, e a produzida em estúdio. “Escolhi trabalhar com as duas coisas, o acaso e a questão da composição do enquadramento”, declara Renner.


A mostra sugere também uma reflexão do conceito de arte coletiva e a colaboração das pessoas. “Uma fotografia pode ter toda uma equipe por trás e chega a modelo, que é a artista, e torna-se a autora do trabalho também. Mas os fotógrafos, os alunos do curso, detem a autoria das imagens, porque são eles os responsáveis pelos enquadramentos, escolha da composição e pela captura da imagem", como esclarece Renner. Uma das imagens, inclusive, foi censurada por uma das modelos, após vê-la exibida na mostra. O cartaz “fotografia censurada”, sob a imagem, é um ícone de como a arte provoca, inquieta.


Numa perfeita conjunção, a exposição Transforma apresenta uma efervescência de cores, tecidos, flores, luz imersos em muitos elementos, nos quais os corpos e as imagens provocam e transportam o visitante para além de uma simples contemplação. A exposição ficará aberta ao público até o dia 10 de novembro, no Departamento de Ciências Humanas/UNEB, no horário das 14h até 22h.


Por Juliane Peixinho (Repórter); Emerson Rocha (Fotojornalista), da Agência MultiCiência.
Matéria publicada no Gazzeta do São Francisco, na edição do dia 25 de outurbro.

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Professores e alunos devem conhecer a Literatura Africana

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Conhecer e valorizar a literatura dos países africanos de língua portuguesa é de crucial importância na formação dos alunos de Letras Português. Foi o que afirmou o professor Kleyton Pereira, no mini curso “Literatura Africana de Expressão Portuguesa”, nos dias 21 e 22 de outubro, na 9ª Semana Universitária promovida pela Universidade de Pernambuco – Campus Petrolina (FFPP).

Mestre em Teoria da Literatura e especialista em Literatura Portuguesa, Kleyton Pereira afirma que a finalidade em promover o mini curso consistiu em fazer com que os alunos de Letras Português, Pedagogia e Letras Inglês possam conhecer esta Literatura, entender a sua importância e contribuir na divulgação desta cultura tão carregada de preconceitos.


“Espero que eles possam pelo menos conhecer um pouco das Áfricas de Língua Portuguesa e conhecer alguns autores, e que isso possa servir como uma semente para que eles busquem mais,” declarou o professor da Universidade de Pernambuco. Kleyton espera que os futuros professores se aproximem da Literatura Africana, desconhecida por muitos, e conheçam escritores como Jorge Barbosa e Mia Couto para trabalhar com suas produções literárias em salas de aula.

A idéia de que a cultura da África é permeada apenas por rituais do candomblé precisa ser desmistificada, e os encantos e belezas presentes nas entrelinhas das produções líricas e épicas destes povos devem estar presente nas nossas apreciações e estudos literários, como ressaltou Kleyton Pereira, que se confessa um professor apaixonado pela literatura lusófona, seja ela de origem portuguesa ou africana. Afinal, os povos africanos fazem parte da própria constituição cultural do Brasil, já que o país foi constituído a partir das vertentes africanas, européias e indígenas.


Por Edilane Ferreira

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Curta produzido por alunos de Jornalismo é selecionado para o Festival 5 minutos

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O curta “História de Pescador”, produzido por estudantes do Departamento de Ciências Humanas, Campus III (Juazeiro) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), é finalista do XIII Festival Nacional 5 Minutos.

Com direção de Carlos Santana e produção de Natália Carneiro e Raphael Freitas, estudantes do 5° período de Jornalismo em Multimeios, o documentário narra o drama de um pescador que convive com a poluição do Rio São Francisco. O curta-metragem está entre os 50 selecionados dos 242 vídeos habilitados para a mostra.


As produções selecionadas concorrerão ao prêmio de R$ 30 mil, que será dividido entre cinco vídeos de diversas categorias. Uma comissão escolherá os vencedores do 1° ao 3° lugar; o melhor vídeo “jovem realizador” para menores de 21 anos, e uma produção audiovisual será escolhida por voto popular.

Promovido pela Diretoria de Audiovisual da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, o festival exibirá os vídeos selecionados de17 a 20 de novembro, em Salvador e simultaneamente 11 cidades do interior do Estado. Em Juazeiro, a mostra será realizada no Centro de Cultura João Gilberto, às 20h.


Informações, acesse: Festival Nacional 5 minutos


Redação MultiCiência

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Nas entrelinhas, Zélia Almeida

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Bem disposta, a professora Zélia Almeida me aguardava na sala de professores da Universidade de Pernambuco (UPE), em Petrolina. Recepcionou-me com elegância e um belo sorriso nos lábios. A sua gentileza se sobressaia naquele cenário agitado, com professores apressados, alunos passeando pelos corredores e funcionários falando ao telefone.


Emocionada, Zélia Almeida abriu o baú da sua infância e recordou-se da fazenda Boa Sorte, localizada no município de Mundo Novo-Ba, onde nasceu no dia sete de Janeiro de 1930. Seu pai, Isibrito Bispo de Oliveira, era um agregado da fazenda e, com o tempo, mudou-se com sua família para a fazenda Caldeirão onde a sua esposa, Maria Almeida de Oliveira, tinha sido criada.


Com muita alegria, ela relembra as peraltices da Zélia criança na fazenda Caldeirão. “Brincava muito. Brinquei bastante com borboletas, de casinha, de quitute, bonecas e de comadre. Foi muito gostoso”. Apreciadora da natureza, ela tinha contato na fazenda com animais, dos quais a borboleta era o que chamava mais atenção. “A beleza e o colorido me atraiam e até hoje eu acho bonito, mas não me sinto uma pessoa voadora”, conta, entre risos.


Mesmo com as dificuldades que enfrentava, o gosto pelos estudos foi bastante incentivado pela matriarca da família. ”Não fui menina rica, sempre fui pobre. Mas minha mãe era voltada sempre para o estudo, podia não ter nada, mas tinha que estudar”. Orgulhosa ressalta que a sua mãe foi a sua primeira professora, autodidata, pois não tinha curso de magistério.


Na adolescência, a garota Zélia foi escolhida pela Igreja Presbiteriana, a qual fazia parte, para ir estudar no colégio Instituto Ponte Nova, na cidade de Vagner-BA. Era uma escola fundada por americanos e tinha alunos de todo o Estado. Os requisitos para a vaga era obediência e bom comportamento. Após muitas dificuldades, conseguiu ser selecionada e concluir o curso secundário


A partir desse momento, começaria a realizar o seu maior sonho: ser professora. O primeiro emprego foi numa escolhinha da Igreja Batista, na cidade de Rui Barbosa-BA. Posteriormente, recebeu um convite dos diretores da escola que havia estudado para ensinar no Instituto Samuel Granam, em Jataí, no sudoeste de Goiás. “Mas será que eu estou fazendo a vontade de Deus?”, perguntava-se. Bastante religiosa, conta que rogou a Deus: “se for sua vontade, eu aceito o convite”. Zélia não recusou o convite e foi morar em Jataí. “Eu estava radiante, começando a conhecer outras cidades. Sofri muito, senti muitas saudades da minha família, passei dois anos sem vê-los”.


Sempre muito dedicada, a Zélia adulta dividia-se em várias personalidades. Professora exigente, amiga, filha, irmã, tia e religiosa. Como educadora, sempre muito ativa, dedicou-se a várias áreas do saber, inclusive Educação Física. Em busca de mais oportunidades de estudo, decidiu morar em Juazeiro em 1968.


A iniciação como aluna de ensino superior foi na década de 1970 na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras em Juazeiro – BA. Optou pelo curso de Ciências Sociais, mas não concluiu, pois a faculdade deixou de funcionar. Contudo, não desistiu do sonho. Ela ingressou na Faculdade de Formação de Professores de Petrolina (FFPP), no curso de Licenciatura Curta em Estudos Sociais. Para a jovem, ainda era pouco. Zélia desejava formar-se em Licenciatura Plena em Geografia, porém conseguiu licenciar-se em História na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras na cidade de Caruaru - PE.


Durante alguns anos foi Coordenadora Pedagógica da Escola Marechal Antonio Filho (EMAAF). Na época, surgiu mais uma oportunidade de conhecer novas áreas do conhecimento. Zélia voltou à universidade e concluiu o curso de Pedagogia também na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, de Caruaru.


Ao longo de sua trajetória como profissional, Zélia Almeida trilhou um caminho de sucesso e deixou boas lembranças no colégio Edson Ribeiro em Juazeiro - BA, onde lecionava Educação Artística, no Ginásio Industrial de Petrolina e no Colégio Estadual de Petrolina.


A convite do professor Joaquim Santana, Zélia ingressou como professora substituta no curso de Licenciatura Plena em História, na FFPP. No ano de 1988, passou no concurso público e se tornou docente da disciplina História da Educação. Atuou como chefe no departamento de Pedagogia, como representante dos professores no Conselho de Ensino e Pesquisa, em Recife, e atualmente ensina nas disciplinas de Estágio Supervisionado. É a professora mais querida da faculdade.


O que mais encanta esta profissional é o relacionamento que mantém com os alunos. “É um sentimento de contribuição e isso me faz vibrar com a Educação”. Ser professor, para esta mestra, é um compromisso com a vida. “Educar é contribuir para a transformação de vida nos limites da ética, da moral e do espiritual”.


Emocionada, recorda-se de um episódio difícil nestes 21 anos de carreira. “Uma turma do curso de Pedagogia conseguiu o rascunho de uma prova minha. Todos tiraram notas boas. Desconfiei do que tinha ocorrido e não entreguei o resultado. Os alunos ficaram zangados ao ponto de falar que não ensinava nada. Fiquei muito chateada. Mas não chorei, fui forte, e toda vez, que entrava na sala deles dizia: apesar de que eu não ensino nada a vocês, vou trabalhar para que vocês aprendam alguma coisa”.


Os momentos felizes são muitos e com os olhos cheios de lágrimas, narra as palavras amigas de uma ex-aluna durante uma banca examinadora na Universidade do Estado da Bahia (UNEB). A aluna lhe disse: “não gostava de História, mas aprendi a gostar com essa mulher, esta professora”. Para Zélia, foi uma felicidade ouvir aquelas palavras.


Zélia hoje se sente uma menina com espírito jovial. Estuda diariamente e sempre lê a Bíblia. Assiste a filmes religiosos ou voltados ao campo educacional. Sorrindo, diz que é uma pessoa muito amada, preferindo aconselhar a entrar em conflitos. Quanto a carreira de docente, almeja permanecer mais um tempo: “Nunca me vir em outra profissão, porque foi um sonho. Eu sou feliz sendo professora. Professor é como se fosse o tijolinho da casa que se chama Educação”.


Por Alinne Suanne

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Desafios na profissão de Pedagogo

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A prática do pedagogo na contemporaneidade foi tema de discussão esta semana no Departamento de Ciências Humanas (DCH), da Universidade do Estado da Bahia. O encontro permitiu socializar e refletir experiências vivenciadas por professores e estudantes do curso “Pedagogia: docência e gestão dos processos educativos”, com a participação dos alunos do Programa de Formação de Professores em Letras (Proesp).

O evento teve a participação da professora e doutora em Ciências da Educação, Eliete Santiago, da Universidade Federal de Pernabuco (UFPE). Responsável pela formação de grande parte dos docentes do Estado de Pernambuco, em atuação nas universidades estadual e federal, Eliete concedeu entrevista à Agência MultiCiência e fez uma breve avaliação dos avanços e obstáculos na formação e exercício da profissão.


MultiCiência: Qual a concepção da Senhora sobre prática pedagógica?

Eliete Santiago: Prática pedagógica muitas vezes é confundida com a prática docente. Nós tínhamos um professor que foi embora o ano passado, mudou de planeta, João Francisco de Souza, ele contribui muito para que a gente pudesse tratar melhor esse conceito. Prática pedagógica é institucional. É uma prática que é plural, intencional e coletiva. No caso da educação, a prática pedagógica se constitui como prática docente, que é a prática do professor, prática discente, que é a prática do aluno, prática gestora que é a prática da instituição escolar e a prática epistemológica que é a prática da produção de conhecimento.

MultiCiência: Atualmente, quais são os principais desafios na formação dos docentes?

Eliete Santiago: Quando a gente fala desafios na formação de docente, ao mesmo tempo falamos da formação do exercício profissional, que é a base material, as condições de trabalho e uma política de valorização do profissional da educação, uma política global. Isso é tanto uma questão da formação como é do exercício profissional, porque o estudante no seu processo de formação está sob a responsabilidade ou na relação de formação com um profissional. Então, a dificuldade de formar é também a daquele que é formado e daquele que é formando.

Multiciência: E quais os principais avanços no universo da prática docente?

Eliete Santiago: Um é a própria produção acadêmica em torno da formação dos professores, dos saberes e da prática docentes que têm contribuído consideravelmente para avançar na prática pedagógica. O lugar majoritário predominante da formação acadêmica é na pós-graduação, que nessas três décadas têm produzido consideravelmente.

MultiCiência: Como a Senhora avalia o projeto da Plataforma Paulo Freire, programa nacional de formação de professores, desenvolvido pelo Ministério da Educação?

Eliete Santiago: Esse é um programa do governo que, na perspectiva da educação, é um direito de qualificação do professor. No cenário de muitos professores, atuando ou fora da sua área de formação ou sem a qualificação exigida para atuar, o governo lançou esse programa que vai atender ao contingentes de professores da rede pública ou que não tenham formação ou licenciatura apropriada para atuar ou que esteja deslocado da sua área de formação. Esse programa do governo visa exatamente qualificar os professores para atuar na sua área específica. À medida que a gente possa formar os professores tudo é válido. Agora, se o que foi pensado, o que foi desenhado está sendo praticado, só um estudo acerca da sua avaliação pode nos dizer. Enquanto idéia é válido. Agora, quanto à forma da sua operacionalização, só estudando ou avaliando. Afinal de contas, o programa foi lançado agora.

Por Naiara Soares
Emerson Rocha (foto)

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Prorrogação do Enem preocupa estudantes

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O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) se transformou no maior vestibular unificado do país, com o intuito de reduzir a maratona de estudos e valorizar um estudo com raciocínio lógico e menos fórmulas a ser decoradas. Contudo, devido a falhas na distribuição e por fraudes com o vazamento de informações, o Enem foi cancelado dois dias antes de sua aplicação e prorrogado para dezembro. Em Juazeiro, os alunos de escola pública, privada e pré-vestibulares demonstram revolta e alívio com a decisão.

“Eu vinha me preparando psicologicamente para a prova, mas agora perdi um pouco do ânimo. É muito ruim quando você se prepara tanto para uma coisa e ela acaba sendo adiada ainda mais da maneira que foi”, desabafa Wesley da Silva Vargas, 18 anos, aluno do cursinho Universidade para Todos (U.P.T), programa desenvolvido pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Juazeiro.

Para o professor monitor de redação do U.P.T, pólo Juazeiro, Felipe Pereira, a repercussão do cancelamento foi grande devido aos alunos já estarem preparados psicologicamente para o exame. “O adiamento não deve desmotivar o aluno. Ele tem que pensar: neste período eu devo me preparar mais e dar maior atenção aos assuntos que sinto dificuldades”, aconselha. Ainda segundo o professor, os alunos que não vinham se preparando adequadamente para a prova, dificilmente irão conseguir absorver todo o conteúdo em apenas um mês, porém ele pode usar este tempo ‘extra’ para se aprimorar nos assuntos que tiver menos conhecimento.

A nova data do Enem foi marcada para os dias 5 e 6 de dezembro no horário das 13h. Um problema para muitos estudantes, já que as novas datas coincidem com outros vestibulares realizados no país por instituições publicas e privadas. Para o estudante do cursinho Sagres, Adilson Silva Alves, o adiamento do Enem foi bom pela possibilidade de conhecer o novo estilo da prova, contudo se preocupa com a nova data pois será no mesmo dia do concurso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Vou ter que escolher qual das duas provas eu vou fazer”, afirma o estudante, de 17 anos.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, assegurou que a Secretária de Educação Superior (Sesu), do Ministério da Educação, mantém contato com as universidades com vestibular previsto para o primeiro fim de semana de dezembro, para que entrem em consenso sobre uma nova data.

Na Bahia, as instituições divulgaram um novo calendário. A UNEB realizada provas nos dias 20 e 21 de dezembro. A Escola Baiana de Medicina antecipou a primeira etapa do dia 29 para o dia 22 de novembro. A segunda etapa foi adiada dos dias 5 e 6 de dezembro para 29 e 30 de dezembro.

Já a prova do ENEM, que não foi realizada devido ao vazamento de informações, foi disponibilizada para os alunos como simulado. Quem se interessar é só entrar no site e conferir.


Por Isabella Mendes

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Nós não fazemos esse cinema industrializado, nós procuramos fazer um cinema educativo"

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Com esta afirmação, o roteirista e diretor de cinema, Hertz Félix, defende que o artista cumpre uma função de educador. Conhecido pela sua contribuição para os segmentos do teatro e o cinema na região, Hertz acredita que não se deve fazer “arte pela arte”, mas o ator deve se comprometer com a educação, pois a arte vai muito além da estética, do artístico. Responsável por várias adaptações de obras literárias para o campo audiovisual, como o filme Açúcar Amargo, adaptado e dirigido por ele, este ano fez o espetáculo que tratou sobre a transposição do Rio São Francisco, fazendo uma analogia à vida, morte e ressurreição de Cristo. Em entrevista as graduandas de Jornalismo em Multimeios Nilzete Brito e Meg Macedo, do Jornal Mural Repórter, Hertz comenta sobre a importância das produções culturais na formação dos cidadãos e na capacidade de transformar o mundo.

Jornal Mural Repórter: Como é fazer cinema regional?
Hertz Félix: É muito gratificante trabalhar com as pessoas e cenários da região, a gente grava numa casa de farinha que está abandonada e de repente incentiva o dono da casa de farinha a voltar a produzir. Isso para nós é uma grande vitória. Buscar atores num povoado desses e vesti-los como personagens faz com que se sintam valorizados de tal maneira que eles voltam a fazer as coisas que faziam antes, voltam a trabalhar. Esse não é um tipo de cinema que paga para eles. O filme Açúcar Amargo teve a participação de muitas crianças, e eu pensei como eu posso fazer um filme sobre a erradicação do trabalho infantil, se eu estou colocando crianças para trabalhar? Então, entrei em contato com a editora Ática e nós entramos num acordo, decidimos que as escolas onde essas crianças estudavam receberiam livros, como uma forma de fazer uma contrapartida. Nós não fazemos cinema industrializado, nós procuramos fazer um cinema educativo.

JM: Seus filmes tratam de temáticas sociais, na sua avaliação, qual a importância desses filmes para a sociedade?
HF: No filme Açúcar Amargo, mostramos o trabalho de crianças nas pedreiras, em carvoarias. Filmar no lixão de Juazeiro foi a experiência mais dolorosa que eu já tive, nunca vi tamanha degradação do ser humano. Euclides da Cunha disse que o nordestino é antes de tudo um forte, hoje a realidade nos diz que o nordestino é antes de tudo um sobrevivente, é um herói. É uma situação desumana, parece que não existe sociedade, que não existe poder público. Procuro fazer algo para mudar isso, mas é uma dificuldade enorme desenvolver um trabalho social porque não há investimento.

JM: Qual é a relação da transposição do Rio São Francisco com a peça teatral Vida, Paixão e Morte do Velho Chico?
HF: A água tem um percentual mínimo, que vem diminuindo cada vez mais e o ser humano ainda fala em transposição. Procurei fazer essa comparação entre a vida, paixão e morte de Jesus Cristo com a vida, paixão e possível morte do Rio São Francisco, relacionando as duas histórias. Nós apresentamos e, apesar de ter sido uma produção muito alta, não tivemos a platéia que esperávamos. Nosso desejo era ir para as telas, mas isso não é possível porque quem administra as telas de TV e até mesmo de cinema é a favor da transposição.

JM: Como você analisa as produções artísticas da região?
HF: Tenho uma preocupação muito grande com a frequência dos estudantes. Em Petrolina há espetáculos muito bons como os do Grupo de Teatro de Domingo Soares que apresenta trabalhos de Ariano Suassuna com responsabilidade, e, no entanto, não há platéia para assistir. Mas quando se apresenta um besteirol, tem platéia e a gente é obrigada a fazer. Como profissionais ficamos tristes porque não é preciso de técnicas para se fazer caras e bocas em cima do palco. Quem trabalha por dinheiro se presta a esse tipo de coisa. Os atores fazem um trabalho de deboche “esculhambado” e os estudantes gostam, sendo que nosso maior público é este segmento. Tudo bem, a comédia é louvável, mas quando o ator se deixa levar por essa “prioridade” porque é o que dá dinheiro, outras produções, como é o caso do grupo de Domingos Soares, sofrem grandes prejuízos, porque a platéia não comparece, são poucas pessoas que costumam ir ao teatro. Eu avalio essa situação como preocupante, pois essa comercialização pode dar certo para o bolso do artista, mas ele mesmo tem prejuízos. Ele começa a valorizar esse tipo de espetáculo e depois de um tempo não consegue mais fazer um teatro de Dias Gomes, de Gianfrancesco Guarnieri, pois já está tão acostumado a fazer "besteirol" que desaprende a fazer outras coisas. Contudo, o ator tem por obrigação saber fazer todo tipo de personagem e, se possível, vários num mesmo espetáculo

JM: As empresas incentivam os projetos realizados na região?
HF: As micro-empresas são as que mais incentivam. Outro dia falei do espetáculo a um grande empresário de Juazeiro, e antes que terminasse de expor os nossos objetivos ele disse: “Não me interessa, pois o meu produto não é vendido aqui na região.” Para ele, pouco importa a formação do cidadão, os nossos objetivos enquanto educadores. Se eu vendo cerveja e no seu evento vai haver consumo da minha cerveja, não importa se vão explorar crianças lá, se vão vender cocaína, não importa. O que importa é o consumo da cerveja. Que tipo de cultura é esse que as pessoas ainda investem com patrocínio? Fica essa interrogação na cabeça de quem luta por mudanças, por uma transformação social.


Nilzete Brito e Meg Macedo

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Universidade de Pernambuco realiza Semana Universitária

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A Universidade de Pernambuco (UPE) promove de hoje (19/10) até sexta-feira (23/10) a 9ª Semana Universitária "Meio Ambiente, Educação e Saúde".

O evento apresenta a comunidade acadêmica a I Mostra de Projetos Interdisciplinares nas áreas de Saúde, Biológicas e Humanas/Educação, oficinas, mesas redondas e o I Cine UPE, com a exibição dos documentários "Milton Santos" e "Vista a minha pele".

As atividades acontecem no Campus da UPE/Faculdade de Formação de Professores de Petrolina no período da tarde, a partir das 15h30; e pela noite das 19h30 às 21h30.

Maiores informações: (87) 3861-2378.

Por Edilane Ferreira

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Seminário discute práticas pedagógicas

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O Departamento de Ciências Humanas, campus III, da Universidade do Estado da Bahia, realiza amanhã (20/10) e quarta-feira (21/10) o Seminário de Pesquisa e Prática Pedagógica, no Auditório do Campus III, em Juazeiro.


Coordenado pela Câmara de Ensino e o Colegiado de Pedagogia, o evento discute as experiências vivenciadas por professores e estudantes a partir do oferecimento do curso “Pedagogia: docência e gestão dos processos educativos”, há quatro anos. Professores, discentes e educadores irão debater a importância da pesquisa na formação do pedagogo e os seus desafios no contexto das universidades públicas.

Durante o evento, a professora Eliete Santiago, da Universidade Federal de Pernambuco, fará uma palestra sobre os desafios da pesquisa e a prática pedagógica na formação do pedagogo.


Atualmente, em Juazeiro, o Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia, e a Universidade de Pernambuco/Faculdade de Formação de Professores de Petrolina oferecem o curso de Pedagogia nas cidade de Juazeiro e Petrolina-Pe, contribuindo para a formação de profissionais de diversas cidades da região como Curaçá, Casa Nova, Sobradinho, entre outras.


Aberto ao público, o evento irá realizar mesas-redondas e palestras nos horários da tarde e noite, a partir das 14h30 e 19h respectivamente. A palestra com a professora Eleite Santiago acontece tanto no período da noite de amanha (20/10), às 19h, como na tarde de quarta-feira, no horário das 14h40.

Informações: Colegiado de Pedagogia e Câmara de Ensino (74) 3611-5617

Redação MultiCiencia

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Inscrições abertas para o Festival Nacional Edésio Santos

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Estão abertas as inscrições até 07 de novembro para a 13ª edição do Festival Nacional Edésio Santos da Canção que acontecerá de 27 a 29 de novembro no Centro de Cultura João Gilberto. As inscrições serão gratuitas e devem ser efetuadas pessoalmente na Secretária de Cultura, Esporte, Turismo e Lazer de Juazeiro ou pelo Correio. O evento será dividido em duas etapas eliminatórias e a final. Serão selecionadas dez músicas para a final e as três primeiras colocadas e o melhor intérprete receberá premiações.

Outras informações no site://www.juazeiro.ba.gov.br/
Redação MultiCiência

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Passos guiados pela educação

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Era uma típica tarde ensolarada de sábado em Juazeiro, norte da Bahia, o calor era insuportável. O relógio marcava 16h, estava atrasada e perdida no bairro Castelo Branco, em Juazeiro. Não encontrava a residência de Maria Patrocínio de Souza, local onde marcamos a entrevista. Resolvi perguntar a uma moradora. Ela rapidamente me deu todas as informações. Descobri, então, que Maria Patrocínio não é uma simples moradora do bairro, ela é conhecida por todos, pois muitos já foram seus alunos.

Antes mesmo de nascer, sua trajetória foi marcada por muitas estórias. Sua mãe estava grávida da sétima gestação e como não havia exame para saber o sexo do bebê, havia um mistério se seria menino ou menina. “Diziam que, após seis filhos homens, o sétimo virava lobisomem. Todos queriam que eu virasse lobisomem”, revela.


Maria Patrocínio nasceu em meio às lendas e fantasias da época, em 18 de junho de 1926, no antigo Saco do Meio, hoje Porto de Sobradinho. Quando completou três anos de idade, toda a família, inclusive dois primos, mudou-se para Juazeiro. O pai trabalhava fora e só retornava para casa uma vez por mês. O primo mais velho assumia a responsabilidade do lar.

Quando foi para a escola, Maria Patrocínio já sabia ler. A primeira série do curso primário foi numa instituição evangélica. Os três anos seguintes ela concluiu em uma escola da rede particular, onde hoje se encontra a Diretoria Regional de Educação (DIREC). No meio do ano letivo, a mãe avisou que ela não iria mais para escola por falta de dinheiro para mantê-la. Ao chegar à escola, contou a professora que aquele era seu último dia de aula. A professora não permitiu: “você virá todos os dias até o fim do ano. Se você perder um dia, mando te buscar”, retrucou a professora. Patrocínio continuou na escola e nunca faltou dinheiro para pagar.

Para cursar o ginasial, era preciso fazer admissão nos colégios particulares de Petrolina, Dom Bosco para meninos e Maria Auxiliadora para meninas. “Eu não fiz admissão, pois não tinha dinheiro. Fiquei sem estudar”, relata Maria Patrocínio.

Aos 18 anos, empregou-se na Sapataria Lima, mas continuava sem concluir os estudos. O dono da Sapataria decidiu colocá-la no Colégio Dom Bosco, na mesma escola em que seus filhos estudavam. Ela dividia seu tempo entre o trabalho pela manhã e os estudos à tarde, cursando a primeira série do ginásio. No ano seguinte, mudou-se para Salvador com uma família amiga dos seus pais. Estudou em colégio particular tradicional da capital baiana, junto com a filha do casal. Ao concluir o ginásio, voltou para Juazeiro, onde fez um curso técnico em contabilidade.

Foi durante este período que iniciou sua luta pela implantação de um curso ginasial público em Juazeiro. Participou de manifestações, comícios, palestras em praças públicas da cidade. Ao lado de Agostinho José Muniz e outros professores da região, fundaram o Ginásio Rui Barbosa. O nome foi dado por ela mesma, em homenagem ao jurista baiano que tanto admirava. Dentro do colégio, desenvolveu diversas atividades. Foi secretária, professora de matemática, assistente de direção e diretora. No último cargo, ficou por 17 anos e seis meses. Ao longo de 36 anos de trabalho, dedicou-se à educação no Colégio Estadual Rui Barbosa, fazendo-o referência de ensino na região do Vale do São Francisco.

Não se casou, nem teve filhos. Criou quatro sobrinhos, seus filhos de coração. Cursou por dois anos a Universidade Aberta da Melhor Idade (UAMI), na Faculdade São Francisco de Juazeiro (FASJ). Este ano, aos 83 anos, retornou à sala de aula e cursou o primeiro módulo da Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI), na Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Desde criança, parece que o destino de Dona Maria é se dedicar à educação. Mas, o importante para ela é saber que sua luta não foi em vão e que nunca é tarde para se aprender um pouco mais.


Por Natália Carneiro
Emerson Rocha (foto)

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UNEB prorroga data de inscrição no vestibular

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A Universidade do Estado da Bahia (UNEB) prorrogou a data de inscrição do seu vestibular 2010 para o dia 03 de novembro. Essa é mais uma chance para aqueles que pretendem participar do processo seletivo da instituição.

Os interessados devem fazer a matrícula exclusivamente no site http://www.vestibular.uneb.br/. A taxa, para os que não conseguiram a isenção, é de R$ 80,00 e deve ser paga preferencialmente nas Agências do Banco do Brasil.

A UNEB disponibiliza 7.620 vagas para 145 cursos em 24 Campi. Os candidatos podem optar pelos cursos presenciais, que têm 5.415 vagas e pelos cursos de ensino à distância, com 2.205 vagas distribuídas nos Campi da Universidade em 24 cidades baianas.

Por Emerson Rocha

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“Sou bicho do Mato”

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“Sou estudante de Direito, mas não porque quero seguir carreira, só questão de conhecimento. Agronomia foi sempre o que eu quis, fortalece minhas raízes. Na verdade, sou bicho do mato”. É assim, que o Secretário de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Meio-Ambiente (SEAGRIM) da Prefeitura Municipal de Juazeiro, Jairton Fraga, quer ser considerado por aqueles que o conhecem. Nascido em Conceição do Almeida, ele se criou no ambiente rural, contudo mantém parte de sua vida dedicada ao mundo acadêmico. Formado em Agronomia pela Universidade Federal da Bahia, doutor pela Universidade Estadual Paulista, Jairton é conhecido como uma pessoa polêmica, porque defende idéias como currículo móvel, refeitório acadêmico e melhor aproveitamento da área de 63 hectares, dentro de um espaço público. Nessa entrevista ao Jornal Mural Repórter, o professor relata como despertou para a vocação de agrônomo, ao qual se declara um apaixonado, e discute a educação superior desenvolvida pelo Governo da Bahia. “Não acredito que todo jovem realmente precise estar na Universidade, isso é uma tolice, tem cursos técnicos, que pagam melhor que muitos cursos de nível superior”, afirma. A seguir, trechos da entrevista.

Jornal Mural (JM): Jairton Fraga, o que o despertou para área de agronomia e há quanto tempo atua nela?

Jairton Fraga (JF): Desde criança, tive uma relação muito próxima com o interior. Meus pais são filhos de agricultores, e isso interferiu na minha realidade. Então, assim que me entendi por gente, desenvolvi um sentimento que deveria continuar minhas raízes. Apesar de ter nascido em Conceição do Almeida, parte de minha vida passei em Cruz das Almas, e lá tinha o curso de Agronomia. Fiz vestibular, passei e logo depois de minha formatura fui trabalhar na iniciativa privada onde fiz projetos na área de agropecuária, administrei fazenda, trabalhei na extensão rural, que me possibilitou uma gama de experiências positivas. Depois de ter passado por essas e outros áreas, prestei concurso para Universidade do Estado da Bahia e hoje sou professor da instituição.

JM: Secretário, além de professor foi diretor do Departamento de Ciências Sociais (DTCS), como o Sr. vê a gestão de Jacques Wagner em relação ao desenvolvimento da Educação Superior?

JF: Ultimamente ando preocupado com a situação da educação no Estado. Depositamos muitas expectativas em Wagner. Imaginávamos que a educação fosse prioridade para ele. Penso que a educação deveria perpassar por uma relação estreita entre a instituição e a comunidade. Um dos principais problemas, embora se fale muito em democratização do saber, é a falta de participação dos professores, estudantes e funcionários, os quais vivem de perto essa realidade, e poderia contribuir bastante com a melhoria da instituição, se suas propostas fossem ouvidas. Não consigo entender o projeto do Estado. Para mim não está bem claro. Qual vai ser a prioridade do governo? Vai ser o TOPA?

JM: Em junho, em uma das manifestação dos professores, na UNEB, o Sr. disse que foi filiado ao Partido do Trabalhador (PT). O que o levou a sair do partido?

JF: Fui um dos fundadores do PT, participei das primeiras reuniões em Salvador, Feira de Santana e fui Dirigente do partido em Cruz das Almas. No ano de 1985 para 86, aconteceu um fato curioso. O candidato a governador da Bahia era Waldir Pires, e eu resolvi apoiá-lo. O partido entendeu que essa não era melhor opção. Então, fui chamado de reformista, conservador e deixei o PT, porque sabia que entre as duas opções - Waldir e o outro candidato apoiado pelo carlismo, Waldir era o melhor para a Bahia.

JM: Hoje, a agropecuária juazeirense está voltada principalmente para a criação de bovinos, caprinos e plantação de fruticultura irrigada. Na sua gestão, o senhor visa incentivar o cultivo de outras espécies?

JF: Sim. Apesar de ter pouco tempo na administração, temos vários projetos formados que visamos implantar nessa gestão. Na agricultura familiar irrigada, a nossa intenção é estimular a agricultura de base ecológica, com objetivo de diminuir o uso de agrotóxico e fortalecer a articulação da comercialização para que os produtos entrem no mercado. Em relação à agricultura irrigada, a nossa idéia é a diversificação. Nós não podemos nos limitar apenas na produção de uva e manga. Não que elas não sejam importantes, mas podemos diversificar com outras plantas que se destinam ao mínimo de processamento como o milho, cenoura processada e as frutas destinadas à industrialização. Queremos que as pequenas indústrias se tornem uma fonte de renda principalmente para as pessoas situadas no interior. Uma outra frente é a ovinocultura com feiras tecnológicas. Visamos retomar também o cultivo da mandioca, da palma para a alimentação animal, criação de ave caipira e suína de base ecológica. Já está tudo programado para isso.

JM: O Sr. Pretende disputar o cargo de reitor da Uneb?

JF- Sim. E estou sendo sincero com vocês. Fui diretor, me acho extremamente qualificado para ser reitor, tenho talento e, digo mais, é realmente um sonho. Talvez nas próximas eleições serei candidato a reitor. No entanto, para isso acontecer não depende só de mim. É preciso que haja vontade de outros setores da universidade. Temos muitas coisas na UNEB. Não consigo entender como podemos estar em um campus de 63 hectares e não temos um restaurante universitário para atender aos estudantes. E falo isso não por demagogia, mas porque sei que isso é possível. Hoje, um processo administrativo na UNEB, seja de estudante ou professor, leva no mínimo um ano. Todos os dias abrimos a página da UNEB e parece que tem tudo, mas chega alguma aos estudantes? Em que medida, eles estão participando? Meia dúzia de pessoas decide por todo mundo. Eu administrei ouvindo. Fui o primeiro a fazer o planejamento e a prestação de contas com a participação de todos. Outro coisa, sou totalmente contra à reeleição, por isso não quis ficar mais que dois anos. Acredito que ela não é uma coisa positiva. Vocês vão ver como vai ser o segundo mandato do reitor.Como reitor, uma das coisas que irei implantar é o currículo móvel. Isso daria ao estudante a possibilidade de viver diferentes realidades. Incentivaria também a maior oferta de licenciamento em pós-graduação, apesar de saber que houve um fortalecimento nesta gestão, mas pode melhorar mais. ◘

Por Adzamara Amaral e Daniel Santana

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Alma de guerreiro

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Júlio Evangelista, sertanejo nascido e criado na caatinga, aos 63 anos demonstra a tranqüilidade e paciência que somente os anos proporcionam. O olhar de guerreiro faz-me lembrar o do meu falecido avô, Antônio Félix, também um bravo guerreiro. Traz na pele as marcas da exposição contínua ao sol causticante do Nordeste e das intempéries da vida, contrastando com a postura ereta e semblante calmo. Disposição para o trabalho nunca lhe faltou, desde cedo labutou na roça com o pai e os irmãos. Cuidar da criação era outra atividade necessária e que Júlio desempenhava constantemente.

Assim como todo sertanejo, sofreu as impiedades da estiagem, mas superou as adversidades com resignação sem jamais perder a esperança. Quando perguntei sobre as dificuldades da vida na roça, sorriu sem constrangimento, na certeza que tudo serviu de aprendizagem. “A gente passou alguns aperreio, né?”, complementou.

No Sítio Bom Socorro, município de Curaçá, onde nasceu, desfrutou da companhia de 11 irmãos. Apesar da casa cheia, o pai de Seu Júlio administrava bem a meninada, ensinando cada um a ter estilo. “Brigar, ninguém brigava porque o velho não queria, sabia lidar”, explica. Ainda adolescente, a distância entre as residências tornou-se um desafio quando queria fazer amigos. Só nas festas ou festejos religiosos é que tinha chance de conhecer gente nova, pois ocupava-se do labor diário permanentemente. “Não tinha sossego”, explica Seu Júlio.

Mesmo entregue às atividades agropastoris, teve tempo de aprender a ler e escrever, o pai incentivava a todos os filhos ter estudo. A escola ficava no sítio Maria Preta, distante duas léguas de casa. Todo o trajeto era feito à pé, o que certamente não é raro nessas paragens.

Nas andanças para a casa de amigos e comemorações de fim de ano, entre um sorriso e outro, um olhar mais detido, Júlio encantou-se por Dalvina. Entre idas e voltas do namoro, enfim casaram-se no ano de 1974.

Aos 30 anos, rumou para Juazeiro trazendo a esposa grávida e dois filhos pequenos. Estabeleceu-se no bairro São Geraldo onde ainda mora, e saiu em busca de emprego. Trabalhou em lavouras; como pedreiro; entregador de gás e, por fim, entrou na Universidade do Estado da Bahia para trabalhar no campo, onde cuidava de um pomar. Nos 32 anos que está na universidade, exerceu algumas funções, entre as quais a de marceneiro, até chegar à atual: cuidar dos jardins e plantas.

Rotina
O dia a dia de Seu Júlio na UNEB começa cedo, com o café da manhã dos estudantes. Quem quiser encontrá-lo, lá está ele despachando. Logo depois, o encontramos aguando os jardins, com a disposição de fazer inveja àqueles que, aos 20 poucos anos, já estão reclamando do cansaço diário. Do convívio familiar, herdou a amabilidade e o tratamento generoso para com os colegas de trabalho, sempre respeitoso, considerando-os como irmãos.

Nesses mais de 30 anos trabalhando na universidade, o que o deixa chateado é pensar que a UNEB era um grande fornecedor de hortifruti da região e foi perdendo espaço para as grandes fazendas irrigadas. Vivia-se na época, a revolução da agricultura na região “A gente tirava era carrada de manga, de milho. Funcionário não comprava verdura, ai tinha tudo”, lembra com saudade.

Simplicidade
Seu Júlio tentou voltar a estudar, porém não poderia deixar a esposa sozinha em casa, preferiu então parar. Passou a se interessar por computador e já tentou aprender a manuseá-lo, mas espera outra chance. Quer operar o caixa eletrônico, dirigir sua vida bancária, hoje facilitada por seu filho Cirilo, também funcionário da UNEB.

Um sonho que ainda pretende realizar é o de ter uma casa própria. Para isso, junta economias na esperança de concretizá-lo sem medir esforços. Afinal, todo guerreiro merece um lugar onde tirar a armadura e descansar. A aposentadoria sairá em dois anos, mas o exemplo de Seu Júlio será lembrado por todos os que conhecem e desfrutam de seu companheirismo na Universidade do Estado da Bahia.

Por Laércio Lucas
Foto Emerson Rocha

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Sobradinho realiza VI Romaria das Águas

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A Paróquia São Francisco de Assis, em Sobradinho, e a Comissão Pastoral da Terra Juazeiro, promovem hoje e amanhã a VI Romaria das Águas, com o tema “Das Águas do Velho Chico brotam Vidas: Preserve a Natureza”.

Na programação, trabalhadores da região de Areia Grande, Casa Nova (Ba), Associações de Fundos de Pasto (Sobradinho-Ba) e COOPERCUC (Uauá) irão compartilhar experiências sobre a forma de vida, a cultura, a produção comercial, as lutas por seus territórios e as vivências no semi-árido.

A Comissão Pastoral da Terra também irá debater o avanço das atividades de pesquisa e exploração das mineradoras na região, que tem provocado a expulsão dos trabalhadores do campo e a poluição do meio ambiente. Amanhã (10/10), será realizada Celebração Eucarística a partir das 8h.

Informações: Comissão Pastoral da Terra (CPT)

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Revista recebe artigos sobre desenvolvimento sustentável

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O campus IX(Barreiras), da Universidade do Estado da Bahia(UNEB), está com as inscrições abertas até novembro para publicação eletrônica - Revista Agroambiental, que discute as temáticas sobre desenvolvimento sustentável do cerrado e de outros assuntos.

A revista publicará artigos e pesquisas originais nas áreas de ciências agrárias, ambientais, exatas e humanas que contribuam para o desenvolvimento autosustentável, como temáticas relacionadas à botânica, zoologia, fitossanidade, solos, meio ambiente, zootecnia, alimentos, antropologia, entre outros.

As normas para publicação estão disponíveis no site da Revista Agroambiental. Os interessados também podem enviar os artigos para o e-mail: nupecampus9@yahoo.com.br.

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UNEB divulga nova data do Vestibular

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O vestibular da Universidade do Estado da Bahia, que iria acontecer nos dias seis e sete de dezembro, foi adiado em virtude das novas datas da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que serão aplicadas nos dia cinco e seis de dezembro.

As provas da UNEB acontecem nos dias 20 e 21 de dezembro. A mudança ocorreu para que não houvesse concomitância de datas entre os dois processos seletivos.


A UNEB não aderiu ao Enem como processo de seleção para o ingresso nos seus cursos. Na Bahia, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) vai adotar como fase única para os cursos da modalidade Bacharelado Interdisciplinar e o curso superior de tecnologia. Outra instituição federal no estado que utilizará a prova como pré-requisito é a Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB). O novo Enem será utilizado como fase única para 70% das vagas ofertadas e na composição da nota do aluno para os 30% de vagas restantes. As vagas remanescentes também serão preenchidas pelo Enem.

Já a Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), que tem Campus em Juazeiro-Ba, Petrolina-Pe e São Raimundo Nonato-Pi, adota o Enem como fase única e para vagas remanescentes.

Para quem ainda não se inscreveu no vestibular da UNEB, as inscrições podem ser feitas até a próxima terça-feira (13 de outubro) no site.


Por Emerson Rocha

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Prorrogadas as inscrições para o III Festvideo do Vale

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As inscrições para o III Festival de Vídeo Universitário do Vale do São Francisco foram prorrogadas até a próxima sexta-feira (09/10). As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no hall de entrada da UNIVASF, campus Petrolina, ou pelos correios, no endereço: Laboratório de Genética (Curso de Ciências Farmacêuticas) Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF Av. José de Sá Maniçoba, S/N - Centro CEP: 56304-917 - Petrolina/PE.


Os interessados podem se inscrever nas categorias slideshow, video de produção regional, nacional, tema de relevância para ciencias biológicas e da vida, tema de relevância para engenharias, ciencias exatas e da terra; tema de relevância para ciências humanas e sociais aplicadas, letras e artes.


Para maiores informações acesse: Festvideo.

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Produtores investem em cultivo orgânico

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Agricultores das cidades do pólo de Juazeiro e Petrolina começam a investir em maneiras mais eficientes do manejo da terra, como a cultura orgânica. Baseado na utilização de fertilizantes naturais, com pequenos hectares de terra e maquinário leve para sua produção, o cultivo é feito por pequenos produtores, independentes, cooperativados ou em hortas comunitárias.

No Colégio Otacílio Nunes, na cidade de Petrolina, são cultivados agrião, hortelã, alface, espinafre, coentro, cebolinha e demais verduras, em lotes de terra que são divididos entre várias famílias de pequenos agricultores. Na cidade de Juazeiro, existe também uma horta comunitária, no bairro João Paulo II, com a produção irrigada da maga e banana.


O produtor petrolinense, Reginaldo Ferreira, mantém uma plantação na escola, há oito anos, que aduba sem fertilizantes e vende seus produtos aos moradores da comunidade e restaurantes locais. “Compro não só porque fica perto de minha residência, mas pela saúde encontrada neles”, afirma Maria do Socorro, dona de casa, que sempre realiza compras nas terças e sextas.

“A produção não demora muito, é a mesma do convencional”, declara Francisca Santina dos Santos, agricultora de fruticultura orgânica, ao se referir ao manejo dessa cultura. O processo produtivo acontece de modo simples: em pequenas propriedades de terra, abrem-se dentro do solo, buracos, onde se colocam um ‘punhado’ de sementes e depois são fechados. Todos os dias, Dona Francisca coloca água potável e os aduba com fertilizantes naturais.

No modelo convencional, são utilizados fertilizantes químicos, que repõem nutrientes que o solo não dispõe, servindo para diminuir o tempo de espera do desenvolvimento da safra. Contudo, com a ‘pressa’ de alguns produtores, poderão ocorrer erosão do solo e contaminação dos alimentos.

Expansão
O mercado de produtos orgânicos está em expansão e passa por uma rigorosa seleção. Para comprovar a origem orgânica, os produtores devem ter o selo de autenticação do Ministério do Meio Ambiente, atestando que o produto é cultivado sem adubo químico.

No Vale do São Francisco, os selos Certificado Orgânico Chão Vivo e o Skal International atestam a qualidade e confiabilidade da produção. Ao receber a certificação, os pequenos agricultores obtem o reconhecimento pelo trabalho árduo e podem incluir o produto no cadastro nacional de produtos orgânicos do Brasil.

Na região, a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos e Uauá e Curaçá(COOPERCUC)vende os produtos para programas do Governo Federal, lojas de produtos orgânicos e lanchonetes, como também para redes de supermercados internacionais. “Na região, o consumo ainda é pequeno, com duas lojas no aeroporto em Petrolina e nenhuma em Juazeiro”, afirma Egnaldo Gomes Chavier, gerente administrativo.

Como o consumo é pequeno, o valor cobrado ao consumidor na hora da venda é considerado caro. “Como é uma agricultura não mecanizada, há um certo custeio de mão de obra e, além disso os agricultores tem problema com algumas culturas que se tornam mais suscetíveis a pragas, por isso, os produtos acabam se tornam mais caros do que os convencionais.”, declara Danúzia Damiana Paiva, superintendente do Ministério do Meio Ambiente, responsável pela Bahia. A maior parte da produção é exportada para o mercado europeu e asiático.

Os Governos Federal e Estadual da Bahia fazem parcerias com bancos para oferecer linhas de crédito aos pequenos produtores, com juros baixos e maior prazo de pagamento. “O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), tem juros de 2%, com um prazo de 10 anos, podendo chegar até dois ou três anos de carência.”, declara André Marcelo Pereira Coelho, gerente administrativo de agronegócios do Banco do Brasil, de Juazeiro. Para obter o crédito, o agricultor é obrigado a declarar renda familiar, atestar a propriedade e ter o selo de autenticação do Ministério do Meio Ambiente. Além do PRONAF. Governo Federal conta com outras instituições como Banco do Nordeste, Sebrae, Ministérios do Meio Ambiente e Agricultura.

Com o avanço de políticas públicas para a cultura orgânica, o consumidor poderá comprar a médio prazo alimentos com mais nutrientes e vitaminas, proporcionando uma melhor condição de vida ao homem.


por Emaisa Lima

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"Existe o rádio antes e depois de mim"

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De pedaços de película rejeitados pelos projetistas do Cine Massangano surgia uma sessão de cinema em casa feita por uma criança de sete anos, auxiliada pelos irmãos mais velhos. A sessão tinha show de calouros, com uma banda de apoio com instrumentos feitos de lata, incrementando a apresentação do candidato. No intervalo entre o show e a exibição do filme, vendia-se pão doce e suco. Os cartazes, que indicavam qual seria o próximo longa, eram recortados de jornais antigos vindos da capital, para serem colocados na porta da frente. O preço da entrada era simbólico, para que toda a criançada da rua pudesse participar. Para exibir os filmes, de dia era feita uma fenda no telhado e, com a ajuda de um espelho, ocorriam as sessões. De noite, usava-se uma lanterna. Numa época em que os televisores eram pouco acessíveis, a criatividade de uma criança contagiava as outras, que recriavam as histórias exibidas no “cineminha”.

Foi através dessas sessões de cinema fictícias que se iniciou a carreira de um dos principais radialistas de Juazeiro, Geraldo Messias, nascido em 25 de dezembro de 1963, em Petrolina. “A gente pegava os filmes e ia juntando até formar uma sequência lógica. Convidávamos os meninos da rua para fazer dublagem, colocávamos as falas e tentávamos sincronizar a imagem com o texto. Foi dali que surgiu a idéia de entrar para a comunicação”, lembra. Aos 16 anos, Geraldo insistiu na idéia e fez um curso por correspondência de Técnicas de Jornalismo. “A partir daí é que me interessei por rádio, no final dos anos 70. Já nessa época, julgava importante uma formação para fazer jornalismo”, conclui.

Após o término do curso, em abril de 1980, Messias foi chamado para um estágio na Rádio Juazeiro por Marta Luz. Em setembro foi efetivado, hoje são 30 anos dedicados à rádio. À época, os locutores tinham uma voz grave e aveludada. O profissional, que não dispunha dessas características, enfrentava dificuldades de acesso. “Só entrava nas rádios “os medalhões”, ou seja, aqueles que tinham uma voz boa”, lembra Messias. Com uma voz calma, ele conseguiu se destacar pelos seus talentos peculiares: a paixão pelo rádio, a criatividade, o conhecimento em música e a força de vontade.

Era uma rotina cansativa: acordar às cinco da manhã para pegar a barquinha, encarar uma jornada de oito horas na rádio e depois cruzar a ponte a pé para assistir aula à noite, na Escola Marechal Antônio Alves Filho (EMAAF). “Muitas vezes meu jantar foi ki-suki com pão doce”, recorda. Mesmo com essas dificuldades, nunca pensou em desistir porque “sabia que ali tinha futuro”. O seu momento de lazer era depois da missa, na catedral, às oito da noite do domingo, onde encontrava os amigos e ia para a Concha Acústica, pôr os assuntos em dia. O local era palco de muitas apresentações musicais e o ponto de encontro dos jovens petrolinenses da época.

Em meados dos anos 80, obteve seu registro profissional como jornalista provisionado. Além do jornalismo, acumulava a função de discotecário e ia aprendendo funções inerentes à rotina do rádio como operação de áudio e transmissão de links externos. “Em rádio, aprendi de tudo, quando vinha um estagiário, as pessoas diziam: chama Geraldo, que ele sabe. E até brincavam: “quando tem um problema, chama Geraldo, que ele sabe resolver”, lembra.

Em novembro de 1985, cria e apresenta o “Clube da Juventude”, programa semanal ao vivo com três horas de duração, que marcou a cidade juazeirense, pois através da “Caravana da Juventude”, eram promovidos shows nas escolas da sede e do interior do município e até em outras cidades. Os jovens apresentavam dublagens de grupos como Dominó e Trem da Alegria. Dessa maneira, o programa conquistava ouvintes assíduos, e Geraldo, admiradores de longa data. “As pessoas até hoje me conhecem por causa do Clube da Juventude”, lembra. O programa permaneceu no ar durante 12 anos.

No fim da década, as empresas da região se viam pressionadas pelo Sindicato dos Radialistas de Salvador a providenciar registro profissional para os seus funcionários, mas não havia nenhuma representação sindical em Juazeiro. Messias conseguiu através de negociações com profissionais soteropolitanos, em 1995, trazer o Sindicato dos Radialistas para Juazeiro, que proporcionou uma maior organização da classe, tornando-se um instrumento para que os profissionais lutassem pelos seus direitos.

Em 1994, trouxe para a cidade o primeiro curso de Radialismo em extensão universitária, pela Faculdade Montenegro, que dava direito a emissão do registro profissional. Curiosamente, Geraldo não pode cursá-lo, pois estava muito envolvido na organização. Profissionais de toda a região participaram do curso, incluindo nomes como Cristiano Lima, hoje no Portal SG e Josenaldo Rodrigues, repórter e apresentador da TV São Francisco. “Cristiano até disse uma vez que existe o rádio antes e depois de mim, fico muito feliz em ser uma referência”, recorda.

Além de trabalhar na Rádio Juazeiro como locutor comercial, compor o Departamento de Jornalismo e ser programador musical, Geraldo ministra aula de empreendedorismo e ciências na Escola Anália Barbosa, no Bairro Antônio Guilhermino. Ele também participa do projeto “Rádio Pátio”, implantado na escola Paulo VI, e ainda faz especialização em Mídia na Educação, promovido pelo MEC, junto com o Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) da Bahia.

Do período em que era uma criança que coletava pedaços de película nos cinemas de Petrolina ao radialista reconhecido na região, há uma longa trajetória com muitas realizações. “Tenho 45 anos, sou jovem para o que fiz, foram muitas coisas em pouco tempo, e muito cedo”, afirma. O sucesso obtido ao longo do tempo de profissão não o deixa acomodado. Pelo contrário, busca sempre novos conhecimentos. “Estou querendo cursar química ou biologia, pois são áreas que gosto, pretendo ainda me graduar em Jornalismo”, diz.

Ao analisar seus 29 anos de carreira, o radialista conclui que ela é um sonho em constante processo de reconstrução. “Quanto mais você aprende, melhor”, recomenda Geraldo. Para os jovens que, assim como ele, tem paixão pelo rádio e desejam ter uma carreira sólida, Messias aconselha: “batalhe, porque se você planta, um dia vai colher”.

Por Raoni Santos

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Agrotóxicos devem ser evitados em plantio

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O valor nutritivo e a boa aparência influenciam na escolha de frutas e legumes. O consumidor, porém, não deve seguir estes critérios, pois não são indicadores suficientes de qualidade. Em abril desse ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) divulgou o último monitoramento de agrotóxicos feito na cadeia alimentar a partir de amostras de verduras e grãos como alface, batata, abacaxi, arroz, cebola, feijão, manga, pimentão, repolho e uva, que apresentaram quantidade irregular de resíduos químicos.

Usadas no manejo do cultivo, as substâncias químicas permanecem por determinado tempo nos alimentos, tornando o consumo inviável durante esse período. Porém, mesmo existindo informações quanto aos danos à saúde, muitos alimentos chegam à mesa das famílias com esses resíduos.

Considerando a importância da produção agrícola do Vale do São Francisco para o abastecimento de mercados nacionais e internacionais, pesquisadores do Departamento de Ciências e Tecnologia (DTCS) desenvolvem estudos sobre o uso de defensivos químicos.

“Os agrotóxicos não devem mais ser usados no cultivo de alimentos. As pessoas têm que se conscientizar disso, temos que partir para agricultura orgânica, que é como se fazia antigamente, pois a utilização dos produtos químicos foi uma imposição das potências européias, como Alemanha”, comenta a professora Maria Auxiliadora Silveira na sua tese de doutorado Agricultura produtivista e o uso de agrotóxico em Espanha e Brasil: uma análise em diferente escala.

Na tese, ela comenta que, no pós-guerra, houve muitos questionamentos sobre a destinação das armas químicas e, seguindo uma lógica de mercado, concluíram que “se as armas são boas para matar gente, logo servirão também, para matar os insetos das lavouras”. Na opinião da pesquisadora, no Brasil, aceita-se o uso do agrotóxico como se fosse uma verdade absoluta. “As pessoas se referirem aos agrotóxicos como remédios que matam pragas, mas não são remédios, são venenos,” declara. As pragas ficam resistentes, sendo preciso mudar constantemente de produtos no processo de manejo. Os resíduos químicos contaminam o solo, os lençóis freáticos, rios e o manuseio representa um risco para saúde do agricultor. Esses fatores fazem a pesquisadora acreditar que os benefícios proporcionados pelos agrotóxicos são mínimos diante das conseqüências negativas que geram.

Para o professor Osman Teles, que há 35 anos desenvolve pesquisas sobre a eficácia dos defensivos no combate e controle de pragas, o controle químico não deve ser usado como única ferramenta para proteger a plantação. O método deve associar-se a outros como o controle biológico. “Para cada praga há inimigos naturais. Hoje existem indústrias que já produzem defensivos que atuam de forma seletiva, sem matar os inimigos naturais e sem intoxicação, são chamados reguladores do crescimento dos inseto, que são substâncias que causam alterações no organismo do inseto alvo, reduzindo a espécie de forma progressiva, explica Osman.

Quanto à produção no sistema agrícola orgânico, o pesquisador diz que é possível adotá-lo em pequena quantidade, pois o método ainda não soluciona alguns problemas específicos da linha de produção. Segundo Osman, para se montar uma cultura orgânica seria preciso obter uma área virgem. Como a maioria dos produtores cultiva no sistema convencional, é necessário um processo de desintoxicação do solo que leva de três a quatros anos. Outro fator é o custo elevado da produção orgânica, além da produtividade ser menor se comparado ao método convencional.

Por não haver controle sobre os efeitos dos agrotóxicos, estudos são realizados para torná-los menos nocivos, ou ainda, substituí-los por métodos de agricultura orgânica cujos resultados garantam a colheita e a qualidade da safra.

Por Abgaela Martins

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