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27 Janeiro, 2012

Exposição retrata as belezas do sertão

Imagens do por do sol, pássaros, plantações de um verde exuberante e de famílias que presenteiam o espectador com um belo sorriso. Este é o panorama da Exposição “Novo olhar Sertão”, aberta à visitação até o dia 24 de fevereiro, no Centro de Cultura João
Gilberto, em Juazeiro – BA.

Com 29 imagens, a exposição é um ensaio fotográfico que mostra o universo da família nordestina reunida e feliz; animais vivos e uma vegetação exuberante, fotos que contrapõem os animais mortos e o êxodo rural, divulgado comumente pelos meios de comunicação ao longo dos anos.
Segundo o coordenador do projeto, Mauro Macedo, as imagens retratam um interior sertanejo mais condizente com a realidade vivida pela população no seu cotidiano, fugindo do estereótipo de sertão seco, mazelado e triste..O destaque da mostra é que ela é produzida pelos moradores das comunidades de Uauá, Sento Sé e Casa Nova e dos colaboradores da Sociedade de Ações Educativas Sociais e Tecnológicas (SAET), promovida pelo Projeto Cisternas. As fotos foram capturadas no período de um ano e quatro meses. Para a professora e Mestre em Educação e Contemporaneidade, Ceres Santos a proposta representa a democratização da comunicação, pois os moradores se utilizam da câmera para retratar seu olhar. O resultado é um sertão vibrante e reconhecido pelas pessoas que moram na região.

Por: Karine Nascimento (texto)

Laércio Lucas (fotos)

19 Janeiro, 2012

Caboclinho, o Pérola Negra do futebol juazeirense

Quando a primeira partida do futebol amador de Juazeiro aconteceu em 1917, não era possível imaginar que, anos mais tarde, grandes craques surgiriam daqueles campos de terra batida. Um deles é um juazeirense nascido em 1933. Pelo nome de batismo, Bartolomeu Brito Monteiro, pode ser que poucos o reconheçam. Dentro das quatro linhas que dividem o gramado, ele fez história com o apelido: Caboclinho.

Em agosto de 2010, aos 77 anos, o preparo físico já não era o mesmo de outrora, mas o brilho nos olhos e a força da fala retratavam o orgulho de Caboclinho por sua história dentro do esporte. A perda do pai em 1941 fez com que o jovem Bartolomeu começasse a trilhar a carreira vitoriosa no futebol ainda muito cedo, para ajudar a manter a família. Em 1943, aos 10 anos de idade, ele assinou o seu primeiro contrato. “Parece até brincadeira, mas aos 10 anos eu assinei o meu primeiro contrato. O rapaz era dono de um armazém e, naquela época, me dava mil e quinhentos e uma cesta básica”, recorda.

Seu primeiro registro na Liga Desportiva Juazeirense (LDJ) foi em 1950, quando atuava pelo time do Olaria, onde ficou por sete anos. Em 1958, muda para o time da Companhia de navegação, o Fluísco, atualmente conhecido como Carranca. Cinco anos depois, parte para Cidade de Senhor do Bonfim, a 200 km de Juazeiro, para defender o Guanabara, em 1964 retorna à sua terra natal e vai jogar na vizinha cidade pernambucana de Petrolina, pelo América. O marcante dentro dessas idas e vindas de Caboclinho, é que em todos os clubes em que atuou teve o prazer de sagrar-se campeão.


Com o talento comparado ao de uma jóia rara, o meia-esquerda recebeu do comentarista esportivo Herbet Mouze, o apelido de Pérola Negra do futebol Juazeirense. “Pérola Negra porque a pérola é uma jóia rara e difícil de ser encontrada, assim como o Caboclinho” , conta o comentarista.


Em 1969, após colecionar diversos títulos e por diferentes equipes do amador, Caboclinho decide enfrentar uma nova jornada dentro do futebol, agora como treinador. Por ironia do destino, o passado ressurgia na vida do Pérola Negra. A sua estréia como treinador seria no primeiro time que defendeu como jogador e com a ajuda do seu primeiro técnico. “Em 1950, Padeiro me carregou para o Olaria como atleta e em 1969, ele me carregou de novo para o Olaria, mas agora como treinador”, lembra Caboclinho.


Conhecedor do bom futebol, o técnico de apelido curioso via que Caboclinho poderia ser um bom comandante, porém, acreditava que mesmo aos 36 anos, o meia-esquerda habilidoso, ainda poderia encantar a torcida juazeirense. “Ele queria que eu ficasse como jogador e treinador. Aí, em 70 eu fui campeão e em 71 tomamos conta do time como treinador”, explica.


A carreira como jogador de futebol teve fim em 1975 durante um amistoso. Aos 42 anos, o Pérola Negra não precisou mais do que 15 minutos para mudar a história da partida. “Nós estávamos perdendo por 2 x0, aí eu disse: me bote nesse jogo. Ele me botou. E o que aconteceu? Nesses 15 minutos nós empatamos. Eu digo que nessa partida amistosa, eu empatei o jogo. Desse dia pra cá, encerrei a minha carreira como jogador de futebol”.


Das boas lembranças do futebol amador juazeirense, Caboclinho recorda a animação das torcidas no Estádio Adauto Moraes durante os jogos, principalmente os clássicos entre Olaria e Veneza. “Quando chegava para a partida a gente via aquela garotada toda em cima da arquibancada. Infelizmente as arquibancadas eram de madeira, mas enchia mesmo. Cada movimentação que o atleta fazia dentro do campo dava para sentir a força da torcida do lado de fora”, conta.


Na beira do gramado, Caboclinho se orgulha de ter treinado grandes nomes do futebol Brasileiro, como Nunes, campeão mundial pelo Flamengo em 1982 e Daniel Alves, jogador do Barcelona da Espanha. O velho boleiro costuma dizer que Juazeiro é terra de craques. “Na minha época, tinha jogador de qualidade. Antes de mim, nem se fala e depois vieram outros garotos de muito valor. Em Juazeiro não se pode fazer comparação entre um jogador e outro; é um mundo de craques”, afirma o mestre.


Craque numa época em que o futebol era jogado por amor, Caboclinho não fez fortuna e chegou até a recusar convites de times profissionais, como Flamengo e Vitória. Mesmo assim, ele faz questão de ressaltar a importância do esporte na sua vida. “O futebol me deu tudo, deu a vontade de ser homem. Mas eu corri atrás de ter uma profissão, sou pedreiro. A minha casa quem fez foi eu”, conclui apontando a residência, o seu grande gol marcado com as mãos. Hoje, 19 de janeiro de 2012, Caboclinho, um dos maiores craques de Juazeiro, faleceu, aos 78 anos.


Por Emerson Rocha, texto produzido em agosto de 2010.


Foto divulgação: Blog Esporte Total

06 Janeiro, 2012

Vale Curtas começa hoje no Vale do São Francisco



Mostras competitivas, debates e oficinas são parte da programação da 5ª edição do Festival Nacional de Curtas Metragens do Vale do São Francisco (Vale Curtas). Este ano serão exibidos 148 filmes. As atividades serão realizadas a partir de hoje sexta-feira (06/01) até o dia 14 de janeiro, em Juazeiro BA e Petrolina PE.

A 5ª edição do Vale Curtas conta com duas seletivas (mostra competitiva nacional e a mostra competitiva regional), visando ampliar a formação do público e valorizar os realizadores locais. O festival começa com a exibição nos bairros de 26 documentários dos teritórios baianos, dentro da programação da mostra competitiva regional.

Nesta edição, o evento traz uma novidade, serão realizadas exibições dos filmes sob uma lona de circo, em Petrolina e nas barcas que fazem a travessia entre as duas cidades sedes do Festival.

Segundo o coordenador do Vale Curtas, Chico Egídio a programação é gratuita. Além de Petrolina e Juazeiro o Festival vai oferecer também exibições intinerantes em Lagoa Grande- PE e Trindade-PE. “Serão distribuidos R$ 15 mil entre os curtas-metragens selecionados pela comissão julgadora, formada por profissionais renomadas do audiovisual nacional”, explicou Chico Egídio.

O evento pretende fomentar o debate e pesquisas sobre cinema, estimular o desenvolvimento da produção audiovisual local e promover o intercâmbio com a produção nacional, o Vale Curtas é realizado pela a Associação Cultural Artística e Social Raízes com a produção executiva da Alegria Alegria Produções.

Com informações da Clas Comunicação.
Confira a programação completa no site http://www.valecurtas.com.br/

28 Dezembro, 2011

Livro provoca reflexão sobre o surgimento da aprendizagem

A palavra da língua inglesa Literacy originou o uso da terminologia letramento. Mas o que é isso? A palavra pode nos parecer familiar, já o seu significado poucas pessoas conhecem. Letramento é o efeito provocado pela escrita. Mudanças sociais, econômicas, culturais e de conhecimentos que acontecem a partir da leitura, como sintetizou o professor da Universidade do Estado da Bahia, Cosme Batista, Doutor em Línguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Letrar é ter hábitos de leitura e escrita, adquiridos não apenas através de livros mas pela leitura freqüente de jornais e revistas, o que dificilmente observamos nas escolas do nosso país. Os métodos utilizados nas escolas para estimular as práticas de leituras ainda são precários, podem resumir-se em poucos livros. O professor afirma também que o conceito “letramento” nos remete à história da escrita no mundo. Ao pensar no Brasil, Cosme ressaltou a lógica colonialista, que chegou de barco junto com os navegadores portugueses, impondo a perspectiva de conhecimento como algo procedente da escrita.

Foi para disseminar o conhecimento sobre as práticas de letramento que o professor Cosme Batista lançou o livro “Letramento e Senso Comum - A Popularização da Linguística na Formação do Professor”. A obra busca responder como os professores alfabetizadores em formação compreendem e representam conceitos de teorias linguísticas que fazem parte do currículo de formação inicial. Com uma linguagem científica, faz um estudo sobre o ensino e suas práticas. Surgem assim reflexões sobre o modo de atuação dos educadores. Mas, quando é que se inicia a construção do conhecimento? Na escrita

Para tentar responder aos questionamentos, durante o lançamento do livro neste mês de dezembro, o autor propôs um debate sobre senso comum com a participação de estudiosos das Ciências Humanas, como a antropóloga Odomaria Bandeira; o psicólogo e especialista em educação, Marcelo Ribeiro; o pedagogo e psicanalista Juracy Marques e o historiador Moisés Almeida. A discussão do tema provocou reflexões a respeito do uso do termo “senso comum”. Pois, o que se denomina hoje como senso comum é considerado práticas incomuns ou estranhas à sociedade. Como exemplo, Juracy Marques citou as expressões nordestinas “sole” e “pru mode”. A linguagem simples é vulgarizada e discriminada. Desta forma, o livro deixa também um questionamento sobre onde e como se iniciam as nossas aprendizagens e faz surgir uma reflexão sobre a legitimidade do conhecimento “simples, terno e descalço”, como caracterizou o psicanalista.


por Luna Layse (Texto)
Marcia Guena (Fotos)

21 Dezembro, 2011

Professor faz lançamento do livro "O mesmo outro"

O professor Josemar da Silva Martins, mais conhecido como ‘Pinzoh’, faz lançamento do livro de poesias “O mesmo outro”, amanhã (22/12), às 20h30, no Canto de Tudo, localizado no Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Juazeiro.

Depois da primeira publicação “Come-tendo poesia” em parceria com José Carlos Rego, o amigo “Pinduka”, publicada em 1986, Pinzoh dedicou-se ao blog “Rascunhos de Mim”. Recentemente, o professor – que não se considera escritor, muito menos um poeta, mas um amante da poesia – resolveu reavaliar e escrever novas poesias com o propósito de mostrar as pessoas o que faz e gosta de apresentar através dos versos.

A temática do livro é vasta, não possui uma delimitação da abordagem. “São poemas que têm a ver com a minha vida, com a minha relação com o mundo, é a minha tensão com o mundo”, diz Pinzoh. A obra trata de muitos assuntos, mas o enfoque principal é sobre a intimidade do poeta e seu posicionamento para com a sociedade.

A divulgação na UNEB tem a intenção de oferecer um espaço literário para todas as pessoas que sentirem curiosidade em conhecer a sua obra. Muitos amigos do poeta já confirmaram a presença, tornando-se não apenas um encontro de amantes do universo das artes e de profissionais da imprensa, mas um encontro cultural para os visitantes com recital, vídeo, música e muita poesia.

Por Amanda Santos, graduanda em Jornalismo em Multimeios.