Por uma memória verde no Semiárido Brasileiro

Diante dos desafios que envolvem o desenvolvimento urbano e a preservação ambiental, é necessário construir cenários de discussão sobre esta temática, unindo várias áreas de conhecimento em prol de uma educação contextualizada. Com este objetivo, a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Campus III, em Juazeiro, realizou o Seminário Regional Verde Urbano no Semiárido Brasileiro, nos dias 23 e 24 de outubro.
Foto: Beatriz Braga
A programação começou com uma expedição ao Riacho do Mulungu e com a discussão sobre a importância das lagoas e do microclima que elas proporcionam no Semiárido. Já no período da tarde, houve a mesa de abertura “Convivência e Cidade: Um olhar a partir da Universidade”, que contou com a presença do professor do Colegiado de Pedagogia da UNEB Paulo Soares e com o coordenador do Programa Escola Verde, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Paulo Ramos, sob a mediação da coordenadora do Projeto Conviverde e organizadora do evento, professora Luzineide Dourado.

O professor Paulo Soares destacou ações práticas que a Comissão de Cultura e Meio Ambiente da UNEB vem adotando no intuito de trazer para a universidade práticas sustentáveis. Exemplo delas foi a entrega de garrafas de água aos estudantes e professores, para que não usassem mais copos descartáveis;  a exibição de filmes educativos e a discussão sobre este tipo de produção audiovisual; como a mídia vem tratando o semiárido quanto às questões ambientais, além do curso prático de arborização que ainda deve ser implementado.
Foto: Ilana Yngrid Santos

De acordo com Soares, o programa de verde urbano e desenvolvimento sustentável é  importante por contribuir para o conhecimento das especificidades do território. “Quinze por cento do território brasileiro é semiárido e, mesmo que se pense bastante em práticas contextualizadas para o meio rural, a maior parte do Semiárido é urbano. Por isso, precisamos pensar em rede para promovermos cada vez mais ações interdisciplinares para a saúde ambiental”, afirma o professor.

Paulo Ramos trouxe o histórico das ações humanas que acabam interferindo no meio ambiente. Segundo ele, a crise ambiental está arraigada à civilização humana e o homem sempre esteve em conflito com a natureza. E, ainda, que o desafio não é manter o meio ambiente em sua forma natural, mas utilizar seus recursos de forma consciente e sustentável, e é aí que entra o papel da universidade.

“Vivemos em uma espécie de harmonia instável com o meio ambiente e o papel da universidade enquanto espaço de vanguarda é liderar a mudança e romper com o modelo de isolamento da comunidade, utilizando os pilares da educação superior, que é o ensino, a pesquisa e a extensão, para assim, mobilizar a comunidade e desenvolver junto a ela a temática ambiental”, afirma Ramos.


Foto: Ilana Yngrid Santos
A primeira edição do Seminário Regional Verde Urbano no Semiárido Brasileiro é uma organização do Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Educação Contextualizada com o Semiárido Brasileiro (NEPEC-SAB) e do projeto de extensão Conviverde, que têm como objetivo contribuir para o conhecimento das especificidades do território e da territorialidade que podem se encontrar no Semiárido.

Para Luzineide Dourado, organizadora do evento e coordenadora dos projetos, é necessário tratar destes temas, que são pouco pautados na mídia, mas que têm  relevância às comunidades.
Foto: Ilana Yngrid Santos
 “Existem grandes cidades no Semiárido, como Petrolina e Juazeiro, mas é mostrado apenas o lado rural da fruticultura irrigada, por exemplo. Queremos, com o seminário, discutir as memórias que ficam dessas cidades que, com o desenvolvimento econômico e  a migração tem passado por grandes transformações espaciais e populacionais,  a fim de se apresentar o que está sendo produzido”, afirma Luzineide.

Por Mônica Santos
Agência Multiciência

Pesquisa revela situação das lagoas de Juazeiro


O dia vai escurecendo e a Lagoa de Calu recebe a companhia de várias pessoas. Crianças se divertem nos parquinhos, jovens praticam modalidades esportivas nas quadras disponíveis e adultos de todas as idades se exercitam diariamente. Muitos juazeirenses utilizam o entorno da lagoa como espaço de diversão, mas poucas são capazes de perceber a importância da preservação desses locais no ecossistema do semiárido.

Os equipamentos urbanos de lazer de Juazeiro trazem benefícios para a qualidade de vida da população, mas as condições ambientais das lagoas da cidade têm sido motivo de preocupação para especialistas da área. O projeto de extensão Conviverde, do Campus III da Universidade do Estado da Bahia, em parceria com a  pesquisadora do IBGE do Rio de Janeiro, Rosângela Botelho, elaborou um diagnóstico que avalia situação da lagoa do Calu, lagoa Dom José Rodrigues e lagoa Antônio Guilhermino.



O diagnóstico foi realizado com a aplicação de um Protocolo de Avaliação Rápida (PAR), que analisa parâmetros qualitativos e quantitativos para definir o resultado final, classificados por pontos. No  protocolo de avaliação ambiental para açudes urbanos, são observados fatores como as alterações causadas pela ação humana, vegetação dentro e ao redor do leito, cor e odor da água.

De acordo com a pesquisa, entre as lagoas analisadas, a do Calu foi a que apresentou menor incidência dos impactos ambientais, alcançando média de 2,96 pontos numa escala que vai de 0 a 5. Já as lagoas Dom José Rodrigues e Antônio Guilhermino alcançaram uma média de 1,7 e 1,3 pontos, respectivamente.

Esgoto despejado sem tratamento na lagoa Antônio Guilhermino. Foto: Conviverde

A análise apontou que a lagoa de Calu possui condição entre regular e boa, na visão dos estudantes, técnicos e professores que participaram da avaliação. Apesar de estar inserido num ambiente urbano, o local é, segundo o estudo, protegido pelo projeto paisagístico que preserva as margens e colabora com a preservação do ambiente. Já as outras duas lagoas, que estão localizadas em áreas afastadas do centro de Juazeiro e que mesclam características rurais e urbanas, encontram-se deterioradas, com esgotos despejados sem tratamento e sem nenhum projeto de regeneração. Para a pesquisadora Rosângela Botelho, esses impactos ambientais podem resultar em danos à saúde da população, já que essas lagoas acabam concentrando uma grande quantidade de vetores transmissores de doenças, como mosquitos e ratos.


Análise na lagoa do Calu (esq.), lagoa Dom José Rodrigues (centro) e lagoa Antônio Guilhermino (dir.). Fotos: Conviverde

Por estarem localizadas em propriedades particulares, as lagoas Dom José Rodrigues e Antônio Guilhermino se transformaramo em espaços de uso restrito a uma parcela pequena de pessoas. O estudo apontou ainda que essas lagoas são negligenciadas por conta da falta de preservação e que, caso seja realizado um projeto de recuperação, podem ser transformadas em áreas verdes, destinadas ao lazer, trazendo melhorias para qualidade ambiental e para a vida da população.

De acordo com a pesquisadora Rosângela Botelho, a Lagoa do Calu tem um potencial de melhora. "Com aperfeiçoamento do paisagismo já existente e fazendo tratamento para deixar a tonalidade da água mais clara, é possível  fazer um criatório de peixes, por exemplo. Isso seria interessante principalmente para as crianças", comenta. Sobre as outras duas lagoas, Rosângela ressalta a necessidade da construção de barreiras ao redor  que  protejam do escoamento das chuvas e do esgoto que sai das casas.

O resultado da pesquisa, os métodos de análise e as observações feitas durante o diagnóstico serão apresentados no Seminário Regional Verde Urbano no Semiárido Brasileiro, que será realizado nos dias 23 e 24 de outubro, no DCH III da Uneb. A programação do evento também conta com expedição no Riacho Mulungu, mesas redondas e bate-papos sobre a convivência com o cenário do semiárido.

Comunidade-lagoa

Luzineide Carvalho, coordenadora do projeto Conviverde e uma das responsáveis pela pesquisa, acredita que é preciso ações multidimensionais e intersetoriais para conseguir reverter a realidade das lagoas de Juazeiro. “A Universidade, sozinha, não vai resolver essas questões. Precisamos pensar em ações em rede, que envolvam diferentes instituições e diferentes atores sociais. A comunidade também deve ser envolvida e assumir essa relação de pertencimento”, ressalta.

Ainda segundo Luzineide, o assoreamento e a falta de drenagem podem fazer com que esses ambientes desapareçam em Juazeiro. “Seria uma perda irreparável. As lagoas são bens públicos e o acesso à água é fundamental para qualquer comunidade. Quando pensamos no contexto do semiárido, essa importância é maior ainda, pois são ambientes peculiares, onde encontramos espécies de plantas e animais específicos de outros biomas, já que microclimas são estabelecidos no entorno de uma lagoa”, comenta.

Mais do que espaço de lazer, as lagoas também trazem um equilíbrio para o ecossistema local. O crescimento populacional e econômico de Juazeiro nos últimos anos não tem sido acompanhado pela preservação desses espaços que são patrimônio cultural e histórico de qualquer população. Rosângela ressalta que a relação comunidade-lagoas precisa ser mais efetiva para que a preservação seja uma realidade. “É um bem da comunidade. A população se aproveita do ambiente da lagoa do Calu até pela questão visual, que é atrativa, mas ainda é uma relação superficial. É preciso uma conexão maior dos moradores com esses espaços”, pontua.

A prática de atividades físicas é comum no entorno da lagoa do Calu. (Foto: Giúllian Rodrigues)

Reportagem de Giullian Rodrigues e Maria Eduarda Abreu.
Edição: Giullian Rodrigues

Encontro reúne estudantes dos cursos de Comunicação Social da Bahia

O I Encontro dos Cursos de Comunicação Social da Bahia foi realizado nos dias 6 e 7 de outubro, na Universidade do Estado da Bahia, em Juazeiro. Sua realização funcionou como um preparatório para a realização do Congresso Regional da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação - Intercom Nordeste 2018.

O evento foi promovido pelo Colegiado de Jornalismo em Multimeios em parceria com o curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade do São Francisco (FASJ). Contou com a participação de representantes das Coordenações dos Cursos de Jornalismo em Multimeios da UNEB em Juazeiro; Rádio e TV de Conceição do Coité (UNEB); Relações Públicas de Salvador (UNEB); Jornalismo em Multimeios de Seabra (UNEB); Jornalismo em Vitória da Conquista (UESB) Publicidade e Propaganda (FASJ) em Juazeiro, além de representantes discentes.

Palestras, oficinas, minicursos e apresentações de trabalhos fizeram parte da programação. Em sua palestra a professora Aline Grego (UNICAP-PE) abordou os desafios e a importância de realizar a Intercom Nordeste, congresso regional com o maior número de inscritos dentre as cinco regiões do país, com ampla participação de estudantes, professores e pesquisadores no evento. Também destacou a diversidade dos trabalhos apresentados nos congressos regionais e a necessidade de reunir os Cursos de Comunicação do Nordeste, superando as fronteiras geográficas.

Foto: Divulgação

O Diretor Regional da Intercom, professor Juliano Domingues (UNICAP-PE) ressaltou que os encontros regionais são fundamentais para fortalecer a reflexão científica e acadêmica nas instituições de ensino. “Encontros dessa natureza oferecem oportunidades para que professores e estudantes apresentem resultados dos seus trabalhos de pesquisa, possam trocar experiências com pesquisadores de outras regiões do Brasil, estabelecer redes e cooperação”, afirma.
Após a palestra, os alunos participaram de um bate-papo com o jornalista Pablo Vasconcelos que falou das suas experiências na TV São Francisco, em Juazeiro, e nos programas televisivos Aprovado e Mosaico Baiano, da Rede Bahia, sobre o fazer jornalístico. Deu dicas de textos para a televisão e alertou os estudantes para a importância da boa relação entre repórter e cinegrafista. Egresso do curso de Jornalismo em Multimeios, Pablo destacou a satisfação de retornar à universidade sete anos depois de sua formação. “Adorei participar e falar da minha experiência de TV, rotina de trabalho, dos meus sonhos, desafios que enfrentei e poder motivar os estudantes a seguirem na carreira e se apaixonarem pelo jornalismo. Saber que eu posso contribuir para isto é de valor inestimável.”

Pablo Vasconcelos em bate-papo com os estudantes
Foto: Beatriz Braga

No segundo dia, houve a apresentação dos Relatos de Experiências de Práticas Laboratoriais dos estudantes e graduandos. À tarde, aconteceram oficinas e minicursos de Produção de TV com a jornalista Elizângela Amorim e o jornalista e professor da UNEB, Nilton Leal; Assessoria de Comunicação Governamental, com a jornalista Karem Moraes; Artigo Científico, com a jornalista Gabriela Lapa e e Relatos de Experiência, com as jornalistas Raiane Sousa e Juliana Magalhães.

Minicurso sobre Artigo Científico
Foto: Jaislane Ribeiro

Minicurso sobre Assessoria de Comunicação Governamental
Foto: Jaislane Ribeiro

           O I Encontro dos Cursos de Comunicação Social da Bahia teve o apoio da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da UNEB por meio do Edital 036/2017 voltado para ações extensionistas desenvolvidas na universidade.


Intercom Nordeste 2018

Desigualdades, Gênero e Comunicação será o tema debatido no evento. Para Aline Grego, Diretora Regional da Intercom 2014-2017, esse tema foi escolhido devido a importância de discutir a realidade brasileira, diante de "um país extremamente desigual, não apenas socioeconomicamente, mas de oportunidades, de tratamentos, inclusive regionais. "Se referindo à questão de gênero, a desigualdade é ainda mais avassaladora. A homofobia, que, muitas vezes, é velada, precisa ser discutida”, declarou.
Estudante do sexto período do Curso de Jornalismo em Multimeios da UNEB em Juazeiro, Esther Santana pretende apresentar um trabalho experimental na Intercom Nordeste 2018, e está na expectativa para o evento. “Estou entusiasmada, principalmente porque é a minha universidade que vai sediar o evento. E também bastante apreensiva, mas, me informando sobre o sistema político atual e o novos modelos de comunicação, para melhor compartilhar com meus colegas e demais estudantes do nordeste que irão participar” planeja.
Já Poliana dos Santos, que está no primeiro período do mesmo curso, não conhecia a Intercom mas agora mantém boas expectativas para o evento. “Não tinha conhecimento, até ver a repercussão na faculdade. Estou adorando esse movimento, sei que vai haver muita interação entre os estudantes” disse.

Por Gislaine Milca
Agência Multiciência



“Desafios da Reportagem Especial” é tema de palestra com Alexandre Lyrio

A arte da reportagem é buscar contextualizar os acontecimentos jornalísticos, de modo a transmitir a informação com abordagem mais extensiva. É enumerar, comparar, exemplificar, conduzindo quem lê ou assiste a compreender uma série de acontecimentos sobre um ou mais fatos. Num momento em que se proliferam conteúdos em diversas plataformas, desde a internet até whatsapp, muitas vezes vender um texto ou vídeo sobre algo se torna prioritário. Assim, a reportagem é um verdadeiro ato de resistência, pois oferece ao leitor e/ou internauta a possibilidade de esclarecer os fatos e refletir sobre eles. 

Para compartilhar a experiência da prática da reportagem, o jornalista Alexandre Lyrio participará do bate papo “Vida de Repórter: conversas sobre os desafios da reportagem especial” na próxima quarta (27), às 16h30, no Centro de Cultura João Gilberto. O evento é promovido pela Agência MultiCiência, com apoio do Colegiado de Jornalismo em Multimeios, do Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia, e parceria com o Fórum de Comunicação – FOCOM, da FASJ, e Centro de Cultura João Gilberto.                     

Alexandre Lyrio é formado em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).  Iniciou a carreira como repórter de esportes da TV ARATU (SBT). Depois, foi para o jornal Correio da Bahia, onde trabalhou na editoria de cidades e no suplemento especial Correio Repórter. Atualmente, é repórter especial do Correio

Em 2012, lançou O Terapeuta do Afeto, biografia do psiquiatra e cientista negro Juliano Moreira, fundador da psiquiatra nacional. Em 16 anos como jornalista, teve duas indicações ao Prêmio Esso de Reportagem e uma menção honrosa no Prêmio Wladmir Herzog de Direitos Humanos.

Além disso, venceu o Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo e o Prêmio AMB de Jornalismo. No ano passado, com a série Silêncio das Inocentes, conquistou o Prêmio Inma Global Media Awards, considerado o maior prêmio de mídia do mundo, na categoria "Melhor Ideia Para Aumentar a Leitura Digital". Na semana passada, pelo mesmo trabalho, foi indicado ao Prêmio Petrobrás de Jornalismo, cuja cerimônia de premiação acontece em 9 de outubro. 

A palestra é gratuita e aberta aos estudantes e profissionais da área. As inscrições são feitas no local do evento. 

Por Andressa Silva
Agência MultiCiência.

DIREITOS HUMANOS NO VALE DO SÃO FRANCISCO

Encontro acadêmico reunirá pesquisadores e estudantes para debater ações sócio jurídicas relacionadas aos Direitos Humanos no Vale do São Francisco

Discutir e identificar ações sociais e jurídicas relacionadas aos Direitos Humanos na região do Vale do São Francisco e proporcionar práticas de pesquisa e extensão universitária. Este é o objetivo do I SEMINÁRIO DE DIREITOS HUMANOS NO VALE DO SÃO FRANCISCO: diálogos interdisciplinares, que será realizado nos dias 5 e 6 de outubro, no Auditório Antônio Carlos Magalhães – ACM, Departamento de Ciências Sociais – DTCS, da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus III, Juazeiro (BA).

O evento é uma ação extensionista com apoio da Pró-Reitoria de Extensão, por meio do edital 036/2017. Inicia com a discussão sobre “Educação em Direitos Humanos: Perspectivas Interdisciplinares” com as professoras Maryângela Ribeiro de Aquino (DTCS III-UNEB); Ivana Silva Freitas (IFBA); Andreia Marreiro Barbosa (UESPI).

Na conferência de abertura, a palestrante Marília Lomanto Veloso (UEFS/MP-BA/Juspopuli) discute a temática “Direitos Humanos, Movimentos Sociais e Assessoria Jurídica Popular”, com a finalidade de demonstrar a importância dos estudantes de Direito conhecerem os instrumentos para garantir o acesso à proteção jurídica a todos os cidadãos.
Também haverá debate sobre “Direitos Humanos no Campo: a situação do Vale do São Francisco em Debate” com a participação dos professores Felipe Estrela de Carvalho (UNEB), Alberto Dias de Moraes – INCRA/FACAPE e de Mineia Clara, presidente da União da Associação do Vale do Salitre.

Na conferência de encerramento será discutida a temática da violência de gênero na perspectiva dos direitos humanos e a compreensão dos instrumentos jurídicos, com a participação da professora Marília Montenegro Pessoa de Melo – UFPE/UNICAP.

As inscrições podem ser feitas até o dia 02 de outubro, através do 
site https://direitoshumanosvsf.wixsite.com/sedh2017 com preenchimento de ficha de inscrição. São ofertadas 180 vagas, conforme disponibilidade do espaço. Todos os participantes terão direito a certificado com carga horária de 12 horas. A conferência é gratuita e aberta para estudantes universitários, pesquisadores e interessados na área. 

Informações: 74 3611-6219 / Ramal: 224
COORDENAÇÃO: Roviane Oliveira Santana



Por Andressa Silva
Agência Multiciência

Educação inclusiva e de qualidade é discutida na sétima edição do Workshop Nacional de Educação Contextualizada

Trabalhar a subjetividade presente na cultura sertaneja ajudando a construir um movimento em prol de uma educação contextualizada com o Semiárido que fortaleça a identidade deste povo. Estes foram alguns dos objetivos do VII Workshop Nacional de Educação Contextualizada Para a Convivência Com o Semiárido (WECSAB) e do IV Colóquio de Pós-Graduação, que trabalhou, nos dias 30 e 31 de agosto e 01 de setembro a temática: “Diversidade de direitos em territórios semiáridos”.

Foto: Luana Dias

O evento, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Territórios Semiáridos (PPGESA) aconteceu na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), campus III, lugar conhecido por levantar discussões acerca da convivência com o semiárido, da democratização da mídia e da educação contextualizada. Através de palestras, grupos de trabalho, mesas redondas e sessões coordenadas, a discussão sobre identidade, cultura e territoriedade se aflorou e fortaleceu o movimento em prol de uma representação justa do semiárido. O intuito é o entendimento deste território enquanto singular, porém não atrasado, desconstruindo a chamada ‘síndrome de vidas secas’ que faz do semiárido 'Nordeste' e do sertanejo 'tão bruto quanto a natureza que o rodeia'.

Esta ideia foi fortalecida durante o segundo dia do evento, que contou com 9 grupos de discussão que explanaram por meio de relatos de experiências as pesquisas que vem sendo realizadas, em que simples tecnologias e práticas inovadoras vem modificando a vida dos sertanejos. Além disso, se discutiu praticas educomunicativas, gênero, problemáticas socioambientais, tecnologias sociais dentre outros vários temas.

De acordo com Miguel Almir Lima, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e palestrante na mesa redonda sobre Corporeidade e Sertania é muito importante relacionar a expressão corporal com as singularidades que o corpo sertanejo possui. “O corpo sertanejo é um corpo agridoce; marcado pela falta de políticas públicas e pela seca, mas também marcado pela poesia de cordel, pelas danças e cantigas que fazem deste um povo que dança, reza e canta”.
Segundo o professor, o sertanejo e as celebrações de sua tradição é o estado de sertania, que é a imagem mítica e poética, que traduz os valores, as crenças e as visões de mundo, que precisam ser respeitados e entendidos dentro e fora da academia.

Outra temática muito relevante e que precisa cada vez mais ser discutida na universidade é a dos povos tradicionais. Uma educação contextualizada que trate do que é seu é muito importante para desfazer os preconceitos existentes nas próprias crianças que crescem na caatinga e que acham que a terra em que vivem é realmente infrutífera. Para isto, é preciso reconhecer e fortalecer o contato destas crianças e consequentemente, promover este contato anteriormente com dos seus educadores.

Uma destas tentativas foi a discussão que ocorreu na mesa redonda: História de vaqueiro: Letramento intelectual nas series iniciais do ensino fundamental, ministrada pela mestranda Mônica Andrade Souza, que pesquisa a construção identitária do vaqueiro e da herança que ele carrega. 
“Eu quis pesquisar o vaqueiro porque não o via representado na academia nem na literatura, e quando falavam sobre ele era sempre de uma forma estereotipada e a partir da visão do outro”, Sendo assim, Mônica passou a pesquisar a oralidade e a narrativa sobre a sua história como forma de construir e preservar a sua memória.

Segundo a pesquisadora, a ideia não é dar voz, porque isso pressupõe uma visão de cima para baixo, mas perceber esta voz que ecoa e destrincha-la, discuti-la, e o WECSAB é uma forma de repercutir esta voz tão forte. “Quero, com esta palestra, trazer ferramentas para possíveis estudos e para mudança de discursos, nas universidades e na mídia, além de enaltecer o vaqueiro, para que eles se vejam representado de alguma maneira”, afirma Mônica

Foto: Ingryd Hayara

Para Josicléa Nunes, estudante do 8º período de pedagogia da UNEB, o evento é muito importante e contribui bastante para sua formação enquanto professora e futura pedagoga: “É a terceira vez que participo do WECSAB, e esta prática tem me ajudado bastante na compreensão do verdadeiro significado de educação contextualizada, para além dos livros didáticos e da grande mídia”, afirma a estudante.

 O objetivo do workshop foi encorajar a manifestação desta cultura, fortalecendo os laços que a constrói e cedendo um espaço que é deles por direito. Pretende-se com isto, construir uma educação inclusiva, sem preconceitos ou estereótipos, em que os alunos se vejam representados nos livros didáticos para que, futuramente, enquanto profissionais façam um papel de representação e conservação, não de deturpação da cultura do semiárido.


Por: Mônica Odilia Santos, Maiara Santos e Lidiane Ribeiro

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