Railene Borges: “Tornei-me manicure pelo olho e um dom que Deus me deu"

MultiCiência 29 janeiro 2026

Foto: Arquivo Pessoal


Vermelho clássico, nude, preto, branco, rosa vibrante, azul royal, verde menta e roxo metálico. Essa aquarela moderna de cores de esmaltes que dão vida às unhas das mulheres já prendia o olhar da menina Railene Vieira Borges naquela transição da infância para a adolescência. Ela ficava de olhos brilhando quando via uma manicure em atividade no ciclo familiar ou entre amigas. E, foi esse cenário da vida real, que a fez abraçar a profissão a partir do final dos anos 1990.
 
Impulsionada pelo sonho e vaidade de menina, algo comum dentre toda geração de adolescentes, ela sempre quis fazer as próprias unhas. Mas, percebeu que podia trabalhar profissionalmente, ganhar dinheiro e ajudar a família. Aos poucos, foi descobrindo seu dom natural e ainda buscou se aperfeiçoar para dar o melhor na profissão de manicure/ pedicure, que no Brasil remonta à década de 1920, impulsionada pela influência da moda europeia e pela expansão dos salões de beleza, popularizando-se intensamente nos anos 50.
 
Natural de Fumaça, comunidade de Pindobaçu, norte da Bahia, ela nasceu no berço de uma família simples e trabalhadora. Ela é filha de José Vieira Borges e da dona de casa Joseni Vieira Borges, primos carnais. Os pais sempre lhe deram liberdade para pensar a profissão pela qual se dedicou.

No meio do caminho, uma curiosidade que comprova o talento natural. "Nunca fiz curso, foi no olho e um dom que Deus me deu", afirma Railene, que aos 44 anos já tem muita história para contar. Ela lembra que suas primeiras experiências profissionais aconteceram logo que chegou a Juazeiro, numa  fase em que cobrava R$ 8 para fazer as unhas dos pés e das mãos.
 
Não demorou muito para conseguir a primeira cliente, uma vizinha chamada Fátima, que passou a frequentar seu salão constantemente. A partir disso, o negócio cresceu organicamente, e Railene passou a atender a filha de Fátima, depois a irmã e as outras vizinhas. “ Desde o início e até hoje em dia, a maioria das clientes que eu conquistei foi por causa da propaganda boca a boca, até porque eu não tinha condições de investir em publicidade”, conta.
 
Foto: Arquivo Pessoal

Se no início ela cobrava R$ 4 por serviço e dependia de ligações telefônicas. Hoje, ela é uma nail designer e cobra R$ 50 para fazer mãos e pés. O WhatsApp é sua principal ferramenta de comunicação e trabalho. É  através do aparelho celular que ela gerencia uma agenda lotada de trabalho ao longo da semana. Muitos dos novos clientes a encontram por lá, veem as fotos, entram em contato.
 
Empreendedora antenada com as novidades do mercado, ela dispõe de um estoque de mais de 150 esmaltes e está sempre se atualizando através das redes sociais. Para ir até à clientela, Raislene se desloca em sua moto para atender famílias inteiras, chegando a cuidar de seis pessoas em uma única residência. “Sempre foco na qualidade do meu serviço e na relação com as clientes em vez de desperdiçar tempo observando o que minhas concorrentes estão fazendo”, argumenta.
 
Mais do que técnica, o trabalho dela se comporta como pilar de sua independência. Na condição de mãe solo, foi através das unhas que ela criou as duas filhas, Raíla e Pâmela. Hoje, com as meninas crescidas, seus objetivos mudaram de patamar. "Antes minha renda era para sustentar a casa, agora trabalho pelo propósito de novas conquistas", enfatizou.

Por Guilherme Passos, estudante de Jornalismo em Multimeios, produzida na disciplina Redação Jornalística III.