A liberdade de João Batista no mercado informal: tranquilidade e retorno econômico

MultiCiência 20 fevereiro 2026
Foto: Arquivo Pessoal

Todas as manhãs, João Batista, 50 anos, ajeita sua bicicleta, deixando-a no ponto para ir à luta em busca de garantir o sustento da sua casa. Ele organiza as balas e os doces e até uma garrafa de café e segue rumo ao centro de Petrolina, interior de Pernambuco. É assim que ele dá a largada à sua maratona semanal de pequeno “empreendedor” ambulante. Sobre duas rodas – único  meio de transporte -  ele encontrou mais do que uma forma de ganhar dinheiro, conquistando a autonomia que tanto desejava.

Durante mais de duas décadas, João trabalhou em fazendas de manga e uva da região do São Francisco, mas resolveu largar esse segmento na condição de empregado. Foram anos de sol forte, longas jornadas e cobranças constantes, que o fizeram repensar a própria rotina. Cansado de trabalhar para os outros, numa jornada estressante, decidiu que estava na hora de mudar seus objetivos profissionais.

O caminho mais imediato que encontrou foi o de vendedor ambulante, fazendo seus horários entre o trabalho e obrigações com a família. O começo não foi tão fácil. Pedalando sua bicicleta com as caixas e potes de doces, João passou a circular pelas ruas do centro da cidade catando clientes.

Foi então, que em um segundo momento, ele decidiu se estabelecer na movimentada Avenida Souza Filho, no coração central da cidade. O que começou como alternativa virou sua principal fonte de renda. É com esse trabalho simples que ele sustenta sua família.

João não fala em conquistar riqueza, mas faz questão de priorizar seu trabalho e renda numa rotina de tranquilidade. “É simples, mas é meu, um trabalho justo que me permite sobreviver com a família. Não tenho chefe para brigar e nem me fazer cobranças. Trabalho em paz, dentro de meu tempo”, resume.

É nessa luta quase que diária no movimentado centro da cidade mesmo e junto a outros concorrentes que João milita há mais de oito anos. Jamais perdeu esperança por dias melhores.

Com o lucro que ganha, ele sustenta a família, reabastece seu mix de produtos e não esconde o orgulho do trabalho com dignidade. Ele é um exemplo de que a felicidade pode estar nas pequenas coisas da vida e que a sua liberdade vale mais que qualquer outra coisa. Quando se vê inserido nas estatísticas do mercado informal, sabe que contribui de alguma forma com a economia local.

A história de João não é isolada. No Brasil, cerca de 40 milhões de pessoas vivem do trabalho informal. Segundo o IBGE, a informalidade atinge aproximadamente 38% da população ocupada nos últimos dois anos, refletindo a busca por autonomia diante de relações de trabalho muitas vezes desgastantes. 

Por Guilherme Leite, estudante de Jornalismo em Multimeios, produzida na disciplina Redação Jornalística III.