Chorinho fortalece a cultura local e ocupa espaço público em Juazeiro (BA)

MultiCiência 06 maio 2026

Foto: Roda de chorinho/Arquivo @falajuazeiro

O som do chorinho voltou a ecoar em Juazeiro, no norte da Bahia, reafirmando a força de um dos gêneros mais tradicionais da música brasileira. Idealizado pelo músico e produtor cultural Silas França, o projeto “Roda de Choro” nasceu há mais de uma década com o objetivo de dinamizar o uso de espaços públicos e promover o acesso à cultura. “A ideia surgiu de uma necessidade de ocupar o museu com música e de valorizar o chorinho como expressão cultural. A gente não pensa em desvincular o evento desse espaço, porque ele também cumpre esse papel social”, explica.


Foto: Arquivo Pessoal
Segundo França, a relevância do projeto vai além da estrutura material. “É um evento que pode parecer intimista, mas a importância dele para o calendário de Juazeiro é gigantesca, principalmente no aspecto cultural e imaterial”. A iniciativa, que busca resgatar e manter viva a tradição do chorinho, gênero que tem entre suas referências nomes como Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga e Waldir Azevedo, ainda promove um diálogo entre gerações, unindo músicos experientes e jovens talentos. “A gente tenta fazer uma ponte com o passado, mas com os jovens. Isso mostra que o choro continua vivo e se renovando”, destaca Silas.
Foto: Músicos e Silas França em ensaio para Roda de Chorinho/ Arquivo Pessoal

Muitos dos músicos que participam da “Roda de Choro” acompanham o projeto desde o início, formando uma rede de colaboração que o organizador define como uma família musical, o que acaba incentivando a formação artística. Silas explica que o gênero musical influencia diversos estilos, como o forró, a bossa nova e a MPB, funcionando como uma base para o desenvolvimento de instrumentistas. “O choro é como o nosso jazz. Quem quer se aprofundar na música brasileira precisa passar por ele”.

Além disso, o evento promove uma inclusão cultural, especialmente para aquelas pessoas que têm menos acesso a programações culturais na cidade, já que a iniciativa é gratuita e aberta ao público. Apesar disso, o produtor aponta desafios na realização. “Existe apoio institucional, mas ainda é limitado. É um evento que exige muito esforço da equipe, e muitas vezes faltam recursos para ampliar a frequência ou a estrutura”, relata.


Para Silas, mais do que um evento musical, o encontro anual de chorinho em Juazeiro se firma como um espaço de resistência cultural, formação artística e valorização das raízes brasileiras, mantendo viva uma tradição que segue atravessando gerações. A edição deste ano foi realizada no último dia 26, no espaço do museu da cidade, para comemorar a 10ª décima edição e marcou o calendário cultural do município reunindo músicos, público e diferentes gerações em torno da valorização da música instrumental.


Por Ana Clara Martins, estudante de Jornalismo em Multimeios e colaboradora da Agência de Notícias MultiCiência.