A Pena e a Lei retrata o destino trágico do nordeste brasileiro

. 15 agosto 2008


Um retrato do nordeste brasileiro trágico e cômico, permeados por personagens históricos da cultura popular. Assim foi a peça A Pena e a Lei, dirigida por Domingos Soares, do Teatro Popular de Arte, na noite da ultima quarta-feira (13/08), no Teatro do Sesc, durante a 4ª edição do Festival Aldeia do Velho Chico. A peça remontou a obra do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, através da fusão de vários estilos teatrais: a tragicomédia lírica pastoril, a comédia e a farsa.


O enredo da peça é composto por três histórias produzidas por Ariano Suassuna na década de 1950: A inconveniência de ter coragem, O caso do novilho furtado e o Auto da virtude e da esperança. Segundo o ator e diretor do espetáculo Domingos Soares, a peça traz para a ficção uma trama de enganos, traições e revela a moral e os valores da população sertaneja, entremeado a discussão sobre temas sociais como a prostituição, a fome, o trabalho nas fazendas e a influência das empresas estrangeiras na região.


Na abertura do espetáculo, dois personagens - Cheiroso e Cheirosa - representam o Caboclo de Lança do Maracatu de Pernambuco. A função dos atores foi abrir e encerrar os atos; e fazer análise moral e crítica, com auxílio de cantorias ao término de cada ato.


O enredo começa em Taperoá, interior do Nordeste, onde se encontra a figura do esperto negro Benedito, que disputa com os valentes, Cabo Rosinha e Vicentão Borrote, o amor da faceira Marieta. Na história, há ainda os personagens Pedro, um caminhoneiro; de Mateus, o ordenador de animais; do padre surdo; de João, o poeta; e de Joaquim, o funcionário da cadeia.


Três painés, dispostos no centro do palco e pela iluminação, faziam a alusão à terra, o sertão e a caatinga. A intenção é resgatar a cultura nordestina através das xilogravuras, característicos da literatura de cordel, dos musicais - estão presentes na peça mais de 20 trechos de músicas regionais-, das marcações, dos figurinos e da iluminação no tom âmbar.

No primeiro ato, os mamulengos encarnam a realidade de ilusão que vive o nordestino, envolto de pano e madeira em movimentos de sobe e desce. Já no segundo momento, divididos entre bonecos e humanos, o cenário simula uma prisão para demonstrar a ineficácia da justiça humana. No último ato, no qual o acender e apagar da luz determina as ações do elenco, os personagens assumem a face humana.


Explorando a tradicional cantoria nordestina, os atores encerram o espetáculo A pena e a Lei, que se apresenta como uma excelente oportunidade para o expectador conhecer a obra de Ariano Suassuna e refletir sobre a cultura nordestina e temas tão presentes como a prostituição, a miséria, a exploração do trabalhador.


Por Kall Britto
Redação MultiCiência