As árvores não são alienígenas

. 25 setembro 2009
A cada prefeito que ocupa a cadeira de autoridade em Petrolina, aumenta a nossa expectativa de que vai cuidar mais da arborização. Mas, infelizmente não é o que acontece. As praças e orlas estão abandonadas, com pouquíssimas árvores. Também, pudera, coitadas. Umas morrem de sede, outras são podadas até a raiz e o capim ocupa o espaço que era delas. A exemplo, lembro a Praça Dom Malan. Pedrinhas do calçamento fora do lugar, bancos mal-conservados, fontes secas, e as árvores? Cadê?

Em setembro, mais especificamente no dia 22 em que começa a Primavera, a temperatura na cidade chega a ser insuportável. Quantas matérias são feitas com Mário Miranda sempre a dizer que nesta época a temperatura se eleva, a umidade fica baixa causando mal-estar, e perto do asfalto podemos ter até 45°! Bem, isso não é mesmo novidade! No entanto, andando pela cidade podemos claramente perceber que as algarobas e outras espécies estão sendo aniquiladas. Há uma implicância cruel com as algarobas. Pobres plantas...


Sei bem que elas infertilizam o solo, que podem dar problema na fiação elétrica, que podem causar acidentes por causa dos fortes ventos em temporadas de chuva, mas aqui nem chove tanto assim, além do que, as que estão sendo varridas ficavam na Avenida Souza Filho. Até onde sei, não existe a pretensão de tornar essa avenida num roçado ou coisa do tipo. A fiação está sendo trocada por postes que não possuem mais fios expostos, são modernos.

Então, o que há de errado por aqui? A cidade parece ser inimiga das árvores. Tão bom que é caminhar e receber suas respirações fresquinhas em nós, ver as diversas formas que elas possuem; galhos que parecem braços, e ainda nos presenteiam com sua beleza! Certa vez, assistindo a um programa de TV com essa temática de defesa das árvores, vi que esse problema afeta também outros lugares. A cidade da vez era São Paulo, onde há a luta contra uma espécie de árvore muito alta e repleta de folhas que esparrama suas raízes pelo lado de fora das calçadas. E eram justamente pelas raízes e o excesso de folhas caídas que as árvores iam ao chão. Uma engenheira agronômica estudou o caso e descobriu que bastava apenas uma simples atitude: as pessoas deveriam usar as manilhas maiores e colocá-las mais profundamente na calçada porque as árvores precisam de espaço para crescer. Ela comentou ainda que todos assentam a semente ou a muda e esquecem que ela vai virar uma grande planta e que precisa de ar como nós.

Cidade bem arborizada é cidade agradável, esteticamente atraente e saudável. Eu gostaria muito que Petrolina seguisse o exemplo de Brasília, capital do nosso país. Lá as árvores nos presenteiam a caminhada. Por mais distante que o local pareça ser nem sentimos a distância, caminhamos com prazer pelas quadras. Recordo de uma homenagem do Arnaldo Antunes que ele musicou: “Cantam no vento/ e recebem a chuva de galhos abertos/ [...] Na alameda crescem pra cima como as pessoas/ [...] Mas não são soltas nos passos [...] Árvore da vida/ Árvore querida/ Perdão pelo coração/ Que eu desenhei em você/Com o nome do meu amor”.

Ainda acredito que haverá o prefeito que cairá em si e tornará esta cidade além de destaque na fruticultura e agronegócio, um enorme jardim habitável. As árvores não são alienígenas! O lugar delas é aqui, na terra, bem plantadas, ao nosso redor. Vamos evitar essa “fobia” desvairada!


Jaquelyne de Almeida Costa
Formanda em Jornalismo em Multimeios