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| Foto: Arquivo Pessoal |
Laíse Adriana Almeida, 38 anos, é uma trabalhadora autônoma que não foge à luta da rotina de trabalho para se manter e realizar seus sonhos. Há poucos anos, ela viu na venda informal de “bala baiana” – um bombom de coco caramelizado de dar água na boca - uma fonte de renda para custear sua estadia em Petrolina, Sertão do São Francisco. Na maior cidade da região que liga Pernambuco à Bahia, sua missão é cursar Direito em uma faculdade particular. Natural de Curaçá (BA), sua inspiração e garra já vem dos ensinamentos dos pais, que mesmo em meio a criação dos filhos e a batalha da mãe contra um câncer terminal, nunca desistiu.
“Eu quero o melhor, eu posso ter o melhor e vou ter o melhor”, repete Laíse como num mantra de fé, pontuando seu lema de ir atrás do sonho para se tornar advogada criminalista. Ele sabe que nada é difícil quando se persiste com dedicação e estudos, quebrando as trincheiras dos desafios que é cursar nível superior.
A virada de chave da empreendedora iniciante veio em março de 2025, quando Laíse foi vender salada de frutas em meio à multidão eufórica no carnaval de Salvador. Literalmente, atrás do trio elétrico do cantor de axé, Saulo Fernandes, ela enfrentou o empurra-empurra para fisgar os foliões da pipoca — trio sem cordas, gratuito e aberto ao público. Para chamar a atenção do artista, a vendedora improvisou seu marketing e anexou na tampa de seu isopor um cartaz, com o seguinte slogan de forma apelativa: “Saulo, me ajude a virar advogada” para chamar a atenção do artista.
De cima do trio, o cantor viu a cena, parou o show e autorizou à sua produção para que a vendedora subisse no carro. E, assim, foi feito para surpresa e emoção de Laíse. O cantor respondeu com total empatia possível e comprou toda a mercadoria se comprometendo a custear toda a sua graduação.
“Foi inacreditável, ele foi um anjo na minha vida, como a própria música dele diz”, ressaltou a futura advogada que atualmente, cursa direito na rede UniFTC. Pouco antes do carnaval, ela estava no 4º semestre, mas sem condições financeiras de continuar pagando as mensalidades. Agora, apesar de estar com o curso integralmente pago, ela gasta muito com a estadia e deslocamento entre Curaçá e Petrolina, que ficam a cerca de 94 km de distância uma da outra.
Sua alternativa para garantir o sustento foi empreender mais uma vez. Hoje, ela vende “bala de moça” ou como costuma chamar a bala baiana, em uma das esquinas da movimentada avenida Souza Filho, no centro de Petrolina. Por lá, a vendedora já é uma figura marcante pelo seu alto astral, lábia e carisma, apelidada carinhosamente pelos clientes e colegas ambulantes de “moça bonita”.
Mas, as necessidades dela não se limitam aos custos básicos em Petrolina. Além de custear a faculdade, Laíse sustenta seus três filhos que residem em sua cidade de origem. “Eu quero dar orgulho aos meus filhos, a meu esposo, que eles possam dizer que tem uma mãe/esposa advogada”. Enquanto isso, ela vai vendendo seus doces e mergulhando nos livros para além de leis e códigos, sem esconder sua ética, responsabilidade e simpatia. Uma advogada em construção acadêmica.
Por Gabriel Santiago, estudante de Jornalismo em Multimeios, produzida na disciplina Redação Jornalística III.

