A literatura seguiu serra acima em direção a uma das cidades da Chapada Diamantina, considerada exuberante. Palmeiras, distante 448 km da capital Salvador, é uma cidade em que a cultura se faz presente no cotidiano da população. Com casas e casarões antigos, igrejas e praças, que remetem a era da colonização no período da extração do diamante, o município foi sede da Feira Literária de Palmeiras (FLIPA), realizada nos dias 27, 28 e 29 de Julho.
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| Faixa FLIPA no centro da cidade |
O município é pequeno e tranquilo, mas guarda uma força irreconhecível. Talvez seja a força sertaneja e ancestral de povos tradicionais que se uniram para proteger a cidade. A FLIPA é um marco na construção da identidade da população do centro geográfico da Bahia. O evento forma e, ao mesmo tempo, informa, pois, a arte literária não se restringe apenas a cena cultural ocorrida em Salvador ou no Recôncavo Baiano, mas contempla municípios com diversos contextos sociais e territoriais.
Uma das ideias principais do evento era trazer autores e artistas da região para mostrar a potencialidade da Chapada Diamantina. Isso porque a região não é apenas formada por belezas naturais, mas também por pessoas críticas e capazes de se destacarem no mundo literário.
Lísias Azevedo da Editora Coigito, Editora Alankazim, entre outras parcerias editoriais, afirma que “é muito importante dar voz a quem tem voz e não têm a oportunidade de se lançar”. Azevedo considera que é muito fácil lançar um best-seller, um autor renomado. No entanto, é muito mais difícil apresentar a obra de um autor desconhecido, lançá-lo e divulgar o trabalho, transformando-o em um autor conhecido. Esse trabalho tem sido realizado por editoras independentes, como a Editora Cogito.
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| Lísias Azevedo apresentou a editora |
Desde a sua primeira edição, a Feira Literária de Palmeiras - FLIPA vem se destacando para promover uma programação diversificada e enriquecedora. Isso busca cativar não apenas os amantes da literatura ou da arte, mas também a comunidade em geral. A ideia é envolver instituições da cidade e da região em todos os âmbitos de ensino. Com atividades como palestras, oficinas, mesas de debate e lançamentos de livros, a Feira se torna um verdadeiro ponto de encontro para escritores, leitores e interessados em cultura. Esse evento é especialmente voltado para a cultura regional.
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| Mesa de debate |
Homenagens
A segunda edição da FLIPA, trouxe homenagens póstumas à Maria Felipa, mulher negra e marisqueira que participou ativamente da independência do Brasil na Bahia. Maria Felipa é venerada, 200 anos após o episódio, como ser indispensável para história brasileira. A figura utilizou seus conhecimentos sobre as águas e florestas da região da ilha de Itaparica para combater as tropas portuguesas. O outro homenageado foi Jorge Portugal, ex-secretário de Cultura do Estado da Bahia e idealizador da Feira Literária de Palmeiras. Infelizmente, Portugal nos deixou em 2020, aos 63 anos, mas sempre será lembrado por sua contribuição para a Bahia.
Nessa conjuntura, a Feira Literária tem a missão de resgatar a memória dos que contribuíram para a história e também o intuito de fazer com que a população se sinta pertencente à região. A escritora mineira Daniela Arbex, em seu livro "Cova 312" diz que "o passado teima em ser esquecido. Mas os segredos podem ser descobertos quando se julgam os sepultados sob as cinzas da memória".
Em uma das mesas, Cássia Valle, atriz e membro do colegiado do Bando de Teatro Olodum, afirmou que "ler é o que faz a gente sonhar, a literatura faz a gente imaginar". É isso que a FLIPA tentou trazer para as crianças, adolescentes, jovens e adultos nas diversas programações durante os três dias de festa.
Texto de Bores Junior
Graduando em Jornalismo pela Universidade do Estado da Bahia - Campus Seabra


