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| Ciclovias são necessárias para garantir inclusão urbana |
O aquecimento global é um fenômeno causado pela emissão de gases do efeito estufa que faz com que a temperatura média do planeta aumente progressivamente. Todavia, existem alternativas que podem retardar esse processo, considerando que “o transporte motorizado é responsável por quase um quarto das emissões globais de dióxido de carbono”, um dos gases poluentes do efeito estufa, como descreve o relatório Causas e Efeitos das Mudanças Climáticas, das Nações Unidas. Assim, destaca-se como uma opção para desacelerar as consequências desse fenômeno a adoção de formas sustentáveis de locomoção, como o uso da bicicleta.
Em Juazeiro as altas temperaturas são alguns dos fatores comuns que contribuem para que as pessoas não priorize a locomoção por vias alternativas, não motorizadas, seja através do uso de bicicletas ou de outras formas de mobilidade sustentável. Existe ainda constante aumento da temperatura global, causando o risco de insolação e desenvolvimento de câncer de pele a longo prazo, o que leva parcela da população a se sentir desestimulada a usar alternativas de mobilidade sustentável.
Entretanto, essa situação é uma via de mão dupla: ao optar por se locomover utilizando carros ou motos para se proteger do sol, o indivíduo contribui para que haja uma propagação de gases poluentes que afetam o planeta e consequentemente colaboram com o aumento da temperatura terrestre, assim como o alastramento de doenças. Essa interação cria um ciclo infinito entre fator de poluição e poluidor, sem dar foco a uma resolução efetiva. Portanto, nesse caso, deve-se buscar uma maior complexidade do problema como a falta de rodovias capazes de oferecer condições para uma mobilidade sustentável.
Além do alto índice de poluição que a falta de rodovias inclusivas traz ao concentrarem grandes quantidades de veículos, a ausência de uma estrutura adequada para andar de bicicleta afeta tanto ciclistas como pedestres. Ciclista desde 2012, o atleta profissional Patricson Braz, nascido na cidade de Juazeiro (BA), conta um pouco da sua experiência:
“Em relação às pistas para ciclismo de competição, as Área de Proteção ao Ciclista de Competição (APPC), eu acho que poucas cidades ainda têm atualmente, por isso que a gente utiliza rodovias. Nós do ciclismo de estrada disputamos espaço com os carros porque a gente atinge velocidades altíssimas.”. O ciclista acrescenta: “são bicicletas que andam em torno de 40, 50 quilômetros por hora. A gente não é permitido nem andar em ciclovias, porque ciclovias tem um limite máximo de velocidade de até 20 quilômetros. O risco de acidente é muito grande, como já aconteceu com amigos meus que foram tentar pedalar em ciclovias e acabaram colidindo com outras pessoas”.
Ao saber dos fatores de risco vividos pela interação inadequada entre ciclistas e pessoas que andam a pé nas rodovias do município, uma questão importante a ser pensada é a conscientização dos pedestres ao fazerem suas caminhadas. Muitas vezes, por falta de espaço, esses grupos acabam se utilizando das ciclovias para realizarem suas atividades, fator que intensifica a desordem.
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| Patricson Braz, atleta juazeirense de ciclismo |
“Os pedestres acabam ocupando o espaço do ciclista, e o ciclista por sua vez, para não competir o local com as pessoas que estão fazendo caminhada utilizam as ruas e pistas acabam dividindo espaço com os carros.” diz o atleta.
Patricson também considera que “apesar de não ver tanto problema em Juazeiro e Petrolina, poderia haver conscientização tanto por parte dos motoristas quanto das pessoas que utilizam ciclovias para fazer caminhadas”.
O problema da falta de rodovias estruturadas e inclusivas no meio urbano tem grande repercussão para os habitantes da cidade de forma direta ou indireta. O aumento da temperatura terrestre como consequência do trânsito exorbitante e a disputa de lugar dos ciclistas com os pedestres nas calçadas ou com os motoristas nas estradas atingem a população local como um todo. Portanto, quanto maior o investimento em rodovias inclusivas, maior pode ser o aumento da locomoção não motorizada no município.
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| Alta temperatura da cidade pode reduzir opções de lazer |
HUBD3CH
Essa matéria foi criada pelo projeto de pesquisa e extensão Ecossistema de Inovação (HubD3ch) em parceria com a Agência MultiCiência, sendo a segunda da série sobre Mobilidade Sustentável. Além dos resultados da pesquisa, serão apresentados dados locais, depoimentos e reportagens acerca do tema.
Coordenado pelo professor Cecilio Bastos, o projeto de extensão procura levantar a discussão e fomentar o conhecimento sobre as formas e os desafios de se locomover de maneira sustentável no município de Juazeiro (BA).
Ao compreender a urgência da discussão de pautas ambientais e saber a importância do lugar do ciclista no meio urbano, o projeto visa estimular o levantamento de pautas acerca do direito de uma locomoção adequada para ciclistas ao unir o uso de tecnologias digitais com ciclomobilidade.
Texto produzido por Maria Eduarda Moret, bolsista de iniciação à extensão do HubD3ch, e Julia Gabriela, monitora voluntária do HubD3ch.


