Jornalismo de resistência em Recife: popular, social e justo

MultiCiência 20 agosto 2023
O jornalismo foi colocado como cão de guarda e a voz da população na democracia, mas, aos poucos, os jornais estavam perdendo a conexão com a cidadania e o desejo de informações de pessoas a respeito dos direitos sociais, políticos e de combate às desigualdades socioeconômicas.

Na visita técnica feita pelas professoras Teresa Leonel e Dalila Santos e alunos do curso de Jornalismo em Multimeios, a equipe do MultiCiência entrevistou profissionais de veículos que são exemplos de manutenção do jornalismo de justiça social e direitos humanos: a organização sem fins lucrativos, Marco Zero Conteúdo, e o jornal que busca ouvir os trabalhadores, Brasil de Fato. Na entrevista, abordamos sobre a pauta de ciência e as dificuldades e realizações desse tipo de abordagem jornalística.

Site do Marco Zero

A Marco Zero Conteúdo é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, que tem o objetivo de qualificar o debate público através do jornalismo investigativo e independente. O coordenador executivo da organização, Sérgio Miguel, afirma que estar à frente do Marco Zero Conteúdo é uma retomada ao interesse público no jornalismo e um resgate de um sonho. Além disso, Sérgio explica que "todo jornalismo, de responsabilidade, tem compromisso com a ciência". 

Inácio França, jornalista da Marco Zero, explica que o trabalho da organização com temas socioambientais é comum desde a existência da organização, mas que, a partir do período pandêmico da disseminação do novo coronavírus (Covid-19), começaram a integrar na grade artigos e temas científicos. O jornalista aponta que a principal abordagem que eles usam sobre ciência é trazer "um vínculo entre a ciência e o impacto dela nas pessoas, desde a mudança climática até como isso afeta quem mora em lugares de alagamento recorrentes".

Vanessa Gonzaga, coordenadora de conteúdo de jornalismo do Brasil de Fato e egressa do curso de Jornalismo em Multimeios da UNEB Juazeiro, aponta que tanto a Marco Zero quanto o Brasil de Fato são "uma defesa da democratização da comunicação". Ela também afirma que o jornalismo contra-hegemônico abre mais espaços para diversificação de pautas.

Vanessa Gonzaga, coordenadora de conteúdo de Jornalismo do Brasil de Fato.
FOTO: Dalila Santos


Em relação aos movimentos sociais que são abordados e defendidos no editorial do jornal, Vanessa fala que eles são a base do conteúdo, "são eles que pautam a gente e que trazem o que está acontecendo na realidade deles". Segundo a jornalista, as maiores dificuldades do trabalho é diversificar as rendas e arrecadações, e passar a ter uma maior independência financeira.

Texto: João Pedro Tinel com colaboração de Aylla Bomfim e Matheus Novais para o MultiCiência