Com o objetivo de difundir a memória e a revolta da antiga Canudos, a quarta edição da Feira Literária Internacional de Canudos (FLICAN) ocorrida nos dias 13 a 16 de Setembro possibilitou aos jovens de vários locais, para além do território baiano, a chance de conhecer a luta conselheirista e o significado da resistência canudense. Através de Mesas de conversa, apresentações artísticas e oficinas pedagógicas, a feira ressignificou os 130 anos da cidade de Canudos ao trazer objetos e pautas atuais com a história antiga.
Próximo ao Museu João de Régis, nome dado em homenagem a um sobrevivente conselheirista e ao Museu Popular Memorial de Canudos, o evento possibilitou que estudantes e pessoas de fora conheçam a literatura baiana, regional, as artes sertanejas, e as histórias do Sertão através de uma versão nordestina livre de estigmas e preconceitos por meio das oficinas e dinâmicas pedagógicas. A visita permitiu que vários estudantes tivessem a chance de conhecer a história local.
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| Foto: Levi Varjão |
De acordo com Gabriel Santiago, estudante do primeiro período do curso de jornalismo em multimeios na UNEB de Juazeiro da Bahia, a visita à FLICAN foi “uma experiência muito positiva pois a gente vinha com uma visão muito estereotipada sobre Canudos e muito superficial [...] através da convivência com pessoas pessoas que têm propriedade sobre o assunto, a gente quebra os estereótipos e abre a nossa visão sobre a real Canudos, sobre a real história”.
A importância da luta contra o apagamento de uma história tão importante para o Brasil quanto à de Canudos e a dos seguidores de Antonio Conselheiro deve se manter viva na memória de todos aqueles que visitam a cidade, inclusive na dos futuros jornalistas juazeirenses. Segundo Tayná Feitosa, também estudante do primeiro período de jornalismo, “Voltei de lá com outra visão, porque Canudos me foi apresentado de forma muito superficial no passado, então estar lá, assistindo às mesas, as palestras, vendo os depoimentos, perguntas de outras pessoas, fez com que eu conseguisse voltar com uma visão completamente diferente de Canudos [...] do que canudos é hoje”.
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| Foto: Levi Varjão |
Relembrar Canudos é relembrar a real história do povo nordestino, que lutou até o fim por seus direitos e suas terras. É impedir o apagamento da História. Passar essa memória adiante para os futuros profissionais brasileiros, sobretudo os nordestinos e os comunicadores é essencial para a formação de um caráter sensível às injustiças vividas por um povo que sempre teve seus direitos negados. A cidade resiste através das feiras literárias, dinâmicas pedagógicas e nos precedentes das pessoas que sobreviveram ao massacre. Ainda hoje, continuam lutando contra o apagamento da sua história e do seu povo.
Texto da aluna de Jornalismo em Multimeios Maria Eduarda Moret e coolabora da Agência MultiCiência.

