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Foto: Acervo do Núcleo de Assessoria de Comunicação (NAC) do Departamento de Ciências Humanas - Campus III |
Ao longo dos anos, um projeto se constitui como um espaço onde o aprendizado acontece de forma compartilhada, articulando de vida, através daexperiências s práticas educativas entrelaçadas pela convivência. Este é a Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati), no Campus III, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), que consiste em um curso de formação continuada para idosos, para ambos os sexos e qualquer nível socioeducacional.
O projeto, que também ocorre em outro campus da universidade, se organiza como um ambiente em que o conhecimento é construído coletivamente, a partir do encontro entre diferentes trajetórias. Desde a sua implantação, em Juazeiro (BA), em abril de 2009, ele é tecido no envolvimento das integrantes. Que nos últimos anos, é formado majoritariamente por mulheres que compartilham não só saberes, mas também o tempo de estar juntas.
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| Foto: Acervo Uati - Práticas de Yoga |
No cotidiano das atividades, o aprendizado acontece por meio de trocas constantes, presentes nas oficinas de escrita, no canto para o coral, nas atividades físicas, na yoga e nos momentos com fisioterapeutas, nutricionistas e profissionais de outras áreas da saúde. Também há atividades voltadas para a reativação da memória, por meio de práticas manuais, como o artesanato, e práticas tecnológicas, como as aulas de informática, além de revisitar brincadeiras da infância, trabalhando, dessa forma, o cognitivo delas. Assim, as experiências de vida são trazidas para o presente, e as vivências individuais passam a compor o próprio processo coletivo, marcado pela participação contínua delas no grupo.
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Foto: Kárem Rodrigues - Acervo do Núcleo de Assessoria de Comunicação (NAC) do Departamento de Ciências Humanas - Campus III |
A aposentada Maria do Carmo Magalhães, na juventude, se formou em magistério, mas optou por não seguir na área da educação, construindo sua trajetória profissional no secretariado. Desde 2016 na Uati, encontrou no projeto um espaço de acolhimento, especialmente diante de questões relacionadas às questões psicológicas. Entre idas e vindas, hoje participa ativamente das atividades, contando inclusive com recursos de acessibilidade, já que têm baixa visão, o que exige adaptações, como nas letras com o tamanho da fonte maior, nos ensaios e apresentações do coral, atividade conduzida pelo professor Paulo Soares, é a que a aluna mais aprecia.
“Eu acho importante participar da UATI, porque além dos conhecimentos, é uma terapia pra nós. Aqui a gente aprende, mas também se fortalece, principalmente nossa saúde mental. Além das amizades que a gente faz, que são muitas, eu tenho amizades de infância aqui, mas também conheci muita gente nova”,
Maria do Carmo Magalhães.
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Foto: Kárem Rodrigues - Acervo do Núcleo de Assessoria de Comunicação (NAC) do Departamento de Ciências Humanas - Campus III |
Já Gercineide Guimarães, natural de Feira de Santana (BA), também aposentada e com trajetória profissional na área da educação, chegou à Uati após se mudar de Salvador (BA) para Juazeiro (BA), com o filho. O primeiro contato com o projeto aconteceu por meio da irmã, que trabalhava na biblioteca do Campus III da Uneb, e a incentivou a participar das atividades. Inicialmente, como oficineira em 2017 e depois se matriculou como aluna em 2018.
“Gosto muito de passar as tardes aqui com minhas amigas. É um momento que a gente conversa, troca experiências e compartilha nossas histórias, desde a infância, a adolescência até a vida profissional. Eu gosto de lembrar, contar e também ouvir as histórias das outras, porque sempre tem algo que ensina. Aqui a gente ri, aprende e se fortalece juntas, por isso eu gosto tanto de estar aqui e de passar essas tardes na companhia delas”, Gercineide Guimarães.
“Aqui, as atividades que também envolvem estudantes da graduação, em uma perspectiva de encontros intergeracionais. A proposta da Uati também fortalece a relação entre a universidade e a comunidade. Muitas das atividades são pensadas junto com a comunidade acadêmica, com estudantes que organizam e realizam oficinas com as pessoas idosas.” explica Iva Autina Cavalcante, atual coordenadora do projeto.
Uma das monitoras, Luma Dias, estudante de pedagogia, destaca que sua participação no projeto contribuiu diretamente para sua formação. “A minha atuação contribuiu para a ampliação do conhecimento na minha formação. Eu entendi muito das dinâmicas e de um grupo da terceira idade, entendi também o carinho e o valor que existe ali”.
Para ela, o processo pedagógico está diretamente ligado ao diálogo. “Não é só falar, é ouvir também. Quando todas participam, o conhecimento se torna de todos”. Outro aspecto que ela ressalta nos seus depoimentos é a construção de vínculos. “Muitas chegam com histórias guardadas, encontram naquele local, a amizade e a segurança para partilhar, onde elas podem contar suas experiências.”
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| Foto: acervo da Uati - Visita ao Quintal do Poeta - Memorial Manuca Almeida em Juazeiro (BA). |
Esse cenário dialoga com o que foi publicado na Revista Contribuições às Ciências Sociais, em julho de 2025, ao apontar que centros de convivência promovem sociabilidade, autonomia e saúde para a população idosa, mesmo diante da sua escassez desse tipo de local no Brasil. O estudo também destaca a necessidade de ampliação dessas iniciativas, ressaltando seu papel no empoderamento, na garantia de direitos da pessoa idosa e no fortalecimento de vínculos, especialmente por meio de ações educativas e equipes multiprofissionais.
Na prática, é possível perceber esses aspectos nas atividades promovidas pela Uati. As visitas técnicas a centros culturais, os passeios integrados ao projeto, as apresentações do coral dentro e fora da universidade, entre outras atividades citadas. Nos encontros da UATI, o que se constrói vai além das atividades, é um elo. Entre conversas, risos e trocas, o projeto faz a diferença, favorecendo a expressão das participantes. É um espaço onde o cuidado com pessoas idosas ganha forma no cotidiano, nas pequenas ações e no reconhecimento de cada trajetória. Sendo um lugar de pertencimento.
Multiciência como registro de memória
Link: https://multicienciaonline.blogspot.com/2009/04/uneb-de-juazeiro-esta-com-inscricoes.html




