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| Foto: Divulgação |
Criado em 2010, no campus III da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) em Juazeiro-BA, o Encontro de Comunicação do Vale do São Francisco (ECOVALE) nasceu com o objetivo de pensar a comunicação a partir do interior, deslocando o olhar dos grandes centros para as realidades do Semiárido. Ao longo dos anos, o evento se consolidou como um espaço de formação, troca de experiências e construção coletiva do conhecimento na área da comunicação.
Na primeira edição, realizada em 2010, o tema “Jornalismo e suas múltiplas linguagens” abriu espaço para discutir a atuação do jornalista em diferentes formatos. Oficinas de assessoria, diagramação, educomunicação, crítica cinematográfica e fotografia já mostravam o caráter prático e formativo do encontro.
No ano seguinte, o II ECOVALE trouxe o tema “200 anos de imprensa da Bahia” para refletir sobre a trajetória da imprensa e o cenário da comunicação, com foco nas experiências regionais. Em 2013, a terceira edição avançou para o debate sobre “Novas mídias e movimentos sociais”, conectando o local ao global e discutindo o impacto das tecnologias na comunicação.
Em 2016, a quarta edição destacou um tema que continua atual na nossa realidade. “Assessoria, redes sociais e empreendedorismo: desafios do mercado de trabalho”. O jornalista e egresso da UNEB, Pablo Luan, que participou de várias edições entre 2014 e 2019, relembra a importância desse momento. Segundo ele, as discussões sobre empreendedorismo já apontavam caminhos que hoje são realidade no mercado, como o trabalho autônomo, a atuação em redes sociais e a multiplicidade de funções do jornalista. Para Pablo, o ECOVALE sempre trouxe debates que permanecem relevantes ao longo do tempo e ajudam a preparar os estudantes para um cenário profissional em constante transformação.
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| Foto: Arquivo Pessoal |
A quinta edição, em 2019, abordou o “Jornalismo e outras narrativas comunicacionais”, ampliando o olhar para além das formas tradicionais de fazer jornalismo. Já a sexta edição, realizada após o período mais crítico da pandemia de Covid-19, trouxe o tema “os desafios da comunicação e educação em rede” e marcou também as comemorações dos 20 anos do curso de Jornalismo em Multimeios do campus Juazeiro.
Agora, em 2026, o ECOVALE chega à sua 7º edição, que acontece entre os dias 7 e 10 de abril, em Juazeiro. Com o tema “Processos de reinvenção no jornalismo”, o evento propõe discutir as mudanças estruturais na área da comunicação, como a plataformização da informação e os desafios impostos pela desinformação.
A estudante de jornalismo, Laise Ribeiro, destaca a importância desse debate, especialmente para quem está prestes a entrar no mercado de trabalho. Para ela, o tema chega em um momento decisivo, já que muitos estudantes se deparam com uma realidade profissional em constante mudança. Ribeiro também ressalta o papel do evento na formação prática, lembrando sua experiência como monitora na edição anterior, que possibilitou vivenciar de perto a organização e a dinâmica do Encontro. Nesta edição, ela participa novamente, agora ainda mais interessada nas discussões que podem ajudar a compreender e lidar com as transformações do jornalismo.
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| Foto: Divulgação |
Além dos debates, oficinas e apresentações de trabalhos, a abertura do evento será marcada por uma homenagem a nomes importantes da comunicação no Vale do São Francisco, como Inah Torres e Marcelino Ribeiro (in memoriam), junto com Luiz Manoel Guimarães, serão reconhecidos com o Prêmio Carranca de Jornalismo, que celebra trajetórias marcantes de comunicadores na região.
Mais do que um evento acadêmico, o ECOVALE se tornou um espaço de escuta, reflexão e fortalecimento do jornalismo regional. Para a professora Andréa Cristiana Santos, o Encontro tem um papel fundamental na construção de um olhar sobre o jornalismo no Vale. Segundo ela, o evento contribui para a formação de estudantes e profissionais, fortalece a identidade regional e cria um ambiente de diálogo sobre temas emergentes que impactam o presente e o futuro da profissão.
Ao longo dos anos, o Ecovale tem se consolidado como um espaço de formação crítica e de integração entre a universidade e a comunidade. O evento traz temas que se entrelaçam ao longo de sua trajetória, além de valorizar os saberes regionais.
Por Gabriel Matos e Maria Helena Almeida, estudantes de jornalismo e colaboradores do MultiCiência.


