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Sem plano de gestão de resíduos sólidos, Juazeiro é uma das mais de mil cidades brasileiras que não realiza coleta seletiva

Coleta seletiva, consumo consciente e reciclagem são termos frequentemente usados quando se fala de sustentabilidade e meio ambiente. Há 14 anos, a Lei 12.305 instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que determina a criação de planos de gestão de resíduos sólidos e coleta seletiva em escala nacional, estadual e municipal.

De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em 2020, foram geradas 79,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, o que pressupõe um aumento de 50% desse quantitativo até o ano de 2050, em comparação ao ano de 2019.

A Política Nacional citada determina que cada esfera tenha um planejamento técnico para a destinação dos resíduos, criando seu próprio sistema de diagnóstico, metas a serem alcançadas e soluções para os problemas ambientais. Não à toa, a Lei prevê incentivos financeiros para os municípios que têm o plano elaborado e implementado.

Em março de 2023, o Ministério Público do Estado da Bahia acionou o município de Juazeiro, no norte baiano, para que ele adequasse o plano de saneamento básico ao de resíduos sólidos, de acordo com as normas ambientais vigentes, até o ano de 2025. Segundo o Ministério, a ação está em processo de avaliação pela Justiça, na 1° Vara da Fazenda Pública de Juazeiro.

O pesquisador e ambientalista do curso de Engenharia Agrícola e Ambiental, Vitor Marcos Lima, da Universidade Federal do Vale do São Francisco, aponta a necessidade do município ter um plano de gestão de resíduos para identificar o que é originado dentro do seu território. “Um plano bem feito dispõe de informações necessárias para que o município passe a perceber se está gerindo os resíduos de forma correta e o que pode ser melhorado. Isso traz benefícios para a saúde pública e para o meio ambiente”, esclarece.

Vitor defende que é importante entender a diferença entre resíduos e rejeitos e a destinação final de cada um. “O rejeito é um estágio alcançado pelo resíduo, em que ele não tem mais nenhuma finalidade. Todas as limitações de uso que aquele material poderia ter foram esgotadas. Já o resíduo é o material que cumpriu sua finalidade, mas ainda apresenta possibilidades de ser reinserido novamente em sua cadeia produtiva”, explica.

Ele também comenta sobre a importância de o cidadão comum ter um conhecimento básico sobre o assunto. A partir disso, é possível praticar ações que colaborem na destinação correta de cada material, dentro da rotina particular de cada pessoa. “São atitudes que por mais que pareçam pequenas, são passos para conseguir chegar a um modelo de gestão mais eficiente”, afirma.

A médica Thereza Carvalho reside em Juazeiro e gostaria de fazer mais pelos resíduos que produz em sua casa. Ela lamenta a falta do plano e da coleta seletiva, e comenta outras ações que pratica individualmente. “Sem a coleta seletiva, separar meu lixo para ver o caminhão misturar tudo no compactador passou a me desmotivar um pouco. Hoje, o que ainda faço sem falta é separar pilhas e baterias ou equipamentos eletrônicos e fazer o descarte nos pontos de coleta apropriados, destinados a esse tipo de material”, desabafa.

Imagem: reprodução/Descarte seletivo

Fonte: Coalizão Embalagens

A coleta seletiva (ou a falta dela)

Além da falta do plano de gestão municipal de resíduos, Juazeiro é uma das mais de mil cidades brasileiras que não possui iniciativa de coleta seletiva, de acordo com dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2020, em pesquisa realizada pela ABRELPE, em 2019.

O município tem uma Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis (Cooperfitz), que há cerca de 12 anos realiza o serviço de coleta de resíduos não perigosos e mantém parceria com a prefeitura municipal para algumas atividades.

Foto: José Ivo dos Santos

O presidente da cooperativa, José Ivo dos Santos, relata que há um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público e a prefeitura municipal junto à cooperadora, mas que pouco se fala da adequação do município ao plano de gestão de resíduos e à coleta

seletiva. “Até hoje ainda se enterra material reciclável no aterro. Se paga para aterrar, mas não se paga para coletar. A cadeia produtiva da reciclagem é muito importante porque evita retirar matéria-prima da natureza”, desabafa.

A coleta convencional, feita com o caminhão de lixo de porta a porta, é realizada pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Juazeiro, que tem um acordo de cooperação técnica com a Cooperfitz, fornecendo um caminhão em alguns dias da semana e assessoria aos catadores. Porém, José Ivo expressa que ainda não é o suficiente.

“O que a gente ‘briga’, às vezes, com o município, é que dentro da elaboração desse plano de resíduos, se tire um caminhão da coleta convencional para disponibilizar para a coleta seletiva. Eu acho que tirando um carro desses para fazer a coleta seletiva, não atrasaria a coleta convencional e estaria ajudando o município”, expõe.

Foto: José Ivo dos Santos

A coleta feita pelos catadores ocorre de rua em rua e no comércio. É um ato independente, sem vínculo com a prefeitura. Esse trabalho é a fonte de renda para os cooperados e suas famílias. “A gente ‘briga’ pelo contrato de coleta seletiva, para o município contratar a cooperativa, porque contratando, a gente poderia colocar mais catadores dentro dela. Ia gerar mais renda e a gente poderia começar a implementar a coleta seletiva no nosso município”, esclarece.

Ainda, segundo a Política Nacional, a contratação de cooperativas para execução do plano de resíduos dispensa licitação, ou seja, não há burocracias. Nesse sentido, para o presidente da Cooperfitz, há falta de interesse por parte da prefeitura.

“Por mês, a cooperativa tira do meio urbano de 27 a 30 toneladas de material reciclável, como papelão, plástico, vidro e latinha, dentro do município. E por dia, são jogadas mais de 80 toneladas de material no aterro. Não chega nem a 1% de material reciclado dentro do município”, compara.

Foto: José Ivo dos Santos

O que diz o Serviço Autônomo de Água e Esgoto

A técnica ambiental do SAAE, Thaís Lima, informa que o município tem o plano de saneamento básico que contempla resíduos sólidos, mas precisa fazer o plano de gestão de resíduos previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ela explica ainda que toda a coleta feita pelo caminhão de lixo vai diretamente para o aterro sanitário, sem triagem. Na cidade, somente é reciclado o material que a Cooperfitz coleta, já que não há coleta seletiva domiciliar.

Thaís comenta que a autarquia pratica ações socioeducativas nas escolas, para abordar sobre água, esgoto e resíduos, e que há previsão de implantar um projeto de ponto de entrega solidária, com ecopontos, a fim de permitir o descarte seletivo pela população. Contudo, mesmo para a inserção desse projeto, seria necessário o plano de gestão de resíduos para que tudo ficasse bem amarrado.

“Como o plano é municipal, cabe à prefeitura fazer o trâmites por lá. O SAAE tem o próprio plano de resíduos como empresa, e tem o plano de saneamento, que é do município. Porém, o plano de gestão integrada é de cargo municipal, mas não sabemos como está o andamento por lá”, declara.

Diante disso, a criação e a efetivação de um plano de gestão de resíduos sólidos no município perpassa não só o âmbito da administração pública, mas envolve a coparticipação de catadores, do serviço de água e esgoto e da própria população. O adiamento dessa medida impacta diretamente o desenvolvimento socioambiental sustentável, o uso racional de recursos, a geração de renda e a participação popular na transformação da realidade local.

Por Lorena Garcia, em colaboração com a disciplina de Redação Jornalística II, do curso de Jornalismo em Multimeios da UNEB Juazeiro.

Os Desafios da Reforma Psiquiátrica: Juazeiro(BA) é uma das cidades em que o Hospital psiquiátrico teve a atividade encerrada


Foto: Meiwa Magalhães

A palavra que mais gosto é liberdade. Gosto do som desta palavra." — Nise da Silveira. Essa frase sintetiza o princípio central da luta antimanicomial: o cuidado deve ser exercido em liberdade, com respeito à dignidade do ser humano. E é nesse contexto que indagamos qual o contexto do Dia Mundial da Saúde Mental?! Celebrado em 10 de outubro.  Esse é pensado como um dia dedicado à educação, conscientização e à defesa da saúde mental global, com o objetivo de combater o estigma que atravessa a sociedade diariamente.


Em 2024, a Lei da Reforma Psiquiátrica completa 23 anos. A lei que articula políticas públicas para uma caminhada para um tratamento mais humanizado para pacientes com diagnósticos de doenças mentais . Essa legislação estabelece que o tratamento deve ser realizado em unidades apropriadas, com equipes multidisciplinares – incluindo psicólogos, médicos e outros profissionais – para promover a reintegração dos pacientes ao convívio social.


Conheça a rede de saúde mental de Juazeiro 

Fachada do antigo Hospital psiquiátrico do Município de Juazeiro (BA) 

Foto:Meiwa Magalhães 


No município de Juazeiro, a saúde mental tem passado por transformações significativas e desafios, especialmente com o fechamento do hospital psiquiátrico Nossa Senhora de Fátima em 2024. Hoje, a cidade conta com três unidades do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS): CAPS I, CAPS II e CAPS AD III. Além disso, há serviços de acolhimento disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), no Ambulatório de Saúde Mental e na Residência Terapêutica, conforme informado pela Secretaria de Saúde (Sesau).


A Sesau destaca que a rede de saúde mental local é "fortalecida" e que existe um esforço contínuo para expandir os serviços, com a implantação de um CAPS III e novas unidades de acolhimento. Um aspecto dessa integração é a realização de fóruns intersetoriais, onde casos mais complexos são discutidos e ocorre o matriciamento das UBS e dos serviços de urgência e emergência, com o objetivo de promover um cuidado próximo e integrado. 


Em relação à reforma psiquiátrica em Juazeiro, a Sesau informou que fez uma avaliação criteriosa dos pacientes internados no Hospital Psiquiátrico  antes de seu fechamento. Aqueles com condições foram reintegrados ao convívio familiar e redirecionados aos serviços de saúde mental de seus municípios. Apenas dois casos de Juazeiro necessitam de cuidados mais intensivos e foram atendidos no CAPS AD III antes de serem reconduzidos às suas famílias.


A luta antimanicomial 


Arquivo pessoal: Helisleide Bomfim

Na luta pela liberdade e dignidade do tratamento, a técnica de enfermagem, usuária da Rede de atenção psicossocial (RAPS) e militante da luta antimanicomial, Helisleide Bomfim enfatiza o papel transformador da arte e como as expressões artísticas podem ser uma poderosa ferramenta terapêutica no cuidado em saúde mental. "A arte cura", afirma Bonfim. A atriz que fala com muito orgulho sobre a questão de gênero e saúde mental, atua no “Papo de Mulher”, uma associação de mulheres usuárias do Sistema de Saúde Mental, e através do teatro e sua presença nos palcos conquistou o prêmio Braskem Relevelação, em 2019, com a atuação no o espetáculo Holocausto Brasileiro, baseado na obra de Daniela Arbex.  


Foto: Meiwa Magalhães

No sertão do São Francisco, na divisa entre Bahia e Pernambuco, durante o 2° Fórum Antimanicomial, Elisleide ajudou a fundar uma das associações que articulam o cuidado em liberdade nomeado a “Loucura de Nós”, que une usuários do Raps na Mobilização Antimanicomial na região.


Para a secretária executiva da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (RENILA), Renata Guerra, é de suma importância uma perspectiva interseccional ao discutir as políticas de saúde mental no Brasil, visto que a história da saúde mental é marcada por essas desigualdades. "Hoje, não podemos pensar em política pública sem considerar uma perspectiva de gênero, raça, classe e sexualidade”, ressaltou. 


Foto de arquivo do RENILA


O papel da RENILA é lutar contra as desigualdades, por meio de debates sobre questões como o encarceramento de populações negras e o funcionamento das comunidades terapêuticas, consideradas por muitos uma atualização dos antigos manicômios, que funciona como uma ferramenta de disciplinamento sobre corpos marginalizados, como mulheres, negros e pobres. Nessa perspectiva, a instituição defende uma abordagem que privilegie os direitos humanos e um cuidado em liberdade.

"A RENILA luta pelo fechamento total dos hospitais psiquiátricos e pela construção de dispositivos de atenção psicossocial que incluam as famílias e as redes de apoio. É preciso que as políticas públicas garantam o retorno dessas pessoas à convivência social de forma digna, com acesso a serviços de saúde, educação, cultura e trabalho", explica Guerra. Ela ainda ressalta que a reintegração plena depende de um esforço conjunto entre diferentes áreas do governo e da sociedade.

Ao abordar o Dia Mundial da Saúde Mental, Renata enfatiza a importância de tratar a data sob a ótica dos direitos humanos. "A Luta Antimanicomial é, acima de tudo, uma luta por uma sociedade mais justa. O 10 de outubro e o 18 de maio são marcos fundamentais para reforçarmos a defesa da saúde mental como um direito. Neste ano, precisamos ocupar as ruas em defesa da democracia, pois a democracia é, por natureza, antimanicomial", finaliza.

Foto de arquivo do RENILA 


O 10° Fórum Antimanicomial ocorreu entre os dias 25 e 27 de setembro de 2024, na Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), em Juazeiro-BA. Durante o evento, foi discutido o cuidado em saúde mental em liberdade, no 1° Encontro Nacional de cuidado em liberdade e a 6° mostra de atenção psicossocial que resultou na produção do "Manifesto do Sertão para os Brasis", que reforçou a importância de um cuidado plural e antimanicomial nos territórios do Sertão do São Francisco com foco em resistir a diversas formas de opressão.

Por Meiwa Magalhães, estudante de Jornalismo em Multimeios e colaboradora do MultiCiência.

Agosto Dourado: a busca pela construção de uma jornada de amamentação mais leve e segura para mães e bebês

O leite materno é o único alimento recomendado nos primeiros meses de vida do bebê. De acordo com a UNICEF, “Os bebês até os seis meses de idade devem ser alimentados somente com leite materno, não precisam de chás, sucos, outros leites, nem mesmo de água.” Pensando na importância dessa conscientização, foi criada em 1990, a campanha “Agosto dourado”, mês reservado a conscientização sobre a importância do aleitamento materno. A cor dourada se refere ao padrão ouro do leite materno.


Mesmo sendo de grande importância, há mães que não conseguem produzir leite, bem como há bebês em UTI 's que necessitam dele, é aí que agem os bancos de leite humano. No Vale do São Francisco, o Hospital Dom Malan é responsável por essa rede de distribuição, através do banco de leite materno que atende a rede PEBA, um dispositivo de regulação que atende os estados de Pernambuco e Bahia.


O banco de leite que atende essa rede funciona há 29 anos dentro do hospital Dom Malan, unidade materno infantil de alta complexidade, na cidade de Petrolina, em Pernambuco, recebendo gestantes de alto risco e bebês prematuros de 53 municípios circunvizinhos. Segundo a ASCOM do hospital, o banco de leite atende bebês prematuros que estão nos leitos de UTI, na Unidade de Cuidado Intensivo (UCI) e no alojamento canguru. “O banco de leite atende mais de 50 crianças”.

Foto: Internet

Diante de uma demanda cada vez mais alta, surge uma das maiores dificuldades encontradas pelas equipes da unidade, que é a falta de leite, pois para suprir essa necessidade as solicitações chegam a atingir em média 10 litros de leite por semana. Pensando em resolver esse problema, o hospital vem realizando campanhas internas de conscientização dentro da unidade, conseguindo então aumentar as doações de mães dentro e fora do hospital, que são visitadas duas vezes por semana para a coleta.


Diversas mães e bebês já foram e são beneficiados por esse banco de leite, não só com doações, mas também com orientações sobre amamentação, como por exemplo, quando caso o bebê não consegue fazer a sucção correta do leite. É o caso de Érica Dias, mãe que já foi beneficiada pelo banco. “Como eu tinha muito leite, eu não fazia uso das doações do Banco de Leite do Hospital Dom Malan. As enfermeiras  acreditavam que meu filho estava com dificuldade na sucção na pega da mama. Então, era retirado o leite da minha própria mama e colocado em uma mamadeira. Eles colocavam uma mangueirinha na mamadeira e aí era a refeição que ele fazia lá no biama”, acrescenta Érica.


Neste cenário, é necessário entender como funcionam esses bancos de leite. A médica Pediatra Flávia Guimarães  explica que os bancos de leite do Brasil trabalham na Rede Nacional de Bancos de Leite, em um sistema de produção, adicionando e recolhendo dados a cada mês, como os volumes de leite pasteurizado, produzidos e número de doadoras nesses períodos. Esses dados são recolhidos através das mães que doam e também das que recebem as doações, geralmente porque algumas delas acabam produzindo pouco leite, por falta do estímulo feito pelos bebês, que nestes casos estão impossibilitados, por estarem em Unidades de Terapia Intensiva, as UTI 's.


Aplicativo “Amamente”, uma ferramenta facilitadora  para a amamentação

Foi pensando na necessidade de informação para as mães que doam, como também para as que recebem as doações, que a professora  Gilvania Paixão criou o aplicativo “Amamente”, fruto de um projeto de desenvolvimento tecnológico realizado no Campus III da Universidade do Estado da Bahia, UNEB, em Juazeiro, disponível para download desde 2023. Unindo essa necessidade à potência da internet para a disseminação de informações. “A mulher que amamenta exclusivamente precisa dispor de seu tempo quase que integral para um bebê, isso é a realidade, e muitas vezes o celular é que acompanha a gente durante o dia, as noites em claro, então por que não transformar esse celular em uma fonte de informação de qualidade também para essas mulheres “, explica Gilvania.



Logo do aplicativo Amamente, criado pela professora Gilvania.



O APP funciona de forma inovadora, trazendo técnicas de manejo de amamentação, superação de dificuldades, favorecimento de mães que estão de volta ao mercado de trabalho para entender os protocolos de ordenha e armazenamento do leite. Esse trabalho conta no momento com três estudantes bolsistas de Iniciação Científica da UNEB, Campus Senhor do Bonfim, que desenvolvem uma pesquisa sobre os benefícios do aplicativo, com profissionais de saúde e o trabalho de divulgação dessa ferramenta.


Uma das estudantes envolvidas nesse trabalho é Iasmin Costa, que entende o aplicativo como uma ferramenta muito importante neste período em que a mãe está amamentando. "O amamente atua como facilitador na vida de tantas gestantes que estão em preparação, puérperas, profissionais e redes de apoio", comenta a estudante, que tem como expectativa melhorar a experiência de lactação para as mães e bebês, pois segundo ela, "o  nosso objetivo é tornar a jornada da amamentação mais leve".


Por Laíse Ribeiro, estudante de Jornalismo em Multimeios e monitora do MultiCiência.

Luísa Bessa Freire Recebe Menção Honrosa na 28ª Jornada de Iniciação Científica da FACEPE


Foto: Luísa Bessa Freire

Luísa Bessa, graduanda em Farmácia, na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), foi recentemente homenageada com a menção honrosa na 28ª Jornada de Iniciação Científica da Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de Pernambuco (FACEPE), recebendo o prêmio Ricardo Ferreira ao Talento Jovem Cientista na área da Ciência da Saúde. O reconhecimento veio graças ao seu trabalho no projeto “Antes Cedo do que Tarde: Conhecimento e Utilização de Plantas Medicinais da Caatinga por Estudantes Adolescentes na Cidade de Petrolina”. A proposta dessa atividade foi a investigação do conhecimento de adolescentes sobre plantas medicinais da Caatinga, estimulando a conservação desse bioma.

O projeto, coordenado pelo docente Dr. Braz José do Nascimento Júnior, membro do colegiado de Farmácia, praticou uma metodologia que divididiu em três etapas. O estudo contou com a participação de 44 estudantes, que inicialmente responderam a um questionário. Posteriormente, participaram de oficinas temáticas sobre o cultivo, preparo e uso de plantas medicinais da Caatinga, e finalizaram com um questionário. A pesquisa destaca que, apesar de um conhecimento limitado sobre plantas medicinais entre os adolescentes, a transmissão familiar ainda desempenha um papel crucial na perpetuação dessa sabedoria.

Foto: Luísa Bessa Freire

Ao longo do desenvolvimento do projeto, a principal dificuldade enfrentada pela equipe foi a locomoção até a escola, situada em uma área rural de difícil acesso. No entanto, a experiência e o planejamento detalhado do professor Braz permitiram a superação desse obstáculo, garantindo a execução eficiente das atividades. 

Participar do evento e receber a menção honrosa foi uma experiência gratificante e enriquecedora para Luísa e sua equipe. Durante o evento, tiveram a oportunidade de apresentar os resultados do projeto e receber conselhos valiosos sobre como aprimorar suas futuras abordagens. Ela destaca a importância da valorização da sabedoria popular e da conservação da Caatinga, especialmente entre os jovens. A jovem pesquisa de iniciação científica acredita que essa valorização garante a preservação cultural, promove a sustentabilidade ambiental e fortalece os laços entre a universidade e comunidade. 

Os resultados do estudo mostraram que 36,36% dos participantes usavam plantas medicinais aprendidas com pais e avós, enquanto 95,45% dos adolescentes sabiam o que é a Caatinga. As plantas medicinais mais citadas foram capim santo, alecrim e erva doce. Ela destaca que a continuação do projeto pode ter um impacto ainda maior na educação e preservação ambiental entre os jovens de Petrolina.

Por Meiwa Magalhães

Estudos sobre Plantas Medicinais Contribuem para uma Abordagem Integral da Saúde

A Organização Mundial de Saúde (OMS) revela que 85% das pessoas do mundo utilizam plantas medicinais para tratar doenças. Pesquisas etnobotânicas examinam as realidades locais, destacando as interações entre comunidades e as opções fitoterápicas disponíveis. Na região Nordeste do Brasil, a utilização de plantas medicinais como abordagem terapêutica é uma prática contínua, possibilitando a fusão dos discursos científicos e tradicionais, incorporando os elementos culturais característicos desse território.

Para estudar a aplicabilidade e eficiência do uso das plantas, o Projeto Núcleo de Estudos e Pesquisas de Plantas Medicinais (Neplame), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), busca examinar a composição química e avaliar a atividade farmacológica de plantas medicinais empregadas no tratamento de doenças em seres humanos, estendendo-se também à sua potencial aplicação em animais.


O professor e coordenador do projeto, Jackson Guedes, esclarece que a meta é validar cientificamente a indicação popular de plantas que são usadas para tratamento de dor, inflamação, insônia, ansiedade e depressão. Além disso, são avaliadas plantas utilizadas no tratamento de diabetes, e alguns modelos de citotoxicidade que possam  ser usadas no tratamento do câncer.    


Coordenador do projeto, Dr. Jackson Guedes (Reprodução/Instagram)


O professor menciona também que um dos critérios usados para a seleção de uma espécie a ser estudada é de que a planta seja usada na medicina popular. “A gente traz essa planta para o laboratório, para poder estudar. Faz os estudos pré-clínicos, que são feitos com animais de experimentação para poder comprovar as atividades farmacológicas dessas plantas utilizadas pelas pessoas. Então, esse conhecimento popular é a base forte de informação pra gente ", esclarece.


O pesquisador ressalta a importância de divulgar os resultados da pesquisa, destacando que algumas plantas possuem um alto grau de toxicidade, assim como a Ricinus communis L. popularmente conhecida como Mamona. Para evitar danos à saúde humana, o projeto sempre busca promover palestras, além dos meios de comunicação para alertar a comunidade sobre os riscos do consumo em excesso. “A gente sempre procura divulgar para a comunidade os resultados das nossas pesquisas, para que as pessoas possam utilizar essas plantas de maneira segura e com uma orientação científica”, diz. 


População beneficiada

José Eudes, morador do interior da Bahia, compartilha abertamente sua prática frequente de utilizar plantas medicinais em seu cotidiano. Dentre as variedades que ele menciona, destaca-se o Angico, cuja casca é empregada na medicina popular por meio de infusões, macerações e tinturas, sendo reconhecido por suas propriedades antidiarréicas e expectorantes. Ele destaca especialmente o uso durante o inverno, descrevendo-o como altamente benéfico para aliviar os sintomas gripais.

O projeto busca a implementação desses resultados nas indústrias. O coordenador cita que recentemente desenvolveram um protetor solar utilizando uma planta de nome científico Passiflora cincinnata, popularmente conhecida como Maracujá-da-caatinga, e pretendem lançar no mercado no próximo ano. O grupo planeja também buscar parceria com a indústria farmacêutica para poder desenvolver suplementos alimentares e produtos fitoterápicos contendo plantas aqui da região. 


Horta no Recanto Madre Paulina. Foto: Nara Gabriella 



O Instituto Recanto Madre Paulina, que fica localizado na cidade de Petrolina-PE, se beneficia com as pesquisas científicas sobre plantas medicinais no Vale do São Francisco. O terapeuta Holístico, Zezinho de Mindu, conta que o instituto foi fundado há mais de 50 anos, e com a chegada da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), passaram a utilizar as plantas terapêuticas de forma mais assertiva. “Antes os critérios eram, se 10 pessoas dizem a mesma coisa, então é o certo. Com a chegada da Univasf, nós selamos um termo de cooperação e então tivemos a oportunidade de ver se aquilo era verdade”, diz o Terapeuta.

 



Horta no Recanto Madre Paulina. Foto: Nara Gabriella


Diante do comprometimento do NEPLAME em validar cientificamente o conhecimento popular, a iniciativa torna-se um ponto crucial entre a sabedoria popular e o conhecimento científico. Essa integração entre pesquisa, comunidade e indústria demonstra o impacto positivo que a ciência pode ter na promoção da saúde e no aproveitamento sustentável da biodiversidade do Vale do São Francisco. 


Por Nara Gabriella e Érica Silva, estudantes do curso de Jornalismo em Multimeios.