Engorda de ovinos com capim aruana é alternativa para ovinocultores da região do Submédio São Francisco

Foto: Estação Experimental de Caraíbas, da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrário

O Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais do campus III/UNEB, em Juazeiro, desenvolveu um estudo que aponta para o cultivo do capim aruana, na região do submédio São Francisco, como alternativa para engorda de ovinos.

A cultura de ovinos representa um importante nicho de mercado para a região, pois a Bahia é o segundo maior produtor do Brasil. No ano de 2006, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram criadas 3 milhões e 170 mil cabeças no estado, com destaque para as cidades de Remanso, Juazeiro, Uauá, Casa Nova e Monte Santo.

A iniciativa de buscar alternativas para incrementar este mercado partiu do professor Cláudio Mistura em parceria com o graduando em engenharia agronômica Toni Carvalho, que viram no cultivo deste capim uma forma de fortalecer o potencial agropecuário da região e aumentar os ganhos de produtividade do ovinocultor.

Segundo Cláudio Mistura, o objetivo era comprovar a possibilidade de ter animais prontos para abate, num período reduzido, alimentando-os com o capim aruana irrigado e adubado com nitrogênio e suplementando-os com sal mineral. Este método é vantajoso porque permite a engorda de até quatro lotes de animais ao longo de um ano, com período de três meses para obter peso adequado ao abate. Se o pecuarista utiliza os métodos convencionais, com período de engorda de seis meses, a produção obtida é de, no máximo, dois lotes.

No estudo, a área utilizada para os testes foi dividida em piquetes e subpiquetes, e submetida a diferentes doses de nitrogênio para que se pudesse avaliar o custo/benefício em cada quantidade.

Desta forma, a pesquisa concluiu que há condições viáveis para o comércio de ovinos e produtividade o ano todo, devido ao cultivo do capim aruana em sistema de irrigação. Outras vantagens são a oferta de um produto com melhor qualidade para o consumidor e a possibilidade de uma nova cultura para o fortalecimento do potencial agropecuário da região.

Por Elka Kelly
Mais informações: Claudio Mistura



Telefone: 74 3611-7363, ramal 249.

Hospitais devem monitorar índice de infecção hospitalar



O controle do índice de infecção hospital nas instituições de saúde brasileiras é uma das metas do Ministério da Saúde. Cerca de 2,3 milhões de pessoas contraem anualmente algum tipo de infecção hospitalar nos oito mil hospitais das redes pública e privada, Esse índice representa quase 15% dos pacientes internados, o que gera riscos para a melhora da saúde dos usuários e requer controle dos indicadores de infecção hospital por parte dos hospitais.

Em Juazeiro, o Hospital Pró-Matre instalou a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) para capacitar os profissionais de saúde a realizar medidas de prevenção, controle e combate a infecção hospitalar.

Medidas simples como a lavagem das mãos com água e sabão são importantes para manter o controle da IH, assim como o trabalho desenvolvido por médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, pessoal da higienização, copa lavanderia e manutenção. Também devem ser monitorados a planta física do hospital e os setores distintos, como copa, cozinha, lavanderia, enfermarias, UTIs, maternidades e o setor administrativo, recomenda Darcilene Amorim, enfermeira responsável pela CCIH da Pró-Matre.

O rigor e a conscientização em relação às medidas de prevenção a disseminação das mais diversas formas de infecção hospitalar inclui recomendações aos familiares e visitantes, que não devem trazer alimentos para o hospital. Os familiares também devem cuidar da higiene, como lavar bem as mãos antes e depois das visitas, e evitar se sentarem nos leitos.

Fonte: Class Comunicação

As representações sociais do nordestino no cinema

Sargento Getúlio, filme dirigido por Hermanno Penna, em 1983






No cinema brasileiro, o nordestino aparece associado a signos como a seca e a pobreza. Muitas vezes, também é apresentado como um homem forte, corajoso. Para entender o significado dessas imagens e como elas operam na representação da identidade do nordestino, a professora Carla Paiva, do Departamento de Ciências Humanas (DCH III/UNEB) desenvolve a pesquisa Signos de Nordestinidade: Análise da representação das identidades nordestinas presentes no cinema brasileiro.

A pesquisadora afirma que os filmes operam e categorizam uma multiplicidade de imagens, marcadas e reconhecidas por estereótipos fincados na dominação econômica e política. "O cinema brasileiro copia uma tendência da literatura brasileira de tomar o homem nordestino apenas como um sertanejo, e essa tendência é refletida a partir de uma leitura equivocada do livro 'Os Sertões' de Euclides da Cunha e da literatura regionalista que caracterizou o sertão como um espaço de purgatório, de inferno, ou de paraíso", defende Carla Paiva.

A pesquisa concentra-se no estudo das imagens da década de 1960 a 2000. Durante essas décadas, foram produzidos mais de 50 filmes brasileiros com a temática nordestina. Nesses filmes, o nordestino é representado por meio de signos de nordestinidade como a seca, a pobreza, o coronelismo, a fome, a virtude, a mistura de religiosidade nordestina como o catolicismo e o candomblé.

"Esses signos de nordestinidade preocupam a medida que são inseridos na sociedade, contribuindo para a formação do imaginário popular que se perpetua em outras áreas, inclusive na educação, na história e no jornalismo estabelecendo a afirmação do estereótipo de que todo nordestino é um sertanejo forte que sofre com a seca e a miséria do local em que ele está inserido," afirma a pesquisadora.


A pesquisa conta com o apoio da Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), por meio de bolsas de iniciação científica concedida aos estudantes do curso de Comunicação Social: Jornalismo em Multimeios Ana Jamille Nunes e Cintia Sacramento, que analisaram os filmes dos anos 1960 e 1970. Atualmente, são bolsistas de iniciação científica as alunas Dalila Carla Santos e Eneida Trindade, que estudam a produção cinematográfica dos anos de 1980 e 1990.


Estimuladas pela teoria das representações sociais e pelos estudos sobre a identidade social nordestina, Carla Paiva e as bolsistas pesquisam os quadros sociais que compõem a formação do homem nordestino no cinema brasileiro. A pesquisa é dividida em três fases: primeiro, analisam os tipos de representação social ou construção simbólica formadas do tipo regional categorizado como "nordestino"; em seguida, distinguem esta encenação com base nas três perspectivas do sertão presente na literatura brasileira, reconhecendo o valor positivo ou negativo dos signos de nordestinidade.

Por último, procuram entender que tipo de movimento o cinema promove e o que os espectadores podem aprender a partir das imagens fílmicas estudadas. Na pesquisa sobre os filmes dos anos de 1960 e 1970, como Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, a pesquisadora de iniciação científica, Ana Jamille Nunes, identificou que o nordestino se apresenta como um homem marcado pelas diretrizes da natureza e como se ela fosse definidora de seu destino.



Informação: Carla Paiva: cpaiva@uneb.br


Por Lidiane Cavalcante

Ciência, um pouco mais de Ciência

Foto: Instituto Ciência Hoje

Você consegue apreender bem os conceitos de Ciências, como a Biologia, Química e Física, e torná-los compreensíveis ao seu dia-a-dia? Se sim, parabéns! Pesquisa divulgada pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) identificou que o estudante brasileiro não apresentou um bom desempenho nas provas de conhecimento de Ciências. O Brasil ocupou as últimas posições dos exames feitos pelo PISA, que ocorrem a cada três anos.

O objetivo da pesquisa é trazer dados que demonstrem como se encontra a prática do ensino da Matemática, de Língua e de Ciências. Em dezembro do ano passado, a pesquisa investigou se os alunos com até 15 anos conseguem ter uma bom letramento em Ciência

Por letramento, entende-se o uso de conceitos científicos necessários para compreender e ajudar a tomar decisões sobre o mundo natural, reconhecer questões científicas, fazer uso de evidências, tirar conclusões com base científicas e comunicar essas conclusões a um público.

Para o professor Nélio Bizzo, da Universidade de São Paulo, o ensino de Ciência é deficiente na escola brasileira. A maioria dos estudantes não se sente estimulado a pensar, mas, sim, a decorar conceitos. Assim, a Ciência fica circunscrita a um conhecimento distanciado do cotidiano e não o induz a reflexões e questionamentos, um habitat natural do conhecimento científico.
O professor recomenda que as práticas de ensino da Ciência privilegiem a experimentação, o prazer de estudar a ciência vinculada ao cotidiano e a realização de campanhas de divulgação científica, como olimpíadas de astronomia, matemática e feiras de ciências.

E, você, o que acha disso? É possível mudar essa realidade e adotar novas práticas de ensino, mais lúdicas, criativas e que tornem a Ciência mais compreensível no dia-a-dia?


Para saber mais: Instituto Ciência Hoje (http://cienciahoje.uol.com.br/115393); e o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). http://www.inep.gov.br/imprensa/noticias/outras/news04_51.htm.

Pró-Reitores discutem o papel da Extensão para o Desenvolvimento

Acontece de hoje até sábado (29/03), o XXXII Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas do Nordeste, que discutirá as perspectivas da “Extensão Universitária e Desenvolvimento Territorial Sustentável”.

A abertura do evento será às 9h, no Grande Hotel, em Juazeiro-Bahia, com a participação de Marcelo Duncam, da Secretária do Desenvolvimento Territorial, Lúcia De Fátima Guerra e Edson Norberto Cárceres, do Ministério da Educação, entre outros.

O evento tem por objetivo promover a integração e o debate acerca do compromisso social das universidades públicas, oportunizando uma ampla discussão sobre o tema Extensão universitária e o desenvolvimento sustentável entre as Instituições de Ensino Superior do Nordeste.

A expectativa é que o encontro reúna cerca de 80 participantes, entre Pró-Reitores e gestores de Universidades e instituições de ensino do Nordeste. A Pró-Reitora de Extensão da UNEB, Adriana Marmori, participará do evento e debaterá a importância dos projetos desenvolvidos pela instituição para o desenvolvimento regional.

Participam da organização do evento a UNIVASF, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade do Estado da Bahia (UNEB); Universidade de Pernambuco, (UPE), Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Centro Federal de Educação Tecnológica de Petrolina (CEFET) e Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (FACAPE).


Na sexta-feira, o Fórum discutirá Educação em Direitos Humanos: a contribuição para o desenvolvimento, com a participação de Larissa Barros, da Rede de Tecnologia Social e Carla Fernanda Silva, coordenação Geral de Educaçao em Direitos Humanos, entre outros. Durante o sábado, os participantes do Fórum irão visitar projetos de extensão desenvolvidos na região do Vale do São Francisco.

O que é o Fórum

O Fórum é um evento de natureza acadêmico-científica, congregando um grupo representativo de gestores para repensar e definir linhas de políticas públicas no âmbito da extensão universitária, tomando como referência as peculiaridades do contexto regional, onde as respectivas instituições estão inseridas.

No âmbito do Fórum vêm sendo discutidas as inúmeras concepções de extensão presentes nas universidades brasileiras, sendo que já existe uma discussão crítica acumulada com referência a perspectiva funcionalista / assistencialista que percebe a universidade como mera executora de políticas educacionais, apontando a extensão como única saída, mas acaba vertendo-a em ações esporádicas e eventuais.

Por Paulo Victor

Organização do Evento / UNIVASF: (87) 3862-9375

Pesquisa desenvolve alternativa ao processo de polinização da pinha

foto: http://www.olhares.com/

O avanço da ciência e do uso da tecnologia está intimamente ligado ao progresso social. Pesquisas nas diversas áreas cientificas são uma grande alavanca para o desenvolvimento humano e econômico. Entretanto obter um bom resultado requer muita análise e trabalho, alem de paciência, persistência e incentivo financeiro. Bons exemplos do desempenho da pesquisa para obtenção de tecnologias são, na maioria das vezes, iniciados em universidades.

O Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS), onde funciona o curso de Engenharia Agronômica da Universidade do Estado da Bahia, desenvolve pesquisas nas áreas de ciências agrárias e biológicas que reiteram a importância da pesquisa em benefício da sociedade.

É o que faz o pesquisador Jairton Araújo Fraga. Ele realiza pesquisas com a cultura da pinheira que contribuem para levar ao conhecimento de agricultores alternativas tecnológicas que estimulam o processo de polinização da planta.

A pinheira é uma planta que para obter boa produtividade é necessário que conhecer sua estrutura morfológica, pois a polinização é ineficiente o que limita a reprodução da espécie. Para sanar esse problema, a polinização da planta é feita manualmente através de um aparelho chamado polinizador.

Porém, o polinizador é importado e com alto custo, em média 90 dólares. O professor Jairton desenvolveu para os produtores, principalmente os que não têm condições de adquirirem o aparelho, uma adaptação eficiente que substitui o polinizador importado. Com um aspirador nasal e um cano de caneta esferográfica o pesquisador desenvolveu um adaptador tão eficaz quanto o importado e com a vantagem de ter um baixo custo e pode ser feito por qualquer produtor, não é vendido.

O aparelho aadptado tem sido demonstrado aos agricultores da região, por meio de palestras e cursos aos produtores. Demonstrando a importância da divulgação científica, Jairton afirma que não basta informar tecnicamente, mas levar ao produtor informações sobre o processo com uma linguagem simples, acessível e que possa trazer resultados.

Informações sobre o adaptador: Jairton Fraga – (74) 3611-7363, ramal 236
Por Manuela Pereira

Pesquisa estuda estratégias de competitividade de empresas de vinho no Vale do São Francisco

Foto/Domínio Público: a cultura da uva fomenta a expansão da produção vitivinícola no Vale do S. Franscisco

As estratégias das empresas do Vale do São Francisco para o desenvolvimento do setor vitivinícola brasileiro são objeto de investigação do pesquisador Pedro Jorge Pereira Ramalho, mestre em Gestão de Empresas pela Universidade de Évora/Portugal e professor da Faculdade de Ciências Aplicadas de Petrolina (FACAPE).

A pesquisa tem o objetivo de examinar a competitividade empresarial e local comparando-a com a indústria vitivinícola mundial. Por meio da análise das adaptações estratégico-estruturais que são implementadas pelas vitivinícolas do pólo emergente de vitivinicultura do Vale, o pesquisador estuda linhas adicionais de ação estratégica a fim de identificar possibilidades de sucesso no contexto competitivo global.

O índice de atratividade atual dos produtos do vale ainda é considerado do tipo baixo/médio quando comparado ao pólo vinícola de Santa Catarina. Entretanto, nos últimos anos, do ponto de vista estratégico e competitivo, o setor na região tem evoluído bastante devido a investimentos em ativos técnico-produtivos, desenvolvimento de mais de oito marcas, entre elas estão Rio Sol, Botticelli. O comércio externo também é expressivo, mais de 50% das receitas resultam de exportações.

O Brasil tem um mercado em torno de R$ 2,1 bilhões em vendas de vinho e produz cerca de 300 milhões de litros/ano. A estimativa de crescimento é da ordem de 378 milhões de litros até 2009, ressalta o pesquisador.

A pesquisa inédita aborda a vertente da estratégia empresarial e pretende estimular pesquisas neste segmento. "Esse setor não tem sido alvo, na proporção necessária à sua importância, de pesquisas científicas que se proponham a estudar as estratégias das empresas para o crescimento do setor", afirma Pedro Pereira.

Outras informações sobre a pesquisa:
Pedro Jorge Pereira Ramalho:

Maria Franca Pires e a “história que vive na cabeça do povo”

Foto/ Acervo pessoal de Cixto Filho



Um variado acervo da cultura regional que foi guardado como objeto de memória pela professora Maria Franca Pires no decorrer de sua vida é objeto de pesquisa no Departamento de Ciências Humanas (DCH III), em Juazeiro-Bahia. São fotografias, recortes de jornais, cadernos com entrevistas, registros radiofônicos que contam o cenário cultural e educacional de Juazeiro. O material publicitário inclui um acervo raro, como anúncio da vinda de Getúlio Vargas, em 1944, ao Vale do São Francisco.

O acervo faz parte da pesquisa O arquivo de Maria Franca Pires: Memória e História Cultural em Pesquisa na Região de Juazeiro, coordenado pela professora Odomaria Macedo, professora do DCH III.


Maria Franca Pires nasceu em Remanso (BA) e desempenhou um papel relevante na cena cultural educacional de Juazeiro. Professora durante 40 anos, Maria Pires publicou os livros Histórias e Lendas do São Francisco, Você Tem medo de Assombração? e Juazeiro - BA. Como pesquisadora intuitiva, reuniu um variado acervo da região de Juazeiro, registrando a “história que vive na cabeça do povo”, como dizia.

Segundo a professora Odomaria Macedo, a pesquisa faz um inventário das coisas reunidas pela professora, um inventário do seu inventário de mundo, pois as peças que compõem o acervo permite observar a prática de documentos do mundo como algo expressivo da singularidade de cada pessoa e a memória das coisas como um aspecto importante para o conhecimento da história cultural.

“Pretendemos divulgar o acervo à população juazeirense a partir da exposição dos documentos que compõem a pesquisa”, destaca a professora. Imagens como anúncios de teatro, shows de dança, carnaval, cartazes políticos, seminários e cursos, flâmulas, folders, sacos de embrulho são apresentados ao público como a “imagem do mundo, de uma época, de uma história local, de um período que faz parte dessa história”, conclui Odomaria.


Luis Osete, aluno do curso de Comunicação Social: Jornalismo em Multimeios da Uneb e ex-bolsista do projeto, afirma que as peças que compõem o acervo por si não contam toda a história cultural da cidade, mas é uma memória que, somada a outras memórias, formam uma história social da sociedade juazeirense.


Por Lidiane Cavalcante, matéria produzida em 04/08/07 e divulgada à imprensa.





Abertas inscrições para projetos de pesquisa de iniciação científica

A imprensa operária é objeto de pesquisa no DCH III


Estão abertas, até o dia 4 de abril (sexta-feira), as inscrições para seleção de Projetos de Pesquisa de Iniciação Científica nas modalidades PIBIC/CNPq, IC/FAPESB e PICIN/UNEB. Criado na UNEB em 1996, o Programa de bolsas de Iniciação Científica destina-se a estudantes de graduação, regularmente matriculados, para o desenvolvimento de pesquisas científicas e tecnológicas.

Projetos em desenvolvimento no DCH irão selecionar estudantes para concorrer às bolsas, como O Arquivo de Maria Franca Pires: Memória e História Cultural em Pesquisa na região de Juazeiro-Ba, coordenado pela professora Odomaria Macedo. A pesquisa analisa o arquivo pessoal legado pela professora primária Maria Franca como memória histórica e cultural da região. A professora exerceu o magistério na região de Juazeiro-BA entre as décadas de 1940 e 1970.

Desenvolvido pela professora Andréa Cristiana, o projeto Tribuna da Luta Operária e a Organização do PC do B também estará concorrendo a bolsas de iniciação científica. A pesquisa faz análise do jornal Tribuna da Luta Operária, as contribuições do periódico no agendamento de temas sociais e a atuação como mobilizador coletivo do Partido Comunista do Brasil em Juazeiro, viabilizando a organização do partido no âmbito local.

A pesquisa PROLETRA - Letramento de professores: retextualização e representações, coordenado pelo professor Cosme Batista, que propõe investigar os mecanismos lingüísticos e cognitivos empregados por professores alfabetizadores a respeito de definições teóricas da lingüística, também irá selecionar estudantes para concorrer a uma das bolsas.

Estudantes que estão no primeiro ou no último ano do curso de Pedagogia e de Comunicação Social não podem concorrer às bolsas. Para adquirir outras informações sobre como participar dos projetos de pesquisa, os estudantes devem procurar o Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPE).


Por Paulo Victor


Pesquisa pretende aumentar produtividade do feijão-de-corda

Feijão-caupi é alternativa alimentar no semi-arido
Uma rede de estudos pretende aumentar a produtividade do feijão-caupi cultivado por agricultores da região semi-árida. Esse aumento, conseqüentemente, ampliaria a segurança alimentar na região, pois esse tipo de feijão, mais conhecido entre produtores e consumidores como feijão-fradinho ou feijão-de-corda, é a leguminosa alimentar mais importante do Norte e do Nordeste do Brasil e a principal fonte de proteína vegetal entre produtores de base familiar.

O projeto de pesquisa, coordenado pela professora Lindete Míria Vieira Martins, intitulado “Programa integrado de biotecnologia para inoculação do feijão-caupi com estirpes de rizóbio utilizando veículo alternativo a turfa”, é desenvolvido no Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Campus III. Também participam do estudo a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), associações de agricultores e a empresa privada Turfal, produtora de inoculantes.

Resultados de outros trabalhos demonstram que o uso de inoculantes pode aumentar a produtividade do feijão em até 40%. No sul do país, onde os grandes produtores de soja aderiram à tecnologia da inoculação, a economia nos custos com fertilizantes e adubos químicos chegou a três bilhões de dólares em 2005. Jakson Leite, estudante do curso de Engenharia Agronômica da UNEB e bolsista no projeto, entende que se houvesse maior difusão dos benefícios do inoculante o pequeno agricultor também lucraria mais.

Uma das alternativas pensadas para difundir esta tecnologia entre os agricultores é a concretização de trabalhos com organizações não-governamentais voltadas para a convivência com o semi-árido. “A falta de investimento na divulgação tecnológica é a maior frustração de quem trabalha com pesquisa. Qual a utilidade da pesquisa, se o benefício não chegar à comunidade? Há pouco incentivo da universidade e dos órgãos de fomento nesse sentido”, diz Jakson.

Para garantir a quantidade adequada e suficiente de nitrogênio à sobrevivência da planta muitos agricultores fazem uso do adubo nitrogenado industrializado, porém esse insumo, se usado indiscriminadamente, polui e causa toxidez no solo e na água. Diminuir os efeitos negativos causados pelo nitrogênio químico é o que motiva os pesquisadores a defenderem o uso de inoculantes em culturas importantes como a do feijão-de-corda.

Entenda como atua o inoculante:

O inoculante é uma forma de disponibilizar para a planta bactérias do gênero Rizhobium, que operam o processo da fixação biológica do nitrogênio (FBN). A FBN é um processo natural no qual os rizóbios captam o nitrogênio do ar e o transformam e amônia. Na forma de amônia, as plantas da família Leguminosae assimilam melhor o nitrogênio que irá nutri-las.

Qualquer solo bem cuidado, com muita cobertura vegetal, sustenta microorganismos benéficos como bactérias, fungos e algas. O rizóbio multiplica-se na rizosfera (região do solo influenciada pelas raízes) e depois penetra as raízes formando nódulos. Os pesquisadores capturam o rizóbio no solo e, em laboratório ou em meio real, identificam aqueles que se adaptam melhor às características da região semi-árida, como a temperatura elevada e o estresse hídrico. Depois, essas bactérias são associadas à turfa, que é um solo orgânico esterilizado.

Essa associação constitui a substância inoculante. Com o inoculante e um pouco de água, produz-se uma pasta para ser misturada às sementes de feijão. Depois que a pasta secar, à sombra, o feijão está pronto para ser plantado em até 24 horas. “A inoculação, associa a bactéria à semente, permitindo que o feijão seja plantado com parte do nitrogênio necessário ao seu crescimento”, explica a professora.
Benefícios:
O perfil alimentar da região semi-árida é deficiente. Não atende, portanto, às recomendações básicas de uma alimentação saudável. Estudos evidenciam que a desnutrição em crianças do semi-árido apresenta os valores mais elevados de todo o país. Cultivado, principalmente, por pequenos e médios produtores para fins alimentares, o feijão-caupi tolera a temperatura alta e à baixa fertilidade do solo e tem propriedades nutricionais superiores às do feijão comum.

Além disso, pode ser utilizado na alimentação animal e como adubo verde. “Para os agricultores do semi-árido, que convivem com um ambiente “hostil” à maioria das lavouras, as inovações tecnológicas são necessárias como uma forma de aumentar renda. A expansão da safra vai alavancar a qualidade de vida desses brasileiros”, afirma a pesquisadora.
Por Lívia Orge, matéria produzida em 06/03/07.

A que se destina o projeto Multi.Ciência?


Estimular os meios de comunicação de massa a divulgar a Ciência produzida pelas Universidades Públicas, situadas em Juazeiro e Petrolina, este é um dos objetivos estratégicos do projeto de extensão “MultiCiência” – Agência de Notícias de Ciência, Educação e Tecnologia, em desenvolvimento no Departamento de Ciências Humanas, campus III.


A iniciativa do projeto surgiu pelo entusiasmo em se aventurar pela seara do jornalismo científico e criar um espaço de experimentação para docentes e discentes do curso de Comunicação Social habilitação Jornalismo em Multimeios.


A idéia se consolidou com uma pesquisa de campo realizada com 30 comunicadores, incluindo jornalistas e radialistas, atuantes nas duas cidades, que identificou que a universidade não tem sido uma fonte de informação regular para a produção de notícia e/ou de reportagem.

Um dos motivos inferidos com a pesquisa seria o não-acesso à informação regular fornecida diretamente pelas universidades, ficando os jornalistas e comunicadores locais com acesso apenas a informações fornecidas por Assessorias de Comunicação e fontes testemunhais. Embora nos meios de comunicação locais não haja editoria específica à Ciência, caberia à universidade pública viabilizar o acesso das fontes científicas. Isto ocorre porque a rotina produtiva do jornalismo tem sido, cada vez mais, pautada pelas informações fornecidas por Agência de Notícias, Assessorias de Comunicação e há pouca investigação do repórter na busca de novas fontes.


Se o diagnóstico dessa realidade parece cruel, cabe à universidade procurar instrumentos que tornem viáveis à divulgação do conhecimento científico produzido. A Ciência produzida na universidade não pode ficar circunscrita aos muros acadêmicos, uma vez que contraria o paradigma do conhecimento científico, ou seja, é preciso sujeitar à prova de verificação entre os seus pares o saber produzido.

Com a intenção de facilitar o fluxo de informação entre o universo acadêmico e os produtores de comunicação, a Agência de Notícias MultiCiência se propõe a agendar na mídia local projetos de pesquisa e de extensão produzidos no Campus III. O objetivo é estimular, de forma gradativa, os comunicadores a utilizarem as fontes especializadas na produção das matérias jornalísticas. Assim, poderemos criar uma cultura favorável à publicação da ciência de forma regular.


MultiCiência procura dar visibilidade às atividades universitárias, bem como fornecer fontes especializadas em determinados temas. São divulgados boletins aos meios de comunicação impresso, televisivo e radiofônico, bem como on-line, principalmente o site da Universidade do Estado da Bahia.

Neste momento, resolvemos trazer a experiência para o universo cibernético e vamos expor a produção realizada pela Agência de Notícias e seus colaboradores. Esperamos que os internautas e blogueiros gostem da experiência.


Por Andréa Cristiana, coordenadora do projeto

A Reportagem em Jornalismo Científico



O jornalismo científico é tema constante nos meios de comunicação de massa, seja no espaço dedicado a artigos e/ou à notícia informativa. A informação científica tem sido utilizada como um indicador de soberania das nações, bem como, e contraditoriamente, do poder econômico de empresas transnacionais na divulgação de experiências, medicamentos e tecnologias. Contudo, uma Ciência que viabilize a soberania das nações deve se comprometer com o desenvolvimento social e humano. E o jornalismo deve assumir o campo inerente à divulgação jornalística: informar o público dos avanços científicos, apontar as contradições existentes na produção da ciência e ser responsável socialmente.

No campo do Jornalismo, o público deve ser informado a respeito da Ciência de tal forma que seus benefícios sejam utilizados pela maior parte da população. Cabe ao jornalista não apenas noticiar fatos espetaculares, notícias divulgadas por institutos de pesquisa conceituados, mas o trabalho constante e silencioso de pesquisadores que, muitas vezes, é ignorado pelos meios de comunicação de massa.

Ao repórter científico cabe divulgar o conhecimento científico produzido na universidade de forma que o leitor possa compreender como a pesquisa pode ajudá-lo a repensar as práticas de produção e de consumo dos bens. Em suma, o jornalismo comprometido com uma informação jornalística o mais abrangente possível e que possa ajudar o leitor a tomar decisões e adquirir auto-governança.