Sensualidade e olhares híbridos na exposição Transforma

Professor José Renner, coordenador da mostra.




“A intenção é ser um projeto híbrido, fazer um mix de diversas linguagens, através de conceitos de representação, fotografia e espaço. A pretensão é interligar a arte e a tecnologia, com experimentos no campo artístico, técnico, estético e didático, potencializando a reflexão”.


Com essa afirmação, Renner, professor e orientador do projeto, convida o público a apreciar a exibição fotográfica “Transforma”. A exposição está disponível no Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) até o dia 10 de outubro, das 14h às 22h.


A mostra trabalha o tema sensualidade, com um novo olhar, fugindo do tom erótico e pejorativo. Busca o sensual mais brasileiro e aconchegante, mesclando a beleza e a dignidade de quem se fotografa.


“A objetivo era fotografar pessoas da universidade que já tivessem uma imagem constituída. Personagens que já inspirassem idéias no próprio cotidiano para desmistificar um pouco, mostrar outro lado”, destaca Ayala Lopes, estudante de jornalismo, fotografada.


Com uma linguagem ultra-experimental, foge do espaço tridimensional euclidiano, o espaço comum da arquitetura renascentista. Em uma viagem pelo novo fluxo da percepção visual, proporciona a imersão na imagem, onde o sujeito interpreta e interpenetra na obra.


Uma proposta artística vinculada aos movimentos da arte representativa, da abóboda celeste do impressionismo e do expressionismo, na qual se percebe a relação com teóricos como Maffesoli, Haull Stuart, Berinson, Francastel e Humberto Eco, por meio da manipulação, da apropriação e da criação da imagem.


O projeto Transforma iniciou com a disciplina Arte e Comunicação, do Curso de Comunicação Social, há dois anos. O trabalho é desenvolvido pela monitora Fernanda e Leônidas Vidal, com orientação do professor Renner.


A exposição que está no azul de Tiziano, no vermelho de Rafael e que está contido nas cores da internet, tem entrada franca. E o público terá a oportunidade de se render a uma arte estética, bela, instigante, rebelde, e que está em constante transformação.


Por Kall Britto,
Texto e Foto

Abertas as inscrições para o I Encontro de Alfabetização e Letramento


O Departamento de Ciências Humanas (DCH), Campus III, da Universidade do Estado da Bahia realiza inscrições, até a próxima terça-feira (30/10), para o I Encontro de Alfabetização e Letramento, que irá fomentar discussões sobre políticas de formação continuada da leitura e da escrita nas comunidades urbanas e rurais do Vale do São Francisco.


O encontro irá ocorrer entre os dias 01 e 03 de outubro de 2008 no DCH III, com apresentação de palestras, oficinas e mini-cursos. Coordenado pelas docentes Antoneide Almeida, Rita Cristina Rios e os estudantes do 7º período do Curso de Pedagogia, o evento irá abordar o letramento e as implicações para a formação de professores, a exemplo do letramento digital e o impacto nas práticas pedagógicas.


Estão confirmados para o evento os profissionais Cláudia Lemos Vóvio (UNIFESP), Antônio Carlos Xavier (UFPE), Selenita Barbosa de Amorim Conceição (CAPS de Feira de Santana), Maéve Melo (UNEB/ Juazeiro), entre outros.

A taxa de inscrição é de R$ 5,00 para os estudantes e R$ 10,00 para os docentes. Podem se inscrever professores e estudantes da área de educação, ciências humanas e interessados em práticas de letramento.

A inscrição é realizada no Departamento de Ciências Humanas (DCH III), na Avenida Edgard Chastinei, Bairro São Geraldo, das 16h às 21h e 30 min.

Mais informações:
Fone: (74) 3611-5617 ramal 203
por Kall Britto

Pesquisa desenvolve alternativa para aumento da produção da uva sem semente


Com a crescente expansão da cultura de uvas sem sementes no Vale do São Francisco, pesquisa desenvolvida no Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), aponta para uma nova alternativa de melhoramento dos cachos da videira.


A pesquisa é resultante da dissertação do mestrando Hélio Mauricio Viana Gonzaga, ao Programa de Pós-Graduação em Horticultura Irrigada, que visa através do uso do Ácido Giberélico (fitoregulador) o raleio químico de cachos de videira. A finalidade é reduzir o trato manual de bagas, permitido assim uma diminuição dos custos da mão-de-obra e a melhoria na qualidade da uva (cv. Superior Seedless), mais conhecida por Festival.


No momento da colheita, cada cacho da videira apresenta 140 bagas em média, sendo que o ideal seria entre 90 a 100, de acordo com as exigências do mercado internacional. E esse fitoregulador, comumente utilizado em países como o Chile e os Estados Unidos, irá contribuir para esse equilíbrio.


Na região do Vale do São Francisco, o experimento foi realizado na Fazenda Copa Fruit S.A., em Petrolina-PE, durante o ciclo da uva sem semente. “O fitoregulador de hormônio foi usado para identificar se ocorria um maior número de aborto. Foi utilizado um produto não tóxico, que não causa nenhuma ameaça ao meio ambiente, por ser extraído do fungo”, afirma o professor Valtemir Gonçalves Ribeiro, orientador da pesquisa.


A viabilidade do raleio químico demonstrou uma economia de 70,36%, comparando-se com o processo manual. Para os pesquisadores, essa tecnologia é um avanço para a viticultura da região, que atualmente sofre com o aumento dos custos de mão-de-obra necessária para o raleio manual de bagas e acréscimo dos insumos agrícolas.


A cultura da videira na região tem crescido entre os produtores do Pólo de irrigação Juazeiro/Petrolina, tornando-se a principal exportadora do Nordeste brasileiro. Hoje, segundo o IBGE, os estados de Pernambuco e da Bahia aumentaram em 39, 7% a área plantada, passando de 8 mil ha em 2005 para 11 mil ha no ano passado.


A uva sem semente tem atraído investimentos de grandes, médios e pequenos produtores e a tendência nos grandes cultivares é aumentar o plantio. Os preços obtidos no mercado com as exportações alcançam U$ 14,00 por cada caixa, desde que apresentem o peso de 4,5 kg.

Esse otimismo é proveniente do atual contexto mundial. A FNP Consultoria & Comércio revelou que a viticultura teve no ano de 2005, uma produção mundial de 11, 5 milhões de toneladas, destacando a China, que obteve a primeira posição, seguida da Turquia e da Itália. Enquanto, o consumo nesse mesmo período foi cerca de 8 milhões de toneladas, com a China, Turquia e Estados Unidos sendo os maiores consumidores.


No caso do Brasil, a produção atingiu a margem em 2004 de 1, 3 milhões de toneladas de uva. Os maiores produtores foram à região Sul (63,62%), Sudeste (18,37%) e Nordeste (18%). Pernambuco foi responsável por 64,41% da produção na região nordestina, conforme dados da FNP.


Aos produtores, que desejem mais informações, a defesa da dissertação “Raleio químico de cachos da cv. Superior Seedless com o uso de Ácido Giberélico”, ocorre nesta sexta-feira (26/09), no auditório do Departamento de Tecnologia de Ciências Sociais (DTCS), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), às 15h. A banca examinadora será composta pelo professor da UNEB, Valtemir Gonçalves Ribeiro; e os pesquisadores José Egídio Flori e Débora Costa Bastos, da Embrapa, Semi-Árido. A defesa do estudo será aberta ao público.


por Kall Britto

Mais informações:
(74) 3611-7363

Indivíduo e cultura na música de Paulinho da Viola por Paulo Soares





A música, ou mais especificamente, a trajetória de alguns artistas é um excelente laboratório no qual podemos observar a relação indivíduo-sociedade em sua dinâmica marcada pela oscilação entre posturas afinadas pelo tom dos padrões sociais – portanto, padronizadas – e outras posturas desafinadas ou fora dos padrões, expressas pela descontinuidade de algumas trajetórias individuais que ajudam a formar o verdadeiro elo criativo da cultura e que trabalham pela sua transformação.


Na verdade, trata-se de dois movimentos da cultura que ocorrem paralelamente na trajetória individual: um que trabalha para a continuidade daquilo que é padronizado na sociedade; outro que está a serviço da transformação. É possível considerar, por exemplo, o episódio em que o sambista Paulinho da Viola, no filme documentário Saravah, do diretor francês Pierre Barouh, gravado em 1969, diz vincular-se a uma tradição das escolas de samba e, por isso, mantém certos princípios tradicionais da composição de sambas para carnaval, ao comparar o seu trabalho com o de Maria Bethânia, que seria mais livre para o experimentalismo por não ter o mesmo compromisso com o tradicionalismo. Embora passássemos por uma forte efervescência criativa no campo das artes, com a música em destaque, vivia-se um momento político muito difícil no Brasil. Nem todos queriam ousar.


Realmente, em 1969, Paulinho da Viola era, como ainda hoje é, um compositor de samba ligado a tradicionalidade da Escola de Samba Portela. No entanto, naquele mesmo ano, no festival da Record de 1969, o cantor foi vaiado ao cantar Sinal Fechado, exatamente uma música que representava – naquele momento – um certo distanciamento da estética dos sambas e demarcava um campo para a sua individualidade. Esse deslocamento que Paulinho da Viola faz em Sinal Fechado, que não significa um rompimento, pode ser entendido como uma manifestação das forças da descontinuidade dentro de um projeto que se auto-declara vinculado a continuidade de uma certa tradição do samba. Tanto é assim que Paulinho, mais tarde, comporia um samba em que dizia “Tá legal, eu aceito o argumento / Mas não me altere o samba tanto assim / É que a rapaziada está sentindo a falta / De um cavaco, do pandeiro e de um tamborim”. Na obra de Paulinho da Viola, portanto, podemos ver a continuidade e a descontinuidade do samba, ainda que – como penso hipoteticamente – este não tenha sido um caminho totalmente projetado pelo cantor.


Continuidade e descontinuidade representam duas forças do tempo. O tempo de agora recheado de tradição, e esta renovada a cada dia. Esses dois movimentos dinamizam a sociedade contemporânea e estão presentes até mesmo quando a gente faz um caruru com sazón. Misturamos em nós mesmos a tradição com a modernidade e recriamos constantemente a realidade que nos cerca, com essa receita que permite a comunicação entre as gerações de ontem e de hoje, no aqui e acolá das nossas idas e vindas do passado para o presente e do presente para o passado.


Nesse sentido, os indivíduos não são apenas produtores ou reprodutores da cultura, simplesmente, eles dialogam com ela com base nos argumentos acumulados na sua trajetória, a qual é marcada pelas diferentes interações presentes na vida. Paulinho da Viola, embora clame para que não se altere o samba tanto assim, deverá aceitar o argumento que ao lado da tradição e das forças que garantem a sua manutenção, há um movimento paralelo que estabelece descontinuidades e que operam a transformação. Estas duas forças dinâmicas estão implicadas no processo de produção da cultura.




Por Paulo Ribeiro Soares Neto
Mestre em Sociologia – UFBA/ Professor de Antropologia da UNEB/Campus III

O Pharol: tempo, imagem e memória de um jornal petrolinense









Há 93 anos, Petrolina via nascer o mais antigo periódico do Vale do São Francisco : O Pharol. Criado por João Ferreira Gomes , Seu Joãozinho, o jornal relatou os impactos da 1ª e da 2ª Guerras Mundiais, a construção da catedral de Petrolina , o êxodo rural, a construção da Ponte Presidente Dutra e o desenvolvimento econômico da cidade.



Todos esses acontecimentos emergem no CD-ROM O Pharol - Tempo, Imagem & Memória, produzido pelos jornalistas Jean Carlos Corrêa e Nomeriana Cavalcanti. O produto foi desenvolvido como Projeto Experimental do curso de Jornalismo em Multimeios, do Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia, sob a orientação da professora Andréa Cristiana Santos.



Foram 74 anos de existência. Seu Joãozinho tinha apenas 14 anos, quando criou o Correio da Infância. Manuscrito, tinha apenas uma página dividida em duas colunas. Para o jornalista Jean Carlos Côrrea, a aventura de publicar o jornal "revelaria algo mais do que uma incursão aparentemente amadora e experimental de uma criança no mundo do jornalismo: revelaria a intenção de Joãozinho em difundir opiniões e informações por meio de um periódico".



Alguns meses depois, circularia, no dia 10 de setembro de 1915, O Pharol. Eram apenas duas colunas em uma folha de 15x10cm, com publicação semanal. A primeira edição foi impressa nas oficinas de A Folha do São Francisco durante um ano, até Seu Joaozinho ser presenteado pelo irmão José Mariano Gomes com uma impressora manual planter jobber. Este foi o início para consolidar a oficina d'O Pharol. Abrem-se, assim, as cortinas para um marco da história do jornalismo da região.


Diversos eram os acontecimentos noticiados no jornal. E quem dizia o que viria se tornar notícia eram os critérios de importância estabelecidos por Seu Joãozinho. Normalmente, as notícias variavam de relatos da vida social de Petrolina a acontecimentos de impacto nacional, como a segunda guerra mundial, os investimentos em fruticultura, o cenário político como as Diretas Já, em 1985. "Joazinho foi um homem que tinha uma noção de jornalismo que incluía o desenvolvimento da imprensa em sua cidade", afirmam os jornalistas no CD-Rom.




Ao longo dos anos, O Pharol recebeu diversas homenagens como a medalha de Mérito Cultural Oliveira Lima, em 1985, pois cumpre uma função de servir "de roteiro, aos pesquisadores de seu passado sertanejo". Para a professora Andréa Cristiana Santos, o Cd-Rom é um registro para pesquisadores da imprensa nacional de como uma cidade do sertão de pernambuco pôde assegurar à população informações e artefatos culturais como a fotografia desde 1916. "Hoje, este produto multimídia é uma memória da comunicação na região e da ação de profissionais que se dedicaram a produzir notícias por meio de textos e imagens. É também um passeio pela história de Petrolina e do Brasil", declara a professora, que avalia também a importância do CD-Rom como material didático para as escolas da região.



No CD-Rom, os jornalistas, através de pesquisas e entrevistas, conseguem reunir um vasto material sobre o fotojornalismo da região, com cerca de 115 fotografias. Também há um perfil de Seu Joaozinho e entrevistas com os profissionais do períodico.




Seu Joazinho: um homem de imprensa



Brota a flor no sertão. Onze de julho de 1901, nascia em Petrolina um sertanejo filho de comerciante do Mariano Ferreira Gomes e Maria Nunes Gomes. Além de homem de imprensa, foi vereador.


O jornal contribui para o desenvolvimento de Petrolina e também manteve boas relações com a Diocese de Petrolina. Mas foi longe de sua terra que ele faleceu no Espírito Santo, em 1993. Desde 1986, com a saúde frágil, já não estava mais à frente d'O Pharol.



"Ele foi o pioneiro da imprensa escrita de Petrolina", afirma a sua filha Darcy Neiva Gomes. Por muito tempo, quando ainda não existia luz elétrica em Petrolina, Seu Joaozinho, à luz de velas, escreveu para O Pharol. O objetivo era um só: levar ao público as primeiras notícias do dia.



Por Karine Pereira
Colaboradora MultiCiência


Texto publicado no jornal Gazzeta do São Francisco, na edição do dia 21 de setembro de 2008., Edição Especial Aniversário de Petrolina-Pe.

Eufonia é premiado

O programa Eufonia recebe hoje o prêmio Destaque Imprensa, na categoria Revelação, promovido pelo Sindicato de Jornalista do Estado da Bahia.


O programa é uma produção do projeto de extensão da Rádio Universitária da UNEB, coordenado e idealizado pela professora Fabíola Moura.


Boas notícias devem ser celebradas. Parabéns a Fabíola Moura, Teresa Leonel, também coordenadora do projeto, e a todos os alunos envolvidos que fazem acontecer o Eufonia. E a Tropical Sat, parceira do projeto.


O Eufonia é transmitido aos sábado, às 8h, na Tropical Sat.
Redação Multiciência

Televisão e consumo infantil

Jovem, publicidade e mídia: como se estabelece esta relação na periferia juazeirense. Quem discute essa questão é a estudante do curso de Comunicação Social (com habilitação em Jornalismo em Multimeios), do Campus III da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Juazeiro, Jane Aline Bastos.


A discente teve sua proposta de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) selecionada pelo Programa InFormação, da linha Cooperação para Qualificação de Estudantes de Jornalismo, aplicado pela Agência Nacional de Direitos da Infância (Andi).

O programa consiste na seleção de TCCs que enfoquem o tema geral Comunicação e a agenda social brasileira. O aluno selecionado precisa defender o trabalho até o dia 31 de janeiro de 2009. Para tanto, recebe da Andi uma bolsa de R$300, além de amparo didático, como acesso livre a sites de pesquisas, salas de discussão e doações de livros.

Em todo o Brasil, foram selecionados sete trabalhos, dos quais se exigiu o enquadramento na temática Criança, Consumo e Mídia. Dentre os escolhidos, está o projeto elaborado por Aline, que se propõe a investigar a relação entre os produtos televisivos e a influência no consumo entre as crianças de Juazeiro
“O trabalho consiste no mapeamento do cotidiano das crianças de Juazeiro, especificamente no bairro do Quidé. Ele busca entender que tipo de conteúdo e que tipo de linguagem compõem a paisagem do bairro e como os produtos são veiculados pela mídia”, explica Josemar Martins, professor-orientador da estudante.

Jane Aline, que ainda é co-orientada pela professora Carla Paiva, conta que atualmente está aprofundando sua pesquisa bibliográfica, para então dar início a fase de pesquisas de campo. “Quero saber como as crianças assimilam a publicidade de consumo divulgada pela mídia e entender a subjetividade das crianças imersas nesse processo. Até porque elas não têm poder de consumo e são bombardeadas com propagandas”, detalha.

Em julho de 2007, o egresso Raphael Leal, também estudante de Comunicação Social no Campus III, foi contemplado com uma bolsa de estudos do Programa Informação. Sua proposta de TCC teve como tema a as relações entre Comunicação e Educação. No entanto, o discente não teve tempo hábil para a conclusão do trabalho antes do prazo estabelecido pelo programa.

“O reconhecimento de dois trabalhos pelo Programa Informação demonstra a consistência da proposta pedagógica do curso de Comunicação Social da UNEB, que vem investindo na interface dos suportes jornalísticos em multimeios, na comunicação comunitária e na educomunicação”, pontua Josemar.




Fonte: UNEB/ASCOM, com colaboração da Agência Multiciência.

Por que alguém quer ser prefeito? por Teresa Leonel



Por que alguém quer ser prefeito? Longe de entender a verdadeira razão pela qual alguém quer ser prefeito de uma cidade, a complexidade da administração municipal parece não assustar, em nada, os que se dizem dispostos a fazer tudo “pelo povo e para o povo”.
Com discursos enfáticos, calorosos, poéticos, vibrantes e aglutinadores os políticos ou candidatos fazem da retórica a representação de uma verdade nunca “aplicável” na realidade.


Em sua maioria, os textos dos candidatos têm uma sonoridade espetacularizada entre a tragédia e a comédia. Fazendo caras e bocas saem narrando, interpretando, aumentando e diminuindo o tom da voz a depender da ênfase necessária a obra.

Percebe-se o quanto é importante apresentar uma infância perdida ou não, a relação com os diversos segmentos da sociedade, da cultura regional, com os bairros da periferia. Outros afirmam e reafirmam sua bandeira junto ao presidente Lula. Aliás, o nome mais citado e mais “candidato” do que os próprios candidatos.

Há uma necessidade logística do marketing político em insistir nesta tecla de que no palanque em que Lula estiver aí também estará o futuro prefeito.

Tem candidato do tipo "esquerda" que no passado um pouco distante, no começo de carreira, militou pela ARENA, partido que foi base de apoio do governo militar, e que depois virou PDS, um pouco adiante PFL e hoje DEM.

Há discurso que lembra a frase “já comi o pão que o diabo amassou” e ”hoje estou aqui, fazendo a diferença”. E que diferença!!

Na reta final para o dia 5 de outubro o desespero parece tomar conta de alguns candidatos que “ nunca antes na história” desse município esteve tão ativo em debates diversos. E agora tem presença confirmada. Tem também aqueles que estão construindo um espaço midiático para colher pontos nas eleições de 2010. Tem de tudo um pouco.

No entanto, resta ainda entender que governo assumirá a partir de janeiro de 2009, que aponte para um novo horizonte em Juazeiro, fazendo algo possível de ser realizado por uma gestão municipal, com políticas voltadas para o interesse da coletividade e não de uma minoria.



Quem votar, verá.


Artigo publicado no Blog Teresa Leonel, acerca do debate que aconteceu na UNEB, dia 16/09/08, com os candidatos a prefeito de Juazeiro-BA.
Teresa Leonel é jornalista, professora da UNEB e da FASJ.

Eleições a Prefeitura de Juazeiro em Debate




O Departamento de Ciências Humanas (DCH), campus III, da Universidade do Estado da Bahia, realiza o Debate As Eleições Municipais na Pauta da Universidade, na próxima terça-feira (16/09), às 15h, no Auditório do Campus III.

O evento é promovido pelos estudantes do 4º período de Jornalismo em Multimeios sob a coordenação da professora Andréa Cristiana Santos. O objetivo é promover o diálogo entre os prefeituráveis e a comunidade acadêmica, sociedade civil e jornalística da região. Os candidatos deverão esclarecer as propostas para a administração da cidade e debater temas de interesse público como educação, saúde, políticas públicas, meio ambiente, infra-estrutura, cultura, turismo, economia, protagonismo juvenil, entre outros.

Estão confirmados para o evento os candidatos Issac Carvalho (PC do B), Joseph Bandeira (PT), Misael Aguilar (PMDB), Roberto Carlos (PDT), Pedrina Ribeiro (PSOL) e Wank Medrado (PRT).

Com o objetivo de preservar a democracia participativa, o debate está programado para ocorrer em dois blocos. No primeiro, grupo de seis estudantes fará perguntas aos prefeituráveis. No segundo, os candidatos irão fazer perguntas entre si, sendo que haverá um sorteio para definir a ordem de perguntas e respostas. Cada pergunta, será feita no tempo de noventa segundos, e dois minutos para resposta, com direito à replica e tréplica de um minuto cada.
O evento conta ainda com a Assessoria Jurídica, que avaliará o direito de resposta no caso de ofensas, calúnias e difamação.


por Wllyssys Wolfgang&Equipe Eleições Municipais na Pauta da Universidade

Arte: Ricardo Alves

Crítica da Mídia por Teresa Leonel

A TV que faz o que quer e bem entende

Por Teresa Leonel Rocha Leonel

Quem fiscaliza a TV? Por que uma novela de 21h, cujo horário tem uma classificação específica, volta a ser repetida à tarde, quando boa parte das crianças e adolescentes de todas as idades está em frente à TV?

Prova de que não existe mesmo limite nessa questão de classificação de horário. O exemplo, hoje, é a volta da novela de Manoel Carlos Mulheres Apaixonadas, da TV Globo, dirigida por Ricardo Waddington e veiculada pela primeira vem em 2003.

Escrito para um público adulto, o folhetim traz um enredo complexo, narrações reflexivas, temáticas violentas, com ataques físicos e morais entre marido e mulher, ciúmes além dos limites, traições entre casais e, o que não poderia faltar, cenas de sexo quase explícitas entre os personagens Luciana (Camila Pitanga), estudante de medicina, e o médico César (José Mayer).

Mais uma vez, a sociedade se curva diante do poder da Vênus Prateada e nada reclama ou questiona. Afinal, se considerarmos que a novela é para os brasileiros a mesma representação que o cinema tem para os americanos, entenderemos que esta obra (aberta) é um canal indutor de conceitos, formas e modo de ser de uma sociedade.

"Nada demais"

Se não questionamos, concordamos com isso. Quando deixamos nossas crianças e adolescentes assistirem este tipo de novela, permitimos que elas vivenciem determinadas situações que podem ser postergadas do universo infanto-juvenil.

Temáticas que podem ser vistas em outro momento de maturidade, absorção e reflexão sobre questões que fazem parte integrante de uma estrutura societária, mas que para as elas são desnecessárias neste primeiro momento.

Ao se veicular o folhetim no horário das 21 horas, pai e mãe têm a opção de recomendar a seus filhos menores de 12 anos que não assistam a tais programações. Contudo, na medida em que esta programação é apresentada às 15 horas, deixa de ser "algo demais" para ser "algo comum" e, conseqüentemente, aceita como "natural", "nada demais" para crianças e adolescentes assistirem. Afinal, é uma programação liberada para ser veiculada às três horas da tarde!

Pais pedem socorro

Hoje, estamos consolidando mais uma vez a morte de uma nova sociedade que vai emergir a partir dessas crianças que apreendem conceitos, regras, normas e forma de ver a vida a partir da maior janela de comunicação: a televisão.

Dentro dela, a construção de novelas que em sua maioria emburrecem, engessam e transformam pessoas em meros espectadores de uma vida sem sentido, ilusória e imaginária. Algo que no cotidiano de muitas pessoas singulares está totalmente fora do contexto.

Repugnantes, também, são as atitudes dos que deixam que isso passe desapercebidamente. Muitos pais estão pedindo socorro e a sociedade de amanhã vai agradecer por isso.


Por Teresa Leonel
Jornalista e professora da UNEB e Faculdade do São Franscisco (FASJ)
Texto publicado no Observatório da Imprensa

UNEb é eleita a melhor universidade pública estadual da Bahia

A Universidade do Estado da Bahia (UNEB) obteve o melhor desempenho no Índice Geral de cursos - novo indicador de qualidade do ensino superior do Ministério da Educação (MEC) - entre as universidades públicas estaduais da Bahia.

O ranking, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao MEC, destacou também a UNEB como a terceira melhor instituição de ensino superior baiana, com pontuação abaixo apenas da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet).

A UNEB obteve conceito 4 no IGC (o valor máximo é 5), que mede o desempenho das instituições de ensino superior (IESs), resultado que a insere no seleto grupo das melhores universidades e centros universitários do Brasil.

APOIO DO GOVERNO

O reitor da UNEB, Lourisvaldo Valentim, atribuiu a classificação no IGC aos esforços de toda a comunidade acadêmica e ao apoio do governo estadual.

"Esse bom resultado reflete os avanços vivenciados por nossa universidade. Com a participação dos estudantes, professores, funcionários, gestores e diretores, nestes dois anos e meio de administração, conseguimos dar um salto de qualidade", disse.

INFRA-ESTRUTURA

O MEC analisou investimentos em infra-estrutura e instalações, recursos didático-pedagógicos e corpo docente, além dos resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) de 2005 a 2007, e a nota atribuída pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) à pós-graduação (2004 a 2006).

Outro fator preponderante na avaliação do IGC foi o crescimento da pós-graduação e da pesquisa na universidade nos últimos três anos. A instituição tem hoje nove programas de pós-graduação stricto sensu e tem crescido também o apoio de agencias oficiais de fomento à pesquisa.
Fonte: ASCOM-UNEB

Lá vem história: lançamento do livro Historinhas, Pensamentos....



A estudante de Pedagogia do Campus III da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Juazeiro, Mariana Oliveira, lança, hoje, o livro Historinhas, Pensamento, Poesia e Desenhos. O evento acontece no Espaço Canto de Tudo, no DCH III, a partir das 17h.

A publicação conta com parceria do Grupo de Estudos em Educação Infantil da UNEB, que desenvolve atividades direcionadas para crianças através do projeto de extensão A Hora do Conto, e da instituição alemã Kinder Missionswerk.

O interesse em produzir o livro, segundo a estudante, surgiu a partir do trabalho desenvolvido no Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa), com o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, e dos eventos realizados para crianças no projeto de extensão A Hora do Conto, do curso de Pedagogia do Campus III da UNEB.

“Escrevia os textos para as oficinas e daí surgiu o interesse em reunir esses textos num livro”, conta Mariana.

A Hora do Conto

Coordenado pela professora do Departamento de Ciências Humanas (DCH), Selma Campos, o projeto A Hora do Conto tem o apoio de parceiros importantes, pessoas que se dispõem a ler historinhas para crianças e realizar atividades para estimular a leitura.

“Quando soube que Mariana, que foi minha aluna, era escritora de textos infantis, convidei-a para participar também, e ser mais uma colaboradora”, conta a coordenadora.

O livro será vendido a R$10, mas também será doado a algumas instituições e escolas públicas já escolhidas, e cadastradas no Irpaa, além da biblioteca do DCH.

Segundo Selma, a publicação de livros como Historinhas, pensamento, poesias e desenhos são possibilidades de mostrar que, mesmo com tanta tecnologia, as crianças ainda brincam como antigamente, ouvem histórias educativas e alimentam a imaginação e a curiosidade através da leitura.

O livro contém 34 páginas, e, nesta primeira edição, serão disponibilizados 3 mil exemplares. Além dos textos, a publicação conta com desenhos para colorir. “A criança vai pegar o livro, vai querer colorir o desenho, mas vai ler o texto antes para entender a relação entre a figura e o texto”, conclui Mariana, que pretende estimular a leitura das crianças de forma lúdica.


Informações: Colegiado de Pedagogia/Campus III - Tel.: (74) 3611-5617.

Texto: Ascom/UNEB.

Eleições Municipais na Pauta da Universidade



O Departamento de Ciências Humanas (DCH), campus III, da Universidade do Estado da Bahia, realiza o Debate As Eleições Municipais na Pauta da Universidade, na próxima terça-feira (16/09), às 15h, no Auditório do Campus III.


O evento é promovido pelos estudantes do 4º período de Jornalismo em Multimeios sob a coordenação da professora Andréa Cristiana Santos. O objetivo é promover o diálogo entre os prefeituráveis e a comunidade acadêmica, sociedade civil e jornalística da região. Os candidatos deverão esclarecer as propostas para a administração da cidade e debater temas de interesse público como educação, saúde, políticas públicas, meio ambiente, infra-estrutura, cultura, turismo, economia, protagonismo juvenil, entre outros.

Estão confirmados para o evento os candidatos Issac Carvalho (PC do B), Joseph Bandeira (PT), Misael Aguilar (PMDB), Roberto Carlos (PDT), Pedrina Ribeiro (PSOL) e Wank Medrado (PRT).


Com o objetivo de preservar a democracia participativa, o debate está programado para ocorrer em dois blocos. No primeiro, grupo de seis estudantes fará perguntas aos prefeituráveis. No segundo, os candidatos irão fazer perguntas entre si, sendo que haverá um sorteio para definir a ordem de perguntas e respostas. Cada pergunta, será feita no tempo de noventa segundos, e dois minutos para resposta, com direito à replica e tréplica de um minuto cada.

O evento conta ainda com a Assessoria Jurídica, que avaliará o direito de resposta no caso de ofensas, calúnias e difamação. Não será permitido o acesso de pessoas com objetos sonoros alusivos, nem a comunicação interpessoal ou por dispositivos de mídia sob pena de encerramento do debate. Entre os blocos, haverá intervalo de três minutos.



por Wllyssys Wolfgang&Equipe Eleições Municipais na Pauta da Universidade
Arte: Ricardo Alves

Cinencontro discute Sexualidade na Comteporaneidade




O Projeto “Cineencontro” promove no próximo dia 18 de setembro debate sobre a sexualidade na contemporaneidade, no Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a partir das 18 horas,



Com o tema “(In) Tolerâncias da Sexualidade no Contemporâneo”, a professora Maria Rita Assy discute a aparente liberdade apresentada na sociedade atual para diferentes tipos de expressões afetivas e contraditoriamente a existência de intolerância ao que extrapole o já estabelecido como natural.



A coordenadora do Projeto de Extensão “Cineencontro”, professora Giovanna De Marco, explica que o olhar sobre a sexualidade passa por profundas mudanças desde a década de 60, quando a pílula anticoncepcional é descoberta e a mulher afirma seu direito ao prazer sem a procriação. O sexo passa a ser livre das obrigações do casamento assim como da reprodução.


Apesar disso, a professora ressalta que a violência ainda existe e ressalta que mesmo com a transgressão do conceito de família na contemporaneidade o preconceito ao diferente está enraizado. “Essa violência não é apenas entre homossexuais, mas também em relacionamentos heterossexuais. Ser diferente tanto na afetividade como no modo de ser mulher não é algo fácil numa sociedade que aparentemente comporta uma multiplicidade de expressões”, explicou a professora.


Para desencadear as questões que perpassam o tema, será exibido o documentário “Ser mulher” e serão convidados para o evento representantes dos movimentos sociais da região. A entrada é gratuita.


Helen Campos, Jornalista em Multimeios

Ensaio Fotográfico Debate: Jornalista por Formação


Tadeu Pinheiro (à esquerda), do Sindicato de Jornalista do Estado da Bahia, Jota Menezes, Jean Carlos e Geovani Siqueira.
Foto: Kall Britto

Ensaio Fotográfico Debate: Jornalista por Formação Kall Britto




O radialista Geraldo José; e o professor de Direito, Reginaldo Gomes.

Ensaio Fotográfico: Jornalista por Formação Kall Britto



Jean Carlos Côrrea, Geovani Siqueira e Tereza Leonel.
Foto: Kall Britto

MultiCiência Debate: Jornalista por Formação

Há um mês e sete dias, a Agência de Notícias MultiCiência iniciou uma discussão no espaço virtual sobre a formação do Jornalista, acolhendo a expectativa de variados sujeitos da sociedade civil - professores, egressos, alunos, comunidade científica, entidades sindicais - a respeito do debate sobre a centralidade do Jornalismo na sociedade contemporânea.


Ciente da importância de construir este espaço de diálogo junto a comunidade de Juazeiro e Petriolina, foram convidados o Colegiado de Comunicação Social, professores, Centro Acadêmico do Curso de Comunicação Social, alunos, egressos, sociedade a iniciar esta discussão sobre a necessidade de assegurar a formação inerente à profissão do jornalista como ator social importante na sociedade contemporânea. Registre-se que a construção deste diálogo partiu da preocupação dos professores e jornalistas Tereza Leonel, Emanuel Andrade, Fabiola Moura, e eu (Andréa Cristiana) em tornar público o que há muito se tem discutido diariamente na sociedade e no curso: a formação do jornalista, a preocupação com uma informação de qualidade, a crítica aos medias.



Entende-se que o jornalismo é um campo de conhecimento e o profissional deste campo opera nos processos de significação do mundo e de mediação discursiva, além de ser um elemento essencial para a democracia, presente em processos históricos que consolidaram a construção da idéia de nação, cidadania, etc.

Este debate começou com a publicação do artigo do egresso Jean Carlos no dia 3 de agosto, no qual defende: "também é a hora para debater o que se pretende do jornalismo regional de agora em diante - estamos falando da comunicação para um público de quase meio milhão de pessoas, 230.538 em Juazeiro e 268.339 em Petrolina, segundo dados do IBGE (2007), sem contar as demais cidades da região do Vale".



E prosseguiu com o artigo de Muniz Sodré no dia 7 de agosto, no qual ele afirma: “Eventuais descaminhos não podem elidir a evidência de que a imprensa brasileira, por exemplo, jamais deixou, em seus 200 anos de existência, de estar presente, como parte essencial, nas causas que ajudaram a dar à nação a sua face atual – a abolição da escravatura (de cuja campanha participou a maioria dos jornais provinciais) e a criação da República. O jornalismo, no Brasil e no resto do mundo, reflete as questões públicas decisivas para os rumos da nação.Congratulo-me com Muniz Sodré com sua defesa de que “(..) Informação não é mero produto, nem serviço: é o próprio solo da sociedade em que vivemos, é o campo onde joga o cidadão".
Ao defender a formação do profissional Jornalista, assegura-se a legitimidade de um profissional que atua como intérprete da realidade complexa com a qual vivemos, sendo necessário conhecimento sobre o campo, princípios éticos e não apenas vontade pessoal para assumir um papel social e/ou conquistar mercados e interesses pessoais – assumindo-se como jornalista, sem a formação necessária.

A defesa do jornalismo como profissão e formação requer compromisso social, a defesa da ética, a do bom combate pela verdade e pelo desvelo em elucidar questões essencias para se orientar na sociedade contemporânea. Este é apenas o início de uma permanente luta – pelo Jornalismo, pela formação adequada e por um jornalismo comprometido socialmente.



Retomemos, então, à tradição do debate público iniciado desde o surgimento da imprensa, no qual o jornalista usava a sua pena para discutir temas de interesse público. Este jornalista que não era formado em uma universidade, mas o intelectual de seu tempo – o literato, o escritor, o advogado, o médico, o cidadão -, cujo princípio que o norteava era mediar o debate público.


Esta é a concepção que move o Debate Jornalista por Formação: expor idéias, argumentos para discutir a centralidade do jornalismo na sociedade contemporânea e da necessária formação para atender as exigências de uma informação jornalística de qualidade e comprometida socialmente.




Andréa Cristiana Santos
Jornalista, professora e coordenadora do projeto Agência de Notícias

UNEB divulga Debate Jornalista por Formação

A defesa pelo diploma de Jornalismo como requisito para o exercício da profissão. Com o intuito de discutir o tema, estudantes e profissionais da área participam do debate Jornalista por formação: caminhos e perspectivas em defesa da profissão.

O encontro ocorre hoje (10/09), às 16 horas, no auditório do Campus III da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Juazeiro. O evento, promovido pela agência de notícias MultiCiência, do curso de Jornalismo em Multimeios, é aberto a toda a comunidade. Não é necessário realizar inscrição para participar.

De acordo com a professora Andréa Cristiana, a discussão é fundamental para a região e tem levado jornalistas, professores, instituições de ensino, sindicatos e entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) a promover debates sobre o tema.


“É preciso compreender que a formação acadêmica é imprescindível para que haja transmissão, para toda a comunidade, de conhecimento com transparência e qualidade profissional” declara Andréa.


Novos profissionais


O debate também será uma oportunidade para discutir a formação do jornalista, a relevância do profissional para a sociedade e as novas perspectivas e caminhos que se iniciam no mercado de trabalho na região do Vale do São Francisco, com a formação de egressos do curso Jornalismo em Multimeios pelo Departamento de Ciências Humanas (DCH), do Campus III da UNEB.

Para Tereza Leonel, professora da disciplina Jornalismo On-line, do Departamento de Ciências Humanas (DCH) do Campus III, e uma das convidadas do encontro, o debate é também uma maneira de discutir as melhorias dentro dos centros acadêmicos. Tereza salienta a importância de disciplinas como a Ética para a formação do jornalista.


“O jornalismo tem, enquanto ciência, a responsabilidade social e o compromisso de conhecer e estudar as reais necessidades da sociedade em desenvolvimento para que possa entendê-la e trabalhá-la. E é também através da ética que atingimos esta capacidade”, ressalta a professora.


Além de Tereza Leonel, estão confirmadas as presenças no debate do professor da Faculdade de São Francisco (Fasj) e delegado do Sindicato de Jornalistas de Pernambuco, Giovani Siqueira, do advogado Reginaldo Gomes, do jornalista em Multimeios Jean Carlos Côrrea, e do radialista e jornalista Geraldo José. Também foram convidados comunicadores, radialistas e representantes sindicais.


Recurso no Supremo


O tema debatido em Juazeiro estará em discussão nacional na próxima semana. No dia 17 de setembro, o Recurso Extraordinário (RE) 511.961, será votado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no estado de São Paulo e pelo Ministério Público Federal, sobre a não-obrigatoriedade do diploma em curso de graduação em Jornalismo para o exercício da profissão.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Universidade do Estado da Bahia

Nota de Esclarecimento do Centro Acadêmico de Comunicação Social - Gestão Além dos Muros

O Centro Acadêmico de Comunicação Social - CACoS - Gestão "Além dos Muros" vem de público informar o motivo pelo qual nos afastamos da organização do evento "Jornalista Por Formação: caminhos e perspectivas em defesa da profissão".

De fato, nos colocamos à disposição para construirmos este espaço, contudo, no decorrer da construção do mesmo, discordamos do formato pensado.
A formação da/do jornalista é uma temática bastante em evidência hoje em âmbito nacional e esbarra num tema mais específico, a obrigatoriedade do diploma. Distintos posicionamentos são apresentados por entidades, profissionais, estudantes e sociedade em geral que tem participado das discussões.

Diante disso, acreditamos que a melhor forma de iniciar essa discussão em nosso curso, seria um espaço menos formal. Não vemos, por exemplo, a necessidade de uma mesa representativa, por isso nossa proposta era que fosse realizada uma roda de discussão, onde todas e todos que fizessem inscrição teriam o mesmo tempo para fazer uso da palavra.
Mas o conceito de debate defendido pela Agência Multiciência e pelo CACoS são diferentes e só isso foi o bastante para não participarmos enquanto entidade promotora/organizadora do referido evento. Todavia, o Centro Acadêmico não se omite de participar deste espaço, ratificamos: apenas não concordamos com o formato proposto.

Centro Acadêmico de Comunicação Social - UNEB Campus IIIGestão "Além dos Muros"

Carta da SBPJOR em defesa da formação superior em Jornalismo para o exercício profissional


A Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), entidade científica que busca a promoção de estudos avançados no campo do jornalismo, reunindo 347 pesquisadores, sendo 154 doutores, vem a público manifestar sua preocupação com a possibilidade de extinção da obrigatoriedade do diploma de Curso Superior de Jornalismo para o seu exercício profissional, objeto que se encontra em análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A SBPJor entende que a preservação da liberdade de expressão e de um fluxo informacional qualificado e plural na sociedade brasileira depende da existência e atuação de profissionais com competências específicas para garantir o cumprimento dos compromissos e responsabilidades sociais inerentes à atividade jornalística.

Avaliamos que um jornalista devidamente preparado em um curso superior obtém conhecimentos que lhe capacitam para garantir a pluralidade de acesso, opiniões, ideologias, culturas e visões de mundo que devem permear o conteúdo jornalístico de um meio de comunicação social. Consideramos que a extinção da obrigatoriedade do diploma em Jornalismo para o exercício profissional abrirá a possibilidade de que pessoas sem requisitos de competência e conhecimento assumam a função jornalística, tornando esta atividade muito mais exposta às pressões e controles por aqueles que tentam desvirtuar o caráter de interesse público da informação jornalística.
Brasília, 21 de julho de 2008.

Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor)

Debate Jornalista por Formação


Acontece, na próxima quarta-feira, o debate Jornalista Por Formação: caminhos e perspectivas em defesa da profissão, no próximo dia 10 de setembro, às 16horas, no Auditório do Campus III, da UNEB.



O objetivo é tornar público a defesa do diploma, devido a votação do Recurso Extraordinário (RE) 511961, no próximo dia 17 de setembro, pelo Supremo Tribunal Federal, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no estado de São Paulo e pelo Ministério Público Federal, acerca da não obrigatoriedade do diploma em Curso Superior de Jornalismo para o seu exercício.

Participam do debate o professor da Faculdade de São Fransisco (FASJ) e delegado do Sindicato de Jornalistas de Pernambuco, Giovani Siqueira, a professora Tereza Leonel, o advogado Reginaldo Gomes, o jornalista em Multimeios Jean Carlos Côrrea, o radialista e jornalista provisionado Geraldo José. Também foram convidados comunicadores, radialistas e membros dos sindicatos.

O debate também será uma oportunidade de discutir a formação do jornalista e as novas perspectivas e caminhos que se iniciam no mercado de trabalho na região do Vale do São Francisco com a formação de egressos pelo Departamento de Ciências Humanas (DCH III), UNEB.


Redação MultiCiência

Nos recortes de memória de Maria Franca Pires

Pesquisadores mergulham no acervo de Maria Franca e (re) constroem a (s) história (s) de Juazeiro








“Ando nas ruas do centro/ Estou lembrando tempos/ Enquanto lhe vejo caminhar/ Aguando a calçada/ Um barbeia um velho/ Deita a noite e diz poesia (serenata)”. Este é um trecho da música Carta, da cantora e compositora Vanessa da Mata, que compõe o documentário Juazeiro na Esteira da Tempo.


O documentário é uma entre várias ações promovidas pelos estudantes, dos cursos de comunicação social e pedagogia, que são coordenadas pela docente Odomaria Bandeira Macedo, no projeto de pesquisa e extensão O Arquivo de Maria Franca Pires: Memória e História Cultura.


O que mais impressiona no projeto, sejam com “Juazeiro na Esteira do Tempo”, o diário pessoal, os convites ou as peculiaridades da fitas cassetes, é que, a cada momento, as inquietações se tornam mais latentes.


São diversos questionamentos: O que muda com as costuras? O que permanece com os recortes? Que pessoas saem dos retalhos? Que temas são registros? Que lugares se tornam memórias?


Um espaço em que as recordações estão encarnadas em símbolos e imagens, construídas a partir das coisas. Coisas que denotam a inquietação de Maria Franca Pires, uma pessoa que estava sensível as mudanças de uma época que sofria com a dinâmica do progresso capitalista.


Aqui a memória, diversas vezes, é definida como um traço individual que se torna coletivo. Uma coletividade que, ao mesmo tempo, constrói passado, presentifica lembranças e delineia futuro, através da manutenção de monumentos, estátuas, manuscritos e relatos.



Os fatos e os personagens ganham destaque nas pesquisas, mas também os lugares. Pode ser visto, no decorrer do estudo, o processo de transformação da paisagem urbana: o Cine São Francisco dá espaço à instalação das Lojas Maias, o Ideal Palácio é substituído pela Loja Master e a casa de Maria Franca Pires é demolida para construção de um estabelecimento.


O espaço-tempo se confunde e os eventos e personagens da memória se manifestam, ao entrar em contato, com a lembrança material da professora. É o caso de uma estudante de Pedagogia, que remonta as recordações e se emociona, ao ler no caderno n 6, de Maria Franca Pires, a história de Arthur Brandão e das lavadeiras juazeirenses.

Afloram -se a sensibilidade, as recordações e as problemáticas, que revelam a verdadeira importância da preservação da memória na história cultural de um povo. São vestígios que evidenciam a relevância de fatos e datas na produção dos aspectos culturais e sociais de uma sociedade, por meio da coleta, leitura e interpretação do acervo.

É a história de Juazeiro se construindo, a partir da relação pesquisador- objeto-sociedade. A identidade social e cultural preservada pelas fontes, jornais, livros, cadernos, fotografias está está acessível a comunidade e pesquisadores, no DCH-UNEb, na Sala de Projetos do Acervo (dependências do Núcleo de Pesquisa e Extensão (NUPE), situado próximo ao Auditório do Campus III e ao Laboratório de Informática do curso de Comunicação Social). Horário de segunda a sexta, das 9h30 às 11h30.


Por Kall Brito

A Memória das Coisas e as Coisas de Memórias

Há dois anos, vivo a garimpar pedaços de memórias nas “coisas” ( e a pensar sobre elas) com uma determinação que só encontro paralelo quando passo a refletir sobre a disposição da professora Maria Franca Pires em recolher tantos objetos de memórias.


Será mais uma imagem do “museu de tudo” que Jorge Luís Borges relata no conto “Funes, el memorioso”? O que levava Maria a tal pulsão colecionadora? Citando o ensaio “O sistema dos objetos”, de Jean Baudrillard, a pesquisadora Maria Esther Maciel afirma no livro “A memória das coisas” que todo objeto, ao ser colecionado, deixa de ser definido pela sua função para entrar na ordem da subjetividade do colecionador. Então, que subjetividade emerge deste “museu de tudo” das coisas guardadas por Maria Franca Pires?


Como dar sentido aos 90 anos de recortes da história cultural de Juazeiro – em depoimentos de personagens da história local, em jornais da primeira metade do século XX, em fotografias e cadernos de anotações – numa perspectiva de construção biográfica? “E como nomear este processo?”, perguntaria a pesquisadora Beatriz Fischer. Será uma biografia, uma narrativa biográfica ou um estudo de caso?


Em todas essas reflexões esbarrei em uma constatação que aflorou em minha consciência como um grito dos deuses: “Vá à fonte original de suas angústias, os objetos de memórias por ti inventariados no itinerário de pesquisa!” Neste aspecto, sou como Antonila da França Cardoso ao ser convocada por Maria Franca Pires para imortalizar as lendas e manifestações culturais do Vale do São Francisco: “Sou muito obediente quando me dão ordens nesse tom!”. A convocação de Antonila resultou no livro “Nosso Vale, seu folclore beira rio”. A minha resulta neste humilde relato que, por ora, inicio. Ou já iniciei?


Em um texto que escrevi sobre os penitentes, cruzei informações da pesquisa feita por Antonila com depoimentos de pessoas como D. Roza, responsável por um dos cinco atuais cordões de “Alimentadeiras de Almas”. Só depois de postar o texto na internet, encontrei um bloco de folhas grampeadas do Centro de Estudos Rurais e Urbanos de São Paulo, datado de junho de 1984, cujo título é “A penitência no presente e no passado”, de Waldenir Caldeira de Jesus Coelho de Araújo.


Parte de uma tese de doutorado em sociologia da religião pela USP, o texto de Waldenir Caldeira está na pasta que no trabalho de organização do arquivo atribuímos o número 6 e o nome “livros e livretos”. Divide espaço com “Ernesto, o artista”, drama em 3 atos de Dermeval de Ferreira Lima (o mesmo que tem um esboço biográfico na pasta 14: “biografias diversas de personagens da história local”) e, olha que surpresa!, o drama de Dermeval está lado a lado com o livro “Gente Geléia”, de Manuka (com k), hoje um veterano poeta juazeirense.


Em um mesmo bloco de folhas grampeadas está manuscrita uma palestra sobre a Revolução Francesa proferida no dia 14 de julho de 1928 por Édson Ribeiro, no Colégio Americano Geraldo Rocha de Juazeiro. Por sinal, a riqueza de materiais que se encontra no arquivo sobre o médico, político, intelectual, historiador e educador Édson Ribeiro me possibilitou escrever um perfil biográfico para a disciplina “Entrevista e Reportagem” do homem que é considerado por Antonila (olha ela aí de novo) “o cidadão juazeirense do século XX”.


As palestras e discursos de Édson apontam para uma Juazeiro em que a inauguração de uma placa dando nome a uma rua incitava longos discursos justificando a escolha e em que o papel do professor primário rural na educação sanitária do povo era discutido em palestras sobre a “profilaxia das moléstias infecciosas na escola”, destinadas aos próprios professores de escolas primárias.


Uma cidade que se reunia no cais, com direito a banda de música (a Apollo), para receber um filho da terra recém-chegado do “mundo”, como Joaquim Meirelles de Souza. O passaporte, válido até o dia 7 de dezembro de 1952, indica que ele tinha entrada permitida no Uruguai, Argentina, Bolívia, Chile, Peru, Equador, Venezuela, México, Cuba, Canadá e América do Norte. Juntinho do passaporte, um diário de viagens escrito a lápis.


Em todas as páginas escritas tem a numeração, o dia da semana, o mês, a data e o local. O
caderno, onde pelo estado de conservação se percebe o peso do tempo, inicia na Bahia (Salvador era considerada Bahia e ainda há quem considere), numa sexta, dia 21 de setembro e na página 3 e termina num sábado, dia 15 de dezembro, em Juazeiro. Seria difícil encontrar o ano se, no primeiro dia de outubro, ele não resolvesse escrever “1° de outubro de 1928”. Ler o caderno de Joaquim Meirelles é fazer um passeio por cidades como Belém, São Luís, Natal, Vitória, Maceió, Piranhas, Fortaleza, Rio de Janeiro, Uberaba, Belo Horizonte e, claro, Bahia, quer dizer, Salvador.


Por meio dos relatos, mergulhamos na estética de um ser errante. A memória das coisas se embaralha, os olhos do presente interrogam o passado: “O que será que Joaquim queria ao registrar estes lugares? Será que era para atiçar as lembranças, já no bojo de sua família juazeirense? Mas será que ele revisitou as lembranças destes lugares mesmo?”. Bem, o que sei é que, agora, este caderno é um lugar de lembranças, uma peça na composição memorialística das coisas.


Antes que me esqueça, o caderno de viagens de Joaquim Meirelles de Souza está na pasta 14: “biografias diversas de personagens da história local”. A mesma pasta em que, dentre tantos outros objetos, encontramos os traços biográficos do professor Luís Cursino da França Cardoso escritos por sua neta (ela mesma) Antonila, o texto “alguma coisa da vida de Dermeval de Ferreira Lima” e até mesmo os traços biográficos de Maria Franca Pires, responsável por recolher tantas “coisas de memórias” por ela vistas, lidas, ouvidas, sentidas, experimentadas e imaginadas ao longo de uma vida, que, por ora, se multiplica em seis pesquisas e em tantos outros relatos no trabalho quase arqueológico de inventariar as memórias das coisas de memórias…


Por Luis Osete, sobre a sua experiência como pesquisador de iniciação cientifica na arte da pesquisa sobre o acervo Maria Franca Pires e a historia cultural de Juazeiro

Sobre Fotojornalismo & Fotografia: uma resposta a oferecer



As inquietudes do fotojornalista André Teixeira, reveladas por ele em um artigo publicado na edição de março da revista bimestral Photo Magazine, resumem os dilemas éticos que apenas os profissionais que fazem do registro da imagem de um fato – ou antes, realizam o recorte fotográfico à espera de um sentido que lhe será atribuído, em geral posteriormente, na redação – vivem cotidianamente.

Em resumo, são elas: quando fotografar e quando abaixar a câmera? Como portar-se diante do sofrimento alheio? Como o fotojornalista se sentiria, caso fosse a sua dor perante uma tragédia o alvo do registro fotográfico? Por tabela, entra a questão: o que ele deve fazer quando deparar com uma pessoa cuja vida corra risco? Esquecer o disparador da câmera e a distancia segura, que beira a um ato de voyeurismo? Ou protagonizar o fato, e até salvar a vida de alguém? Tais questões não são das mais fáceis, mas enquanto profissional do jornalismo, reflete Teixeira, fazer as fotos é a atitude correta, embora ele insista em sua inquietação e considere o problema do "fotografar ou não" um enigma sem resposta.
Essas são algumas reflexõs sobre o fotojornalismo feitas por:

Jean Carlos Correa, Jornalista em Multimeos
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Memórias das Coisas, Recortes de uma História Cultural em Juazeiro-BA (1899-1988)


Recortes da realidade provenientes de jornais, cadernos de anotação, revistas, cartazes, fitas cassetes, livros e livretos. São as propostas da 75 Sessão de Comunicação Científica que tem como título Memórias das Coisas, Recortes de uma História Cultural em Juazeiro-BA (1899-1988), que acontece hoje na sala 03, do Departamento de Ciências Humanas (DCH III), da Universidade do Estado da Bahia.

O evento apresenta as atividades dos estudantes no projeto de pesquisa e extensão O Arquivo de Maria Franca Pires: Memória e História Cultural em Pesquisa na região de Juazeiro-BA, coordenado pela professora Odomaria Bandeira Macedo.

A sessão é uma contribuição para construção e difusão da história cultural da cidade de Juazeiro, através dos inventários que conservam uma memória. “A memória de uma época histórica, do modo como as pessoas se vestiam, falavam, um retrato de um momento histórico da cidade de Juazeiro”, afirma Juliana Pires, estudante do 8º período de Comunicação Social e monitora de extensão do projeto.

O diferencial da sessão cientifica é que será apresentada apenas por estudantes. Uma oportunidade para cada pesquisador relatar suas experiências e impulsionar outros discentes à produção científica. O público irá se deparar com diversos temas que constam no legado cultural de Maria Franca Pires. A exemplo da trajetória de Edson Ribeiro e um documentário fotográfico “Juazeiro na Esteira do Tempo", que compara à antiga e a atual Juazeiro, produção de Luís Osete, em um recorte do seu trabalho de documentação historiográfica do arquivo.

Já a monitora Juliana, fará a exposição do caderno pessoal de Maria Franca Pires. O caderno contém oitenta e quatro entrevistas realizadas por Maria Franca Pires, em um período de três meses. Segundo a estudante, Maria fazia entrevista com pessoas ligadas à cultura, à educação, personagens que considerava importante na história de Juazeiro e escrevia tópicos sobre as entrevistas.

Thirza Silva dos Santos, do 4o período de comunicação social, traz recortes de histórias como a entrevista concedida por Paulo Freire a rádio Juazeiro, além dos programas radiofônicos, da década de 80. Entretanto, para a estudante o fato mais relevante, que consta nas fitas cassetes, é a chegada do vapor Beijamim Guimarães ao cais de Juazeiro.

O trabalho do inventário vem sendo desenvolvido pelos bolsistas e voluntários há cerca de dois anos. Um processo que visa catalogar e identificar os documentos, que fazem parte do grande projeto de difusão do acervo de Maria Franca Pires. Um estudo que tem como fonte a memória material da professora e como fundamento teórico autores, como Maria Esther Maciel, Maurice Halbwachs e Henri Bergson. Ao longo desse trajeto, de produção da história cultural de Juazeiro, já foram realizadas duas exposições: uma com fotografias do acervo e outra sobre a publicidade regional.

A Sessão Científica acontece hoje, na sala 03, do DCH III, das 18h às 20h. Uma oportunidade para a sociedade juazeirense conhecer as vertentes do arquivo a partir das pesquisas dos estudantes Elane Silva Moreira, Juliana Pires de Carvalho, Luís Osete Ribeiro de Carvalho, Marcos Sérvan Cadidé Cardoso e Thirza Silva dos Santos.


Por kall Britto

O universo lúdico da obra Historinhas, Pensamento, Poesias e Desenhos



Preservação da natureza, defesa da diversidade, respeito às diferenças, amor à vida, valorização da cultura, incentivo à leitura e contextualização da realidade do semi-árido. São as principais questões abordadas pelo livro Historinhas, Pensamento, Poesias e Desenhos, da escritora e estudante Mariana Oliveira, do curso de Pedagogia, do Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).


O projeto se propõe a fomentar, através de textos e ilustrações, a fantasia da criança e, também dos adultos, para que abandonem, por uns instante, o racionalismo e se embriaguem de imaginação. O livro mescla interatividade e dinamismo para fazer o leitor navegar pelo mundo lúdico dos contos.


“Na história a criança pode tudo, pode escrever, por que na imaginação o ser é livre. Eu mesmo busco pensar com a cabeça de uma criança, ler como a criança deseja, como ela quer ouvir uma história. A criança não tem essa coisa do realismo, é bem surreal, afirma Mariana.


Ao longo da obra, a criança poderá interagir com as histórias através da pintura de desenhos, produzidas pelos filhos da escritora, Lucas, 10 anos e Caio, 7 anos. A proposta é permitir a criança trabalhar a questão das cores e da imaginação, por meio de uma caixinha de lápis de cor, que acompanha o livro.


A abordagem dos temas é construida de forma simples. Questões como destruição das matas ciliares, da proteção dos animais e do uso do agrotóxico, serão trabalhadas por meio de personagens como Sapuru, Cobra, Batatinha e Cenorita.Além de retratar as lendas do Vale do São Francisco, através do cordel e da poesia.


São textos curtos que representam a cultura de Juazeiro e Petrolina, como o Nego d’ Água, a serpente da Ilha do Fogo, a Carranca e o casamento de Maria Bonita e Lampião.


“A contação de histórias” se originou há quatro anos, a partir de um trabalho no Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada, no Projeto Baú de Leitura. Mariana, na época, ministrava oficinas de arte e educação para os educados e educandos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PET).


De acordo com a escritora, as atividades promoveram uma aproximação com o universo linguístico de autoras como Emir Ribeiro e Ruth Rocha, servindo de inspiração. Mas essa não é a primeira vez, que a escritora dá a sua contribuição. “Eu já lancei um livro de poesias com quatorze anos, Esperança Minha, conta.



A publicação do livro conta com a parceria do projeto de extensão A Hora do Conto, coordenada pela professora Selma Campos, do Departamento de Ciências Humanas (UNEB). Este projeto que tem a participação de Mariana, professores e técnicos da UNEB se propõe a realizar leituras de literatura infantil como fábula, conto, parlenda, história em quadrinhos, entre outros às crianças do bairro São Geraldo.


O lançamento do livro ocorre no dia 12 de setembro, às 17h, no Canto de Tudo, no DCH III, da UNEB. O evento terá ainda a apresentação do teatro-dança “Historinhas e Cirandas, com o Grupo Estrela Mágica e a participação de artistas do teatro e da música juazeirense.


Por Kall Britto

Debate Jornalista por Formação



A defesa pelo diploma de Jornalismo como requisito para o exercício da profissão tem levado jornalistas, professores, instituições de ensino, sindicatos e instituições como a Federação Nacional dos Jornalistas a realizar debates sobre o tema.

O objetivo é tornar público a defesa do diploma, devido a votação do Recurso Extraordinário (RE) 511961, no próximo dia 17 de setembro, pelo Supremo Tribunal Federal, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no estado de São Paulo e pelo Ministério Público Federal, acerca da não obrigatoriedade do diploma em Curso Superior de Jornalismo para o seu exercício.


Com o objetivo de discutir a necessidade da formação de Jornalista para exercício da profissão, a Agência de Notícias MultiCiência promove o Debate Jornalista Por Formação: caminhos e perspectivas em defesa da profissão, a ser realizado no próximo dia 10 de setembro, às 16horas, no Auditório do Campus III, da UNEB.

Já estão confirmados para o debate o professor da Faculdade de São Fransisco (FASJ) e delegado do Sindicato de Jornalistas de Pernambuco, Giovani Siqueira, a professora Tereza Leonel, o advogado Reginaldo Gomes, o jornalista em Multimeios Jean Carlos Côrrea, o radialista e jornalista provisionado Geraldo José. Também foram convidados comunicadores, radialistas e membros dos sindicatos. Em breve, será divulgada a programação completa.

O debate também será uma oportunidade de discutir a formação do jornalista e as novas perspectivas e caminhos que se iniciam no mercado de trabalho na região do Vale do São Francisco com a formação de egressos pelo Departamento de Ciências Humanas (DCH III), UNEB.



Redação MultiCiência

DCH III participa da IV Conferência Brasileira de Midia Cidadã


Professores, estudantes e egressos do curso de Comunicação Social habilitação Jornalismo em Multimeios irão participar como expositores de comunicação científica na IV Conferência Brasileira de Mídia Cidadã, que acontece em Recife nos dias 16 a 18 de outubro.


Promovido pela Cátedra Unesco e o Programa de Pós-Gradução de Comunicação da Universidade Federal de Peranambuco (UFPE), o evento discute as “Pesquisas acadêmicas e experiências da sociedade civil, mercado e Estado na efetivação do direito humano à comunicação”.


Serão expostas 40 comunicações, entre elas “A mulher nordestina como um signo de nordestinidade: análise da representação das identidades nordestinas presentes no filme gabriela (1983)”, produção da professora Carla Paiva e da bolsista de iniciação científica Eneida Trindade. O egresso e jornalista em Multimeios Raphael Leal Rodrigues também irá apresentar “O Projeto Articulação Jovem e o campo educomunicativo para a conquista da cidadania”, resultado da monografia de conclusão de curso defendida em junho deste ano.

Multiciência também participa da Conferência. Com título “A Agência de Notícias Multiciência como promotora da interação entre os saberes científicos e as práticas comunicativas no pólo Juazeiro-Bahia e Petrolina –Pe”, a coordenadora do projeto de extensão e professora do DCH, Andréa Cristiana Santos apresenta as atividades realizadas pela Agência e a sua ação de promoção à divulgação de saberes científicos na região.

A seleção de três comunicações na IV Conferência Brasileira de Mídia Cidadã revela o envolvimento da comunidade acadêmica do Departamento de Ciências Humanas, do Campus III, UNEB em pesquisa e projetos de extensão.

Saiba mais

As Conferências Brasileiras de Mídia Cidadã são uma iniciativa da Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação para o Desenvolvimento Regional que visam reunir pesquisadores, militantes dos movimentos sociais, estudantes de comunicação, jornalistas, comunicadores comunitários e demais representantes da sociedade civil para dialogarem sobre o papel dos meios de comunicação.

Esta ação de discussão sobre os meios é indispensável para a concretização de uma sociedade que supere a democracia representativa e construa as bases de uma democracia participativa. Pela primeira vez, a Conferência Brasileira de Mídia Cidadã se realiza na região Nordeste.

Redação MultiCiência

Perfil de Manuca Almeida por Wllyssys Wolfgang




DO MARGINAL AO PERFORMÁTICO: 30 anos de poesia


Com cordões de bolinhas coloridas, anéis de latinha de refrigerante e uma boneca pendurados no pescoço, boina vermelha quadriculada como seu All Star marrom, Emmanoel Gama de Almeida – Manuca – chega à UNEB meia hora antes da entrevista coletiva para a construção de seu perfil pelos estudantes de comunicação. O professor coordenador da atividade expõe o site e alerta: “Estou mostrando o site a vocês e nem adianta ‘neguinho’ copiar, colar, que eu vou tá ligado”. De humor rápido e elegante, até nas mais capciosas perguntas, Manuca felicita a turma de pretensos jornalistas e, a partir de então, os trata como profissionais.

– Boa Tarde! Quero dizer que no site dá pra vocês colarem, sim! Por quê? Porque desde que eu comecei, venho criando atividades diferentes com a poesia e não vou lembrar de todas aqui.

Os anos 1970 envolveram Manuca pelos caminhos da poesia alternativa, chamada de marginal, que não reflete a acepção da palavra, pois os poetas marginais não transviavam a lei. Eram jovens imersos em um mundo psicodélico, no qual tinham dificuldades em emplacar as suas obras em editoras de grande porte. Não à toa, foram imortalizados como a “geração mimeógrafo”, pois se valiam da máquina para a reprodução das obras. Manuca publicou mais de 30 livretos. A venda era feita nas noites, ao som de drinques de uísque e cheiro de tabaco.

– Eu era um daqueles caras que você via no bar. Você tava com a namorada no bar e eu chegava, batia no ombro e dizia: oh, quer comprar um livro de poesia? E era totalmente inserido dentro daquele contexto. Primeiro, a poesia no Brasil é mais vivida que sentida. A poesia está em todo lugar, neste país lindo e maravilhoso. Mas se qualquer artista emergente for falar poesia em Juazeiro, em São Paulo, ou onde quer que seja, ainda vai ser taxado de ‘xarope’. Não porque está na rua recitando uma poesia, e sim pelo fator principal: a poesia não é uma coisa tão presente na vida das pessoas. Fiz questão de falar isso, porque está em cima dos meus trinta anos de poesia.
O baiano de Aracajú ....Ops! Baiano de Aracajú? Mas ele não é de Juazeiro? Não. Tentando revolver a graça de poucos minutos atrás, titubeando, mas sem perder a palavra, ele explica:

– Eu vou falar a verdade, mas... (olha para os lados) eu digo pra todo mundo que eu nasci em Juazeiro, mas eu não nasci em Juazeiro, infelizmente. Se eu tivesse um trauma, este seria o meu trauma... e assim... mas eu não costumo dizer. Eu fui gerado em Juazeiro. Simplesmente minha mãe paria os filhos dela em Aracajú. (risos) Eu sou um falso baiano... é triste falar isso.
Desde criança, Manuca convivia com a batalha da razão e emoção entre o mundo artístico e o mundo comercial. Os pais comerciantes lhes deram uma educação formal e costumava ouvir que poeta não ganhava dinheiro. Poesia não levava a nada. Mas ele via sempre Carlos Pinto, parceiro de Torquatro Neto, visitando-os e fazendo música. Em 1978, Manuca foi posto de casa para fora. Resolveu ir para Salvador e encontra-se com seu irmão, um típico intelectual, habituado à leitura, da turma de Caetano Veloso, Jorge Mautner e amigo dos poetas concretos da época. Resultado: apresenta Manuca à poesia concreta.

– E um dia depois, meu irmão me pergunta se eu já tinha começado a ler. Eu respondo: sim. Já tinha lido tudo. Ele disse que era impossível. Ele tinha passado quarenta anos tentando entender e não havia conseguido. Ai, a primeira coisa que eu disse a ele é: se aquilo era poesia, eu era poeta. Então, começa a minha história. Já começa na loucura, porque a gente tava falando da mais pura e verdadeira poesia brasileira. Ele me desafiou: disse que eu fizesse um poema. Eu disse que já tinha feito oito.

Desde então, o irmão passou a considerá-lo um poeta, mas Manuca passou a não se achar mais um poeta. Não gostava mais do que escrevia. No entanto, começou a observar que existia algo dentro de seu texto que poderia se chamar de mote ou verso solto e passou a integrar o cenário poético alternativo, como um autor de versos curtos e velozes. A aparente dedicação de Manuca aos versos escondia, na verdade, uma inspiração involuntária que o fazia escrever e escrever. Então, surgem os primeiros poemas de sucesso como Eu queria ser você, Só pra dizer sim; e Se alguém lhe amar como eu, não é alguém, sou eu.

Com o tempo, a necessidade de criação excitava-o e o obrigava a desenvolver mais seu trabalho. Então, lançou os cartões com poesia, na década de 1980. Daí por diante, as publicações foram aumentando e a diversidade também. Publicou poesias em pôsteres, calcinhas e no livro em formato de caixa de fósforo, com os famosos Haikais. Com o decorrer dos anos, foi aumentando a sua participação com a poesia falada – a qual ele atribui a expansão de sua obra – com uma forte linguagem e expressão corporal.

– Eu venho de uma geração que recita poesia e de repente pode sentar no seu colo e te dar um beijo.

Montou rodas de pessoas e recitais com 20 ou 30 pessoas, mas também se apresentou para mais de 40 mil pessoas. Subia em palcos e, com suas performances, atraía multidões sem fim.Desta forma, construiu uma carreira sólida e reconhecida mundialmente. Pouco parou em Juazeiro. A música lhe roubara da sua querida Juazeiro. Manuca dedicou uma parte da sua carreira à música, por questões financeiras e de estabilidade, e foi com ela que obteve projeção.

– Na música, eu vi, que através de uma fração do meu trabalho, consegui ter um retorno comercial e financeiro do que eu produzo. E isso me afastou, de certa forma, da poesia de rua. Eu voltei a recitar poesia há somente três anos, quando criei o Quintal do Poeta, onde posso contar com a presença de pessoas do meio e eu estou sempre no palco.

Manuca soube ladrilhar o seu chão com as palavras e estas não o deixaram calar em momento algum. Entrou para a União do Vegetal, sociedade religiosa espírita, que tem como objetivo a elevação intelectual e virtudes morais, que prega a reencarnação como transcendência espiritual e utiliza o chá Hoasca (erva amazônica) nos rituais, passando a estudar ainda mais o uso da palavra.

– Eu tenho uma ligação muito grande com a palavra por vários motivos, porque eu acho que tenho que ter essa preocupação mesmo, por trabalhar com a palavra; por usá-las nas poesias e por fazer parte da União do Vegetal. Então, nós devemos ter responsabilidade sobre o uso da palavra, porque a gente pode acabar magoando outra pessoa, às vezes até mesmo com uma brincadeira simples.

Produziu Esperando na Janela, com Targino Gondim e Raimundinho do Acordeom, conquistando um dos prêmios mais importantes da música, o Grammy Latino como melhor música brasileira em 2001. Tornou-se trilha sonora do filme Eu, tu, eles, e foi regravada nos EUA e Itália. Só em novelas já conta com mais de oito composições. Um dos principais parceiros é o músico Alexandre Leão.

– A música trouxe a profissionalização do meu trabalho, mas se não tivesse acontecido isso, provavelmente, eu continuaria. Mas escrever poesia é diferente, pois os limites são meus. Já a música você cria para o outro. Eu encontro pessoas que me dizem: oh, é linda a sua música. Mas 95% das músicas, eu fiz no pior momento de criação, porque normalmente foi criada por uma situação profissional – uma coisa mecânica.

Entre os percalços da vida de artista e a púrpura do showbizness, Manuca não perdeu a humildade e, após responder todas as perguntas – mesmo com o tempo escasso – recita vários poemas, a pedido da platéia.

– Não sou poeta pra dizer que te amo
Mas eu te amo como um grande poeta
Eu sou menino pra sonhar acordado
E a realidade é que você me completa
Você é tudo de bom
O meu melhor presente, meu encanto
Que bom que a gente se achou
Eu me pergunto se mereço tanto.

Contudo, não se pode dizer que ele é apenas catedrático com as palavras, ritmos, sons e cultura. Esta afirmação soa pobre e reducionista. Ele não segue apenas linguagens. Cria conceitos e gera emoções as mais díspares que se pode imaginar – em todos os públicos. Conceitos nascem de sua arte.


Por Wllyssys Wolfgang
Perfil produzido na disciplina Redação Jornalística, ministrado pelo professor Emanuel Andrade.