Carta Aberta à Comunidade Juazeirense pelos Estudantes de Comunicação Social e Pedagogia DCH/UNEB

CARTA ABERTA À COMUNIDADE JUAZEIRENSE


Quantos estudantes já foram agredidos ao reivindicarem o direito à Liberdade de Expressão e o cumprimento de outras leis? Isso se repetiu na noite de sexta-feira (29/08/08), em frente ao Departamento de Ciências Humanas da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Campus de Juazeiro – quando estudantes dos cursos de Pedagogia e Comunicação Social pediam o cumprimento da Resolução 22.718/2008.

Tal Resolução – do Tribunal Superior Eleitoral – fora encaminhada a referida Instituição de Ensino pela 48ª Zona Eleitoral e “dispõe sobre a propaganda eleitoral e as condutas vedadas aos agentes públicos em campanhas eleitorais”. O Artigo 12, § 1º, diz que “são vedados a instalação e o uso de alto-falantes ou amplificadores de som em distância inferior a duzentos metros: das sedes dos Poderes Executivo e Legislativo da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, das sedes dos órgãos judiciais, dos quartéis e de outros estabelecimentos militares; dos hospitais e casas de saúde; das escolas, bibliotecas públicas, igrejas e teatros, quando em funcionamento” .

“Queremos respeito à Universidade”, “Carro de Som em frente às Universidades: É Proibido!” e “Exigimos um direito assegurado por lei” eram as frases escritas nos cartazes que as/os estudantes seguravam no momento em que a caminhada do candidato à prefeitura de Juazeiro, Misael Aguilar (PMDB), passava em frente ao estabelecimento de ensino.

A resposta a essa reivindicação pacífica por parte das/dos estudantes foi agressões físicas e verbais provenientes de pessoas que participavam da caminhada, inclusive, que hoje integram o Poder Público Municipal. Dos cartazes restaram apenas fragmentos, os quais foram levados pela multidão. Das/dos estudantes, a indignação ao terem a liberdade de expressão cerceada.

Temos conhecimento que o Tribunal Superior Eleitoral assegura aos candidatos o direito de realizarem caminhadas, por isso o objetivo da nossa manifestação era apenas cobrar o respeito ao Código Eleitoral, o que poderia ser feito com o simples ato de diminuir o volume do som e cessar a queima de fogos ao passar em frente à UNEB.

A Justiça Eleitoral foi comunicada pela direção do Departamento sobre os freqüentes abusos dos carros de som que circulam próximo (o suficiente para interferir de forma significativa nas aulas) à Universidade, veiculando propagandas dos candidatos a prefeito e vereadores de Juazeiro. Vale ressaltar que essa prática ilícita se repete a cada campanha eleitoral e os órgãos competentes não põem em prática o que diz a Legislação Brasileira.

Ratificamos que não se trata de objeções a candidatos ou organizações partidárias – como fomos acusados por pessoas que participavam da caminhada – uma vez que as/os estudantes envolvidos neste ato, não são filiados nem defendem nenhum partido político e/ou candidatos.

Repudiamos também a falta de respeito à classe estudantil. E reiteramos: as agressões não serão esquecidas, mas são incentivos suficientes para que nós - enquanto cidadãs e cidadãos - não fiquemos indiferentes à violação de nossos direitos e assim possamos contribuir para a construção de uma sociedade justa e, verdadeiramente, democrática.


Juazeiro, 29 de Agosto de 2008


Estudantes de Pedagogia e Comunicação e Social da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) – Campus de Juazeiro

Radialismo: mercado e perspectivas





O Curso de Radialismo do Campus XIV realiza a I Semana de Comunicação da UNEB - Radialismo: Mercado e Perspectivas, de 17 a 19/setembro, em Conceição de Coité. O evento se propõe a discutir a qualidade da formação acadêmica dos alunos e incentivar a formação ética desses futuros profissionais.

“Atualizar o conhecimento adquirido pelos estudantes em sala de aula e mostrar a realidade do profissional e as perspectivas para o mercado de trabalho são algumas das propostas do evento”, esclarece Nisia Rizzo, coordenadora do curso.

Para debater essas questões, a programação terá a participação de profissionais como Jefferson Beltrão (apresentador do BA TV, da Rede Bahia) e Póla Ribeiro (diretor do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia - Irdeb). A professora Teresa Leonel, do curso de Comunicação Socal: Jornalismo em Multimeios, também foi convidada pela organização da Semana para realizar uma oficina de radiojornalismo e abordar a experiência do projeto de extensão Eufonia, exibido na programação da Tropical Sat, aos sábados, às 8horas.

Entre as atividades a serem realizadas, estão mesas-redondas, aprsentação de trabalhos, palestras e oficinas, que tem custo de R$5 cada uma, e somente 25 vagas abertas.

A iniciativa, que tem caráter interdisciplinar, tem como público-alvo, estudantes, professores, profissionais e demais interessados na comunicação. Interessados em inscrever trabalhos (pôsteres) poderão ser inscritos até o dia 5 de setembro, através do e-mail do evento - comunicauneb@gmail.com.

Até o dia 12 de setembro, o Colegiado de Comunicação realiza inscrição para o evento presencialmente e/ou através do e-mail acima.

Fonte: Assessoria de Comunicação UNEB

Opinião: Direitos e Justiça para Todos por Joviniano Neto



O direito do outro é o meu direito. Quando o outro não tem direito, o que tenho é privilégio. Este princípio deve servir para a reflexão dos que protestam contra os abusos de poder praticados pela Polícia Federal, inclusive após a prisão do banqueiro Daniel Dantas.

Abusos existiram. A apresentação dos suspeitos, como criminosos, à imprensa, o que, no caso, foi agravado por convocação de emissora de televisão, para cobrir as prisões. O uso de algemas, que só se justificaria se houvesse risco de reação agressiva do preso e que produz humilhação pública e reforço da imagem de criminoso perigoso. A apresentação das acusações como certezas, auxiliadas por “vazamento” de trechos dos inquéritos. O ilegal uso de agente da ABIN – Agência Brasileira de Investigação (ex-SNI), em apoio a delegado da Polícia Federal, ressuscitando o fantasma da polícia política da ditadura militar. Isto ocorre quando se distorcem e banalizam as prisões provisórias e preventivas tanto quanto os “grampos” telefônicos. A polícia justifica as prisões pela possibilidade dos suspeitos dificultarem as investigações, mas, muitas vezes, funcionam como um novo tipo de prisão para averiguações. Elas, formalmente, não provam culpa e, em vários casos, delas não resultou nenhuma acusação à justiça. Mas boa parte da população confunde suspeita, indícios, acusações com provas e condena, pelo que vê na imprensa, e antes do julgamento. A autorização judicial de mais de 400 mil grampos em 2007 indica a banalização e dificuldade de controle judiciário.

Nós, que ensinamos e defendemos Direitos Humanos na Universidade e na sociedade, temos razões para denunciar e propor modos de enfrentar os abusos.

Contudo, diante da atual reação, temos questões a levantar.

A primeira é que muitos têm tolerado e até apoiado abusos contra os suspeitos e acusados pobres. São abordados e presos agressivamente; algemados e jogados no camburão; fotografados pela imprensa, sem camisa, dentro do xadrez. A vigência da desigualdade de tratamento faz com que se comemore o fato de não só a investigação atingir os ricos, mas também que eles sofram nas mãos da polícia. Esta comemoração apóia-se, ainda, na crença na impunidade dos poderosos e na lentidão da justiça. Humilhação e execração pública funcionam como catarse e condenação antecipada, sem defesa e sentença judicial.

A solução não é generalizar a violência, mas respeitar o direito de todos. A atual ameaça pode mobilizar os antigos privilegiados. Testemunhamos como, na ditadura militar, a consciência de muitos da classe média foi despertada quando o arbítrio e a tortura atingiram os presos políticos, idealistas e... seus filhos.

A segunda questão é que a denúncia dos abusos não deve desviar a atenção do objeto das investigações. A ação da Polícia Federal ilumina os relacionamentos no campo econômico e político. Daniel Dantas entrou na história do Brasil nas privatizações, quando empresários “amigos” do governo enriqueceram adquirindo, inclusive com dinheiro público, empresas públicas. Ocorrendo em ano eleitoral, o escândalo aponta para a questão do funcionamento das campanhas, fonte do atrelamento de políticos aos interesses empresariais e para a urgência do financiamento público.

Finalmente, o Judiciário está “sub judice”. A solução não é rapidez na autorização de grampos, prisões provisórias e preventivas. É concluir processos com mais rapidez, respeitando os direitos das partes e fazendo justiça, independentemente de classes sociais.


Desigualdade, cultura autoritária, crescimento com exclusão social são as principais causas da impunidade e dos abusos de poder no Brasil. Contra eles, a solução é direito e justiça para todos.
Joviniano Carvalho Neto, Presidente da APUB – Associação dos Professores Universitários da Bahia e diretor do Tortura Nunca Mais-Bahia.

Debate: As Eleições Municipais na Pauta da Universidade


Exercício da democracia, problematização de políticas públicas e promoção da opinião pública. Com esse intuito, os estudantes do quarto período do curso de Comunicação Social, do Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) , realizam no dia 16 de setembro um debate com os candidatos à prefeitura de Juazeiro, no auditório do Campus III, às 15h.


O espaço, aberto à comunidade, terá a função de contribuir para o exercício da democracia e da cidadania. Um instrumento para o conhecimento de temas relevantes, como educação, saúde, meio ambiente, infra-estrutura, cultura, turismo e economia.


Com o tema As Eleições Municipais na pauta da Universidade, o debate está programado para acontecer em dois momentos: O primeiro, jornalistas em formação (apenas seis estudantes do quarto período) questionarão os candidatos acerca das propostas de políticas públicas de seu governo; no segundo, os prefeituráveis irão fazer perguntas entre si, sendo que cada um só será questionado uma vez.


Promovido pela disciplina Entrevista e Reportagem, ministrada pela docente Andréa Cristiana Santos, o evento será também uma oportunidade dos prefeituráveis discutir as propostas de governo, mediados pelo jornalismo cidadão, que preza a informação com ética e qualidade.


Participarão do debate: Isaac Carvalho (PC do B), Joseph Bandeira (PT), Misael Aguilar (PMDB), Pedrina Maria (PSOL), Roberto Carlos (PDT) e Wank Medrado (PRP).



Por Kall Britto

Sim, Negro é Lindo!



Alfaias, pandeiros e outros tantos instrumentos, muitos deles percussivos, juntaram-se à atuação performática do interprete Rogério Pile no espetáculo Negro é Lindo, apresentado no Aldeia do Velho Chico, mostra artística com diversas linguagens, realizada este mês no SESC-Petrolina. O pocket show fez um passeio entre ritmos nordestinos como o samba de roda, o coco e o maracatu.


Trazendo ritmos historicamente ligados à temática negra, o show segue uma tendência das ações afirmativas de valorização da afro-descendência. "Mas não se trata de um show afro-brasileiro", alerta Pile, que nos falou da proximidade entre a música nordestina e a música africana, em especial das civilizações conguesa e iorubana.


Não por acaso, declarações como "ser negro é massa!" ou "eu sou negão!" podiam ser ouvidas na platéia que delirava ao som dos tambores, premissa básica quando se fala da dupla negritude e musicalidade.


A espontânea resposta da platéia demonstra como a produção cultural, que deve ser entendida como bem simbólico - ou seja, além de produto comercial - é portadora de elementos fundamentais na construção imagética que temos de nós mesmos e do outro.


A partir da percepção que temos da realidade e pelas referências criadas no campo artístico-cultural, teremos as construções identitárias formadas e transformadas por mediações como a música, cinema, entre outros.


Por isso, quando nos vemos, a partir do outro - o artista exaltado – sentimos-nos mais a vontades para a auto-afirmação. E assim, quase que sem perceber, o pocket show nos conduziu a uma reflexão do que somos. Enquanto isso, o coração batia no compasso dos tambores e o corpo dançava leve, como alma que agora se fazia enegrecida.



Por Quércia Oliveira

Cordel fotográfico no “Raiz & Remix” – Um varal de narrativas...

Foto Chico Egídio


Final de agosto. Em cena, o “Festival Raiz & Remix”, projeto audacioso, que chega à sua terceira edição trazendo para o público as raízes da cultura popular e as matizes da música contemporânea. É onde o centenário Samba de Veio da Ilha do Massangano se encontra com as releituras groovianas de uma das variantes artísticas do músico Alfredo Bello, o DJ Tudo, e o som da Tenda Eletrônica irradia pelos espaços inspiradores da Feira Multicultural. Mas, peraí, agosto também é o mês da fotografia...


E pensando no símbolo augusto da eternização do instantâneo, a organização do “Raiz & Remix” criou um espaço para exercitarmos nossa consciência visual. Afinal de contas, mais do que contemplar (e curtir) a “festa da cultura popular e suas releituras”, o convite é para que ocupemos o papel de protagonistas no palco dos acontecimentos.


Isto porque, na miríade de encontros que o mês de agosto proporciona, o cancioneiro popular impresso em folhetos e exposto à venda em barbante, o famigerado Cordel, dá lugar às inúmeras histórias cuidadosamente guardadas nas imagens fotográficas. É o “Cordel Fotográfico”, um imenso varal de narrativas com promessas de viagens inesquecíveis.


A princípio, dez fotógrafos foram convocados a expor cinco fotografias em tamanho único (30 x 40) e com temáticas específicas. Tais fotografias são apenas o pré-texto para a participação efetiva do variado público que sempre acompanha o festival. A única exigência: as imagens devem ter medida mínima 15 x 20 e máxima 20 x 30.


O fotógrafo paulista e historiador Boris Kossoy, pioneiro ao traçar uma história para a fotografia brasileira, ficaria orgulhoso ao ver o pensamento que permeia sua obra exposto em pleno sertão nordestino e da maneira mais emblemática possível, num festival inventado para o encontro de tudo: inclusive de existências...


Em tempo: O Varal acontece na próxima sexta-feira e no sábado.


Por Luis Osete

Festival Raiz Remix lança um convite à diversidade cultural

Foto Chico Egídio: Matingueiros e a cultura popular



O Vale do São Francisco prepara-se para receber a terceira edição do Festival Raiz e Remix na próxima sexta-feira (29) e 30 (sábado) de agosto, no Parque Municipal Josefa Coelho, em Petrolina. O Festival convida a todos para um encontro com a cultura popular e suas releituras.


O evento reúne em sua programação atrações que vão desde manifestações de raiz como o sambista baiano “Riachão” até as novas tendências da música popular brasileira, como a proposta do “DJ Tudo” que busca misturar a tradição folclórica e música contemporânea.


Segundo o organizador do “Raiz Remix” e produtor cultural Chico Egídio, o evento visa proporcionar um espaço onde as manifestações artísticas tradicionais possam dialogar com as novas tendências musicais e seus desdobramentos. “O festival encontra-se em sua terceira edição consolidado no cenário musical do Vale do São Francisco numa proposta alternativa que possibilita a diversidade cultural”, ressaltou Chico Egídio.


A programação do festival conta com diferentes linguagens artísticas, incluindo Shows, Tenda eletrônica e a Feira Multicultural onde se expõe trabalhos artesanais, de artes plásticas e diversos produtos correlacionados à arte matricial e também ligados à música. Esse ano, a organização do evento prepara duas novidades para o público. A “Tenda Cinematográfica” é a primeira delas, onde haverá exibição de filmes musicais, documentários sobre arte popular, na sua maioria sendo curtas-metragens.


O “/Cordel Fotográfico” é também uma proposta que estréia nesta edição do festival. O espaço deve funcionar a exemplo dos varais fotográficos comuns aos grandes centros urbanos, onde anônimos ou reconhecidos profissionais chegam com suas fotografias e as expõe penduradas em um cordão, numa galeria ao ar livre.


A programação do festival começa na sexta-feira, às 18horas, com Samba de Veio, Riachão, DJ Tudo/Alfredo Belo e Garrafada; e Apocalypse Reggae. No sábado, apresentam-se Marujada. Matingueiros, Chicocorrea e Eletronic Band e Andranjus.
Na tenda eletrônica, estão previstos “Line Up”:; DJs Panzarini, Roberto Rocha, Jagunço Style, Mangue Boy, ChicoCorrea, DJ Tudo e convidados.

Na feira Multicultural, o Centro de Artes Ana das Carrancas, Oficina do Artesão Mestre Quincas, Centro de Artesanato Celestino Gomes expõem peças. Na tenda Cinematográfica, serão exibidos filmes da Programadora Brasil, Seleção do Ministério da Cultura, Acervo do Festival Vale Curtas, Vídeo Clips e diversos outros títulos.

No espaço Cordel Fotográfico, foram convidados Sérgio Sá, Rosemary Gondim, Chico Egídio, Lisandro Carvalho, Cixto Bandeira, Ivan Ferraz, Regina Lima, Leonardo Carvalho, Carlos Laerte, Elton Azevedo e Gustavo Matos.


por Helen Campos Jornalista em Multimeios

Aluna de Comunicação Social tem trabalho selecionado no Programa Informação

"Jovem, publicidade e mídia: como se estabelece esta relação na periferia juazeirense”. Este é o título da proposta de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), da estudante Jane Aline Souza Bastos, do curso de Comunicação Social: Jornalismo em Multimeios, selecionado no Programa Informação - Programa de Cooperação para Qualificação de Estudantes de Jornalismo.


O programa é promovido pela Agência Nacional de Direitos da Infância (ANDI) e consiste na oferta de bolsas a alunos que pretendam elaborar seus TCCs com foco na relação entre Comunicação e a agenda social brasileira. Para receber a bolsa, a aluna precisa defender o trabalho até o dia 31 de janeiro de 2009.



Este ano, foram selecionados sete trabalhos com a temática Criança, Consumo e Mídia. Destes, dois foram de instituições universitárias do Estado da Bahia.


Com orientação do professor Josemar da Silva Martins (Pinzoh), o projeto foi desenvolvido pela aluna, matriculada no oitavo período, e demonstra o interesse em investigar a relação entre os produtos televisivos e a influência no consumo das crianças de Juazeiro.


Esta não é a primeira vez que o curso de Comunicação Social: Jornalismo em Multimeios é prestigiado com uma bolsa de estudos. Em julho do ano passado, o egresso Raphael Leal Rodrigues teve a proposta de TCC acerca das relações entre Comunicação e Educação aprovada pelo Programa Informação. Contudo, o aluno aluno abdicou da bolsa, devido ao semestre letivo 2007.2 ter previsto a conclusão das atividades no período posterior ao mês de janeiro.


A aprovação de dois trabalhos pelo Programa Informação demonstra a consistência da proposta pedagógica do curso de Comunicação Social que investe na interface dos suportes jornalísticos em multimeios, na comunicação comunitária e educomunicação.


Parabéns a Jane Aline e a Josemar Martins (Pinzoh). Sucesso!


Mais informações: Programa Informação




Redação MultiCiência

MultiCiência Entrevista: Humberto Oliveira e as ações do Ministério do Desenvolvimeto Agrário para o Sertão do São Francisco


“É um novo momento da gestão pública federal no Brasil. Comumente, tratam o interior do Brasil como grotões, uma expressão errada, sem levar em consideração a contribuição dessa população para a produção de riqueza cultural, política e econômica do Brasil e que precisa ser tratada com mais conhecimento pelos que vivem fora dessas regiões”.

É o que afirmou Humberto Oliveira, Secretário de Desenvolvimento Territorial do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) Humberto Oliveira, sobre o programa Território de Cidadanias, que entrará em vigor no Sertão do São Francisco em 2010.

Para o secretário, o programa servirá para combater as desigualdades entre as grandes metrópoles e os municípios do interior do Brasil, através da formação de um novo gestor público, que permita um diálogo entre os vários setores da sociedade civil e pública.

Em entrevista exclusiva à Agência de Notícias MultiCiência, ocorrida no dia 15 de agosto, no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro-Bahia, Oliveira aborda a importância da agricultura familiar, a relação do governo com a oposição e a cobertura da imprensa. A seguir, trechos da entrevista.



MultiCiência: O Governo, através do programa Território de Cidadanias, pretende implantar políticas públicas para promover o desenvolvimento sustentável do Território do Sertão do São Francisco. Quais são as prioritárias?


Humberto Oliveira (HO): Por enquanto, nós estamos tratando do Sertão do São Francisco como um programa de Desenvolvimento dos Territórios Rurais, um programa do MDA e as prioridades são os investimentos na agricultura familiar, com todas as políticas do ministério como crédito, assistência técnica, a infra-estrutura para viabilizar a agro-indústria, o apoio ao cooperativismo. E a inclusão do território ocorrerá no ano de 2010. Por que agora entrarão 60 territórios, sendo que 30 deles entrarão em 2009, outros 30, em 2010.



MultiCiência: O programa Território de Cidadania busca integrar políticas públicas que fortaleçam a agricultura familiar. Desta forma, os agricultores podem esperar desse programa maior integração dos serviços de crédito, de capacitação e de comercialização?


HO: É importante para o agricultor o crédito, a fim de dispor das condições de plantio, mas ele precisa também de assistência técnica, para produzir melhor, com mais qualidade, tecnologia a fim de aumentar a sua produtividade. Precisamos ter políticas que orientem a agro-industrialização, que transformem o produto para agregar valor e faça o o agricultor entre diretamente no mercado, através de suas cooperativas, das suas associações, de forma que transforme todo o esforço do trabalho em renda,para a sua família, dinamizando a economia dos pequenos municípios. E para isso é preciso ter um conjunto de políticas públicas integradas.


MultiCiência: Por quê é mais viável para o nordeste investir no fortalecimento da agricultura familiar do que investir em outros setores da economia?


HO: A agricultura no Nordeste do Brasil tem mais de dois milhões de famílias, e tem muita força na região nordeste, em que aproximadamente 40% da população são de agricultores familiares. Hoje, o Nordeste cresce a taxas mais altas que as outras regiões do Brasil, por que houve uma desconcentração de riqueza e de renda. E essa é a razão pela qual a agricultura familiar deve ser um setor de investimento. O intuito é influir diretamente na formação dos preços, porque queremos um preço justo para o agricultor familiar e o barateamento do custo dos produtos para os consumidores.


MultiCiência: Com a implantação do Território da Cidadania, haverá aumento nas despesas do governo. Como o governo pensa em lidar com esse aumento dos gastos públicos?



HO: O governo pensa que o estado brasileiro tem que ser forte em algumas áreas. Nós não podemos mais pensar em um estado ausente, muito preocupado com a redução de gastos. Precisamos de um governo que equilibre o gasto público, mas que não tenha medo de gastar recursos investindo na população mais pobre do país. Com o aumento na produção de alimentos, o índice inflacionário tende a cair.



MultiCiência: A oposição recorreu ao Supremo Tribunal Eleitoral para proferir acusações ao governo. O DEM e o PSDB argumentaram que o programa é eleitoreiro, por favorecer os partidos do governo. Diante da conjuntura atual, a população deve esperar isenção do governo no cumprimento das metas do programa, independente do resultado das eleições?


HO: O governo nunca fez contas até ser despertado pela oposição. E quando fizemos as contas, verificamos que os números dos territórios governados pela oposição são mais superiores aos do partido do próprio presidente ou da base aliada. Então, a população não pode ser privada nos anos de eleições dos benefícios do governo. A população pobre não pode pagar pelo ônus da democracia que tem eleições de dois em dois anos. Estamos tratando o programa Território da Cidadania com a maior isenção. Tanto que todas as decisões foram tomadas anteriores as restrições da legislação eleitoral.



MultiCiência: Outro argumento apresentado pelo DEM e pelo PSDB se referiu à exclusão do poder legislativo do debate, já que a proposta foi apresentada por meio de um decreto. Como o governo se defende dessa acusação?



HO: Muitos parlamentares conhecem esse programa. Um programa que está aberto à participação de toda a sociedade e de todas as classes políticas nas assembléias legislativas. Fizemos várias audiências públicas e o governo sempre teve a disposição do congresso e de todos os parlamentares para a discussão.



MultiCiência: O programa depende do Senado e da Câmara para a aprovação de certas ações. Quais as estratégias do Governo Lula para convencer tanto a oposição como a base governista?

HO: Isso está sendo trabalhado pelo governo. Por exemplo, nós precisamos aprovar uma melhor legislação para o cooperativismo brasileiro, para que tenhamos mais cooperativas organizadas. E isto está sendo trabalhado normalmente pelo governo, na sua relação com o congresso.


MultiCiência: Como o Sr. avalia a participação da imprensa nesse processo? Ela tem feito uma avaliação concreta do programa?



HO: Foi muito positivo o debate na imprensa. Com tudo isso, ganha a população do interior do Brasil, porque a imprensa brasileira como a sociedade brasileira nunca têm os olhos voltados para o interior do Brasil, sempre estão preocupados com as grandes questões nacionais que ocorrem nos grandes centros urbanos. Este é um problema cultural do nosso país, que pensa a partir dos eixos Rio-São Paulo- Brasília, dos grandes centros financeiros. Tratam o interior do Brasil como grotões, uma expressão errada, sem levar em consideração a contribuição dessa população para a produção de riqueza cultural, política e econômica do Brasil e que precisa ser tratada com mais conhecimento pelos que vivem fora dessas regiões.



MultiCiência: O que a população do Sertão do São Francisco pode esperar: haverá a implantação de mini-fábricas na região?


HO: É um novo momento da gestão pública federal no Brasil. E tem um conjunto de projetos que estão sendo elaborados, como as mini-fábricas. Mas primeiro terão que ser analisadas e dentro dos critérios dos ministérios. Tudo será observado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural. Então, não posso afirmar ainda o que vai ser aprovado.



Por Kall Britto



Direito à Informação


Todo cidadão tem direito à informação. Esta máxima da Declaração dos Direitos Humanos remonta à Revolução Francesa, quando o último bastião do Antigo Regime ruiu para fazer emergir as primeiras centelhas do espírito republicano. Durante todo o embate para consolidar a República Francesa, a imprensa foi um ator social primordial para construir a nova nação e mediar o debate público. Mais de dois séculos depois, a imprensa continua essencial à democracia.

Esta centralidade do direito à informação leva-nos a questionar situações em que ela própria é desrespeitada. A quem interessa, a não divulgação de pesquisas? E por quê periódicos - como A Tarde, Folha de São Paulo - divulgam regularmente pesquisas e não são questionados publicamente nem são rechaçados pela concorrência?

Creio que é necessário refletir sobre o que significa pesquisas eleitorais. Pesquisas não refletem a opinião pública, refletem um momento, uma sondagem, não é o todo. Como bem disse o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a opinião pública como bloco hegemônico não existe. Procurar utilizar de uma pesquisa para compreender o todo é desconhecer a sua natureza efêmera, reflexo de um momento, uma tendência. Ainda mais se consideramos que a campanha eleitoral – de verdade – sequer começou. Em quantos debates os candidatos compareceram? Até agora, apenas entrevistas individuais. Até o dia cinco de outubro, muitas águas ainda hão de rolar.

Se em uma campanha política, os candidatos utilizam de pesquisas para embasar suas propostas ou para identificar o que pensa a população, trata-se do princípio elementar da política: a conquista do eleitorado, do voto. E para isso, não sejamos ingênuos: política é a conquista da seara pública, da praça, das ruas, do corpo a corpo, da transparência e do calor das mãos com as quais se cumprimenta o eleitorado.

É este espírito democrático que nos faz crer na política, que nos faz empunhar bandeiras, vestir uma camisa, defender os nossos candidatos, conquistar um voto, conversar na esquina com o vizinho sobre qual é o candidato que melhor nos representa.

A democracia é uma conquista cotidiana. Se a cada pesquisa divulgada houver questionamentos sobre a sua legitimidade, então sepultemos o espírito republicano do direito à informação. Ao invés de impedir a disseminação da informação, que os candidatos trabalhem, exponham suas idéias, estudem o adversário, compreendam os desejos, expectativas da população. Empunhem os seus esforços e da sua consultoria jurídica para pensar a cidade, e não na classificação episódica de uma pesquisa. Voto é aquele que é depositado na urna. Até o dia cinco de outubro, tudo pode mudar. Contudo, o que permanece é o inalienável direito à informação. O resto, as urnas dirão.

Por Andréa Cristiana
jornalista e professora do DCH/UNEB

Roberto Carlos: educação, geração de emprego, humanização dos serviços públicos são propostas para a gestão à prefeitura




Diferente dos demais candidatos, Roberto Carlos demonstrou na sua fala a experiência política adquirida na Câmara Legislativa ao remontar sua história de vida como ex-vereador de Juazeiro e, atualmente, Deputado Estadual. É um político eloqüente, utiliza da dramaturgia para dar força ao seu discurso e evidenciar preparo político. Diversas vezes, no decorrer da coletiva, ergueu-se para se dirigir ao público.


De família pobre, começou a trabalhar muito cedo, 17 anos, como camelô e, em 1992, já era filiado ao PDT. Ao longo de sua carreira política, teve dois mandatos suspenso até se tornar vereador, depois deputado até assumir a vice-presidência da Assembléia Legislativa.


As propostas de Roberto se resumem a priorizar a educação, a geração de emprego, a humanização dos serviços públicos e a participação social através de parcerias com o governo estadual e federal.


Ao longo da entrevista, Roberto foi indagado a respeito da privatização do Hospital Regional de Juazeiro, a qual o governo considera uma terceirização. O candidato informou que é “literalmente contra a privatização ou a terceirização dos serviços de administração do hospital”, garantindo a revisão da decisão por parte do governador Jaques Wagner.


O candidato apoiou, também, a quebra do monopólio do transporte público de juazeiro, defendendo a implantação de transporte alternativo.


Ao término do evento, Roberto Carlos convocou a população a votar em um candidato que não esteja vinculado ao setor empresarial, mas que seja um representante fiel do povo. Ao fazer a afirmativa, destacou que não estaria sendo “preconceituoso” ao assumir essa postura.



por Kall Britto

Isaac: Descentralização, participação, crescimento econômico




Isaac Carvalho, filho de agricultor, formado em técnico agrícola e administração, é gestor da Empresa Agrícola Juagro. Recentemente filiado em partido político, afirmou que sempre teve vinculos com associações de produtores e cooperativas, exercendo uma militância nestes segmentos.



Filho de um dos primeiros colonos do projeto Mandacau, Isaac se apresentou como um homem que cresceu junto aos negócios da família e empresarial em alusão a sua gestão administrativa e no setor agrícola. Não é um homem da oratória, por vezes demonstrou insegurança na fala.
Descreveu sua campanha como um desafio e, ao mesmo tempo, como uma contribuição para a cidade de Juazeiro. Descentralização, participação, crescimento econômico e sociedade organizada são os sustentáculos do seu programa. “Vou levar as prefeituras aos bairros, ao interior. Estou executando isso na campanha e vou realizar na administração. Esse é um objetivo nosso e é uma forma que aprendi de gestão e de organização, que é administrar com a população”, revela Isaac.



O candidato propôs, ainda, a criação de uma Secretaria de Cultura para a valorização das manifestações culturais da cidade. A intenção é motivar o desenvolvimento e a geração de emprego, através das potencialidades do mercado regional.



No decorrer da coletiva, Isaac foi questionado a respeito da contratação de profissionais de outra região, para trabalhar na produção da campanha. De acordo com o candidato, a escolha de parte da equipe ocorreu por motivo político, por receio de ter as estratégias “vazadas” e não por desvalorização da mão-de-obra especializada de Juazeiro.


Isaac, ao final da sua entrevista (17h05min), declarou que a coletiva se constituiu um momento democrático, em que foi possível discutir estratégias de crescimento para a região de Juazeiro. A sua saída do auditório promoveu o esvaziamento do recinto já que uma parcela dos ouvintes era correligionária do candidato.



Por Kall Britto

Wank: Dignidade, humanidade e justiça na prefeitura





Wank Medrado, advogado, já atuou como delegado da Polícia Civil de Juazeiro e é, atualmente, professor universitário da UNEB. Devido a sua formação universitária, iniciou seu discurso com fluência apresentando a sua plataforma, alicerçada na dignidade, na humanidade e na justiça. O candidato assumiu o compromisso com a saúde, através da desburocratização e agilidade dos serviços, além da valorização dos profissionais por meio de concursos públicos.

Referiu-se à carga tributária do país como injusta e comparou o desempenho do Brasil como sendo inferior aos países de primeiro mundo. “Nós temos a educação, a saúde, a moradia e outros itens básicos garantidos pelo estado, mas somos obrigados a pagar um preço muito alto e ainda temos que arcar com plano de saúde, escola particular, inglês para o filho, buscando sempre uma qualificação melhor” critica Wank.


Questionado sobre a estagnação da cidade de Juazeiro e a infra-estrutura precária com bairros sem saneamento, Wank reafirmou o desejo de desenvolver políticas efetivas, com a aplicação do Plano Diretor. O projeto, segundo ele, irá favorecer a sede e o interior, onde serão construídas novas avenidas e habitações, além de um efetivo saneamento básico.

O candidato defendeu algumas propostas políticas relacionadas à educação. Quando se referiu ao setor educacional, propôs a valorização e a qualificação do professor através de promoção de viagem histórico-cultural e assinaturas de revistas. Além da reestruturação das escolas, que viabilizem o acesso de todas as pessoas aos centros de ensino.

As considerações finais de Wank foram um chamado à reflexão por parte do eleitor para que fiscalize os gastos da campanha eleitoral, já que essa ação irá refletir em um mandato de quatro anos com mais educação, saúde, lazer e cultura. “Como pode um candidato a prefeito gastar cinco ou seis milhões de reais em uma campanha e receber quinhentos mil reais de salário, ao longo de quarenta e oito meses”, alerta.



por Kall Britto

(T) e (F)


Democracia é consagrada no segundo dia da Coletiva



Platéia atenta as idéias e propostas dos candidatos


O segundo dia da Entrevista Coletiva (21/08) com os candidatos a prefeito de Juazeiro-Bahia contribuiu para a consagração da democracia e assegurou o direito do cidadão de conhecer as propostas de cada candidato, como educação, saúde, cultura e infra-estrutura. Ao permitir uma discussão política entre a sociedade civil e os prefeituráveis, a Entrevista transformou-se em um instrumento para um voto consciente pois o eleitor é um ator participativo na vida política municipal, estadual e nacional.



“A democracia é o ato mais importante para a humanidade”. É o que afirmou o candidato Wank Medrado (PRP), da coligação a Mudança de Verdade, que conjuntamente com Isaac Carvalho (PC do B), da Coligação “Pra Mudar Juazeiro” e Roberto Carlos (PDT) da Coligação “Mudança, Ética e cidadania”, demonstraram compromisso com um momento importante para a comunidade juazeirense.



Na coletiva, questões levantadas pelo público foram consenso entre os candidatos. Para os prefeituráveis, a situação atual do município é considerada grave e necessita de propostas, que tenham o apoio do poder público municipal, estadual, federal e da sociedade civil, como geração de emprego, por meio do fomento da cultura e da educação. Além do melhor gerenciamento dos recursos da saúde e do saneamento básico.





por Kall Britto
Texto e Foto

Pedrina expõe idéias para gestão municipal


Foto: Equipe Coletiva.

Com espírito democrático, Pedrina Ribeiro expôs suas idéias e propostas à gestão da prefeitura municipal de Juazeiro-Ba. Governar a cidade com combate à corrupção, ao assistencialismo e com maior fiscalização do exercício do poder foram as idéias que a candidata defendeu, na tarde da última quarta-feira, ao comparecer à Entrevista Coletiva promovida pela disciplina Jornalismo Online, do curso de Comunicação Social, no auditório do Campus III, da UNEB.



A Entrevista com os candidatos Joseph Bandeira (PT), Misael Aguilar (PMDB) e Pedrina Ribeiro (PSOL), contou apenas com a presença da única mulher concorrente à prefeitura de Juazeiro. Demonstrando respeito e ciente da necessidade de comparecer a eventos públicos, ela se colocou à disposição para responder a questões sobre saúde, educação, infra-estrutura, lazer, cultura, entre outras.


De origem humilde, como comentou, Pedrina demonstrou dificuldade de responder, com êxito, as indagações feitas pela platéia, devido ao nervosismo e inexperiência quanto às obrigações de um gestor municipal.


Pedrina defendeu a implantação da educação integral nas escolas, como forma da criança freqüentar os dois turnos. Contudo, ao ser indagada sobre as reais possibilidades de implantar este sistema, diante da demanda de contratação de profissional e infra-estrutura, não respondeu como isto aconteceria.


A educação integral depende de medidas que não são ordem apenas do poder municipal, mas depende do executivo estadual e federal.



Durante a entrevista, ela foi indagada sobre a sua falta de experiência administrativa. Para a candidata, o bom gestor não significa, necessariamente, ter tido experiências na administração pública. “A experiência nem sempre traz bons resultados, acredito na ação, na prática”, defendeu, em alusão à sua vivência junto às conquistas alcançadas no movimento popular e na sua militância em defesa dos direitos dos trabalhadores da saúde.



Ao final da entrevista, que durou cerca de 45 minutos, Pedrina ressaltou a falta de experiência em participar de debates públicos como prefeiturável. Contudo, ressaltou a importância de eventos semelhantes para que todos exponham suas propostas. “Eu lamento apenas que os demais candidatos (Joseph e Misael) não tenham prestigiado este momento”, afirmou.


Para o segundo dia da Entrevista Coletiva (21/08), nesta quinta-feira, está prevista a participação de Wank Medrado (PRP), da coligação a Mudança de Verdade; Isaac Carvalho (PC do B), da Coligação “Pra Mudar Juazeiro” e Roberto Carlos da Coligação “Mudança, Ética e cidadania”.

Mais informações, confira no blog Cobertura das Eleições


Redação MultiCiência

Blog Cobertura das Eleições Municipais

Os estudantes de Comunicação Social habilitação Jornalismo em Multimeios estão - pela primeira vez e online -, experimentando a realização de cobrir uma eleição municipal através do blog ~Cobertura das Eleições Municipais de Juazeiro-Bahia, no blog Cobertura das Eleições Municipais.


Coordenada pela professora Teresa Leonel, a disciplina Jornalismo Online promove, nesta quarta-feira e quinta-feira, a Entrevista Coletiva com os prefeituráveis Joseph Bandeira, Isaac Carvalho, Misael Aguilar, Pedrina, Ribeiro, Roberto Carlos e Wank Medrado.


Além de exercitar técnicas jornalísticas, os alunos cumprem um dever como futuros profissionais: exercitar um jornalismo preocupado com o interesse público. É de exercícios como esse que se começa a exercer o jornalismo cidadão, movimento surgido nos anos de 1980 nos Estados Unidos que se preocupa em (re)inserir assuntos de relevância de interesse públicos na pauta dos meios de comunicação.


Um jornalismo preocupado em fazer com que cada cidadão seja tratado como sujeito ativo, e não simples consumidor de informação. Para isso, é imprescindível haver informação jornalística de qualidade.



Para saber mais, leia Blog Cobertura das Eleições
Redação MultiCiência

Entrevista Coletiva com os Prefeituráveis de Juazeiro




Universidade pública é um espaço de debate, reflexão e compromisso social. É seguindo essa premissa que os estudantes do oitavo semestre do curso de Comunicação Social, do Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) realizam nesta quarta-feira (19/08) e quinta-feira (20/09) uma entrevista coletiva com os candidatos à prefeitura de Juazeiro, no auditório do Campus III, a partir das 15h.

Coordenado pela professora Teresa Leonel, o evento vai debater as propostas dos prefeituráveis, visando o esclarecimento do eleitor.

No primeiro dia (quarta-feira), os candidatos submetidos à entrevista são: Misael Aguilar (PMDB), Joseph Bandeira (PT) e Pedrina Maria (Psol). Já na segunda coletiva, participam Wank Medrado (PRP), Isaac Carvalho (PCdoB) e Roberto Carlos (PDT).



Redação MultiCiência

Fórum aposta no potencial do sertão nordestino

Investimentos na agricultura familiar, desburocratização do crédito, melhoria na assistência técnica, maior infra-estrutura, apoio ao cooperativismo e viabilização da agro-indústria. Essas foram algumas das propostas apresentadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em parceira com o Fórum do Território do São Francisco, para aumentar o índice de desenvolvimento humano da região.

Segundo Humberto Oliveira, Secretário de Desenvolvimento Territorial do Ministério do Desenvolvimento Agrário, os municípios de Juazeiro, Campo Alegre de Lourdes, Pilão Arcado, Remanso, Casa Nova, Sento Sé, Sobradinho, Curaçá, Uauá e Canudos serão incluídos no programa Territórios de Cidadania, no ano de 2010, cuja meta é ampliar a capacidade organizacional e de desenvolvimento.

O evento que ocorreu, na última sexta-feira, lançou o Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável (PDRTS), o Plano Safra e os estudos das Potencialidades Econômicas, que contribuirão para a integração, aplicação e fiscalização das políticas públicas no território.

A finalidade é fortalecer a agricultura familiar de acordo com as especificidades de cada eixo, a partir da ampliação da capacidade organizacional. Estima-se que aproximadamente 40% de toda a população do sertão do São Francisco são de agricultores familiares, segundo Humberto Oliveira.

Levantamento feito pelo Fórum do Território do Sertão São Francisco aponta a criação de caprinos por agricultores familiares como uma das potencialidades do estado, representando 50,8% do rebanho. Casa Nova tem o mais expressivo rebanho de caprinos, 20,7%, seguido por Juazeiro e Remanso, ambos com 18,3%.

Segundo Carina Cezimbra, engenheira agrônoma e coordenadora do Plano Safra, a inadimplência, a falta de infra-estrutura social e produtiva (posto de saúde, sistemas de abastecimento de água e escolas) impedem o desenvolvimento da região e da produtividade da agricultura familiar. Também foram apontados outros fatores, como a forte concentração fundiária e o elevado índice de terras devolutas apropriadas de forma irregular.

Para buscar soluções a esses problemas, o Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável (PTDRS) investiu em eixos como incentivo sustentável da produção familiar; democratização do acesso a terra; valorização da educação contextualizada e da cultura; gestão ambiental e uso racional dos recursos naturais; saúde, saneamento e moradia; esporte, lazer e turismo; e comunicação.

O objetivo foi investir em atividades agropecuárias já desenvolvidas com êxito e com moderada sustentabilidade na região, como: caprino-ovinocultura, criação de abelhas, extrativismo vegetal (frutas), pesca artesanal, agricultura de subsistência e a irrigada. O destaque é para as cadeias da caprinovicultura e fruticultura (sequeira e irrigada).

Na primeira etapa, os projetos elaborados pelo Fórum serão analisados de acordo com os critérios do corpo ministerial. Em seguida, os planos serão encaminhados ao Conselho Nacional de desenvolvimento Rural (Órgão coordenado pela Secretaria da Agricultura do Governo do Estado) para futura aprovação. Participam desse conselho várias organizações do Governo Federal e da sociedade.

Sobre o Fórum:

O Fórum teve a participação de 29 instituições, 20 da sociedade civil (CPP, ASA, ASS, CPT, SASOP, FETAF/BA, MST, Cooper – CUC, Coopervida, MLT, Rede de mulheres, COAPRE, IRPAA, SINTAGRO, Instituto Velho Chico, Afrupec, ADAC, Diocese de Juazeiro, FETRAFF, Coordenação Estadual de fundos de Pastos) e 18 do poder público (AVEBLASA, CODEVASF, IBAMA, EMBRAPA, UNIVASF, UNEB, BAHIA PESCA, ADAB e Associação dos Prefeitos do Lago de Sobradinho).
Além da participação do Secretário de Desenvolvimento Territorial, Humberto Oliveira, o evento contou com a presença do Superintendente da Agricultura Familiar (Seagri/Suaf), Ailton Florêncio; do Diretor de Planejamento Regional Benito Juncal; do Consultor dos Territórios na Bahia, Wilson Dias; do Presidente da Associação dos Agricultores do Brasil, José Paulo; e do Articulador do Território Sertão do São Francisco, José Regis.


Por Kall Britto

A Pena e a Lei retrata o destino trágico do nordeste brasileiro



Um retrato do nordeste brasileiro trágico e cômico, permeados por personagens históricos da cultura popular. Assim foi a peça A Pena e a Lei, dirigida por Domingos Soares, do Teatro Popular de Arte, na noite da ultima quarta-feira (13/08), no Teatro do Sesc, durante a 4ª edição do Festival Aldeia do Velho Chico. A peça remontou a obra do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, através da fusão de vários estilos teatrais: a tragicomédia lírica pastoril, a comédia e a farsa.


O enredo da peça é composto por três histórias produzidas por Ariano Suassuna na década de 1950: A inconveniência de ter coragem, O caso do novilho furtado e o Auto da virtude e da esperança. Segundo o ator e diretor do espetáculo Domingos Soares, a peça traz para a ficção uma trama de enganos, traições e revela a moral e os valores da população sertaneja, entremeado a discussão sobre temas sociais como a prostituição, a fome, o trabalho nas fazendas e a influência das empresas estrangeiras na região.


Na abertura do espetáculo, dois personagens - Cheiroso e Cheirosa - representam o Caboclo de Lança do Maracatu de Pernambuco. A função dos atores foi abrir e encerrar os atos; e fazer análise moral e crítica, com auxílio de cantorias ao término de cada ato.


O enredo começa em Taperoá, interior do Nordeste, onde se encontra a figura do esperto negro Benedito, que disputa com os valentes, Cabo Rosinha e Vicentão Borrote, o amor da faceira Marieta. Na história, há ainda os personagens Pedro, um caminhoneiro; de Mateus, o ordenador de animais; do padre surdo; de João, o poeta; e de Joaquim, o funcionário da cadeia.


Três painés, dispostos no centro do palco e pela iluminação, faziam a alusão à terra, o sertão e a caatinga. A intenção é resgatar a cultura nordestina através das xilogravuras, característicos da literatura de cordel, dos musicais - estão presentes na peça mais de 20 trechos de músicas regionais-, das marcações, dos figurinos e da iluminação no tom âmbar.

No primeiro ato, os mamulengos encarnam a realidade de ilusão que vive o nordestino, envolto de pano e madeira em movimentos de sobe e desce. Já no segundo momento, divididos entre bonecos e humanos, o cenário simula uma prisão para demonstrar a ineficácia da justiça humana. No último ato, no qual o acender e apagar da luz determina as ações do elenco, os personagens assumem a face humana.


Explorando a tradicional cantoria nordestina, os atores encerram o espetáculo A pena e a Lei, que se apresenta como uma excelente oportunidade para o expectador conhecer a obra de Ariano Suassuna e refletir sobre a cultura nordestina e temas tão presentes como a prostituição, a miséria, a exploração do trabalhador.


Por Kall Britto
Redação MultiCiência

Aldeia do Velho Chico: Um lugar para experimentar


O exótico gosto da arte contemporânea de Fábio Rafael, a doçura inegável do Teatro Circense Andança, o sabor agridoce da Cia Construtores de Histórias, o gosto apimentado do grupo Sóletrando. São tantos sabores diferentes que enchem os nossos olhos, aguçam nossos ouvidos, criam novos paladares, alteram nosso metabolismo, e nos deixam salivar com tamanha fartura artística.


A dança tão pernambucana, tão baiana, tão brasileira, a música tão moderna e tão tradicional, o comércio artesanal ribeirinho, a poesia do nosso Manuca, o balanço do carnaval, da ciranda, do maracatu, do frevo e de tantos outros ritmos tão nossos. O sabor da Aldeia do Velho Chico, da Ilha do Massangano, de Petrolina, de Juazeiro, de Pernambuco, da Bahia, do Vale do São Francisco, do Rio de Janeiro, do Brasil!


Todo o gosto da arte, da experimentação, da alegria de sonhar, de imaginar, de viajar nas histórias, de cantar nossas cantigas de roda, de pular com Ripente Hop, de dançar ao som de Matingueiros, Lenine, Elba Ramalho, Lia de Itamaracá, Fabiana Santiago ou com o forró de Pega Leve, Targino Gondim, Petrúcio Amorim, Maciel Melo.


Tantas coisas a aprender nas oficinas: teatro, leitura, pintura, palhaçada, dança e mais e mais artes. A cada intervenção, a cada mostra, a cada performance, e em cada painel, a Sua Aldeia é Sua Parte, seu lugar, seu espaço. E Apesar dos Vendavais há quatro anos essa é a sua Aldeia, a sua tribo. Pode entrar, fique à vontade, aproveite até o sábado (16/08) essa overdose de cultura popular chamada: Aldeia do Velho Chico.


Carol Souza – estudante de Jornalismo da Uneb /Juazeiro

Fórum discute Plano de Desenvolvimento Sustentável


O Fórum do Território do Sertão do São Francisco apresenta, nesta sexta-feira (15/08), o Plano de Desenvolvimento Rural Sustentável Territorial e discute a inclusão da região no programa de Territórios da Cidadania. O objetivo é integrar políticas públicas, que fortaleçam a agricultura familiar e interfiram na educação, saúde e cultura das cidades de Campo Alegre de Lourdes, Pilão Arcado, Remanso, Casa Nova, Sento Sé, Sobradinho, Juazeiro, Curaçá, Uauá e Canudos.


O evento acontece, a partir das 8h, no auditório do Centro de Cultura Joao Gilberto, promovido pelo Núcleo Diretivo do Território do Sertão do São Francisco, composto pelas instituições IRPAA, Codevasf, SASOP, Articulação Sindical e Associação dos Vereadores de Borda do Lago (Azeblasa).


O evento contará com a participação de representantes de dez municípios, pertencentes a associações rurais, sindicatos, cooperativas, órgãos municipais e estaduais. Também estarão presente o Superintendente da Agricultura Familiar (Seagri/Suaf), Ailton Florêncio, e o Diretor de Planejamento Regional Benito Juncal; e o Secretário de Desenvolvimento territorial, do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), Humberto Oliveira.


“As ações que serão apresentadas terão como prioridade a construção de Sete mini-fábricas de beneficiamento de frutas nativas, a afirmação do Centro de Formação para os agricultores, e uma discussão sobre o aperfeiçoamento da política do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF)”, revela Vanderlei Crisóstomo, mobilizador do Território do São Francisco.


O Programa de Territórios de Cidadania foi lançado pelo Governo Federal, em fevereiro deste ano, sendo coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, com a assistência de 19 ministérios e o apoio de estados e prefeituras. O Programa pretende atender os municípios que tenham baixo índice de desenvolvimento humano (IDH) e atividade econômica no país; e alta concentração de famílias de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, pescadores e comunidades de quilombolas e indígenas.


Hoje, são beneficiados por esse projeto mais de 100 territórios no Brasil, com a estimativa de investimento na ordem de R$ 11,3 bilhões, distribuídos em três eixos: apoio às atividades produtivas (R$ 2,3 bilhões), cidadania e acesso a direitos (R$ 5,6 bilhões) e qualificação de infra-estrutura (R$ 3,4 bilhões). Supõe-se que o Nordeste receberá em investimento cerca de 5,4 bilhões.


O Projeto visa desenvolver a região e garantir os direitos sociais através de 135 ações, que vinculará os financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) com o aumento da assistência técnica; a construção de estradas com a extensão do Programa Luz para Todos; a recuperação da infra-estrutura dos assentamentos com a ampliação do Bolsa Família. Também estão previstos a implantação de Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) com o crescimento dos programas Saúde da Família, Farmácia Popular e Brasil Sorridente; e a construção de escolas com obras de saneamento básico e de cisternas.

Todas essas iniciativas, de acordo com Vanderlei Crisóstomo, serão implantadas respeitando as características econômicas e ambientais da região do Sertão do São Francisco.


Por Kall Britto
Redação MultiCiência

Esporte como ferramenta pedagógica


Que o Brasil é o país do futebol, ninguém duvida. Contudo, o que pouca gente sabe é a função social desse esporte na vida do brasileiro ajuda a promover. Em Juazeiro, estudante de Pedagogia do Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), desenvolve o projeto Esporte na Universidade, que incentiva a prática de futebol entre meninas das cidades de Juazeiro –Ba e Petrolina – Pe.


O projeto surgiu a partir do desejo de algumas alunas da UNEB em participar do "Torneio do Fera", uma competição de Futsal, promovida pela universidade, no ano passado. Nesta primeira participação, elas surpreenderam e foram campeãs. Vendo o interesse das meninas pelo esporte - até hoje visto como prática esportiva de menino -, o treinador do time e aluno do 8º período de Pedagogia, Elias Crispin, percebeu uma forma de unir Pedagogia e Esporte, colocando em prática os ensinamentos recebidos em sala de aula. "O meu objetivo é trazer a comunidade para dentro da universidade, aplicando a Pedagogia do esporte", explica o treinador.

Hoje, o projeto atende acerca de 23 meninas das cidades de Juazeiro e Petrolina, e o único pré-requisito para participação é estar regularmente matriculado na escola dos municípios. Um dos problemas enfrentado - tanto pelas meninas quanto por seu treinador -, é a falta de apoio e incentivo financeiro, o que é comum no Brasil em relação ao esporte amador.

Para participar dos treinos, as meninas têm que custear as sua passagem de ônibus até o local do treinamento, e quando o dinheiro não é suficiente elas chegam a se deslocar da periferia de Petrolina até a quadra da Uneb em Juazeiro a pé, o que causa um enorme desgaste às atletas. "Aqui tudo é por nossa conta", diz, Jéssica Morgado, uma das atletas. O esforço demonstra a força de vontade das alunas em continuar com o esporte. "Eu quero crescer na vida, quem sabe um dia ser uma Marta da vida. Não se paga pra sonhar", afirma.


Os treinos ocorrem nas terças-feiras entre as 19 e 21 horas e aos sábados das 18 até as 20 horas. Os treinamentos são feitos com todo o rigor, pois segundo o treinador, Elias Crispin, se as suas atletas querem conseguir algo têm que se comprometer com o esporte.

Um dos principais objetivos do time é a conquista dos títulos do Campeonato juazeirense de futsal e da copa TV Grande Rio, mas para que isso aconteça, é necessário apoio, pois até para pagar as inscrições o time passa por dificuldades. "Seria uma pena uma pena se as minhas alunas não participarem dessas competições, elas são boas", conta o empolgado treinador.

O desempenho das meninas é surpreendente, em apenas cerca de um ano de treinamento foram vice-campeãs da Copa Juazeirense, além da marca de seis vitórias em seis amistosos. Esse sucesso gera um forte assédio por parte de outras equipes às jogadoras, mas as atletas ressaltam que, mesmo com toda dificuldade, elas acreditam nelas e no treinador Elias", mostrando a união entre comissão técnica e atletas.


Por Emerson Rocha

O Mercado Cultural na Aldeia


O sociólogo francês Pierre Bourdieu nos deixou um legado importante ao tentar distinguir duas vertentes do campo de produção de bens simbólicos: o campo de produção erudita e o da indústria cultural. Para o sociólogo, era necessário refletir para quem se destinam os bens culturais produzidos. O campo de produção erudita destina a produção de seus bens a um público de produtores de bens culturais, enquanto o campo da indústria cultural os destina aos não-produtores de bens culturais, ou seja, a população em geral.


O Mercado Cultural do 4° Festival de Artes do Vale do São Francisco parece confirmar esta constatação de Pierre Bourdieu. O espaço alternativo onde os expositores locais se encontram para a “comercialização” dos seus trabalhos aparenta ser muito mais um ponto de encontro de artistas do que um elo entre artistas e comunidade. Algo que lembra o paradigma da “feira de aldeia”, onde a interação se dá pela troca de bens visando sempre à satisfação de algo: a venda do produto, por exemplo.


“Mas não foi por falta de divulgação”, afirma Sandra Guimarães, coordenadora e curadora do Mercado Cultural. Segundo ela, os meios de Comunicação locais divulgaram o espaço. Mas daí até a “população em geral” de Bourdieu participar corre um rio mais longo e profundo do que o Velho Chico.


Para quem ainda não viajou nas fotografias de Gustavo Matos nem experimentou um bom-bom de cachaça feito pela neta de Joãozinho do “Pharol”, o próximo sábado (16/08) será a última oportunidade para encontrá-los. Isto porque, fechando a programação do Aldeia do Velho Chico, Luluca Guerra fará um show na lateral esquerda do salão do SESC, onde a arte de dona Nezita, que há 20 anos, se faz por meio da confecção de fantasias para grupos de dança e balé, encontra-se com a Toyart de Brisa, que há cinco meses descobriu o segredo do feltro.


A expectativa delas é só uma: contrariar a teoria de Bourdieu...


Será que conseguem? Será que a produção erudita e a indústria cultural poderão se encontrar para atrair a população e também produzir arte?


Por Luís Osete, aluno do curso de Comunicação Social Jornalismo em Multimeios e colaborador MultiCiência

Ensaio Fotográfico: A palavra


Na peça A Palavra, Manuca Almeida convida o estudante Marcos Helder e o jornalista Raphael Leal para contracenar e exercitar a poesia que se faz verbo e em silêncio.

A peça também conta com a participação de Targino Gondim, músico e autor, junto com Manuca, de Esperando na Janela, canção que conquistou prêmios internacionais como o Grammy.

Em cena, o fotógrafo registra um momento de interação entre a palavra escrita, silenciada, aprisionada no livro e a expressão visual dos jovens a qual procura se emancipar, romper os grilhões da escrita, do lugar-comum, e quer dizer algo: aliás, diz e se basta.

A lente documenta a palavra feita de silêncio. Mas a imagem que nos legou, pequeno movimento insólito, sensível, quase imperceptível à plateia, grita-nos, fala-nos, diz-nos algo. Comunica em meio ao silêncio.

Foto by Cecílio Ricardo
Texto: Andréa Cristiana

Ensaio Fotográfico: A Palavra


Estudante de Comunicação Social Jornalismo em Multimeios, do DCH/UNEB, Cecílio Ricardo registra momentos da peça A Palavra, recital poético-teatral, que aconteceu no dia 07 de agosto no Aldeia do Velho Chico, no auditório do Serviço Social do Comércio (SESC), Petrolina.

Em cena, Manuca Almeida, poeta, ator da palavra, comemorando seus 30 anos de poesia.

A peça exercita a palavra. A foto, o movimento; a sensibilidade; um instantâneo, no qual a poesia se fez imagem.

Foto by Cecílio Ricardo
Redação MultiCiência



Multiciência Debate: A formação do Jornalista

Nos últimos dias, professores, jornalistas, colegas e egressos do curso de Comunicação Social problematizaram a necessidade da formação para o exercício do profissional jornalista.


Entende-se que o jornalismo é um campo de conhecimento e o profissional deste campo opera nos processos de significação do mundo e de mediação discursiva, além de ser um elemento essencial para a democracia, presente em processos históricos que consolidaram a construção da idéia de nação, cidadania, etc.


Como compreendemos que é necessário discutir e problematizar o campo do jornalismo, a Agência MultiCiência promoverá um debate público - ora no campo virtual - sobre a necessidade de assegurar a formação inerente à profissão do jornalista como ator social importante na sociedade contemporânea.

Este debate começou com o artigo de Jean Carlos, prosseguiu com o artigo de Muniz Sodré, no qual ele afirma:
"..Eventuais descaminhos não podem elidir a evidência de que a imprensa brasileira, por exemplo, jamais deixou, em seus 200 anos de existência, de estar presente, como parte essencial, nas causas que ajudaram a dar à nação a sua face atual – a abolição da escravatura (de cuja campanha participou a maioria dos jornais provinciais) e a criação da República. O jornalismo, no Brasil e no resto do mundo, reflete as questões públicas decisivas para os rumos da nação.




Congratulo-me com Muniz Sodré com sua defesa de que “(..) Informação não é mero produto, nem serviço: é o próprio solo da sociedade em que vivemos, é o campo onde joga o cidadão".

Ao defender a formação do profissional Jornalista, assegura-se a legitimidade de um profissional que atua como intérprete da realidade complexa com a qual vivemos, sendo necessário conhecimento sobre o campo, princípios éticos e não apenas vontade pessoal para assumir um papel social e/ou conquistar mercados e interesses pessoais – assumindo-se como jornalista, sem a formação necessária.


A Agência MultiCiência convida você – internauta, alunos, colaboradores, professores – a discutir, debater, problematizar a defesa do jornalismo como profissão e formação, na qual se requerem compromisso social, a defesa da ética, a do bom combate pela verdade e pelo desvelo em elucidar questões essencias para se orientar na sociedade contemporânea.


Este é apenas o início de uma permanente luta – pelo Jornalismo, pela formação adequada e por um jornalismo comprometido socialmente.


Andréa Cristiana, Jornalista e professora.

Campanha pela defesa do Jornalista por Formação


A direção do Sindicato de Jornalistas de Pernambuco (Sinjop) definiu uma pauta de movimentação, neste mês de agosto, em defesa da regulamentação dos jornalistas e do diploma específico para o exercício profissional, dentro da mobilização nacional liderada pela Fenaj, que prevê uma semana de atividades no País a partir da próxima segunda-feira a 17 deste mês.


Grande manifestação de jornalistas e de personalidades e entidades sociais e sindicais em apoio e solidariedade à regulamentação no Jornalismo já se registra nacionalmente, enquanto se aguarda a definição da data do julgamento, pelo STF, do recurso do Ministério Público Federal contra o diploma para jornalista.


Com a abertura da campanha salarial 2008, o SinjoPE foi às redações, nas últimas quinta e sexta-feiras (7 e 8/08), para convocar os profissionais para a assembléia de aprovação da Pauta de Reivindicações, para também convocar a categoria a intensificar as manifestações de apoio à nossa regulamentação e a participar dos atos.
Vejam abaixo o calendário de atividades:


- Dia 6 de agosto - coleta de adesão ao abaixo-assinado da Fenaj no plenário da Assembléia Legislativa. A partir das 14 horas;

- Dias 7 e 8 de agosto - mobilização nas redações dos principais jornais, TVs e rádios em Pernambuco;

- Dia 11 de agosto - mobilização pelo diploma na assembléia de aprovação da pauta da campanha salarial 2008. Às 12 horas, no auditório do Sindicato dos Radialistas, bairro de Santo Amaro;

- Dia 13 de agosto - Ato em defesa do diploma e da regulamentação da profissão e para coleta de assinaturas ao abaixo-assinado da Fenaj, em frente ao Tribunal Regional Federal (TRF/5ª), Av. Martin Luther King, S/N - Cais do Apolo - Recife - PE. Manhã e tarde;

- Dias 11 a 17 de agosto - contatos e visitas a faculdades, universidades e cursos de Jornalismo;

- Dias 20 a 24 de agosto - participação da delegação no 33º Congresso Nacional dos Jornalistas, em São Paulo.


Mais informaçõe: 38621755



Fonte: Blog Tereza Leonel

Multiciência Debate: Jornalista por Formação

A necessidade da formação universitária


Por Muniz Sodré, jornalista, escritor e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Em fevereiro de 2007, a Newspaper Association of America anunciou, durante sua convenção anual em Las Vegas, o lançamento de uma campanha nacional para incutir no público leitor a idéia de que o jornal do futuro será uma "multiplataforma de informação", o que implica, na prática, a junção empresarial e cultural do papel com a web. Daí, slogans do tipo "a internet é a melhor coisa que poderia acontecer aos jornais".

Mas será essa também a melhor coisa que poderia acontecer aos jornalistas?

Esta questão tem alguma pertinência para o atual debate sobre a exigência de diploma universitário.

Em princípio, é preciso debater a hipótese de que essa nova face da informação pública possa pôr em crise a própria identidade do jornalismo clássico como mediação discursiva e como funcionalidade específica de um grupo profissional. Disto, um claro sintoma é a questão levantada por um arauto da chamada cibercultura: "Seria ainda necessário, para se manter atualizado, recorrer a esses especialistas da redução ao menor denominador comum que são os jornalistas clássicos?"

Cidadania e humanismo

A resposta, de certo modo, começa a ser dada pelos grandes conglomerados do jornalismo impresso, por meio da progressiva conversão empresarial do papel à eletrônica. Nada impede que o jornalismo troque de suporte preferencial, uma vez que os conteúdos informativos, na medida da independência de sua forma técnica, podem passar de um suporte para outro sem alterar substancialmente a sua natureza. A despeito do potencial midiático da internet, a digitalização em si mesma não é um medium, e sim um processo técnico (informático).

Veja-se o livro: mesmo digitalizado, continua a ser "livro", isto é, a organizar seqüencialmente os conteúdos de acordo com a milenar forma códice (codex), embora ainda sejam grandes as dificuldades de leitura de textos extensos na tela do computador. Daí, as hibridizações formais, já praticadas por alguns jornais, entre a escrita tradicional e a escrita para a tela do computador, oferecendo ao público a opção de leitura de jornal entre resumos e textos maiores.

Ainda o livro: também não se pode passar por cima da evidência de que, em nossa modernidade, a forma códice (escrita unidirecional, páginas organizadas em cadernos e costuradas), depois chamada livro, impôs-se aos usos e aos espíritos como locus do conhecimento centrado, da leitura que constitui pastoralmente a cidadania, da produção do sentido e do real medidos pela escala do humanismo.

Nem produto, nem serviço

O mesmo se dá com o jornal. Pode trocar de suporte técnico, pode mesmo existir na complementação dos suportes (papel e eletrônica), mas continua impelido, como forma moderna e democrática da comunicação, pela ideologia humanista que garante a cidadania. Eventuais descaminhos não podem elidir a evidência de que a imprensa brasileira, por exemplo, jamais deixou, em seus 200 anos de existência, de estar presente, como parte essencial, nas causas que ajudaram a dar à nação a sua face atual – a abolição da escravatura (de cuja campanha participou a maioria dos jornais provinciais) e a criação da República. O jornalismo, no Brasil e no resto do mundo, reflete as questões públicas decisivas para os rumos da nação.

Como conceber hoje o funcionamento dessa instituição "quase-pública", geradora da informação necessária ao cidadão para o pleno funcionamento da democracia, sem uma formação universitária, especializada, de jornalistas? Informação não é mero produto, nem serviço: é o próprio solo da sociedade em que vivemos, é o campo onde joga o cidadão. Se a garantia dessa formação adequada se espelha hoje no diploma, viva o diploma.

Mais informações: Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=497DAC002

Literatura de Cordel como expressão da arte popular



O cordel é um estilo
De literatura popular
Nascido em Portugal
No Brasil veio ocupar
Um lugar de destaque
E todo tipo de sotaque
Conseguiu conquistar


Os livretos populares
Incorporados no nordeste
Trouxeram conhecimento
Até mesmo do sudeste
Vendidos em mercados e feiras
Não poupou nem mesmo as freiras
Que moravam lá no leste



Estes versos acima são característicos da literatura de cordel, também conhecido como a versão escrita dos versos populares. Sua origem data dos tempos medievais, na península Ibérica, onde foi denominado cordel por ser exposta em cordões ou barbantes, expressões conhecidas, popularmente, como cordéis.

Nos Séculos XVI e XVII, os livretos foram introduzidos no Brasil, e desde então passaram a fazer parte da cultura do nosso país.

Mais que uma literatura, o cordel é um instrumento de informação e de preservação do folclore, afinal as rimas trazem em suas entrelinhas estórias, contos, lições de vida, lendas, críticas sociais e políticas, além de pessoas e situações que marcaram a história da nação.

As capas são devidamente ilustradas com figuras provenientes das artes manuais conhecidas como Xilogravuras (arte de talhar desenhos em madeira e prensa-los no papel) e Linogravuras (arte de talhar desenhos em borracha e prensa-los no papel).

Hoje, a região nordeste é a única que mantêm viva a circulação desses livretos. No entanto, estes vivem na memória do povo brasileiro que desde o principio encontrou no cordel uma forma de expressar suas angústias, sentimentos e vivências.
Você Sabia?


Com o objetivo de resgatar o cordel foram fundadas academias no Rio de Janeiro-RJ - Academia Brasileira de Literatura de Cordel, e no Crato-CE - Academia Brasileira de Cordel. Nestes espaços, são elaborados livretos mensalmente pelos próprios membros.


As academias são mantidas com financiamento dos próprios estudantes que para ingressarem no espaço devem elaborar um cordel que será avaliado pelos componentes da academia.


Por Elka Kelly

Crítica Teatral: O Reecontro de palhaços no Salão







O Reencontro de Palhaços no Salão...

Por Luís Osete



“Foi bom. Só faltou luz”, diria Biribinha mais tarde, quase travestido de Teófanes Antônio Leite da Silveira (“o homem que vive à custa de Biribinha”, como ele mesmo faz questão de ressaltar).

Depois de percorrer onze cidades pernambucanas, seguindo o itinerário do Palco Giratório, o espetáculo “o Reencontro de Palhaços na Rua é a Alegria do Sol com a Lua” veio desembocar na margem esquerda do Rio São Francisco. Mais precisamente, no salão do SESC-Petrolina.

Além do encontro de palhaços, o último vagão do Palco Giratório se encontrou com o primeiro do Aldeia do Velho Chico (4° Festival de Artes do Vale do São Francisco). Até dia 16 muita água vai rolar nesta Aldeia...

E muitos encontros devem acontecer também. O encontro do último sábado, proporcionado pela Cia. Teatral Turma do Biribinha (Arapiraca-AL), foi com a alegria. Uma platéia muito variada se deliciou com a leveza dos palhaços Biribinha e lingüiça.

Mesmo tendo de fazer algumas adaptações necessárias para deslocar a peça da rua para o salão, que implicaram num corte do ritmo, a base dramatúrgica conseguiu ser preservada. Os dois palhaços convenceram o respeitável público de que realmente não se viam desde o Circo Mágico Nelson, do palhaço Biriba (uma referência ao saudoso pai de Biribinha).

Para representar o reencontro, Lingüiça teve de se infiltrar na platéia. A peça perdeu, neste ponto, a excelente interpretação de Wellington Santos como o mendigo que durante um espetáculo de Biribinha rouba a cena e atrapalha a encenação. Algo que já causou alguns desencontros durante estes dois anos de apresentações. Linguiça já foi preso, teve o braço machucado e tumulto com Associação de moradores.

Afinal de contas, não é todo mundo que tem a sensibilidade de perceber que o pedinte é o velho Lingüiça. Só Biribinha mesmo para convidá-lo a reviver os tempos de outrora, num espetáculo baseado nas esquetes de palhaços que eles mais gostavam de fazer.

É impressionante como a apresentação consegue articular linguagens tão diversas como o circo, o teatro, a música e a dança sem perder o ritmo narrativo. Por sinal, a linguagem cênica se faz exatamente na tessitura das outras linguagens, algo que caracteriza a hibridez do espetáculo.

De repente, não mais do que de repente (diria Vinícius), chega-se ao momento do improviso. Os palhaços dividem a platéia em duas torcidas: Biribinha Futebol Clube e Esporte Clube Lingüiça. E, assim, inicia-se um desafio cuja origem remonta aos trovadores medievais. “De Repente”, a estrofe de um palhaço desconstrói a estrofe anterior, sempre com a algazarra da torcida e o acompanhamento dos instrumentos.

Piano de garrafa, serrote e chocalho saíram da lona do teatro de circo e se adaptaram muito bem ao acompanhamento do violão, da guitarra e de uma espécie de bateria. Em determinado momento da apresentação, a emblemática música “Asa Branca” é executada a toques de chocalho.

Durante quase uma hora de espetáculo, a poética dos palhaços saudosistas envolve a platéia de tal maneira que dá para rir, chorar, mergulhar na infância e nadar no melodrama circense sem pressa (e sem lona)...

Biribinha que o diga. Com 50 anos de profissão, ele não se cansa de repetir: “Nós não somos meros fazedores de graça. Nosso palhaço da dualidade utiliza muita coisa do tradicional”. Talvez seja por isso que ele tenha sentido falta da luz. Na verdade, tal como Goethe, Biribinha só queria que a gente abrisse mais a janela: da nossa própria consciência...


Luis Osete é estudante do curso de Comunicação Social – Jornalismo em Multimeios

Luz, Câmara, Ação..Cinema em Juazeiro dos anos 1960


Thank you, I Love You, all right, very much... Assim, o povo juazeirense procurava responder a cumprimentos e declarações em inglês inspiradas nos filmes que eram exibidos no principal cinema da cidade – Cine São Francisco - na década de 1960. Homens e mulheres imitavam as roupas dos personagens. Os recepcionistas vestiam smoking. As moças das bilheterias eram bastante maquiadas e com penteados exóticos, assim como as atrizes dos filmes. Os resultados dos jogos de futebol passavam na tela antes do início dos filmes.

Se você imagina que tudo isso é uma mera curiosidade, engana-se. Trata-se de conhecimento histórico da importância da sétima arte para a população juazeirense. Por que será que Juazeiro hoje não possui sequer uma sala de cinema? Para responder a esta indagação e as causas que impulsionaram o fechamento das salas de projeção dos cinemas de Juazeiro, Márcia Araújo Ribeiro Lima, professora da Faculdade de Formação de Professores de Petrolina (FFPP), realizou pesquisa para identificar a importância histórica e cultural do cinema na cidade.
Palco de apresentações de cantores como Roberto Carlos e Agnaldo Timóteo, espaço de encontro e diversão das pessoas, o cinema em Juazeiro era um ambiente de efervescência artística e cultural. Contudo, a chegada da televisão e do videocassete, que permitiram a distribuição de cópias, e a dificuldade em adquirir as películas levaram ao fechamento dos cinemas locais.

Porém, grupos culturais e espaços alternativos de exibição, como o CineEncontro, promovido pelo Departamento de Ciências Humanas/UNEB, antêm, atualmente, viva a essência da sétima arte em Juazeiro. Além disso, a cidade já serviu de cenário para a produção de diversos filmes, como Eu, Tu, Eles.


Por Paulo Victor

Jornalistas por (de) formação até quando?

Jornalistas por (de) formação

por Jean Carlos Corrêa



Findos os quatro anos e meio de curso, e celebrada a formatura com sangue, suor, lágrimas, sorrisos e até fogos de artifício, a primeira turma de Jornalismo em Multimeios da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) estar a se perguntar, tal qual um dos escravos recém-libertos, no dia seguinte à festança do 13 de maio (diz a lenda): “e agora?”.


E agora, respondo eu, é o momento não apenas para distribuir cópias de currículos e projetos de assessoria aos veículos de comunicação do Vale do São Francisco: também é a hora para debater o que se pretende do jornalismo regional de agora em diante - estamos falando da comunicação para um público de quase meio milhão de pessoas, 230.538 em Juazeiro e 268.339 em Petrolina, segundo dados do IBGE (2007), sem contar as demais cidades da região do Vale. Afinal é chegado o fim da desculpa para a contratação de pessoas sem a devida formação acadêmica.


Os jornalistas recém-saídos da Uneb não devem mais admitir a realização de cursos relâmpago para candidatos à obtenção de DRT de radialista (alguns dos quais defensores de estranhas ‘regras de mercado’, que atrapalham a vida dos jornalistas em busca de um lugar nas rádios); também não podem permitir a atuação de pessoas que não sabem distinguir entre um argumento sólido e um falacioso, que reproduzem ipsis literis o áudio de uma fita K7 decupada (o famigerado jornalista capivara); dos incapazes de reconhecer os (inter)discursos naquilo que escrevem, falam ou registram em suas fotos (aliás, o que tem de ‘fotojornalista’ surgido do nada mas ingresso na área por ter a SLR digital último tipo acompanhado da devida objetiva de tantos mil reais, não está em nenhum catálogo fotográfico), e blogueiros violadores da legislação eleitoral.


Escrever com a correta conjugação do verbo, “tirar fotos bem bonitas” e saber “upar” uma foto num blog não basta para alguém se dar ao direito de bancar o jornalista e sair cantando de galo como tal. A propósito, nada tenho a dizer sobre quem está no mercado há tempos. Inclusive, seria contraditório se eu o dissesse, tendo passado praticamente meus 12 anos de jornalismo como mero provisionado, embora até pudesse ter ficado, estava escorado no argumento furado de que experiência é o que basta. Mas não basta!


O escriba aqui volta a dizer, crendo que os companheiros formados e os colegas das atuais turmas da Uneb, os próximos jornalistas, hão de concordar: na região do São Francisco não se admite mais gente sem formação, que ingresse pela “janela” na atividade profissional ou à reboque de uma eventual indicação política. E nem venham dizer que a maioria dos formados da primeira turma já foi embora de Juazeiro. Lendária ou não, a história de quem bebe da água do Velho Chico sente a irresistível vontade de permanecer aqui pode ter lá seu fundo de verdade: ainda há gente na região buscando uma colocação no mercado de trabalho, na prática diária, lutando contra um bando de “penetras” de sorrisos cordiais e fortes apertos de mão.


A esses “jornalistas”, “fotojornalistas” e “blogueiros” de ocasião e oportunidade recomendo considerarem seriamente a possibilidade de ingressar na faculdade. Quatro anos e meio de UNEB ou quatro de Universidade Federal da Paraíba (UFPB), para citar somente duas universidades bem próximas, lhes farão um bem enorme.


Enquanto isso, por humildade e hombridade, dêem o devido espaço para quem buscou saber como a semiologia pode ser útil para identificar os vários discursos por trás das falas dos interlocutores com os quais lidamos diariamente, ao fazermos nosso recortes dos fatos ou que nem sempre a foto “bem bonita” revela ao leitor a essência de um acontecimento.


Jean Carlos é Jornalista provisionado e com formação pela UNEB

O Ciúme dois: a motivação

O Ciúme dois: a motivação

Todas as duas, eu acho uma coisa linda, eu gosto, não, eu amo Juazeiro e adoro Petrolina. Isto seria apenas uma paráfrase do poeta Maciel Melo sobre a relação ciumesca que sempre houve nestas duas belas cidades. Para o nobre leitor, pode soar como um texto rancoroso, cheio de ciúmes, dores de cotovelo. Acredite, tem um pouco disso tudo, mas motivados por deselegâncias e desrespeito.

Vamos aos fatos. Na sexta-feira, primeiro dia de agosto e do início do Aldeia do Velho Chico, evento cultural promovido pelo Serviço Social do Comércio (SESC), várias apresentações musicais apresentaram-se na orla de Petrolina, numa vista maravilhosa para Juazeiro, em um palco de uma altura jamais vista, mantendo a distância artista-público ainda mais esquisita. Essas apresentações são custeadas pelo Governo de Pernambuco, através da Secretaria de Turismo do Estado, e como o próprio Lenine, principal atração do dia e da noite, falou: de graça, 0800.

Ótima idéia, bela sacada essa do SESC e mais ainda do Governo de Pernambuco que associou o evento Aldeia... ao projeto institucional do Estado em fazer com que os Pernambucanos conheçam o seu Estado. Até aí, tudo bem.

A noite estava ótima. Muito agradável, uma temperatura suportável. Não fazia tanto frio assim. Matingueiros tocando, gente chegando. De repente, saio da platéia e busco os bastidores para exercer o meu trabalho de jornalista. Às portas do camarim, encontro um segurança e o informo que sou Jornalista e queria apenas fotografar o palco de cima, pois como já falei anteriormente, o palco era muito alto e não proporcionava uma boa visão nem uma perspectiva legal para a fotografia. O segurança disse que não era com ele. Então, encosta um tal Caubi, ou Cauby? Aviso-lhe sobre a minha presença ali, ele diz que não posso entrar. Pergunto-lhe sobre a assessoria de imprensa do evento. Ele disse que eu estava conversando com ele. Peraê, até hoje não entendi. Ele era assessor ou porteiro? No final das contas, não tive acesso aos bastidores, pois não tenho crachá, sou um escrachado.

Voltei e fui curtir as apresentações. Todas ótimas. Petrúcio Amorim com a sua poesia sertaneja e xotes, baiões e pé-de-serra. Em seguida, o tão esperado show da noite. Lenine, produtor, arranjador, compositor, cantor pernambucano, fazia a sua estréia nos palcos ribeirinhos. Tudo conspirava bem. A música massa. Ritmos descompassados, letras envolventes, público cantando com o artista. O Nego D’água saiu do Angary, do outro lado do Rio, e veio ver o que acontecia. Aquele som o fez ancorar numa balsa atracada às margens do Velho Chico.

Lenine é ótimo, só pareceu ser míope, ou muito desinformado. Será que faltou à aula de Geografia e não sabe que nessa beira do rio São Francisco dois estados do Nordeste são divididos por um tapete de água e, por isso, é gerado um bairrismo, um ciúme, que Caetano Veloso notou em poucas horas ao passar por aqui pela primeira vez? Será que os funcionários do Governo de Pernambuco, e os verdadeiros assessores de imprensa, não o muniram de informação e o alertaram sobre a presença de juazeirenses ali e que ele estava defronte à cidade baiana? Pode ser, ou pela miopia, ou pela desinformação.

Assim como eu, outros juazeirenses perceberam essa falta de cumprimento à vizinha cidade e acharam a atitude deselegante do artista. Atrevo-me a dizer que, metade da platéia, era de Juazeiro.

Outro dia, isso quase acontece no show do Cordel do Fogo Encantado, salvo pelo convidado da banda, o rapper BNEGÃO, ex-planet hemp, que prestigiou a platéia como uma só: petrolinenses e juazeirenses. Zeca Baleiro também fez um show em Petrolina para o tão propagandeado Vale e reverenciou as duas cidades de forma genuína e como convém a um artista. Pois é, para vender imagens e negócios é o Grande Vale, para minúsculas reverências e cumprimentos que criam uma atmosfera saudável e o apreço do público, não. Às vezes, dava a impressão de que Lenine foi orientado a não se referir, em hipótese alguma, à cidade baiana, pois quem pagou foi o Governo de lá, no caso, de Pernambuco.

A magia que envolve essas duas cidades é perfeita. Não teria graça viver por aqui e não brincar com isso. Tenho raízes pernambucanas fortes, mas nasci e moro em Juazeiro. Tenho ótimas relações com meus parentes e petrolinenses. Contudo, não posso ficar sufocado: Lenine cometeu um ato de má-educação. Ah, isso ele fez. Os produtores que trazem esses artistas devem orientar que fazer show aqui, no Grande Vale, é diferente de qualquer outro centro urbano, pois congrega o público das duas cidades.

Os meus argumentos podem até ser visto como ciúmes, tudo bem. Entretanto, os meus ciúmes de Petrolina são outros. São mais das coisas que Petrolina tem e Juazeiro nunca teve como vias urbanas bem definidas, um comércio forte, equipamentos urbanos que servem à população, Aldeia do Velho Chico, Sesc, Sesi, Senac, Parque Municipal. Juazeiro tem pracinhas, grama, empresas que poluem o ambiente com um mau cheiro insuportável. Mas também tem muita gente boa, como as que foram reverenciar Lenine, e sequer foram cumprimentadas como baianos, juazeirenses, do outro lado da beira do rio.

E olha que ele ainda cantou Diga aí, Diga lá, você já foi a Bahia, nega? Não? Então vá. Quem não foi, foi Lenine. Então, retribua a visita que o Nego D’água lhe fez. Ele está lá, no Angary, mesmo lugar onde João Gilberto inventou um novo modo de tocar e cantar, ao notar que no gingado das lavadeiras havia musicalidade. E criou a Bossa Nova, do qual Lenine é herdeiro.

Por Raphael Leal é Jornalista em Multimeios.